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sábado, 11 de fevereiro de 2012

JESUS: AQUELE QUE NOS CURA E LIBERTA

“Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo”. (1 Cor 11,1) Ou pela negativa: “Não vos torneis ocasião de escândalo, nem para os judeus, nem para os gregos, nem para a Igreja de Deus.” (1 Cor 10, 32)
Decididamente, Nosso Senhor assim o fez, de modo que o teor da nossa fé e caridade sempre influenciarão naqueles que estão ao nosso redor. Deus fez o progresso de uns depender do progresso dos outros. Usando uma comparação ouvida de um colega padre, estamos como os alpinistas. Normalmente os que fazem tais escaladas se ligam uns aos outros por meio de cordas, de modo que se um cair, os outros podem sustentá-lo. Pois bem, estamos a escalar a grande “montanha da santidade” que é Cristo.
E já que a nossa virtude ou o nosso pecado influenciam nos outros, Nosso Senhor quis que nós recebêssemos também o perdão pelo ministério de um outro irmão. A primeira leitura fala das repercussões sociais da doença da lepra, excluindo a pessoa doente do convívio normal do resto dos homens. Era um direito da sociedade, pois deveria proteger-se de uma epidemia que poderia dizimar a população.  A liturgia dá a entender claramente que a lepra é uma imagem do pecado. Basta vermos o Salmo que a Igreja escolheu: “Feliz aquele a quem é perdoada a culpa e absolvido o pecado.   Feliz o homem a quem o Senhor não acusa de iniquidade e em cujo espírito não há engano.” (Salmo 31,1-2)
Jesus, no Evangelho, não admitiu prontamente o doente de lepra ao convívio social, mas se aproximou dele, tocou-o curou-o e só depois ordenou que ele fizesse um acto público de reinserimento no convívio normal das pessoas: “ …vai, antes, mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que foi estabelecido por Moisés, a fim de lhes servir de testemunho.” (Mc 1,43,44) Jesus não ignorou que a pessoa tinha lepra e o readmitiu pura e simplesmente ao convívio social. Primeiro curou-a com Misericórdia infinita, e depois reintegrou-a na sociedade. Também assim o é no campo moral. São Paulo nos repete: “Não vos torneis ocasião de escândalo, nem para os judeus, nem para os gregos, nem para a Igreja de Deus.” (1 Cor 10, 32)  O que é um escândalo? É um mal exemplo que depois corre o risco de difundir-se se não for corrigido. Hoje em dia vemos um grande escândalo por parte de altas autoridades em Portugal. O querer tornar legal o que é um desvio grave não somente da lei de Deus revelada, mas da própria lei natural. Jesus não quer excluir tais pessoas, mas quer curá-los para os reinserir no convívio normal da sociedade. A Igreja segue o exemplo de Jesus: não exclui, mas também não ignora que tais situações são uma doença e como tais devem ser tratadas e não oficializadas.
 Jesus transgrediu várias leis judaicas, quando elas não estavam em conformidade com a rainha de todas as leis que é a lei da caridade: Por exemplo, tocar em um leproso, curar em dia de Sábado, falar com as mulheres, falar com os  estrangeiros … Porém, não quis alterar esta lei judaica: “…vai, antes, mostrar-te ao sacerdote.” (Mc 1,44) É um sinal de que Cristo quis que isto continuasse na nova ordem estabelecida por Ele.  Assim o Sacramento da Reconciliação continua a ser uma arma poderosíssima em que o homem pecador encontra alívio e reconciliação com Deus, com os outros e consigo mesmo. O leproso do Evangelho não obedeceu a Cristo inteiramente: “ Ele, porém, assim que se retirou, começou a proclamar e a divulgar o sucedido, a ponto de Jesus não poder entrar abertamente numa cidade; ficava fora, em lugares despovoados. E de todas as partes iam ter com Ele”. (Mc 1,45) Resultado: Ele já não podia entrar livremente nas cidades e aldeias. Desobediência! Nosso Senhor continua a dizer a mim e a você que muitas vezes, mais levemente ou mais gravemente somos contaminados pela lepra do pecado: “ …vai, antes, mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que foi estabelecido por Moisés, a fim de lhes servir de testemunho.” (Mc 1,43,44)  Ou seja: “Confessa-te e faz reparação pelas tuas faltas com um firme propósito de emenda”.
Não podemos ser tolos e desobedientes. A santidade da nossa Igreja depende da nossa santidade. O que mereceria alguém que não por acidente, mas de propósito, durante a escalada de uma montanha, amarrado aos companheiros, começasse a brincar soltando-se da pedra só porque estava amarrado aos outros para que eles o sustentassem? Colocaria em risco todo o grupo. Todos poderiam soltar-se da rocha e acabar caindo no precipício.  Não podemos brincar de modo algum de nos soltarmos da Rocha que é Cristo Jesus. Pelo contrário, devemos fincar novos ganchos à “Rocha”, incentivar os irmãos cansados e abatidos, e não incentivá-los a ficar no seu erro. Assim as nossas famílias, as nossas comunidades e pastorais chegarão todos à meta a que Cristo nos destina.
Procuremos fazer de nossas vidas um exemplo para os irmãos como São Paulo que nos diz: “Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo”. (1 Cor 11,1)

