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sábado, 16 de fevereiro de 2019

Apóstolos Hoje, janeiro de 2019


A Santidade, Um Caminho feito juntos

São Vicente Pallotti, como fundador da união do Apostolado Católico, recebeu a iluminação do Espírito Santo de chamar TODAS AS PESSOAS “que possuem zelo para a glória de Deus, amor e compaixão para a salvação do próximo”.
 Nossa profunda gratidão ao Papa São João XXIII, por ter chamado, naqueles anos, as Congregações religiosas e outros Institutos de vida Consagrada a retornarem ao próprio carisma original, que é a volta à inspiração dos seus Fundadores, para renovarem, em si mesmos, o dom do Espírito Santo que lhes fora concedido por intermédio de seus Fundadores. Foi assim comigo, Vicente Pallotti revive e a sua mansagem tocava diretamente o coração da humanidade, pois trazia como referência o espírito dos primeiros cristãos, ou seja,(o espírito) de todos aqueles que haviam sido chamados a fazer com que Jesus fosse conhecido pelo  fato de o terem acolhido como Senhor e Salvador.
No tempo de retornar à fonte do carisma foi um período em que os sacerdotes, irmãs e irmãos trabalharam juntos a fim de aprofundar a inspiração original que Pallotti recebera. Foi um período de estudo e de partilha para chegar a uma melhor compreensão daquilo que nos fora transmitido. Foi um período de renovação onde antramos em comunicação uns com os outros com o profundo desejo de conhecer melhor o carisma que Vicente Pallotti havia recebido. Esse foi o momento da nossa história que favoreceu a recíproca compreensão e partilha, um período que restabeleceu o lugar dos leigos na visão do nosso Fundador, um tempo onde fomos chamados a abraçar o inteiro corpo de Cristo como parte da União. Como resultado desse estudo, a inteiração de uns con os outros e con os leigos, recebemos a graça de conhecer e amar Vicente Pallotti e sermos inspirados da sua visão não como algo do passado, mas como uma verdadeira e real vocação pessoal no tempo presente.
No Apelo da Maio 1835, São Vicente convida TODOS aqueles que possuem zelo para a glória de Deus,  amor e compaixão para a salvação espiritual do próximo. Esse convite chama àqueles, cujos corações já tinham sido tocados pela graça de Deus. Convida o povo de Roma a associar-se para responder ao chamado amoroso de Deus. E a resposta a esse chamado não leva em conta o chamado específico de cada vocação.
Essa Associação se propõe unir a ação evangélica, as orações e as ofertas, não somente dos próprios membros mas também de todos aqueles que desejariam cooperar, mesmo que seja por uma única vez, para despertar a fé e a piedade entre os cristãos e  multiplicar os meios necessários para manter e propagar a religião católica.
Aqui encontramos que na visão do Pallotti, todos, desde o início, são incluídos. E para enfatizar esse incluir TODOS, São Vicente esclarece sua afirmação.
Por isso, a associação é composta de tal modo que todos os católicos podem participar. Podem ser clerigos ou leigos; homens ou mulheres; estudados ou analfabetos; ricos ou indigentes; nobres ou populares; pessoas de qualquer vocação, estado ou posição social. Portanto, aqueles que não podem exercitar pessoalmente o sagrado ministério, diretamente podem ainda oferecer a sua colaboração  com suas atividades pessoais, o comercio, a profissão, o trabalho, as doações voluntárias e também utilizando oportunamente a sua participação. Naturalmente, todos podem cooperar com o meio eficaz da oração. Por meio dessa associação, portanto, ninguém é excluído de cooperar no Apostolado Católico ou de ter participação das orações, méritos e premios.
Neste longo e detalhado Apelo ao Povo de Roma, Pallotti citando o papa São Gregório Magno, lembra que não há sacrifício mais aceito por Deus onipotente do que o sacrifício de um coração cheio de zelo pela salvação do próximo. E assim faz o apelo ao amor do povo romano para com Deus, que está presente em cada pessoa, para poder chegar aos outros para salvar suas almas. Pallotti tem consciência de que esse amor de Deus foi colocado no coração de todo o povo de Deus, a fim de viver a comunhão com Deus e com o próximo. Essa inspiração leva-o a perceber que Deus chama TODOS.
Por meio do convite ao povo de Roma, Pallotti apela ao coração e à capacidade do indivíduo a responder no amor e desse modo chegar até o próximo. “Somos, portanto, convictos, de que todos os corações verdadeiramente católicos, todas as pessoas verdadeiramente cuidadosas que guardam no coração o amor pela salvação do seu próximo, a glória de Deus e o santo Nome de Jesus Cristo, responderão com igual generosidade e prontidão ao Apelo que nós fazemos a sua sensibilidade religiosa e caridade. (cfr. Apelo de Maio, 1835). É um apelo a se unirem para a glória de Deus e o nome de Jesus. É a visão de São Vicente Pallotti do corpo de Cristo unido na ação como na oração. É o coração da União do Apostolado Católico de caminhar juntos na santidade e na ação apostólica.
En todo o Apelo de 1835 e em todos seus escritos, São Vicente Pallotti acentua a respeito do coração cristão e suas intenções. Sem dúvida, retira muito da Sagrada Escritura, como quando se refere a “todos os corações verdadeiramente católicos, a todas as pessoas verdadeiramente cuidadosas” que responderão ao Apelo. O Fundador, atualmente, estaria em comunhão com a Exortação  “Gaudete et Exultate” do Papa Francisco e a aplicaria aos membros da União aquilo que o Papa escreve em relação aos: “Felizes os puros de coração porque verão a Deus”. (cfr. GE, 83).
Para Pallotti não há separação entre o amor de Deus e o amor ao próximo; em ambos os casos, o amor deve surgir do coração. Este é o fundamento da União onde os membros estão unidos pela Graça de Deus e desenvolvem a obra de Deus como um único corpo. E Pallotti vai além dos próprios membros, a fim de incluir qualquer pessoa que queira colaborar, mesmo sendo uma única vez, para  reavivar a fé e a piedade (amor).
Para o Papa Francisco, a bem-aventurança se refere àqueles cujos corações são simples, puros, sem imundícies, porque é um coração que sabe amar, não permite entrada de alguma coisa que ameaça o amor, que o enfraqueça, e o coloque em perigo. Francisco indica que na Biblia o coração são as nossas verdadeiras intenções, aquilo que realmente buscamos e desejamos, além de quanto manifestamos (cfr GE, 83). E neste nosso tempo, Pallotti concordaria afirmar que um coração que genuinamente ama a Deus e o próximo é um coração puro; e esse pode ver Deus.
De fato, Pallotti une continuamente o amor de Deus e o amor ao próximo nos seus escritos, especialmente no Apelo de Maio de 1835
Também nós, atualmente, somos chamados a ir ao encontro dos outros, convidando-os a amar a Deus e ao próximo para o Reino de Deus, que é Reino de Amor. Com Vicente Pallotti, que nos confiou a missão de ser contínuos fundadores da União, devemos chamar as pessoas do nosso tempo com aquela sua mesma convicção a respeito de “todas as pessoas que tem zelo para a glória de Deus e compaixão para a salvação espiritual do próximo”.
Pensando bem, esse zelo, para nós, é semelhante ao do nosso Fundador no perceber o mundo de seu tempo. Na verdade, poderíamos aplicar as suas mesmas palavras à nossa realidade, local, nacional e global”. Qualquer pessoa que considerar atentamente a situação atual do mundo em relação à religião, chega a conclusão que, porque em nossa época existe tanto mal, temos uma grande necessidade de fé” (Appello de Maio 1835).
Perguntas para reflexão pessoal e comunitária:
Como descrever “um coração puro” ás pessoas da nossa sociedade, em particular aos jovens?
Seguindo as orientações de São Vicente Pallotti, como expressar o convite para aderir à União?
Que passos devem ser feitos para ajudar os jovens a compreenderem o carisma Palotino e colocá-lo em prática?
Qual ‘estilo’ de vida como cenáculo e como corpo nacional se irradia no trabalhar juntos para o Reino de Deus?
            Ir. Carmel Therese Favazzo CSAC, USA

