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terça-feira, 5 de agosto de 2014

Apóstolos Hoje - Agosto de 2014



Nova Evangelização ea
Vocação Universal à Santidade

       Como muitos outros países ocidentais, que antes tinham comunidades cristãs fortes e fé ardente, a Irlanda tem agora, por sua vez necessidade de evangelização. A Igreja Universal colocou a Nova Evangelização ao centro das suas preocupações e ações. O Papa Francisco declara que, “Fiel ao modelo do Mestre, é vital que a Igreja saia a anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todos os momentos, sem demora, sem repulsa e sem medo. A alegria do evangelho é para todas as pessoas, não pode excluir ninguém “(Gaudium Evangelii 23). Ao afirmar isto, o Papa dá uma abertura de forma clara e forte no tocante à evangelização da nossa Igreja. Não há justificativas em permanecer em nosso conforto deixando grande parte da sociedadedesprovida do Evangelho. Também é importante notar o que o Santo Padre disse sobre a Igreja: “Ser Igreja significa ser povo de Deus, de acordo com o grande plano de amor do Pai. [...] Isso significa que para anunciar e levar a salvação de Deus em nosso mundo, que por vezes se perde faz-se necessárias respostas que encorajem e deem esperança, e nova força na jornada. A Igreja deve ser o lugar da misericórdia gratuita onde todos possam sentir-se acolhidos, amados, perdoados e encorajados a viver a Boa Nova do Evangelho(Gaudium Evangelii 114)”. Que visão linda e maravilhosa contida nestas palavras! É dever de todos os discípulos missionários, mas em particular aos membros da União do Apostolado Católico, ajudar a todos que encontrarmos a experimentar e fazer parte desta comunidade que é a Igreja. No entanto, para concretizar esta visão, uma transformação deve ocorrer de forma que a humildade e a contemplação autênticas sejam os atributos proeminentes do Povo de Deus.

       Também é importante sempre reconhecer que a nossa transformação ou conversão só pode acontecer com a ajuda do Espírito Santo. É pela graça de Deus, que nós respondemos ao amor que Deus tem derramado sobre nós. Somos chamados a proclamar a Palavra e “semear”, mas é o Espírito que age uma vez que a semente é semeada (Marcos 4: 26-29). Citando o papa Francisco: “A Palavra tem em si um potencial que não podemos prever. [...] A Igreja deve aceitar esta liberdade indescritível da Palavra, que é eficaz à sua maneira, e em muitas formas diferentes, de forma a escapar muitas vezes de nossas previsões e quebrar nossos esquemas” (GaudiumEvangelii 22). A fim de permitir que Deus nos surpreenda e para estar abertos à Sua obra em nós e nos outros, devemos preparar nossos corações, aproximando-nos mais de Jesus e à Sua Palavra.

       Não devemos permitir que a grandeza  da tarefa nos paralise.  Em vez disso, todos os grandes desafiossão realizados através de uma série de pequenos passos até a realização dos mesmos. Eu acredito que é dessa forma que o plano de Deus para nós é desenvolvido ao longo do tempo. A missão da Igreja universal é também a missão da igreja local e doméstica. A tarefa da evangelização não se limita aos bispos, sacerdotes e religiosos. É o trabalho de toda a Igreja, de todo o Povo de Deus.

A vocação universal à santidade.
       Nosso Deus é um Deus bom e generoso, como vemos na parábola dos trabalhadores davinha (Mt 20, 3-4): “E, saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam na praça, os desempregados, e disse-lhes: ‘Ide também vós para a vinha; o que é certo eu vou dar-lhes. “Esta chamada é tão vibrante hoje como era há 2000 anos atrás, e foi retomada pelo Concílio Vaticano II e novamente em Christifideles Laici.  Refere-senão somente ao clero e os religiosos, mas a todos os batizados. Cada um de nós recebe de Deus uma vocação e a missão de colaborar para o bem da Igreja e de todo o mundo. Na fundação da União do Apostolado Católico, São Vicente Pallotti percebeu a necessidade de uma estrutura para facilitar essa colaboração para reavivar a fé e reacender a caridade em nossa Igreja e no mundo.

