Mostrando postagens com marcador 1 domingo de advento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 1 domingo de advento. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Somos porteiros

I Domingo do Advento Ano B 2017/2018

No final de cada ano, muitas empresas, escolas ou lojas fecham alguns dias para fazer um balanço de como foi o ano, se livrar daquilo que está encalhado, corrigir os erros e festejar as vitórias.    É tomando contato com a realidade de nossa vida, tanto das conquistas para dar graças a Deus, tanto dos erros para corrigi-los é que podemos nos planejar para o que nos resta da nossa vida.
Na Primeira leitura, o profeta Isaías acaba por fazer uma pintura realista da situação do Povo de Israel. Diz claramente que a situação difícil pela qual eles estavam passando não era simplesmente um mal ocasional ou passageiro, mas consequência de seus pecados.
Todo pecado gera sofrimento. Nossa vida não é como os desenhos animados de Tom e Jerry em que o gato e o rato aprontam, caem cofres pesados em suas cabeças e na outra sena do desenho tudo está como antes como se nada tivesse acontecido. Não. Nossa vida deixa marcas. Estas são aliviadas e suavizadas pelo sacramento da reconciliação e pela graça de Cristo, porém, a pessoa madura e realista sabe encarar de frente as consequências negativas de suas próprias ações ou omissões.
 Muitos gritam e reclamam: “Ah como eu sofro...”   Será que, se formos realmente sinceros conosco mesmos, não veremos também o sofrimento que já causamos a outros?
 Sem meias palavras, a pessoa realista vê a vida de frente e percebe nas alegrias e sucessos  de sua vida a graça de Deus e a sua correspondência a essa graça, assim como sabe reconhecer em certos sofrimentos e humilhações, as consequências dos próprios pecados e  dos pecados dos outros.
 Essa era a leitura que os profetas fizeram mais de uma vez da história do povo de Israel. O cristão maduro sabe encarar esses sofrimentos com serenidade e humildade, e enquadrá-los num caminho sereno de penitência e reconciliação.
Tudo isso só pode acontecer abrindo-se sem medidas à Graça e Misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo. Exemplo pujante disso é a comunidade de Corinto , que, no “balanço” que dela fez o Apóstolo São Paulo, foi achada fiel ao seu Senhor à graça “carismática” com a qual ela tinha sido agraciada. De fato, o Apóstolo atesta: “Não vos falta dom algum, a vós que aguardais a manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Que beleza de Igreja estava em Corinto! Não lhes faltava nenhum dom do Espírito Santo. Mesmo suas faltas, como São Paulo vai denunciar no Capítulo 11, por exemplo,  não puderam apagar essa verdade.
Essa atitude realista e de contínua conversão, Nosso Senhor chama no Evangelho de “estar desperto”. Não “dormir” no próprio pecado. “46Feliz esse servo a quem o senhor, ao voltar, encontrar assim ocupado. 47Em verdade vos digo: Há-de confiar-lhe todos os seus bens. 48Mas, se um mau servo disser consigo mesmo: ‘O meu senhor está a demorar’, 49e começar a bater nos seus companheiros, a comer e a beber com os ébrios, 50o senhor desse servo virá no dia em que ele não o espera e à hora que ele desconhece; 51vai afastá-lo e dar-lhe um lugar com os hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes.” (Mt 24,46-50)
Esta “casa de Deus” que deve ser bem servida e arrumada por nós, servos inúteis, com a força do Espírito Santo é antes de tudo a nossa alma, mas também as nossas famílias, a Igreja e o mundo.
Entre as funções que os servos desenvolvem, o Evangelho de hoje sublinha a do porteiro. Que faz um porteiro? Deixa entrar o dono da casa e todos os que são seus amigos ou que de alguma forma lhe prestam algum serviço e barra a entrada dos espiões, ladrões e inimigos do seu senhor. Que portas são essas de que Deus nos fez porteiros?
A porta de nossas almas são os nossos sentidos.  Por ela devem passar as boas companhias, bons livros, boa música, bons filmes, etc...Devem ser barrados as más companhias, maus livros, músicas indecentes, filmes perniciosos....; a porta de nossa família é a porta mesmo de nossas casas. Por ela devem entrar os verdadeiros discípulos de Cristo, a vida sacramental da igreja, alimentos saudáveis; devem ser barrados, falsos profetas, hereges, drogas, alimentação não sadia... ; Já as portas da Igreja devem estar abertas aos pecadores e fechadas para o pecado; as portas de nossa vida social devem estar abertas para a colaboração com os homens de boa vontade e fechadas para os que só querem implantar uma cultura anti-cristã, pagã e devassa.
Quais os inimigos de Nosso Senhor que devemos barrar? Quais os seus amigos que devemos acolher? Certamente os pobres e necessitados, nesse tempo de crise econômica, que, para além de seu aspecto difícil, pode ser, para nós, uma escola de partilha.
Que Jesus Eucarístico, que daqui a pouco vamos receber, ele que é o dono da casa que é a nossa alma, nos ensine , já nessa vida,  a sermos bons porteiros, e um dia, recebermos a recompensa dos servos fiéis.