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Apóstolos Hoje - outubro 2018


SANTIDADE, UM CAMINHO FEITO JUNTOS

Santa Teresa de Lisieux nos aconselha, que durante os tempos de oração, é bom periodicamente trazer à memória aqueles momentos em que sentimos a graça de Deus nos tocar profundamente, em especial quando estamos atravessando períodos de aridez ou de escuridão, podendo assim, trazer nova seiva de vida e inspiração daquelas experiências que nos podem ajudar a superar as dificuldades atuais e, ainda, “reavivar o dom de Deus que está em nós” (2Tim 1,6). No início de Gaudete et Exsultate, Papa Francisco fala da importância da “várias testemunhas que nos encorajam” (cfr. GE 3), entre eles os “sinais de santidade que o Senhor nos apresenta através dos membros mais humildes” do seu povo (GE 8).
Quando era seminarista palotino a Dublin, o então recém eleito Reitor Geral, P. Seamus Freeman SAC, falou-nos do carisma Palotino. Não lembro de todos os detalhes que nos falou, mas lembro-me de sentir como se um fogo acendesse em mim, senti que isso “era algo para o qual eu poderia alegremente doar minha vida”. Apresentou-nos uma visão maravilhosa da vida e da comunidade cristã, onde todos são chamados apóstolos, irmãs e irmãos nas diferentes vocações, mas iguais na dignidade, para contribuir com nossos talentos e dons particulares à comunhão e colaboração prática com os outros para ajudar a construir o Reino de Deus. Uma visão que vai além da comunidade dos discípulos de Cristo, e que buscava também a colaboração com as pessoas de boa vontade de todos mesmo daqueles que não crêem.
Embora tenha mudado sua intensidade no decorrer dos anos, as vezes è semelhante “a uma mecha que ainda fumega” (Is 42,3), aquele misterioso fogo verdadeiramente nunca me abandonou. Esteve e continua a ser nutrido daquela experiência inicial e de outras, inclusive o simples mas profundo testemunho da palavra e da vida de tantas outras pessoas de todas as vocações – seja na ou fora da Família Palotina – que procuram viver com profunda fé, humanidade, integridade e solidariedade em espírito de comunhão e co-responsabilidade, no serviço generoso e humilde, em particular aos mais necessitados e vulneráveis.
A União tem muito a oferecer à Igreja e ao mundo. Como a própria vida, essa é fundamentalmente enraizada e construída em relações saudáveis.
A relação fundamental para cada um de nós é naturalmente nossa relação com Deus. Cada um de nós misteriosamente envolvidos em uma relação de amor com Cristo e, através Dele, com o Pai e o Espírito Santo. Nessas relações fundamentais, somos convidados a “saborear” o amor infinito que é Deus, a deixar que esse amor penetre sempre mais e transforme todas dimensões do nosso ser e cada aspecto da nossa pessoa e humanidade, tornando-se a força motriz de tudo o que somos e fazemos, mesmo que tudo isso seja um processo longo e às vezes doloroso mas, cada um a seu modo, buscando sempre discernir o caminho que o Senhor nos está chamando a seguir (GE 11).
Para que seja verdadeiramente humano e cristão, esse caminho único para cada pessoa, não pode ser individualista, na verdade é sempre uma rede mais ampla de relações humanas, porque a “santificação é um caminho comunitário, que se deve fazer dois a dois” (GE 141). Assim como “ninguém se salva sozinho, como indivíduo isolado”, assim também ninguém se faz santo sozinho, “mas Deus atrai-nos tendo em conta a complexa rede de relações interpessoais que se estabelecem na comunidade humana” (GE 6).
Como membros da União do Apostolado Católico, isto é verdade para nós de uma maneira particular. Nossas relações humanas devem se impregnar concretamente do amor que é a própria vida e o próprio ser da Trindade (cfr. Estatuto Geral 18), e torná-lo mais carne como o descreve São Paulo no seu maravilhoso hino: paciente, gentil, indulgente, livre de ciúmes, arrogância, vaidade, grosseria, egoísmo, irritabilidade e ressentimento. Este amor é tão substancial que, onde falta, a União deixa de existir, e isto independentemente de qualquer estrutura ou obra externa que se deva colocar em prática (cfr. OOCC III, 137-138).
O Estatuto Geral da nossa União e as estruturas de base nelas delineadas visam orientar o funcionamento de uma comunidade que dê, de modo muito real, expressão concreta a estas características do amor: humildade, abertura e diálogo; respeito profundo aos outros e benevolência para com eles; plena participação de todos como apóstolos com plenos direitos; paciência e generosidade de espírito; simplicidade, transparência e integridade; colaboração desde o início e co-responsabilidade; discernimento partilhado e paixão pela missão, ternura e fidelidade. Portanto, uma comunidade que reconhece, encarna e promove a fundamental dignidade e igualdade de todos os seus membros (EsG l7, cfr. EsG 70), independentemente da vocação ou das condições de vida, e que, sem ignorar as distinções entre elas, mas corretamente entendida e vivida, coloca cada estado de vida num contexto amplo, saudável, estável e frutífero de abertura e serviço mútuo, convidando a um novo modo de relacionar-se com os outros.
“A co-responsabilidade exige uma mudança de mentalidade… na Igreja”, de modo que ninguém seja visto como um simples colaborador-executor de planos decididos por outros, mas sim que todos sejam considerados “como pessoas realmente “co-responsáveis” do ser e do agir da Igreja” (cfr. Papa Bento XVI, Mensagem, 10 de agosto 2012). Um aspecto fundamental do nosso próprio carisma e missão é colaborar ativamente para tal mudança de mentalidade na Igreja, promovendo a co-responsabilidade de todos os batizados (EsG 1).
O desafio como Família Palotina é aprender em todos os níveis a abraçar e viver isto, de forma coerente e profunda, em todas as relações entre nós: entre pessoas semelhantes e de diversas vocações e estados de vida, nos conselhos de coordenação da União e internamente nas tantas e diversas comunidades da União. Este é nosso DNA palotino.
A tentação de tratar os outros de uma forma que não reflete o espírito de comunhão e co-responsabilidade é aquela que pode aparecer a qualquer membro da União. E isso é verdade, quer exista ou não uma posição particular de responsabilidade e serviço. Como membro de uma das comunidades fundadas da São Vicente, penso que precisamos prestar particular atenção de como entendemos a nossa responsabilidade específica na União. É humildade lembrar que a primeira “comunidade” fundada por São Vicente foi e é a mesma União, à qual pertencem todos os seus membros com as particulares comunidades por ele fundadas sucessivamente. Isto não diminui a função específica destes últimos na União, mas convida-nos a apreciá-la e a exercitá-la com maior sentido de pertença a uma única família de origem, juntamente com todos os outros membros da mesma, em que as diferentes vocações são “assim ligadas que cada uma ajuda a outra a ser atenta ao crescimento contínuo, e prestar um serviço específico” (EsG 7)
“Os membros da inteira fundação, apesar da variedade, não estão subordinados nem aos superiores, nem uns aos outros, mas são diretamente orientados para a finalidade da União como seus sustentadores, com os mesmos direitos. Tanto os que receberam o sacramento da ordem, como os que não o tenham recebido, os membros individuais e quantos tenham sido incorporados a uma comunidade têm, em princípio, a mesma fundamental responsabilidade para com a missão da União (EsG 6, 37). …Nos órgãos [da União], os membros das comunidades originárias, por princípio, não reivindicam uma posição de dominação, mas sentem-se e querem ser iguais entre iguais (EsG 29 , 31, 49, 58)” (O Carisma de São Vicente Pallotti. Origem, Desenvolvimento, Identidade, pp. 28-29).
Isso reflete um elemento essencial da verdade a respeito do nosso Carisma assim como a Igreja o reconheceu. De fato, em e através de Papa Francisco, a Igreja mesma é chamada a compreender-se em termos não tão diversos: “É bom lembrar que a Igreja não é uma elite de sacerdotes, de consagrados, de bispos, mas que todos formamos o Santo Povo fiel de Deus… O Santo Povo fiel de Deus é ungido com a a graça do Espírito Santo, portanto, no momento de refletir, pensar, avaliar, discernir, devemos ser muito atentos a esta unção”. Aqueles que têm uma responsabilidade particular são chamados a discernir sempre com os outros e nunca por ou sem os outros (cfr. Carta ao Cardial Marc Quellet, Presidente da Pontifícia Comissão pela América Latina, 19 de março de 2016).
Se a Igreja fosse marcada por este sentido profundo e partilhado do discernimento e responsabilidade, certamente ter-se-ia encontrado as respostas mais semelhantes a Cristo naquelas situações que, como estamos vendo, são resultados que causam mais uma vez terrível mal nesses tempos, muitas vezes para as pessoas mais vulneráveis. Papa Francisco convidou toda a Igreja a reparar e a exercer a autoridade como serviço e amor para o bem de todos. É claro que a União é chamada a dar a sua importante contribuição na construção de uma Igreja saudável e centrada em Cristo e de um mundo melhor. Peçamos a Deus, por intercessão de Maria Rainha dos Apóstolos e de São Vicente Pallotti, que iluminem nossos corações para que possamos ver que esperança o seu chamado, como União, tem reservado para nós, para Igreja e para o mundo. Possa o fogo do carisma confiado a nós através São Vicente ser aceso em nós e queimar ardentemente, assim unidos como uma só família podemos dar testemunho do Deus de amor infinito e juntos empenhar-nos a levar aquele amor de todas as formas, e em particular aos que estão perdidos, abatidos e sofredores. Podemos nos libertar de tudo o que mina dentro de nós o amor, o respeito mútuo e o afeto; tudo aquilo que causa divisão, de modo que nossas energias possam ser livres para trabalhar de todo coração como pessoas e como única família por nenhum outro fim, senão a construção e difusão do Reino de Deus, reino de bondade e santidade, de misericórdia, justiça e solidariedade.