       A primeira reação de muitos leigos, inclusive eu, quando somos convidados a nos envolver na evangelização, é dizer: “Eu não sou digno ou não sou santo o suficiente para fazer este trabalho”. Mas Jesus veio para curar pecadores, e todos nós somos pecadores. Somos todos humanos; nós decepcionamosa nós mesmos e aos outros, em tantos aspectos da vida; muitas vezes não conseguimos atingir o nosso potencial; mas Deus sempre nos dá outra chance.

       Refletir sobre a vida de São Pedro ajuda a iluminar a obra de Deus em nós e oferece grande estímulo para todos. Pedro era um leigo, cuja primeira reação ao chamado de Deus foi: ‘Senhor, afasta-te, de mim, pois eu sou um pecador’. Mas Jesus disse: “Não tenha medo” (Lc5, 8-10). Pedro mostra a sua determinação quando tenta andar sobre a água, mas cai novamente no medo (Mt 14, 8-32). Mais tarde, Jesus diz que ele é um obstáculo ao plano de salvação de Deus, porque ele não consegue entender que o sofrimento é parte da missão de Cristo (Mt 16, 23). Pedro também é desafiado pela infinita misericórdia de Deus e é chamado a imitá-lo no seu perdão sem limites (Mt 18, 21-22), enquanto ele tenta chegar a um acordo com as profundas implicações de ser um seguidor de Jesus.

       Finalmente, todos os pontos fracos e as emoções humanas dePedro vem à tona em Mateus 26, 33-69. Sua grande coragem e lealdade são mostradas durante a prisão de Jesus. Seus fracassos e fraquezas são demonstrados pela sua incapacidade de manter-se acordado e orar no jardim, e, sobretudo pelanegação de Jesus para salvar-se. Estas são todas características muito humanas e naturais. No entanto, Deus usou suas fraquezas e fracassos do passado para transformar Pedro. Em resposta ao chamado universal à santidade cada um de nós deve ser inspirar-se na extraordinária transformação de Pedro, pelo poder de Deus, o grande líder e mártir que se tornou.

       A nova evangelização nunca será alcançada através de meras palavras, mas sim pela qualidade de nosso testemunho na nossa comunidade de fé e paróquias locais. O processo de evangelização acontecerá rapidamente, se cada pessoa que encontramos em nossa vida diária e no trabalho sentir-se acolhida, amada, perdoada e encorajada como o Papa Francisco recomenda.  Nossa tarefa em nível local é a deajudar as pessoas se tornarem conscientes ou mais consciente da presença de Deus em nosso mundo. Um mundo onde muitas pessoas perderam o sentido do mistério - onde Deus e a religião foram empurrados para fora. Um verdadeiro despertar do sentido do sagrado é necessário para ter sucesso na nova evangelização. Precisamos de uma maior consciência ou sentido da presença de Deus, para dar às pessoas uma chance de responder à chamada universal à santidade e de agir sobre sua vocação.

       Muitas vezes passei um tempo com os jovens explorando quatro linhas de um poema de Elizabeth Barrett Browning:

‘A Terra está repleta de céu,
eem cada arbusto comum é acesa a chama de Deus;
mas, somente aquele que vê,tira os sapatos;
o resto dos homens se senta ao redor e recolhe os frutos’.

       O mundo da minha sobrinha de dois anos e meio está cheio de mistério e maravilha, ela não tem dificuldade para abraçar com todo o coração. O que acontece quando ficamos mais velhos? O que acontece conosco à medida que envelhecemos? Perdemos nosso senso de mistério? Contentamos-nos em saber como as coisas funcionam sem nunca perguntar: por quê? Perdemos aquela sensação de que há sempre “mais”? Se fizermos isso, nos tornamos coletores de frutos e temos uma necessidade urgente de ser despertado para a sensação de ter vindo de Deus e voltar para Deus Richard Rohr diz que “não podemos chegar à presença de Deus, porque já estamos totalmente na presença de Deus. O que falta é a consciência (“ Tudo pertence”). Na tentativa de trazer um despertar do espírito ou de uma maior consciência da presença de Deus, descobrimos que as ações falam mais alto doque as palavras. Como nos relacionamos uns com os outros pode ser a chave.

