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domingo, 7 de agosto de 2011

ELE ACALMA A TEMPESTADE

Na liturgia da Santa Igreja durante esta semana, vemos Nosso Senhor Jesus Cristo por duas vezes procurando a montanha: uma vez sozinho, quando mandou os discípulos atravessarem o Mar da Galileia e logo depois, tendo despedido a multidão, subiu ao monte para ficar à sós com o Seu Pai Celeste (evangelho de hoje); uma outra vez Ele fez- se acompanhar por três de seus discípulos no monte da transfiguração.
Sempre que Jesus subia à Montanha, quando descia, o Pai realizava bênção, cura e libertação por meio Dele. O que geralmente aguardava Jesus quando descia? Um mar revolto para acalmar (Mt 14,32), um leproso para sarar (Mt 8,2 ss.), um jovem possesso para libertar (Mt 17,18) , etc… Ou seja, Jesus trazia o Céu para o “Baixo”. Jesus descia por condescendência, mas ele mesmo dizia: “Vós sois cá de baixo; Eu sou lá de cima! Vós sois deste mundo; Eu não sou deste mundo.” (Jo 8,22-23) Não nos admiremos portanto, que ele procurasse o lugar simbólico da montanha para encontrar-se com o Pai.
Além disso, Ele também chamou os seus para o “alto”: “Jesus subiu depois a um monte, chamou os que Ele queria e foram ter com Ele.” (Mc 3,13) Aprendeu muito bem isso o Apóstolo São João: “Não ameis o mundo nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e o estilo de vida orgulhoso - não vem do Pai, mas sim do mundo. Ora, o mundo passa e também as suas concupiscências, mas quem faz a vontade de Deus permanece para sempre.” (1 Jo 2,15-17) Por isso São Paulo na carta aos Colossenses, chama os cristãos a buscarem as coisas do alto: “Portanto, já que fostes ressuscitados com Cristo, procurai as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus. Aspirai às coisas do alto e não às coisas da terra. Vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, a vossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com Ele em glória.” (Cl 3,1-4)
Sobre esta nossa vida, Jesus dizia: “Anunciei-vos estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!”
O Mar, na Bíblia, é o símbolo desta nossa vida. O mar é uma figura ambígua. Dele, podemos tirar muitas coisas boas. Vários dos Apóstolos eram pescadores. No entanto é também local perigoso. Pode-se perder a vida no mar, durante as tempestades e não só. Mas interessante é que, no Evangelho de hoje, Jesus “ordena” aos Apóstolos atravessar este mar, e mais do que isso, aparentemente sem Jesus, sem a sua presença visível. São obrigados a enfrentar ventos contrários. Também nós enfrentamos tantos ventos contrários nas crises familiares, financeiras, dificuldades de relacionamentos, … No entanto, do “alto da montanha” Jesus acompanhava-os com o seu olhar e a sua intercessão e também nos acompanha a nós. Mais ainda, não se contenta em ir ter com as discípulos só do outro lado do mar, símbolo da nossa travessia por este mundo e entrada na vida Eterna, mas vem ter connosco durante a travessia. Não vem como um fantasma, como os Apóstolos pensavam,  cheios de medo, mas com seu corpo, sangue, alma e divindade. Jesus teve de lhes dizer: “«Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais”. Quando o Senhor entra no barco, a tempestade cessa. Também Elias na primeira leitura percebeu esta manifestação de Deus na brisa suave e não na tempestade. Temos consciência desta concretude da presença de Cristo connosco já agora, através do Mistério Eucarístico?
Pe. Marcelo

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

UMA GRANDE RIQUEZA DA IGREJA – A POBREZA EVANGÉLICA

Nesta semana que passou, no dia quatro, a igreja fez “memória” de um de seus grandes santos, São João Maria Vianney, o cura d’Ars, patrono dos padres, portanto dia dos padres. Qual a grande lição deste grande pastor para nós hoje? Porque um simples pároco de uma cidade tão pequena se faz tão grande para toda a Igreja? Sem dúvida é a sua disponibilidade total ao seu povo vivida através de sua opção pela vivência do conselho evangélico da pobreza, sem o qual não conseguiria viver esta disponibilidade total. E também a vivência da pobreza evangélica é sinal indubitável de uma grande fé em Deus e um sinal de uma vivência já no “mundo que virá” já neste mundo. A pobreza evangélica foi o “segredo” de sua grande santidade.