Para a reflexão, oração pessoal e comunitária:
Quando você foi particularmente tocado pelo carisma? Pede na oração que o espírito do carisma, dono do Espírito Santo de Deus, seja renovado e aprofundado em ti, na tua comunidade e na União.
“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Gv. 13,35). O que torna frágil este testemunho entre nós e como podemos ao invés, enraizá-lo em profundidade e reforçá-lo na prática?
De que maneira entendo e percorro o caminho da santidade em termos excessivamente individualistas? De que modo experimentei a riqueza que vem do caminhar junto com os outros para a santidade?
            P. Rory Hanly SAC,
            Roma

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Apóstolos hoje - Novembro 2017

A MISSÃO PALOTINA NO PERÚ
A nossa vida está verdadeiramente animada por Deus? Quantas coisas anteponho a Deus, em cada dia?
(Papa Francisco)

No dia dez de fevereiro de dois mil e dezoito celebraremos quatro anos da missão palotina na província de Vilcashuamán, Ayacucho, Perú.
A chegada dos missionários palotinos se deu em um cenário de abandono, tanto dos templos como da vida de fé de muitos fiéis, que não podiam contar com a presença de sacerdotes para a celebração dos sacramentos e para os cuidados pastorais necessários para viverem e fortalecerem sua fé.
Os missionários não mediram esforços e começaram os trabalhos para reavivar e reacender a caridade. No início eram apenas três comunidades a serem atendidas, por conta da distância de uma para outra. Em pouco tempo, os palotinos já estavam atendendo toda a Província, que tem quase quatro mil quilômetros de extensão, contendo 8 distritos, com seus povoados.
Os desafios são enormes, mas os progressos já podem vistos e celebrados. O domínio do idioma, especialmente a língua nativa do povo dessa região, Quechua, foi no princípio uma grande dificuldade, mas com a graça de Deus e o auxílio do povo, ela foi superada. Hoje o idioma já não é problema. As celebrações e as visitas pastorais são realizadas em muitos povoados que não tinham visto a presença de um sacerdote. Foram inúmeros sacramentos celebrados e festas patronais realizadas em todos povoados.
A Paróquia, que não parecia ter vida, tem recebido a vitalidade da fé e da expressão religioso do povo. Hoje tem um novo rosto, com a presença dos jovens, crianças e famílias na missa. Um trabalho exigente, mas que produz bons frutos são os atendimentos aos colégios, com missas e palestras para a preparação dos sacramentos, assim como a formação dos valores humanos e religiosos.
As irmãs palotinas, Irmãs do Cenáculo, com o seu carisma deram uma nova expressão para essa missão. Elas apóiam todas as atividades pastorais da Paróquia. Outra presença importante é a das Irmãs Missionárias de Maria Imaculada: são irmãs mexicanas que exercem os trabalhos missionários em outra parte da nossa paróquia, especialmente na animação catequética e de fé de muitos povoados.
Deus tem abençoado a missão palotina, em terras peruanas, agraciando-a com um vocacionado, que já iniciou sua formação no postulado palotino, no Brasil. A missão está se desenvolvendo e crescendo, os missionários são conscientes que muito já foi feito, porém há muito mais para se fazer. Desta maneira, a gratidão é o sentimento que preenche o coração dos missionários por tantas pessoas que rezam e apóiam essa missão.
Pela intercessão de nosso fundador, São Vicente Pallotti, Deus abençoe a todos.