       Este foco sobre relacionamentos é importante, pois é através das relações que encontramos e experimentamos o amor, a misericórdia, a alegria eo perdão de Deus Este é o verdadeiro desafio que Cristo coloca diante de todos os seus seguidores. “É mais fácil mergulhar em fazer mil coisas ou envolver-se em várias causas, especialmente se pode conectá-los ao Evangelho, ao invés de cuidar do relacionamento; pois relacionar-se requer certo grau de confiança, abertura e vulnerabilidade, o que pode causar algum desconforto “(De uma palestra dada por Rev.ma Ruth Patterson). No entanto, este é exatamente o que temos que fazer para sermos discípulos missionários. Jesus nos deu um modelo perfeito do modo que revelou o Reino de Deus através da palavra, ação e refeições compartilhadas. 

       Em João 4:5-30, o encontro entre Jesus ea mulher samaritana no poço é um grande exemplo do trabalho do Mestre. Jesus é humilde e pede água para beber. Ele passa um tempo com ela, discutindo sua vida, ele a ouve e lhe oferece algo de grande valor. É no diálogo que você reconhece quem é. Após seu encontro com Jesus, a mulher torna-se imediatamente uma missionária e, como resultado, muitos samaritanos passaram a acreditar nele por causa do seu testemunho. Para ser eficaz na evangelização ao próximo, precisamos nós mesmos antes de tudo,haver encontrado o Senhor ressuscitado de uma maneira profundamente pessoal que transforma a vida.

       Senossas comunidades, paróquias e casas são realmente lugares onde se pode encontrar a presença amorosa de Deus, onde a Sua Palavra é “dividida e partilhada”, onde suas ações são experimentadas e sua participaçãoé vivida de forma autêntica, então podemos dizer que estamos totalmente comprometidos com a Nova Evangelização e estamos começando a  transformar em realidade a visão da vocação universal à santidade.

Questões para reflexão pessoal e / ou em comunidade:
•          Lembra de um momento especial em sua vida, em que você experimentou o chamado de Deus para a santidade de uma forma mais profundamente pessoal?
•          Houve mudança em sua experiência ao chamado de Deus à santidade e na resposta a esteapelo ao longo dos anos?
•          As comunidades de fé têm ajudado, a nutrir, aprofundar e responder a este apelo de relacionamento com os outros? Com sua família? Sua família e paróquia diocesana? Com a União do Apostolado Católico? Com outros grupos? Com a Igreja Universal?
•          De que forma, no seu grupo de UAC local, ou em outra comunidade de fé, você está envolvido em discernir os sinais dos tempos e às necessidades das pessoas ao seu redor? E qual seu envolvimento no responder a elas como apóstolos do Amor infinito de Deus por meio de iniciativas concretas práticas?

Oração:
Vinde Espírito Santo, elimina nosso egoísmo e nos plenifica do seu amor.
Vinde Espírito Santo, elimina nossa ansiedade e nos plenifica de sua paz.
Vinde Espírito Santo, elimina nosso ciúme e nos plenifica de sua generosidade.
Vinde Espírito Santo, elimina nossa raiva e nos plenifica do seu perdão.
Vinde Espírito Santo, elimina nossa incredulidade e nos plenifica de uma fé em Cristo, que transforma nossas vidas.
Vem, Espírito Santo, elimina tudo o que nos impede de reconhecer e escutar seu chamado no grito dos pobres, para “gastar” nossas vidas no serviço altruísta daqueles que anseiam que sejamos testemunhas vivas e discípulos missionários de sua Palavra, de sua justiçae paz, de sua misericórdia, e perdão, de sua ternura e compaixão, de sua bondade everdade, de sua alegria e simplicidade de seu amor. Amém.