Primeiramente tendes o exemplo de pobreza, virtude pela qual o humilde cura d'Ars, se tornou digno émulo do patriarca de Assis, de quem foi, na Ordem Terceira, discípulo fiel. Rico para dar aos outros, mas pobre para si mesmo, viveu num total desprendimento dos bens deste mundo, e o seu coração verdadeiramente livre abria-se com generosidade a todos os que, afligidos por misérias materiais ou espirituais vinham até ele de toda a parte em busca de remédio. "O meu segredo é bem simples, dizia ele, é dar tudo e nada guardar". O seu desinteresse fazia-o atender a todos os pobres, sobretudo os da sua paróquia, aos quais testemunhava extrema delicadeza, tratando-os "com verdadeira ternura, com os maiores cuidados e até com respeito". Recomendava que nunca deixassem de ter atenções para com os pobres, porque tal falta recai sobre Deus; e, quando um miserável batia à sua porta, sentia-se feliz, ao recebê-lo, com bondade, por lhe poder dizer: "Sou pobre como vós; hoje sou um dos vossos!".  No fim da sua vida, comprazia-se em repetir: "Estou muito satisfeito; já não tenho nada de meu; Deus pode chamar-me quando quiser".

“Por isso, veneráveis irmãos, podereis compreender como, de todo o coração, exortamos nossos queridos filhos do sacerdócio católico, a meditar num tal exemplo de pobreza e caridade”. "A experiência quotidiana atesta - escrevia Pio XI, ao pensar no cura d'Ars - que a acção dos sacerdotes de vida modesta, os quais, segundo a doutrina evangélica, não procuram absolutamente seus próprios interesses, redunda em extraordinários benefícios para o povo cristão". E o mesmo Pontífice, considerando o estado da sociedade contemporânea, dirigia também aos padres este grave aviso: "Ao ver que os homens vendem e compram, tudo pelo dinheiro, os padres caminhem desinteressadamente pelos engodos do vício, e desprezando todo baixo desejo de ganhar, busquem almas e não dinheiro, a glória de Deus e não a sua!"

Jesus hoje nos fala justamente disso em seu Evangelho que só o desapego dos bens é que compromete o homem todo. Só o homem capaz de dar assim gratuitamente, sem protecção e sem hesitação, pode amar verdadeiramente e manter essa doação de si por amor fielmente por toda vida, não há portanto meios termos. Todo encontro humano autêntico se dá na pobreza, porque devemos saber esquecer-nos de nós e pôr-nos à parte, a fim de que o outro venha à nós verdadeiramente.

A pobreza evangélica voluntária não é tanto um programa de “justiça social” nem uma prática ascética, mas um ato de autêntica fé e amor.

Os pais de família não podem abraçar totalmente a pobreza evangélica, pois tem que lutar também por amor pela segurança e sustento de sua família. Mas podem vivê-la não colocando a busca riqueza e os bens como seus ideais de vida, no seu absoluto. Mas viver buscando em primeiro lugar viver o amor em suas famílias, que em suas famílias o amor sempre esteja acima dos bens materiais.

Pe. Luiz Maurício

Para as Células de Evangelização

Como tem sido a nossa vivência em família? Procuramos sempre fazer do amor o ponto central de nossas famílias?