            Pe. Manoel Santana Vieira SAC,
            Peru.

Perguntas para reflexão pessoal e comunitária:
Quão forte é a nossa corresponsabilidade e compromisso prático para o sustento de projetos missionários no exterior?
De que forma estamos envolvidos em apoiar esses projetos com recursos financeiros e/ou pela oração? Existe algo mais a que somos chamados a realizar?

Como podemos viver e promover o sentido da corresponsabilidade missionária em nossa Família Palotina e na Igreja como um todo?

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Apóstolos hoje - Outubro de 2017

O DIÁLOGO NO CAMPO DA ECONOMIA
A Economia é uma das Ciências Sociais que nos ajuda no correto funcionamento de um mundo desenvolvido segundo a vontade de Deus e o que resulta das palavras escritas na Bíblia, Gênesis (1,26): e Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança, que reine sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, sobre todos os animais selvagens e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra.”
Este é o mundo que recebemos como dom, desde a origem da criação, com a finalidade de uma correta gestão, ativa e cuidadosa. A administração ativa e cuidadosa (domínio) não é recomendada somente pelo Evangelho, mas também pela lei particular, estabelecida pelas nossas Congregações e ainda pela União, como foi enfatizado pelo Padre Friedrich Kretz SAC, na sua introdução ao texto sobre administração econômica da Sociedade.
Este “domínio” expresso na ciência econômica consiste no método e no uso de vários instrumentos para a “administração”, vale dizer uma gestão responsável, que cuida daquilo que nos foi dado e confiado.
Para poder cuidar conscientemente, da administração segundo a vontade de Deus, é necessário incluí-Lo neste diálogo, como Criador daquilo que nos foi dado como dom. O Diálogo na Economia, o diálogo de Deus, ocorre em diversos níveis: comunitário e pessoal. Este diálogo diz respeito a todos, pessoalmente, segundo a própria situação e condição. Este interessa ao proprietário, ao gerente, ao supervisor, ao funcionário e a quantos participam do fruto do próprio trabalho. Somos todos protagonistas no mesmo diálogo.
Deixamos a Economia global aos espertos deste mundo que, como nós, deverão ao final prestar contas da sua administração. (Lc 14, 25-33).
Continuando esta reflexão, quero partilhar a minha experiência pessoal de diálogo na área da Economia, a respeito do meu relacionamento com Deus, com outras pessoas e comigo mesmo; oferecerei algumas indicações, talvez até algumas sugestões, modelos que foram muito úteis para ajudar-me a permanecer ativamente comprometido neste diálogo.
A essência no início deste difícil diálogo com Deus, na gestão da propriedade, é um convite do próprio Deus de trabalhar, ganhar, economizar, gastar e administrar. O fruto deste convite é a libertação, dada por Deus mesmo: todos os bens pertencem a Ele e tem n’Ele o seu início. Colocar Deus em primeiro lugar – porque nem tudo depende exclusivamente das minhas capacidades pessoais, da educação, da minha descoberta, da necessidade de possuir e de criar um mundo à minha imagem antes da imagem d’Ele – é um ato de confiança que ao invés de dizer “Jesus, eu confio em mim”, dizer “ Jesus, eu confio em Ti”
Muito tempo passou antes de entender e aceitar tudo isto, que se tornou uma espécie de conversão, metanóia e libertação. Tal conversão provavelmente é mais difícil para os leigos, porque a vida deles é muito ligada às habilidades que possuem para adquirir tais bens; mas esta conversão é necessária também na vida consagrada para compreender a vontade de Deus, quanto a posse e administração desses bens materiais.
A consciência que aquilo que tenho não é meu, mas algo que recebi para administrar bem, muda a maneira de olhar o mundo, o trabalho, o ganhar, investir e conservar. É uma conversão que dá vida como dizem as Escrituras: “Convertei-vos e vivereis”. (Ez 18,32). Não é fácil adquirir tal consciência, cada dia exige conversão, oração, diálogo, dando uma “relação de gestão”, uma contínua renovação da amizade com Deus, ao qual tudo pertence.
São Vicente descobriu recursos econômicos pertencentes de modo exclusivo a nosso Senhor Jesus Cristo e como patrimônio dos seus pobres. (cf Lei SAC n. 26).
Na realização do meu trabalho, no meu diálogo cotidiano com Deus, procuro dar o meu tempo completamente a Deus, minhas capacidades, minhas decisões, meus colaboradores, funcionários, e as pessoas que encontro durante o dia, com o objetivo de ser um instrumento útil “na vinha do Senhor”
Na oração, junto a Deus, encontro as soluções dos problemas profissionais ou outras tarefas a mim confiadas. Às vezes a resposta vem imediatamente, mas com freqüência preciso de mais tempo para que meu coração seja aberto e pronto.
O melhor lugar e momento para falar destes temas ligados ao trabalho são na Sua presença no Santíssimo Sacramento ou no Sacramento da Penitência. Nestas duas realidades de Sua presença, a resposta às questões, que lhes dirijo, chega ao coração ou diretamente aos ouvidos. Muitas vezes confio meu trabalho e meus deveres profissionais a Deus, através dos Santos, mas sobretudo a São José operário.