(Adaptado de uma oração que me foi dada pelo falecido Kevin Devlin RIP).


                                                                                   Pat Maguire,
                                                                                   Dublin, Irlanda

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Apóstolos Hoje - Julho 2014


A Nova Evangelização e a Paróquia

Para a maioria de nós na família Palotina, começamos aprofundar nossa fé e a conhecer a pessoa de São Vicente Pallotti na comunidade paroquial. Foi na paróquia que fomos introduzidos pela primeira vez para a beleza e a maravilha dos sacramentos, sobretudo na celebração da Eucaristia. Quem de nós não tem boas lembranças de ter cantado na Igreja quando criança, ou, para aqueles que entraram na Igreja só como adultos, no ritual da missa em nossas paróquias de origem? É na paróquia que aprendemos de uma forma mais formal sobre a pessoa de Jesus e os princípios de nossa fé, seja participando de um programa de catequese, escola católica ou o R.C.C. É através da Paróquia que nos preparamos e celebramos os sacramentos. Tradicionalmente, ainda hoje é assim, em muitos lugares, a paróquia é também o lugar onde focamos não só a nossa vida espiritual, mas também a nossa vida social, além da missa dominical ou cotidiana. E para nós, na União, é provável que o nosso envolvimento iniciou na paróquia.
À medida que continuamos a aprofundar o que significa a Nova Evangelização para nós, como membros da comunidade Palotina devemos explorar o que significa ser Igreja e como todos os três estão interligados.

O Papa Francisco nos lembra que, “a paróquia não é uma estrutura ultrapassada; precisamente porque ela tem uma grande plasticidade, pode assumir formas muito diversas que exigem docilidade e criatividade missionária do pastor e da comunidade. Embora, certamente não seja a única instituição evangelizadora, se for capaz de adaptar-se e reformar-se constantemente, vai continuar a ser, a Igreja,  que vive no meio das casas dos seus filhos e filhas”. Isto supõe que realmente permaneça em contato com as famílias, com a vida das pessoas e não se torne uma estrutura prolixa separada das pessoas ou um grupo de eleitos que olham para si mesmos. A paróquia é presença eclesial no território, local da escuta da Palavra, do crescimento da vida cristã, do diálogo, do anúncio da caridade generosa, da adoração e da celebração. Através de todas as suas atividades, a paróquia encoraja e forma seus membros para que sejam agentes de evangelização. É uma comunidade de comunidades, um santuário onde os sedentos vão beber para continuar caminhando, e centro de constante envio de missionários. Porém devemos reconhecer que o apelo à revisão e renovação das paróquias ainda não deu frutos suficientes, para que estejam mais perto das pessoas, e sejam espaços de comunhão viva e de participação, e sejam orientadas inteiramente para a missão”( Evangelii Gaudium 28 ).