Para partilhar:
1- O Senhor nos mandou vigiar. Esta vigilância é sobretudo de nós mesmos, mas também sobre as pessoas que o Senhor nos confiou. O porteiro é assim instituído para deixar entrar o dono da casa e não deixar entrar os ladrões.
Temos deixado entrar o “Dono da casa”, através da oração, da Eucaristia, do rosário? Quais são os “ladrões” que os pais e educadores não  devem deixar em suas casas?
Pe. Marcelo Nespoli 

domingo, 27 de novembro de 2011

O QUE VOS DIGO, DIGO A TODOS: VIGIAI!

Iniciamos mais um ano litúrgico. O advento, sendo um tempo que vai fazer memória da primeira vinda de Cristo, acaba por ser também um tempo de preparação para a sua segunda vinda na glória.  A primeira leitura relembra a expectativa do povo de Israel para a primeira vinda do Senhor: “Oh se rasgásseis os céus e descêsseis! Ante a vossa face estremeceriam os montes.” (Isaías 63,19)
Nós, que já podemos testemunhar esta primeira vinda, tomamos este mesmo texto para suspirar pela sua segunda e definitiva vinda. É importante celebrar a cada ano o advento, pois com a demora da sua segunda vinda, que chegará, corremos o grande risco de deixarmos de esperar. Sobre isso comenta o Apóstolo São Pedro: “Antes de mais, ficai a saber que, nos últimos dias, hão-de vir uns impostores trocistas, que viverão segundo as suas más paixões e, troçando, vos perguntarão: «Em que fica a promessa da sua vinda? Desde que os pais morreram, tudo continua na mesma, como desde o princípio do mundo!»…. Não é que o Senhor tarde em cumprir a sua promessa, como alguns pensam, mas simplesmente usa de paciência para convosco, pois não quer que ninguém pereça, mas que todos se convertam.” (2Pedro 3,3-4. 9)
O risco é de nós acharmos que somos “senhores”, e não empregados na “casa de Deus”. Inclusive porque o Senhor conferiu autoridade aos seus servos: “É como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, delegou a autoridade nos seus servos, atribuiu a cada um a sua tarefa e ordenou ao porteiro que vigiasse” (Marcos 13, 34) Quem nos mantém no nosso devido lugar é a presença do Espírito Santo. O Próprio São Paulo dirá: “… ninguém pode dizer: «Jesus é Senhor», senão pelo Espírito Santo.” (1 Cor 12,3) Una Igreja que espera a vinda do Senhor é aquela que diz como no Salmo de hoje: “Deus dos Exércitos, vinde de novo, olhai dos céus e vede, visitai esta vinha. Protegei a cepa que a vossa mão direita plantou, o rebento que fortalecestes para Vós.” (Salmo 79 (80), 15-16); é a Igreja e cada um de nós que diz: “Vós, porém Senhor, sois nosso Pai e nós o barro de que sois o oleiro; somos todos obra das vossas mãos” (Isaías 64,7). Queremos ser como a Igreja de Corinto que era cheia do Espírito Santo. São Paulo chegou a afirmar: “De facto, já não vos falta nenhum dom da graça, a vós que esperais a manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo.” (1Cor 1,6-7) Que beleza de Igreja a de Corinto! Não lhes faltava nenhum dom do Espírito Santo.
Que não ocorra connosco a loucura de achar que a “casa é nossa”, pois nos alerta o Senhor: “Feliz esse servo a quem o senhor, ao voltar, encontrar assim ocupado. Em verdade vos digo: Há-de confiar-lhe todos os seus bens. Mas, se um mau servo disser consigo mesmo: ‘O meu senhor está a demorar’, e começar a bater nos seus companheiros, a comer e a beber com os ébrios, o senhor desse servo virá no dia em que ele não o espera e à hora que ele desconhece; vai afastá-lo e dar-lhe um lugar com os hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes.” (Mt 24,46-50)
Esta “casa de Deus” que deve ser bem servida e arrumada por nós, servos inúteis, com a força do Espírito Santo é antes de tudo a nossa alma, mas também as nossas famílias, a Igreja e o mundo.
Entre as funções que os servos desenvolvem, o Evangelho de hoje sublinha a do porteiro. Que faz um porteiro? Deixa entrar o dono da casa e todos os que são seus amigos ou que de alguma forma lhe prestam algum serviço e barra a entrada dos espiões, ladrões e inimigos do seu senhor. Quais seriam hoje os amigos e servos do Senhor que devemos acolher na casa de nossa alma pela porta dos sentidos; em nossa família pela porta de nossa casa; e em nossa Igreja pelo apoio e incentivo; e no mundo pela colaboração? Quais os inimigos de Nosso Senhor que devemos barrar? Neste tempo do advento, peçamos ao Senhor que nos ajude a arrumar a casa, que é Dele, com a nossa conversão.
 “Estendei a mão sobre o homem que escolhestes, sobre o filho do homem que para vós criastes; e não mais nos apartaremos de vós: fazei-nos viver e invocaremos o Vosso Nome.”  (Salmo 79 (80), 18-19)