Ó, São José, protetor de Jesus, esposo castíssimo de Maria, que passaste a vida no cumprimento perfeito do dever, sustentando com o trabalho manual a Sagrada Família de Nazaré, protege com bondade a nós todos que, confiantes, a ti nos dirigimos.Tu conheces as nossas aspirações, nossas angústias e nossas esperanças: e a ti recorremos, pois sabemos que tu nos compreendes e nos proteges. Também tu experimentaste a provação, a dificuldade, o cansaço; no entanto, mesmo em meio às preocupações da vida material, teu espírito repleto da mais profunda paz exultou de inefável alegria pela intimidade com o Filho de Deus, a ti confiado, e com Maria, sua dulcíssima Mãe. Permite que também nós compreendamos que não estamos sozinhos em nosso trabalho, mas saibamos descobrir Jesus ao nosso lado, acolhê-lo com a graça, guardá-lo fielmente como tu fizeste. E faze que em cada família, em cada ambiente, em cada laboratório, onde quer que um cristão trabalhe, tudo seja santificado pela caridade, paciência, justiça, pela busca do bem, a fim de que desçam em abundância os dons da predileção celeste. Amém       (Oração do Papa São João XXIII)
Confiar, descobrir e consentir que Deus nos guie, ajuda-nos a entrar em diálogo pessoal com Ele, às vezes nos permite avaliar uma situação econômica particular e, se necessário, de fazer escolhas concretas.
Propomos um exemplo particular.
Uma vez, contemplando os Mistérios Gozosos do Rosário fiquei impressionado com o fato que no próprio significado dos mesmos é possível encontrar uma resposta a respeito da oportunidade de escolher um particular serviço econômico e criar um estudo sobre sua “viabilidade”.
No início, antes de uma nova idéia de trabalho, de produção, projeto a ser realizado, deve-se seguir a lógica da Anunciação: um certo pensamento, a iniciativa de Deus, o chamado do Anjo: “Podes fazer”, ou “talvez isto pode ser importante fazer”. A Anunciação é um início exato do processo, a concepção de uma idéia, é o verdadeiro início. A Anunciação é também o pulsar das batidas do coração, uma “tempestade cerebral”, quando aparece uma “nova” idéia maravilhosa. Mas no Mistério da Anunciação há ainda muita incerteza, uma resposta ainda a ser dada: qualquer coisa acontecerá? O que será? É realmente a vontade de Deus?
O próximo passo é fazer uma outra avaliação, para procurar reduzir o risco e ver se a nossa idéia é original, única e inovativa, porque somente tal característica e o modo de agir a nossa idéia podem garantir seu futuro sucesso (e mostrar se verdadeiramente é “inspiração de Deus”). É importante confrontar nosso projeto, com aquilo que já está no mercado, para ver se há algo semelhante a nossa idéia. Com freqüência há muitos produtos semelhantes, mas somente alguns tem sucesso. A visita de Maria a Elizabete confirmou que o filho era o Messias. O filho de Elisabete mostrou de ser “profeta”, indicando e revelando no filho de Maria, o “Messias” prometido, “Consagrado do Senhor”.
Caso a sua idéia é “inspiração de Deus”, pode cantar o Magnificat e acolhê-la como um instrumento nas mãos do Pai, para ajudar a “salvar o mundo”. Se diz que se trata de um “profeta”, a decisão de dar-lhe vida recai sobre você, mas a possibilidade de sucesso pode ser muito mais difícil de alcançar.
Vamos ao Mistério do “Nascimento”, um nascimento no qual a idéia se torna realidade e completa o plano da criação de Deus. Este Mistério se pode meditar depois, da revelação aos pastores, a Epifania do “Nascimento” e assim por diante, como sugere o Senhor. O nível do detalhe deste projeto pode ser elaborado no decorrer do diálogo, que inicia onde e quando Deus é convidado.
No Mistério da “Apresentação do Senhor”, somos convidados a entregar a Deus, aquilo que já, a Ele, pertence. Meditando este Mistério, procuro às vezes compreender a natureza da ação de Deus em mim, que trouxe a realização da idéia, para colocar tudo novamente sob os seus cuidados. Nesta oferta há também uma dimensão pública, que inclui a promoção, o marketing e todas as suas conseqüências.
No Mistério do “Encontro de Jesus no templo”, nos encontramos diante do problema da sustentabilidade do produto. Se o produto ficou no mercado por doze anos e continuamos a encontrá-lo na economia divina que cria e desenvolve o mundo, (mesmo que seja uma coisa pequena, visto que não sabemos quem e o que nos orientará no futuro) significa que conseguimos o equilíbrio, no campo econômico e no campo de Deus, ao mesmo tempo.
Em outros Mistérios do Rosário podemos encontrar outras conexões, comparações e sugestões, mas deixo isto para a meditação pessoal.
Um exemplo de conexão entre a oração e reflexão dos Mistérios do Rosário, na abertura ao diálogo na economia da vida cotidiana, é uma atitude que, talvez, não seja a melhor, mas que mostra a possibilidade de procurar e encontrar um espaço de diálogo econômico numa esfera exclusivamente ligada ao contato com Deus.
O diálogo leva sempre a cooperação, a esta “cooperação santa”, e não somente com Deus, mas também com as pessoas que convidamos a colaborar.
A finalidade de cada diálogo é sempre a de compreender melhor a outra pessoa, a sua fé e aprofundar a compreensão da própria fé, no ser apóstolo onde Deus nos envia.