Muitas vezes, a paróquia é vista como antiquada, indigesta, e não um lugar de inovação e de alegria, mas de regras, “sempre foi assim”. É fácil para os paroquianos, muitas vezes sem perceber, criarem uma própria “elite”, com formas próprias e específicas de fazer as coisas e com seu próprio vocabulário, o que para o recém-chegado pode tornar-se um verdadeiro impedimento a participação. Por outro lado, no seu melhor, as paróquias são verdadeiramente na vida de seu povo - suas alegrias e celebrações, bem como suas dores e lutas. Estas paróquias são lugares onde se permite a criatividade de florescer; onde “porque sempre fizemos assim” não se aplica e onde os “estrangeiros” são recebidos com portas e corações abertos.
Estas paróquias vibrantes são lugares naturais de evangelização, mesmo sem esforço. Vivem a citação atribuída a São Francisco de Assis “Pregai o Evangelho, e se é realmente necessário utilizem as palavras” ou, como nos disse São Vicente Pallotti, “levar uma vida que seja o Evangelho na prática” (XIII OOCC, 455). Os membros destas paróquias são entusiasmados com sua fé e com sua comunidade e, claro, o entusiasmo é contagiante. Os visitantes querem saber por que os membros da paróquia são tão felizes por estarem ali - e como eles também podem fazer parte dela! Os paroquianos são gentis e amorosos com o recém-chegado, procurando maneiras de conectá-los na missão da Igreja, de acordo com os dons e habilidades de cada pessoa.
Por definição, uma paróquia é relacional. Assim como existem muitas partes do Corpo universal de Cristo, assim deste modo está se tornando, a nível paroquial local. Enquanto no passado, podia-se contar com a paróquia para encarnar a cultura do povo do bairro, trazendo com eles suas línguas e tradições, bem como suas condições sócio-econômicas semelhantes, agora encontramos paróquias trazendo culturas diferentes e às vezes até línguas num único lugar, seja no senso figurativo ou literalmente. Com isso, chegam diversas maneiras de viver a própria espiritualidade. A única semelhança é a fé. Isso por si só pode ser um desafio - ou uma oportunidade - de acordo com sua própria perspectiva.
São Vicente Pallotti nos lembra que “a tarefa mais difícil na vida comunitária é manter a caridade” (OOCC III, 236). Ao compartilhar um local de culto com um “estranho” pode ser desconfortável para alguns, somos chamados a permanecer no mandamento de Jesus de amar o nosso próximo (e há uma melhor definição do próximo que um colega paroquiano)? A nossa evangelização mais eficaz é o amor que dedicamos aos outros, especialmente quando o “outro” parece muito diferente do que estamos acostumados. Esta caridade nos força a sair da nossa zona de conforto, nos leva a conhecer o nosso próximo e realmente compartilhar sua vida. Mas, se não podemos fazer a nível paroquial, como é que vamos fazer no “mundo exteno”.

A nova evangelização nos chama, como povo de Deus, a encontrar novas maneiras de compartilhar a mesma mensagem evangélica que nos foi ensinada - o amor infinito de Deus. Alguns de nós pode lamentar-se sobre o fato de que a sociedade virou as costas para Deus, que não há um interesse em vir à Igreja. Mas pode ser que, quando as pessoas das quais nos preocupamos tanto vieram, mas, passamos longe, às vezes literalmente? Falta-nos misericórdia no julgamento dos outros quando não entendem como fazemos as coisas ou quando desaprovamos escolhas que fizeram em suas vidas? Estamos encontrando as pessoas onde estão agora, e convidando-as a entrar (novamente) para encontrar a pessoa de Cristo através de nós? Mais uma vez, São Vicente Pallotti nos aconselha: “Uma vez que os atos de cortesia e etiqueta, feitos com motivação cristã, podem ser considerados e são como atos de caridade, então podemos suportar todos os defeitos dos outros com paciência, seguindo as regras da etiqueta cristã” (OOCC III, 236).

Os “novos caminhos” da nova evangelização pode significar, mais uma vez, sair da nossa zona de conforto, mesmo no que diz respeito à tecnologia em nossas paróquias. A tecnologia não deve ser vista como um “extra”, ou, menos ainda, como uma distração. Através da tecnologia, as paróquias têm o poder de atrair as pessoas que, antes, talvez julgávamos terem sido perdidas, por meio de, mais uma vez, encontrá-las onde estão. Isto poderia significar que temos que aprender uma nova língua ou uma nova maneira de fazer as coisas, mas os benefícios desta forma de evangelizar é que todas as pessoas de fé podem fazê-lo; muitas vezes com as ferramentas que já temos em nossos bolsos!

