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sábado, 11 de setembro de 2010

“A Ovelha Perdida”, “A Moeda Perdida” e “O Filho Pródigo”

O Evangelho de Lucas prima pela sua ênfase na misericórdia de Deus. Se fosse para classificar numa só palavra o rosto de Deus em Lucas, poderíamos sem hesitação assinalar “misericórdia”. Talvez nenhum capítulo saliente esta convicção tanto como o capítulo 15, que hoje lemos na sua totalidade.

As três parábolas aqui relatadas são entre as mais conhecidas da Bíblia - geralmente chamadas (com razão ou não) “A Ovelha Perdida”, “A Moeda Perdida” e “O Filho Pródigo”. Talvez devamos ter um pouco de cuidado com esses títulos - já consagrados pelo uso - pois já indicam uma possível interpretação do ponto central de cada parábola - não necessariamente a mais adequada!

De fato, cada parábola poderia ficar independente, e ter a sua interpretação fora do contexto da sua colocação em Lucas. Mas, para que sejamos fiéis à intenção do evangelista, devemos interpretá-las dentro do seu esquema teológico e literário. A parábola da Ovelha também existe em Mateus, mas dentro de um outro contexto e com outros destinatários, tornando-se a parábola da “Ovelha Desgarrada”. Em Mt 18,12-14, a parábola é dirigida aos discípulos, enquanto em Lc é contada para os fariseus e escribas. Como os destinatários são diferentes, também a sua mensagem é diferente nos dois contextos.

Para entender melhor o que Lucas quer ensinar, devemos dar muita atenção aos primeiros dois versículos do capítulo 15. Pois, estes versículos nos fornecem o motivo pelo qual Jesus contou as parábolas, e, por conseguinte, uma chave valiosa de interpretação. Funcionam como um gancho sobre o qual se pendura o resto do capítulo: “Todos os cobradores de impostos e pecadores se aproximavam de Jesus para o escutar. Mas, os fariseus e os doutores da Lei criticavam a Jesus, dizendo: “Esse homem acolhe pecadores, e come com eles!” (vv.1-2). Depois, vem a chave de interpretação: “Então Jesus contou lhes esta parábola” (v . 3). Ou seja, Jesus contou estas parábolas porque os fariseus e doutores da Lei o criticavam por associar-se com gente de má fama! Então a chave de interpretação é a atitude dos fariseus e doutores, contestada pelo ensinamento de Jesus.

Neste sentido podemos interpretar a parábola conhecida como a parábola da “Ovelha Perdida”. Jesus, diante da intransigência dos fariseus, pergunta: “Se um de vocês tem cem ovelhas e perde uma, será que não deixa as noventa e nove no campo para ir atrás da ovelha que se perdeu, até encontrá-la?” (v. 4). A resposta razoável é “não” - nenhum pastor, com a cabeça no lugar, deixaria noventa e nove ovelhas à deriva para tentar encontrar uma ovelha perdida. Seria loucura! Mas, exactamente aqui está o sentido da parábola - Deus faz loucuras por amor a nós! Ele é capaz de fazer o que nenhuma pessoa humana faria - ir atrás da ovelha perdida, custe o que custar, até achar e trazer de volta! Aqui a parábola funciona não por comparação, mas por contraste - Deus é o oposto dos homens, que só agem através de decisões calculistas. Faz loucura - e a loucura do amor consegue o que a razão jamais conseguiria, a volta da ovelha perdida! Assim, se faz contraste entre a atitude de Deus e a atitude dos fariseus e doutores da Lei! Nos questiona sobre as nossas atitudes diante das “ovelhas perdidas” das nossas comunidades e famílias! Agimos como os fariseus, com censuras e moralismos? Ou, como Deus, com a loucura do amor

P. Luiz Maurício

Para as Células de Evangelização

Como poderemos fazer para trazer para o redil as nossas ovelhas tresmalhadas (nossos familiares e amigos)? Temos nos preocupado com isto?

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A FÉ VIVA

As leituras da Palavra de Deus neste Domingo nos mostram a importância da fé firme e certa, mas também que esta fé deve actuar por meio da caridade.
São Pedro, por uma luz especial do Pai, acertou em cheio na clareza da fé: “«Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.» Jesus disse-lhe em resposta: «És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu. Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela.” (Mt 16,16-18) Esta clareza na fé é um dom que Nosso Senhor concedeu a Pedro e aos seus sucessores. É um dom preciosíssimo, pois “sem a fé é impossível agradar-lhe; e quem se aproxima de Deus tem de acreditar que Ele existe e recompensa aqueles que o procuram.” (Cf Hb 11,6) Desse modo vemos quão importante é estar unido espiritualmente ao Santo Padre o Papa pois a ele Jesus deu a garantia de não errar em questões de fé e de moral.

No entanto só a fé não basta. São Tiago na segunda leitura denuncia esta realidade, pois a fé tem que operar pela caridade: “Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta.” (Tg 2,17) Santo António de Lisboa em sua pregação no dia de Pentecostes assim disse: “Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência; falamos estas línguas quando os outros as vêem em nós mesmos. A palavra é viva quando são as obras que falam. Cessem, portanto, os discursos e falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras. Por este motivo o Senhor nos amaldiçoa, como amaldiçoou a figueira em que não encontrara frutos, mas apenas folhas.”

A própria geografia da terra Santa e de modo especial do local onde aconteceu o Evangelho de hoje, nos fala desta realidade: trata-se de Cesareia de Filipe. Se olharmos no mapa da terra Santa, veremos que é justamente aí que nasce o Rio Jordão. Este rio que percorre a maior parte do território de Israel, leva consigo a vida em abundância por onde passa. No seu percurso rumo ao sul, forma dois grandes lagos, que pela sua extensão são chamados de “Mar”: O Mar da Galileia e o Mar Morto. Estes dois mares ilustram muito bem o que acontece com a fé viva e a fé morta de que nos falam as leituras de hoje. O Mar da Galileia é abastecido pelo Rio Jordão, mas não termina em si mesmo. Ele transborda, e o Rio Jordão, depois de formar o Mar da Galileia, continua o seu curso, dando vida a mais terras. Afinal, ele desemboca no Mar Morto, que é muito maior em extensão do que o mar da Galileia. Este se encontra na maior depressão do mundo, centenas de metros abaixo do nível do mar e não doa as suas águas. As águas do Jordão ao chegar no mar Morto, ou evaporam ou são absorvidas pelo solo. Consequência: O Mar da Galileia é cheio de vida - inclusive era onde os Apóstolos pescavam; e o Mar Morto é o que o seu nome diz: Morto. Tem uma tal salinidade que nenhum peixe ai sobrevive.

Esses dois mares são também uma imagem para nós. A Fé verdadeira é essa nascente límpida, como a do Rio Jordão aos pés do monte Hermon em Cesareia de Filipe, que dá sentido pleno à nossa vida. À imagem do Mar da Galiléia, Nosso Senhor quer nos encher das Suas Graças e Misericórdias, para que possamos transbordar para os outros.
Oremos: Senhor, Pedro naquela altura não percebeu que era preciso estar disposto a dar a vida na sua vocação. Até antes da paixão disse que daria a vida por vós, mas só a deu depois de ter recebido a força de Pentecostes. Senhor, confessamos também a nossa fraqueza. Ajuda-nos a dar a vida em nossa vocação, e de ser canais uns para os outros dos dons materiais e espirituais que tão generosamente nos concedeis. Isto vos pedimos por Cristo nosso Senhor. Rainha dos Apóstolos, Rogai por nós.

Pe. Marcelo