Perguntas para reflexão pessoal e comunitária:
1.     Ter consciência e o sentido de responsabilidade que toda a minha vida (compreendendo o dinheiro e as finanças na vida cotidiana) e todas as ações constituem minha participação ao plano da criação de Deus para o mundo?
2.     O meu diálogo com Deus envolve também a questão da minha vida cotidiana, do trabalho, da gestão dos bens?
3.     Qual é minha responsabilidade no local onde trabalho e com as pessoas com os quais trabalho? Rezo pelos meus chefes, funcionários, colaboradores e superiores?

                                            Marek Kalka,
UAC Polônia

sábado, 21 de outubro de 2017

Apóstolos Hoje, Setembro de 2017

“DIÁLOGO, UM CAMINHO QUE NOS LEVA A NÓS MESMOS, A DEUS E AO OUTRO.”

      
Há diversos tipos de diálogo, mas me deterei apenas em dois, que julgo serem a base para os demais.
üO diálogo interior: É o mais exigente. Ele é um processo necessário para o crescimento do ser humano em sua consistência. É neste diálogo interior que se manifesta o mundo das relações conscientes e inconscientes do humano e do divino.
üO diálogo exterior: É com tudo aquilo que se adiciona à nossa existência, da parte de fora de nós mesmos, criando desejos nem sempre são necessários à nossa existência, mas ambos são pertinentes entre si; pois a comunhão dos dois favorece a construção sólida da identidade da pessoa e do mundo em que se vive.
       Para a nossa família Palotina, tal diálogo é, ou ao menos deveria ser, fruto de uma experiência anterior, pois a pedagogia de Pallotti nos remete ao Cenáculo onde se aprende e somos capacitados para o apostolado universal. Pela falta de uma tão profunda experiência pessoal do Cenáculo e do seu poder transformador vem à luz nosso limite como pessoas, com a correspondente limitação ao apostolado.
       Uma ação apostólica efetiva requer  a compreensão e valorização de  si e do mundo em que nosso apostolado é realizado, uma compreensão do emissor e do receptor da mensagem da pessoa e da cultura.
“O diálogo, um caminho que nos leva a nós mesmos, a Deus e ao outro.”
       No episódio de Pentecostes, todos compreendiam o que os apóstolos falavam (Atos 2,8), todos entendiam a mensagem de salvação apesar de serem pessoas de línguas e culturas diferentes. Aquele diálogo gerou a comunhão entre pessoas e culturas.
A cultura de hoje continuamente nos influencia a nos tornar cada vez mais consumidores de coisas e idéias. Até mesmo uma simples propaganda de um chocolate tem o poder de provocar em mim esta pergunta: isto é necessário neste momento para mim? Da mesma forma acontece em relação a muitas outras coisas, que são desnecessárias para sermos felizes. Para muitos, o ter é mais importante que o ser.
       O diálogo externo fabricado pela ganância de poucos tem causado a carência, a pobreza, a falta de um sentido profundo interior do coração humano. Por isso, há mais interesse de conhecer o diferente, porque não se conhece a riqueza do próprio interior (conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará - Jo 8,32).
       As pessoas às quais desde muito cedo foi oferecido um espaço de diálogo, não terão dificuldades de experimentar e manifestar ao mundo externo a consistência do seu mundo interior.
“O diálogo, um caminho que nos leva a nós mesmos, a Deus e ao outro.”
       Em todos os povos a família é central na formação da pessoa, com a riqueza e as imperfeições de cada membro. O diálogo entre os membros inclui a interação entre as gerações e possibilita desta maneira a transmissão de uma duradoura identidade com as devidas características de seu grupo cultural e social.
       As culturas que foram evangelizadas pelos cristãos, logo encontraram na tradição cristã-apostólica uma compreensão do evento salvífico pelas palavras de Cristo após sua morte. Fiéis ao mandamento de Jesus, os apóstolos levaram a mensagem de salvação a todos os povos, pelo diálogo, acompanhado por sinais dos efeitos do anúncio evangélico nos corações dos ouvintes da Palavra. (Ide pelo mundo afora e pregai o evangelho a todas as nações; Mt 28,19, Mc 16,15).
       A vida na modernidade tornou o encontro consigo, com o outro e com Deus muito mais difícil. Há muitas conversas, muito conhecimento do mundo exterior, mas há muito vazio no interior das pessoas. Somos quase forçados a sermos espertos no conhecimento de coisas. No que se refere ao ser humano em si, parece que cada vez mais desconhecemos o poder da nossa natureza. Os encontros com outros muitas vezes tem revelado a inconsistência do ser humano.
       O diálogo de Jesus com os discípulos a caminho de Emaús é um modelo maravilhoso de encontro que leva à vida nova. Jesus começou fazendo-lhes uma simples pergunta a respeito daquilo que estavam conversando, deu-lhes a oportunidade de expressarem tudo o que lhes estava pesando no coração a respeito da situação atual. Somente depois de os escutar atentamente, compreendendo a profundidade de sua dor e angústia, Ele lhes dirigiu uma palavra, capaz de gerar vida e provocar mundança de vida, uma palavra que tinha o poder de penetrar, aliviar seu desespero e desafiá-los a olhar sua situação e sua vida com olhos novos, abertos à esperança que vem do Evangelho. Somente mais tarde, depois que o Senhor lhes abriu plenamente os olhos, eles reconheceram o poder misterioso do diálogo e o efeito que este provocou dentro deles: “Não se nos abrasava o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras? (Lc 24,32). Foi através do aprender e escutar de novo, com ouvidos e olhos novos, que seus corações foram transformados, que foram reconfirmados como discípulos Daquele que doou sua vida por eles, tornando-se testemunhas e presença de sua vida ressuscitada.
“O diálogo, um caminho que nos leva a nós mesmos, a Deus e ao outro.”
       O diálogo com autoridades tem-se mostrado frequentemente infrutífero e não gerador de comunhão, com pouca compatibilidade de pensamentos. Parece que temos homens e mulheres infantis em suas relações. A crise do ser humano se instalou pela crise de autoridade; temos muitos autoritários, e poucas verdadeiras autoridades. Autoritarismo envolve a ausência de presença afetiva, pois é pelo afeto que adquirimos aquela maturidade de adulto, que é capaz de acolher o outro sem perder a sua identidade.
       No meu pensar vejo que seja urgente aprendermos a perceber, a explicar e a integrar em nossa praxe os verbos: sentir, ouvir e ver, pois estes verbos são os responsáveis para que haja diálogo autêntico e consistente entre as pessoas. A consciência do sentimento é base do diálogo interior. O que ouvimos é base do escutar, do saber abrir-se para outros valores. O que vemos, forma a base de nossa visão geral a respeito da totalidade que se manifesta na nossa existência e no mundo em que vivemos.
       No diálogo como instrumento para a libertação, há um princípio que usamos na nossa comunidade terapêutica, Mãe do Divino Amor, na recuperação de jovens masculinos dependentes químicos, que fazem residência em nossa casa. “As doenças que atingem a alma, entram pelos sentimentos, pelo que ouvimos e pelo que vemos. A doença sai pela boca, ou seja, se não falamos o que sentimos, não há recuperação.
       Os dez anos desse apostolado caritativo a pessoas com dependências químicas e/ou afetivas em recuperação, tem nos mostrado que quanto mais se fala do que se sente, mais rápido se adquire ou readquire a sanidade da alma. Todo o processo terapêutico está baseado no amor.
       O amor cura: desintoxicação do corpo
       O amor salva: perseverança, quem perseverar será salvo do traficante, da morte, do julgamento, da criminalidade, culpas, rejeições etc...
       O amor liberta: conhecer o próprio mundo interior, perceber o que os levou a prisão dos afetos doentios e das drogas.
       O amor reconcilia: consigo mesmo, com Deus e com os outros, ou seja, faz a reparação do que se fez de desonesto.
       Vivendo com estes irmãos, identificamos que as causas que os levaram a tal sofrimento são inúmeras, mais a maior é a falta de diálogo. Tal falta de comunicação pelo diálogo afetivo, particularmente com aqueles tem autoridade em suas vidas, com os primeiros responsáveis, os tornaram frágeis, sujeitos a caírem na armadilha da dependência química e afetiva.
“O diálogo, um caminho que nos leva a nós mesmos, a Deus e ao outro.”
       Assim, o carisma de nosso Santo fundador São Vicente Pallotti, continua sendo uma luz para os homens e mulheres de hoje, como foi para as pessoas do seu tempo. Esta herança pertence a todos os Palotinos (Padres, Irmãos, Irmãs e Leigos).
Somos chamados a sermos luz para cada filho e filha de Deus, qualquer que seja a miséria ou sofrimento em que se encontre. Pois a graça do nosso batismo nos qualifica para tal fim. “Cada um que se arma do sinal salutar da santa cruz, pode estar certo de fazer tudo aquilo que é da maior glória de Deus e para bem da própria alma e da alma do outro.” (Cf. OOCC III. 449-450).
Em Amoris Laetitia, o Santo Padre, Papa Francisco diz: a pessoa que ama é capaz de dizer palavras de incentivo, que reconfortam, fortalecem, consolam, estimulam. Por exemplo, aqui são algumas palavras que Jesus Cristo  dizia para as pessoas: “coragem filho, teus pecados estão perdoados” (Mt 9,2). “Vai em paz” (Lc 7,50). Não tenhas medo! (Mt 14,27). (Amoris Laetitia N°100).
Todas estas palavras deveriam ser divididas, nas nossas famílias e comunidades, onde o fraco se torna forte, o medroso toma coragem, o pecador alcança a santidade.
Em resumo: O diálogo é uma porta que nos leva ao conhecimento do mistério humano e divino.

Perguntas:
  1. Que diálogo temos com o nosso mundo interior; o que não quero ver e por quê?
  2. O nosso apostolado tem revelado o carisma palotino aos pobres de hoje?
  3. Que tipo de dependência temos que nos impede de sermos a imagem e semelhança de Deus amor, a nós mesmos e a outros?

                                                  Fr. José Orlando de Carvalho da Cruz, SAC.