O Papa Francisco continua a discussão sobre a Nova Evangelização e a paróquia identificando organizações, como a União: “As outras instituições eclesiais, comunidades de base e pequenas comunidades, movimentos e outras formas de associação, são uma riqueza da Igreja que o Espírito inspira para evangelizar todos os ambientes e setores. Muitas vezes, trazem um novo fervor evangelizador e uma capacidade de diálogo com o mundo que renova a Igreja. Mas é muito saudável que não percam o contato com esta realidade tão rica da paróquia local, e que se integram com prazer na pastoral orgânica da Igreja particular. Esta integração evitará que eles permaneçam apenas com uma parte do Evangelho e da Igreja, ou que se tornem nômades sem raízes” (EG 29). (Grifo do autor de reflexão.)
Como membros da União, estamos em uma posição única para viver o nosso chamado e do nosso Fundador e fazê-lo na vida da paróquia. São Vicente Pallotti nos lembra que a União “foi fundada e instituída na caridade, para promover em todos os fiéis ... o mais perfeito, e atuante exercício das obras de caridade” (OOCC II, 2-3). Quando fazemos isso no contexto paroquial, quando realmente praticamos o amor em todas as suas formas, estamos sendo fiéis ao que somos como pessoas de fé.

Questões para reflexão pessoal e/ou comunitária:
•         Qual o papel que você desenvolve na sua paróquia local? Como pode compartilhar seus dons de forma mais eficaz na sua paróquia?
•         Que papel você acha que São Vicente Pallotti daria a União em âmbito paroquial? Quanto é ativa a União local na própria vida paroquial? Como pode-se fazer uso da tecnologia para  evangelizar?
•         Como o  carisma da União pode ser compartilhado com a paróquia? Como deveria a União promover este carisma em nossas paróquias?

Oração:
Deus de Amor Infinito, que nos preencheste de dons, em muitos modos, te pedimos que continues nos orientanado com teu Espírito para espalhar tua palavra e ser teus servos em nossas famílias, em nossas comunidades, em nossas paróquias e no mundo. Ajuda-nos a ser tua voz de amor e misericórdia, a ser acolhedor para com todos, especialmente para o estrangeiro entre nós, e nos ajude a levar a luz do teu Filho, Jesus Cristo, a todos os homens. Nós te pedimos por intercessão de teu servo São Vicente Pallotti. Amen.
                                                      Maureen e John Rohamel,
Milwaukee, USA

sábado, 28 de junho de 2014

Apóstolos Hoje - junho 2014


A Nova Evangelização e a Nova Vida em Cristo

Por algum tempo, a nova evangelização se tornou um tema eloquente. Fala-se de sua gênese, sua urgência, sua razão de ser, seus métodos, seu conteúdo essencial, para citar apenas alguns temas que estão relacionados a ela. Alguns até mesmo a vinculam à missão “ad gentes” ou melhor “intergentes,” a vida consagrada, aos leigos, a conversão, etc. Na família Palotina, em particular, é frequentemente abordado este tema em relação à pessoa de Pallotti ou carisma palotino.
Na mesma linha, queremos falar sobre a nova evangelização em relação a outro assunto que, aliás, é adequado para esta época de Páscoa que estamos vivendo: a nova vida em Cristo. A pergunta que orienta o nosso pensamento é: qual é a relação entre a nova evangelização e a vida nova em Cristo? À procura de uma possível resposta a esta pergunta, começamos a esclarecer no âmbito de aplicação dos nossos termos-chaves, e, finalmente, mostrar que a nova evangelização exige a vida nova em Cristo e ela nos leva a isso.

Nova Evangelização

Desde o início, com o Papa Bento XVI, é claro que a nova evangelização não pode significar “iniciar imediatamente com novos e mais refinados métodos de massa afastando-se da Igreja”. Porque a mesma história da Igreja ensina que “as grandes coisas começam sempre a partir da semente dos pequenos movimentos e os de massa são sempre efêmeros”.[1] Falando da nova evangelização refere-se sim a “ousar novos caminhos, em face a mudança de condições em que a Igreja é chamada a viver o anúncio do Evangelho de hoje”. Refere-se também a “capacidade de fazer nossos, no presente, a coragem e a força dos primeiros cristãos, dos primeiros missionários”. Nesse sentido, a nova evangelização é entendida como “renovação espiritual da vida de fé das Igrejas locais, passos para o discernimento das mudanças que estão afetando a vida cristã nos diferentes contextos culturais e sociais, releitura da memória da fé, surgimento de novas responsabilidades e novas energias em vista de uma proclamação alegre e contagiante do Evangelho de Jesus Cristo”.[2] A Nova evangelização envolve, finalmente, o anúncio de Cristo baseado no testemunho de vida. Em outras palavras, uma forma de viver a vida cristã, parafraseando São Pedro, que venceu sem uma palavra aqueles que se recusam a acreditar na Palavra (1 Pedro 3,1).