Para as células de Evangelização:
1-      A lepra, no tempo de Jesus era assinalada e colocada de parte até que fosse curada e a pessoa se mostrasse ao sacerdote. Nosso Senhor não quis mudar esta lei como sinal de um sacramento da Nova Aliança. Que situações de “lepra moral” tendem a ser  “incluídas” na sociedade sem prévia cura, até por meio de leis, com o perigo de tornarem-se epidemias?
Pe.Marcelo

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

PARA PROGREDIRMOS EM CRISTO

Nos  nossos dias vemos como o ser humano tem descoberto cada vez mais as leis que regem o universo e tem tirado proveito dessas mesmas leis em uma evolução tecnológica jamais vista. Há alguns dias anunciou-se, por exemplo, a descoberta de uma galáxia a uma distância de 13 bilhões de anos-luz da terra. Não é que o homem tenha criado as leis da física que permitiram a construção de tão potentes telescópios.  Elas já existiam como pegadas deixadas pelo Criador. Apenas os homens descobriram-nas e fazem uso das mesmas.
Na esfera moral, Deus Nosso Senhor quis que também houvesse um progresso. Os povos pagãos que não tiveram a Divina Revelação chegaram a lampejos desta lei eterna mas, por causa da dureza do coração humano, erram em muitos pontos. Por exemplo, muitas tribos indígenas têm uma moral de fidelidade matrimonial muito apurada, mas, em contrapartida, chegam ao ponto de enterrarem vivos os filhos que nascem defeituosos. Diante desta dificuldade do ser humano, Deus quis revelar-se,  e ao mesmo tempo, revelar o ser humano a si mesmo.  Fê-lo de forma paulatina e pedagógica, escolhendo um povo – o povo judeu – dando-lhe mandamentos através de Moisés e dos profetas, conforme eram capazes de compreender. Na plenitude dos tempos enviou o seu Filho, e Nele, a plenitude da Revelação.
Tal progresso na revelação dos mandamentos fica claro no Evangelho de hoje: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas. Não vim revogá-los, mas levá-los à perfeição….  «Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás. Aquele que matar terá de responder em juízo. Eu, porém, digo-vos: Quem se irritar contra o seu irmão será réu perante o tribunal; quem lhe chamar ‘imbecil’ será réu diante do Conselho; e quem lhe chamar ‘louco’ será réu da Geena do fogo.” (Mt 5, 17. 21-22) E ainda: “Porque Eu vos digo: Se a vossa justiça não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, não entrareis no Reino do Céu” (Mt 5,20)
Em que consiste esta superação? Sobre isto disse Santo Irineu de Lyon: “ Em primeiro lugar, em crer, não apenas no Pai, mas também no Seu Filho doravante manifestado, pois é Ele que leva o homem à comunhão e à união com Deus. Em seguida, não apenas em dizer, mas em fazer – pois «eles diziam e não faziam» (Mt 23, 3) — e em evitar, não apenas actos maus, mas também o facto de os desejar. Com este ensinamento, Ele não contradizia a Lei, antes a cumpria e enraizava em nós os preceitos da Lei.” Jesus Nosso Senhor, com a graça do Espírito Santo, actua na alma e nela queima a própria raiz do pecado.  Para Jesus não interessa apenas o exterior do ser humano, mas o seu coração. Jesus sabe que ninguém mata o seu semelhante se antes não o matou no coração pelo ódio e o ressentimento. Nosso Senhor sabe que ninguém adultera fisicamente se antes não adulterou pelo coração, nutrindo sentimentos de cobiça por uma mulher  que não era a sua (ou marido que não era o seu).  
A promessa  de Deus para os puros de coração, como ouvimos Domingo passado, é que verão a Deus. O Catecismo fala deste combate pela pureza de coração: “2518. A sexta bem-aventurança proclama: «Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt 5, 8). Os «puros de coração» são os que puseram a inteligência e a vontade de acordo com as exigências da santidade de Deus, principalmente em três domínios: a caridade (259); a castidade ou rectidão sexual (260); o amor da verdade e a ortodoxia da fé (261). Existe um nexo entre a pureza do coração, do corpo e da fé:
Os fiéis devem crer nos artigos do Credo, «para que, crendo, obedeçam a Deus; obedecendo a Deus, vivam como deve ser; vivendo como deve ser, purifiquem o seu coração; e purificando o seu coração, compreendam aquilo em que crêem» (262).
2519. Aos «puros de coração» é prometido que verão a Deus face a face e serão semelhantes a Ele (263). A pureza do coração é condição prévia para a visão. Já desde agora, permite-nos ver segundo Deus, aceitar o outro como um «próximo» e compreender o corpo humano, o nosso e o do próximo, como um templo do Espírito Santo, uma manifestação da beleza divina.”
Nosso Senhor nos convida a um combate pela pureza de coração neste mundo. A recompensa porém, é ver aquilo que qualquer telescópio, mesmo o” Hoble” , jamais viu, como nos diz São Paulo: “Mas, como está escrito: O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, o coração do homem não pressentiu, isso Deus preparou para aqueles que o amam.” (1 Cor 2,9)
Para as Células de Evangelização:
Pe. Marcelo