Para partilhar:
1- O Senhor nos mandou vigiar. Esta vigilância é sobretudo a nós mesmos, mas também sobre as pessoas que o Senhor nos confiou. O porteiro é assim instituído para deixar entrar o dono da casa e não deixar entrar os ladrões.
Temos deixado entrar o “Dono da casa”, através da oração? Quais são os “ladrões” que os pais e educadores não  devem deixar em suas casas? Ex: Todos os jogos (violência, etc…)? Todos os sites? Todos os filmes? Todas as novelas? Partilha o que tens feito e o que achas que ainda deves fazer para ser um bom porteiro.
Pe. Marcelo

sábado, 26 de novembro de 2011

Vigiai

I Domingo de Advento ano b (Mc 13, 33 – 37)

Advento é um tempo de espera, de preparação. Espera e preparação não só para o Natal, mas também para segunda vinda de Cristo no fim dos tempos. Não sabemos a hora em que o Senhor volta, o que é importante é cumprir a sua tarefa. O pior que pode acontecer com quem espera é dormir. Não só o porteiro deve vigiar. Ele não pode vigiar por todos. Cada um recebeu uma tarefa e esperando a volta do Senhor deve cumpri-la.
Na santa vigília esta escondida o alerta e a esperança.
Alerta, pois podemos perder o grande acontecimento, esperança, pois Deus quer servir –se de nós.
Devemos vigiar mesmo quando o tempo é longo e já esta parecendo que Ele não vai chegar.
Quando pensamos sobre Deus, seria bom parecer como o namorado apaixonado, que esta  sempre esperando o encontro,a  ligação, a conversa, algum presente.
Quem ama espera a amado.
Pe. Artur