                                                  Brazil

domingo, 27 de agosto de 2017

Apóstolos Hoje Agosto de 2017

DIÁLOGO EM FAMÍLIA
A família se compõe e se fundamenta no diálogo, feito de pequenas situações, todas importantes e significativas: os gestos mais simples, as atenções, as gentilezas, adisputa para servir uns aos outros, mas sobretudo nutrir sem se cansar, a sintonia entre as pessoas.
Acreditamos que duas coisas são particularmente importantes: a reciprocidade e a perseverança. Mas quem pode fazer esses dons se não a Graça?
A Sagrada Família é o exemplo que Jesus nos oferece. Ele no centro da família, não como uma criança que atrai a atenção como tal, talvez até sujeita a algum “vício”, amorosamente aceita pelos pais, assim como o “sagrado” entre eles.
Ao redor de Jesus há um primeiro mistério que envolveu os pais, desde a anunciação: o diálogo entre Maria e José foi nutrido pela fé em Deus que sustentou todos e os acompanhou sempre. Deus foi a “garantia” daquela família.
Mesmo o momento do nascimento foi incomum, mas
os simples e os estrangeiros estavam alí para acolhê-los, criança e pais.
Quanto terão falado entre eles José e Maria? Quantas perguntas foram feitas sobre os acontecimentos e o seu futuro? Jesus certamente não criou as bases para um futuro simples e planejável... talvez nem pensassem nisto... a Providência foi a luz que os conduziu.
Também hoje a Providência trabalha, mas lhe damos espaço? Em família nós nos questionamos para entender como acontecem coisas inesperadas e o que Jesus quer dizer com este modo de agir? A contemplação, quando é partilhada, é uma maneira diferente de dialogar... diante do sagrado há a contemplação.  
Uma amiga que conhecemos foi atingida por uma grave e rara doença, seu marido, sendo médico, obviamente estava muito preocupado. Após as primeiras terapias fomos visitá-los e nos disseram que encontraram tanto sofrimento, e que ficaram impressionados com a doçura e serenidade com a qual outras famílias enfrentavam as mesmas situações de dor, simplesmente dialogando e agindo com ternura. Simplesmente nos disseram: “isto foi para nós o maior ensinamento”. Ter olhos para perceber que Jesus te fala através das situações e contemplá-Lo juntos é um nível de diálogo muito profundo, talvez um dom.
A vida hoje é mutas vezes agitada e parece que o tempo nunca é suficiente. É verdade, em parte, mas o diálogo do casal é algo que se constrói no decorrer dos anos... é uma condição essencial que se adquire com a graça e que deve ser alimentada todos os dias, com a criatividade diante de cada situação.
Nós pais, ou nós adultos em geral, temos também a oportunidade de educar-nos à contemplação e à comunicação profunda também os menores. Envolvê-los num ambiente onde se vive deste modo, sem a presunção que tudo se torne perfeito. De fato, nós e nossos filhos somos acompanhados pela nossa humanidade, mas sabemos que os nossos limites são superados pelo Amor de Jesus.
Não é fácil manter vivo o diálogo com os filhos, sobretudo na fase do crescimento, mas esperimentamos sem desanimar diante do silêncio ou dos contrastes. Faziam parte do “pacote”, por assim dizer, mas eles depois, de superada a adolescência, reconheceram nossa firmeza e compreederam a importância do diálogo sobretudo nos momentos mais difícies.
Entendemos na nossa vida de família no interno da família palotina a importância de amar o outro dispondo-nos à escuta, ao diálogo autêntico, livres de julgamentos e desinteressados. Compreender e entender as razões do outro quem quer que seja para poder viver a diversidade como riqueza e isto podemos fazer sempre, onde quer que estejamos e em qualquer situação.

DE SÃO VICENTE PALLOTTI:
“...cada um imaginando de encontrar-se na Casa de Nazaré como se fizesse parte da Sagrada Família do Homem-Deus se compromete a viver com aquela humildade, submissão, simplicidade, e proveito que pode imaginar, que teria praticado, e promovido se realmente se tivesse encontrado vivendo com Jesus, Maria e José” (OOCC II, 104).

REFLEXÕES:
Sentimos a necessidade e a alegria de partilhar nossas experiências?
Quanto tempo dedicamos ao diálogo na família/comunidade?
Quando nos confrontamos procuramos convencer ou compreender o outro, as suas razões e as suas experiências?
Nossa atitude com o externo coloca os outros à vontade criando um clima de confiança e tranquilidade ou, inadvertidamente levantamos um véu de separação diante daqueles que tem opinão diferente?
Como reagimos diante a partilha de um sofrimento? É mais fácil alegrar-se junto ou enfrentar uma dificuldade?
            Rosa Colucci e Giuseppe del Coiro,

            Roma.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Apóstolos hoje, Julho de 2017

DIÁLOGO ENTRE OS CARISMA NA IGREJA


Partilhada e apreciada é a iniciativa de colocar em diálogo as várias realidades existentes na Igreja e no mundo; o diálogo hoje não é apenas útil, mas urgente. Exige lealdade, transparência, busca da verdade e do bem por parte dos interlocutores.