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

JESUS, FORÇA PARA O CAMINHO

Ao mesmo tempo que vemos os mais estupendos avanços da técnica nos nossos dias, vemos também, em contrapartida, tantos que no teor de suas vidas vão se tornando fracos, recorrendo a uma falsa força nas drogas, no álcool, ou em outras fugas que não dão condições à pessoa de cumprir a missão que Deus destinou para ela. Desde o Antigo Testamento, vemos Deus Nosso Senhor mostrando ao seu povo que Ele é a sua força, e que aqueles que Nele confiam chegam ao bom termo da sua peregrinação nesta terra.

No deserto, o povo judeu experimentou o maná, pão material que Deus providenciou para que cada dia fossem sustentados na sua caminhada para a terra prometida. Porém, esse cuidado de Deus não foi correspondido com a fé e a confiança, como diz São Paulo: “Todos comeram do mesmo alimento espiritual e todos beberam da mesma bebida espiritual; pois bebiam de um rochedo espiritual que os seguia, e esse rochedo era Cristo. Apesar disso, a maior parte deles não agradou a Deus, pois foram exterminados no deserto. Ora isto aconteceu para nos servir de exemplo, a fim de não cobiçarmos coisas más, como eles cobiçaram. “ (1 Cor 10,3-6)
Na primeira leitura de hoje, vemos o profeta Elias que mesmo estando a cumprir a missão que o Senhor lhe havia confiado esmoreceu no cansaço, desejando inclusive a morte. Mas assim como o ao povo de Israel no deserto, o Senhor não o desampara e prepara para ele um alimento que o fortaleceu: “«Levanta-te e come, pois tens ainda um longo caminho a percorrer.» Elias levantou-se, comeu e bebeu; reconfortado com aquela comida, andou quarenta dias e quarenta noites, até chegar ao Horeb, o monte de Deus.” (1 Reis 19,7-8) No caso de Elias o alimento não foi em vão, pois ele ansiava por escutar a voz do Senhor e observar os seus mandamentos. Prova disso foi que ele caminhou em direcção ao Horeb, monte santo, onde Deus deu a Moisés dez mandamentos. Lá ele recebeu instruções sobre quem continuaria o seu trabalho: Deus mandou que ungisse reis e Eliseu como profeta em seu lugar. A sua obra não acabou com a sua partida deste mundo porque realizava a vontade de Deus. Ele experimentou o que disse o profeta Isaías: “Até os adolescentes se cansam e se fatigam e os jovens tropeçam e vacilam. Mas aqueles que confiam no Senhor renovam as suas forças. Têm asas como a águia, correm sem se cansar, marcham sem desfalecer.” (Is 40, 31-32)

Todas estas realidades eram prefigurações daquilo que Jesus nos diz hoje no Evangelho: “Eu sou o pão da vida.” Jesus na Eucaristia é o alimento que nos fortalece para cumprirmos bem a nossa missão neste mundo e consequentemente nos leva à vida eterna.

Dizia São Vicente Pallotti: “ Com esse incompreensível excesso de seu Amor Infinito e da Sua Infinita Misericórdia, Jesus Cristo não só quis ser sacerdote e vítima, comida e nutrimento de vida eterna para nossas almas, mas também quis permanecer sempre connosco, nos santos altares, em trono de Graça e Misericórdia, para dar-nos tudo e sempre com Amor Infinito em todas as necessidades da nossa vida presente.” (OO CC XIII, 168)

Jesus é “pão da Vida” que nos dá força para optarmos pelo “homem novo” do qual fala São Paulo na Segunda leitura: “Toda a espécie de azedume, raiva, ira, gritaria e injúria desapareça de vós, juntamente com toda a maldade. Sede, antes, bondosos uns para com os outros, compassivos; perdoai-vos mutuamente, como também Deus vos perdoou em Cristo.” (Ef 4,30-31) Quem nos dá força para isso é Aquele que disse: “…o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, pela vida do mundo.» (Jo6,51).

Desejamos às células de evangelização e a todos os que podem gozar das férias um tempo de graça e de sadio convívio na companhia dos seus.

Pe. Marcelo