sábado, 28 de novembro de 2009

UM TEMPO NOVO

Iniciamos mais um ano litúrgico. O Advento, sendo um tempo que faz memória da primeira vinda de Cristo, acaba por ser também um tempo de preparação para a sua segunda vinda na glória. Escutamos na Primeira leitura: “«Eis que virão dias em que cumprirei a promessa favorável que fiz à casa de Israel e à casa de Judá - oráculo do Senhor. Nesses dias e nesse tempo, suscitarei de David um rebento de justiça, que praticará o direito e a equidade no país. Nesses dias, Judá será salvo e Jerusalém viverá em segurança.” (Jer 33, 14-16) Quando escutamos estas profecias do Antigo Testamento que já se cumpriram na primeira vinda de Cristo, nós cristãos, que pertencemos ao Novo Testamento, reforçamos a nossa fé naquilo que Jesus disse e ainda não aconteceu: “Então, hão-de ver o Filho do Homem vir numa nuvem com grande poder e glória.” (Lucas 21,27)

Cada Advento é um tempo em que se reaviva a esperança da vinda do Senhor. Como esperar esta vinda? A segunda leitura de hoje nos indica o caminho: “O Senhor vos faça crescer e superabundar de caridade uns para com os outros e para com todos, tal como nós para convosco; que Ele confirme os vossos corações irrepreensíveis na santidade diante de Deus, nosso Pai, por ocasião da vinda de Nosso Senhor Jesus com todos os seus santos.” (1 Tess 3,12-13) Não é uma recomendação inútil, pois o próprio Senhor disse: “Nessa altura, muitos sucumbirão e hão-de trair-se e odiar-se uns aos outros. Surgirão muitos falsos profetas, que hão-de enganar a muitos. E, porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos; mas aquele que se mantiver firme até ao fim será salvo.” (Mt 24,10-12)

Sei de uma pessoa que estava um dia a rezar o rosário e a caminhar num campo. Deparou-se, em determinado momento com uma caixa de abelhas. Como é natural resguardou-se, para não acontecer que o enxame de abelhas o atacasse. Porém, olhando com mais atenção, notou que da caixa não saía nenhuma abelha. Foi tomando coragem e aproximou-se. De facto não saía nenhuma abelha. Tomando ainda mais coragem foi olhar dentro da caixa. Quando abriu a tampa, qual não foi a sua surpresa ao encontrar lá dentro, não o desejado mel, mas apenas formigões. Mais tarde procurou saber de seus parentes que eram apicultores, o porquê daquele facto. A resposta foi esta: Quando os formigões conseguem entrar em uma caixa de abelhas, as abelhas saem e eles consomem todo o mel que lá se encontra. É por esta razão que algumas caixas de abelhas tinham ao pé uma metade de pneu cortada com óleo de carro usado, para evitar o acesso dos formigões.

No Evangelho Nosso Senhor nos adverte de alguns “formigões” que podem minar o mel da Caridade Divina no coração dos cristãos para que nos precavêssemos: “«Tende cuidado convosco: que os vossos corações não se tornem pesados com a devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida, e que esse dia não caia sobre vós subitamente, como um laço; pois atingirá todos os que habitam a terra inteira.” (Lucas 21,34-36)

Assim cada Natal, no qual contemplamos o Amor infinito de Deus que se rebaixou a si mesmo para se fazer pequenino, na manjedoura de Belém, é um convite para deixarmos que o Divino Espírito Santo reavive a caridade em nossos corações. Uma santa da Igreja que contemplou tanto a infância do Divino Salvador a ponto de levá-la até no nome foi Santa Teresinha do Menino Jesus. Também por esse mesmo motivo ela foi mestra na caridade, e de modo particular na caridade pastoral, pois sendo simplesmente uma religiosa no convento assim escreveu: “Não obstante a minha pequenez, queria iluminar as almas como os Profetas, os Doutores, sentia a vocação de ser Apóstolo…. Queria ser missionário, não apenas durante alguns anos, mas queria tê-lo sido desde o princípio do mundo e continuar até a consumação dos séculos. Mas acima de tudo, ó meu amado Salvador, queria derramar o sangue por Vós até à última gota….” Peçamos a sua intercessão neste advento, ela que tanto soube contemplar a infância do Divino Salvador. Peçamos por sua intercessão que seja sempre reavivada a caridade apostólica em todos os fiéis, de modo especial nos sacerdotes neste ano sacerdotal.
Pe. Marcelo