sábado, 13 de fevereiro de 2010

JESUS, EU CONFIO EM VÓS

Como no Domingo passado meditamos que os enviados do Senhor, mesmo participando de uma Divina vocação, reconheciam a sua limitação e pecado, assim o Senhor nos vem dizer que isso se estende a todos nós. O profeta Jeremias nos alerta: “Isto diz o Senhor: Maldito aquele que confia no homem e conta somente com a força humana, afastando o seu coração do Senhor.” (Jer 17,5) Por que o Senhor nos faz esta afirmação? Porque depois do pecado original a humanidade está radicalmente afectada por duas realidades que a debilitam, a saber: o pecado e a morte.

De facto afirma São Paulo: “Por isso, tal como por um só homem entrou o pecado no mundo e, pelo pecado, a morte, assim a morte atingiu todos os homens, uma vez que todos pecaram...” (Rm 5,12) Porque todos pecaram, muitas vezes nos decepcionamos uns com os outros. Nosso Senhor já nos prevenia por Isaías: “É o Senhor quem o declara. Diz uma voz: «Proclama!» Respondo: «Que hei-de proclamar?» «Proclama que toda a gente é como a erva e toda a sua beleza como a flor dos campos! A erva seca e a flor murcha, quando o sopro do Senhor passa sobre elas. Verdadeiramente o povo é semelhante à erva. A erva seca e a flor murcha, mas a palavra do nosso Deus permanece eternamente.» (Is 40,3)

Se o ser humano tornou-se um apoio falho, para onde devemos redireccionar a nossa confiança? Jesus disse a Santa Faustina“Pinta uma imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus eu confio em vós… Prometo que a alma que venerar esta Imagem não perecerá. Prometo também, já aqui na terra, a vitória sobre os inimigos, especialmente na hora da morte… Eu mesmo a defenderei como a Minha própria glória. Ofereço aos homens um vaso com o qual devem vir buscar graças na fonte da Misericórdia. Esse vaso é a Imagem com a inscrição: Jesus, eu confio em vós. Desejo que esta imagem seja venerada na capela e depois no mundo inteiro.”
Jesus é aquele que foi “… entregue por causa das nossas faltas e ressuscitado para nossa justificação.” (Rm 4,25) Dessa forma ele destruiu em si mesmo o que era a causa da fraqueza humana, a saber o pecado e a morte. Assim ele se tornou a rocha firme e a única rocha onde nós podemos e devemos colocar a nossa confiança.

Quem, então, colocará a confiança em Jesus? O mundo passageiro, as ilusões das riquezas, os prazeres fugazes nos enganam. Por isso Jesus disse: «Felizes vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus. Felizes vós, os que agora tendes fome, porque sereis saciados. Felizes vós, os que agora chorais, porque haveis de rir. Felizes sereis, quando os homens vos odiarem, quando vos expulsarem, vos insultarem e rejeitarem o vosso nome como infame, por causa do Filho do Homem.” (Lc 6, 20-22) Estes, em meio a estas tribulações, têm mais facilidade em depositar a sua confiança no Senhor.

O que fazer se alguém, ao invés, vive na riqueza, está saciado, se todos o louvam? A resposta, a Igreja nos dará neste tempo litúrgico que estamos para entrar: a Quaresma. Viver espontaneamente o desapego: mesmo se vive numa bela casa, tentar poupar muito para a generosidade; se a vida corre bem e não se tem razões para chorar, chorar os próprios pecados; se vive na saciedade e na fartura, privar-se ás vezes de coisas lícitas ate mesmo o Jejum. Isso porque a nossa confiança é Jesus. Esta confiança é a única que preenche o coração do homem e vai além da morte. Se alguém acha isso difícil, São Paulo nos encoraja: “E se nós temos esperança em Cristo apenas para esta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram.” (1 Cor 15,19-20)

Para partilhar:Partilha uma situação de pobreza humana ou material em que clamaste: “Jesus eu confio em Vós”, e não foste desiludido.
Pe. Marcelo