Vida Nova em Cristo

A vida nova em Cristo, por sua vez, consiste, antes de tudo, na vida que nos foi dada no dia do nosso batismo.[3] Naquele dia fomos sepultados com Cristo na sua morte, para que, como Cristo ressuscitou dentre os mortos, assim também nós possamos caminhar na novidade de vida (Rm 6,4). No entanto, a nova vida não é estática. Ou seja, não é uma vida imutável dada de uma vez por todas. É dinâmica, na medida em que ele ou ela que vive, torna-se suscetível ao desenvolvimento espiritual que atinge a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito. É uma vida que tende a encarnar Cristo em todos os sentidos, a fim de alcançar um dia a maturidade em Cristo (cf. Ef 4,13). Parafraseando Vicente Pallotti, fala de uma alma (pessoa) introduzida na nova vida em Cristo, isso significa que Jesus Cristo continua a sua vida e vive na alma, e aplica os méritos de suas obras mais santas.[4]
 A nova evangelização requer a vida nova em Cristo.

Segundo João Paulo II, “a urgência da atividade missionária deriva da radical novidade de vida trazida por Cristo e vivida pelos seus seguidores. Esta nova vida é um dom de Deus, e as pessoas são convidadas a aceitar e desenvolver, se desejam realizar a sua vocação em conformidade com Cristo”.[5] Isto implica que “não podemos testemunhar Cristo sem espelhar a sua imagem, que é gravada em nós por graça e obra do Espírito”.[6] Antes de anunciar o Evangelho, é preciso, antes de tudo, entrar na vida do evangelizador/a. Para retomar a posição das Lineamentas do Sínodo dos Bispos sobre a nova evangelização, não podemos transmitir o que não acreditamos e não vivemos. Sinal de uma fé arraigada e madura é a facilidade com que a comunicamos aos outros. “Ele chamou os que Ele quis [...] para estarem com Ele e para os enviar a pregar” (Mc 3, 13-14). Não podemos transmitir o Evangelho sem ter a base de “estar” com Jesus, um viver no Espírito com Jesus a experiência do Pai; e, em contrapartida, a experiência de “estar com Jesus” deperta o anunciador, a proclamar, compartilhar o que tem experimentado, de bom, positivo e belo.[7] Não se pode resistir ao testemunho, mesmo que custasse a própria a vida. É por isso que dizemos que a nova evangelização exige a vida nova em Cristo.
Em consequencia disso, nenhuma proposta de “nova evangelização” pode ignorar a necessidade: de ter homens e mulheres que encontraram Cristo, que estejam conscientes de serem tocados pessoal e profundamente por Cristo e continuam convencidos de que não há outra realidade que atrai a sua atenção; nenhuma relação, nenhum outro poder, nenhum bem a ocupar o centro de suas vidas, mas Deus, Jesus Cristo, o Salvador. Além disso, a cada nova iniciativa de evangelização exige que a pessoa esteja em contato constante com Cristo na oração, porque, a “evangelização se faz de joelhos”.[8]

A nova evangelização leva a vida nova em Cristo.

Se a nova evangelização exige a vida nova em Cristo, também podemos dizer que o primeiro leva ao segundo. Na verdade, o anúncio da Boa Notícia, o testemunho de vida de quem vive a vida nova em Jesus Cristo e se compromete com a nova evangelização, “fazem sair do coração daqueles que os vêem perguntas irresistíveis: por que eles são assim? Por que vivem dessa maneira? Quem os inspira? Por que eles estão no meio de nós”?[9] Na maioria dos casos, estas perguntas levam a uma nova direção na vida, uma nova vida em Jesus Cristo, uma conversão profunda. Lembre-se, mais uma vez com o Papa Bento XVI, que a palavra “conversão” em grego significa repensar - questionar seu próprio estilo de vida, seu modo de vida ordinaria; deixar Deus entrar nos proprios critérios de vida; não só julgar com base nas opiniões atuais. Conversão significa, portanto, não viver como todos vivem, não fazer o que todo mundo faz, não sintir-se justificado em ações duvidosas, ambíguas ou ruins que outros fazem o mesmo; começar a olhar para a sua vida através dos olhos de Deus; procurar sempre o bem, mesmo que isto perturba, não basear-se no julgamento das multidões, mas no juízo de Deus - em outras palavras, encontrar um novo estilo de vida. Este último, por sua vez, implica: sair da autosuficiência, descobrir e aceitar a própria pobreza - a pobreza dos outros e do Outro, seu perdão, sua amizade.[10] Assim, a vida nova em Jesus como testemunharam os agentes da nova evangelização provocam uma mudança de vida, leva a uma vida nova em Jesus Cristo.
Conclusão

O que emerge desse questionamento é que a nova evangelização é uma urgência, uma prioridade para a Igreja de hoje. Entretanto, estejamos cientes que o chamado a vida nova em Cristo, ao mesmo tempo ela nos leva a isso. No entanto, para que ela possa conduzir efetivamente a vida nova, devemos usar “a linguagem da misericórdia, compreendida por gestos e atitudes”[11] que transmitam a mensagem ao invés de meras palavras. Na verdade, a pessoa contemporânea, da qual Paulo VI falava na década de 70 do século passado, não mudou, está sempre cansada de ouvir, cansada de discursos, ou pior ainda, imunizada contra as palavras. Por esta razão, escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, ou então, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas,[12] entendem melhor a linguagem dos fatos da vida e do que a linguagem das palavras.

Perguntas para Reflexão Pessoal e comunitária:

Ø  Cada proposta de “nova evangelização” não pode ignorar a necessidade de ter homens e mulheres que encontraram Cristo, que foram tocados profundamente por ele; Se nós não fomos tocados, fazemos ao menos um esforço suficiente para garantir que esse encontro com Cristo seja eficaz?
Ø  A nova evangelização deve usar “a linguagem da misericórdia dos gestos e atitudes.” Então, quais são os gestos e atitudes que seriam significativos no contexto da minha vida?

Pe. Eugene Niyonzima, SAC,
 D. R. do Congo.


[1] Intervento del Cardinale Joseph Ratzinger durante il convegno dei catechisti e dei docenti di
   religione, domenica, 10 dicembre 2000.
[2] Lineamenta, del Sinodo dei Vescovi sulla nuova evangelizzazione, 5.
[3] Catechismo della Chiesa Cattolica, n°1694.
[4] OOCC III, 37.
[5] Redemptoris Missio, 7.
[6] Redemptoris Missio, 87.
[7] Cfr. Lineamenta, 12.
[8] Cfr. Omelia del Santo Padre Francesco durante la Santa Messa con i seminaristi, i novizi e le novizie, Basilica   Vaticana, domenica, 7 luglio 2013.
[9] Evangelii Nuntiandi, 21.
[10] Cfr. JOSEPH CARDINAL RATZINGER, La nuova Evangelizzazione.
[11] Cfr. PAPA FRANCESCO, Discorso ai partecipanti all'assemblea plenaria del Pontificio Consiglio per la Promozione della Nuova Evangelizzazione, Sala Clementina, lunedì 14 ottobre 2013.
[12] Cfr. PAOLO VI, Discorso ai Membri del «Consilium de Laicis» (2 ottobre 1974): AAS 66, 1974, p. 568; Cfr. Evangelii Nuntiandi, 41-42.

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