No princípio era a Palavra, a Palavra era Deus, ... O Filho é Palavra de Verdade, enviada por Deus mesmo aos homens, revestida de carne (cf. Jo, 1); e é o Cristo em pessoa que liberta o homem e o leva ao Pai. E Cristo, revelador do Pai, nos dá o seu Espírito e entra em diálogo com a humanidade.
Em Pentecostes, Jesus irradia o Espírito, revelando a Santíssima Trindade, como comunhão de Pessoas divinas. A missão de Cristo e do Espírito torna-se a missão da Igreja enviada para anunciar e difundir o mistério da comunhão trinitária. E é o Espírito que doa aos batizados o carisma para as múltiplas funções, a fim de que vivam em comunhão na Igreja e no mundo e manifestem os frutos do Espírito. (cf. CCC 144; 148)
Mas como colocar em diálogo os carismas? Somente o Senhor pode ajudar-nos a colocar em diálogo e harmonizar de modo prático os carismas, realidade sobrenatural presente na edificação do corpo místico de Cristo e fazer unidade na caridade, valorizando a riqueza da multiforme variedade dos dons. A unidade é desejo do próprio Jesus Cristo: Ut unum sint, o maior de todos os carismas é a caridade que leva à unidade.
Hoje parece muito difícil a simplicidade relacional humana, o diálogo. Devemos partir de Jesus Cristo, olhar Jesus na Eucaristia. Da Eucaristia nasce aquela espiritualidade de comunhão tão necessária para estabelecer o diálogo de caridade no qual o mundo de hoje tanto necessita. A relação, o diálogo, a fraternidade são frutos do amor recebido do Pai e partilhado com os irmãos.
Eis a urgência da comunidade cristã de por-se sempre como sinal de diálogo, de uma comunhão de carismas capaz de harmonizar as diversidades. É esta abertura de acolhida das várias realidade carismáticas que testemunham com a vida os valores da fraternidade cristã e a força transformante do evangelho, que nos faz reconhecer filhos do único Pai, e impele ao amor oblativo para com todos, especialmente os últimos.
No dom do carisma há sempre uma vocação expressa em várias formas ou maneiras de seguir Jesus e para servir a Igreja. Cada comunidade da Igreja tem o objetivo de fazer crescer a espiritualidade de comunhão, principalmente na comunidade eclesial e além, realizando constantemente o diálogo da caridade, sobretudo onde o mundo de hoje é dilacerado pelo ódio étnico e pela violência homicida.
O Carisma é também memória vivente, aberta ao futuro. Tendo viva a memória nos abrimos aos grandes desafios de hoje. Entrando nos desafios, experimentamos a dinâmica e a força profética do carisma, fazendo-nos perceber a sua providencial atualidade e as possibilidades que se abrem para avançar. O diálogo entre os carismas é também uma questão de estilo, de animação de pessoas e de processos. Mais que definì-lo o carisma é um dom a acolher e ao qual responder, mas ninguém pode apropriar-se, dele, porque é dom para os outros.
Muitas vezes a dimensão da caridade passa pela mesa. Também Jesus durante as refeições ensinou sobre o valor do perdão, da amizade, da acolhida de todos, Ele que se fez nosso “alimento” na Eucaristia. A refeição se torna o lugar em que se exprime a gratuidade da comunhão e, de alguma forma, se cria o clima para um diálogo livre e sereno. A humanidade não foi capaz de fazer verdadeira comunhão até o Pentecostes, quando com a graça do Espírito, recebe dons e carismas e os organiza, para realizar o Corpo eclesial de Cristo que reúne seus membros dispersos, num só Homem novo.
Um dos “locais” onde, é quase natural que os carismas sejam unidos e complementares, é na vida consagrada, vivida em comunidade. No documento Mutuae Relationes (MR 11) se descreve “o Carisma dos fundadores (ET11) como uma experiência do Espírito transmitida aos próprios discípulos para ser vivida, conservada, aprofundada e constantemente desenvolvida em sintonia com o corpo de Cristo em constante crescimento”.
A comunidade religiosa com a variedade dos carismas e das instituições, ativas em sinergia na Igreja e com a sociedade, especialmente com as suas comunidades multinacionas, multi-étnicas, oferece à humanidade experiências preciosas de diálogo, de comunhão e de colaboração. Por muito tempo não foi simples e nem fácil a abertura dos Institutos e colocá-los em diálogo entre eles. Mantinham-se fechados e separados, apesar de terem sido apostolicamente eficazes. O Vaticano II oferece convites para criar abertura, diálogo e comunhão mais consciente entre os Institutos de vida consagrada, porém sem ofuscar ou enfraquecer a originalidade e identidade de cada carisma. O Concílio exorta também a associar-se em Conferências dos Superiores e Superioras Maiores, a nível nacional, continental e mundial. Assim, as relações e o diálogo entre os Institutos se abriram gradativamente e com bons resultados, particularmente através de estudos comuns, reflexões, pesquisas e troca de experiências.
Este diálogo sucessivamente se abriu também aos carismas doados às novas realidades eclesiais: movimentos, associações, comunidades, ... que incluem leigos animados pelo fogo do Espírito, desejosos de partilhar, de comunhão espiritual, de diálogo, gradualmente também levando a colaboração na gestão junto as obras de grande mérito eclesial e social.
Este crescimento, certamente inspirado pelo Espírito de caridade, de unidade, de diálogo e de comunhão sincera, tornaram visível na Igreja e ao mundo aquela “Primavera do Espírito” tanto desejada também pelos Fundadores de ordens religiosas e de pastores da Igreja, mas não menos do povo de Deus, desejoso de viver numa Igreja e numa sociedade na qual a comunhão, a fraternidade, a partilha não são uma utopia, mas um dom do alto e também uma conquista de pessoas de boa vontade.
O Espírito sopra onde e como quer. Em cada tempo ele age e envolve pessoas abertas ao seu sopro por uma renovada e regenerada eclesiologia de comunhão. A atitude é necessária para mover-se ao diálogo íntimo disposto a receber e saber colher  os “verbos semeados” presentes em cada cultura, encontrar valores preciosos também humanos, culturais e traduzí-los em verdadeiro culto a Deus, doador de todos dons e consumador de tudo.
É o Espírito que une em comunhão e unidade. O Carisma, portanto, como dom do Espírito, capacita a pessoa escolhida pela divina Providência para que realize uma missão particular, e chama também outras pessoas que, por vocação, seguem a mesma missão. É o amor de Cristo no Espírito que nos reuniu para viver a fraternidade.
E agora é justo referir-se ao carisma de São Vicente Pallotti
Deus lhe concedeu o dom de uma profunda experiência de seu amor infinito e de sua infinita misericórdia. Vicente contemplava este amor em ato nela criação do mundo e particularmente do homem criado a sua imagem e semelhança; bem como na redenção do homem pecador, realizada por Jesus Cristo. Seguindo a moção do Espírito, Vicente se sente encorajado a fundar uma instituição de Apostolado universal, para reavivar e reacender a fé e a caridade entre os católicos e propagá-las em todo o mundo. Foi este em síntese o carisma que o Espírito concedeu a São Vicente, foi Cristo Apóstolo o modelo, o ideal, o guia, e a fonte de onde continuamente ele alimentava seu ser, mas também a finalidade pela qual ele desejava ser transformado em Cristo e continuar sua missão apostólica.
Vicente tinha bem claro que na Igreja todos temos a unção do Espírito com a mesma dignidade, todos somos incorporados em Cristo pelo batismo, participamos do seu sacerdócio real e profético, portanto todos apóstolos e continuadores da sua missão. E é por meio do Filho, enviado do Pai, que recebemos o dom do Espírito Santo que capacita os que acreditam a proclamarem o evangelho de salvação a todas as criaturas. Por isso, a Igreja com os múltiplos carismas, está preparada para qualquer obra de evangelização e de caridade. Os carismas individuais manifestam um dos infinitos rostos de Cristo, os sentimentos, as ações e as missões. Os seguidores do Fundador assumem o mesmo projeto, o partilham com outras pessoas que vivem em comunidade, numa instituição religiosa.
São Vicente Pallotti escreve: “Quero possuir aquele espírito que cada Fundador teve ao fundar a sua instituição religiosa, mas como tal espírito perfeitíssimo se encontra em Jesus Cristo Crucificado, assim procurarei com a graça divina de buscá-lo no próprio Jesus, no qual se encontra Amor, Humildade, Caridade, Pobreza... e todas as prerrogativas de Cristo Apóstolo” (OOCC X, 126-7). Em Cristo Apóstolo Vicente encontra todos os carismas.
Vicente não só se colocou em diálogo com os carismas existentes, mas também participou de todas as confrarias da época, participava e partilhava dons de graça e de caridade e sabia acolher numa atitude de comunhão cristã pessoas de cada classe, condição e situação, promovendo-as e animando-as a serem apóstolas, segundo as próprias condições.
Jesus disse: “vim trazer fogo sobre a terra e como queria que fosse acesso”!(Jo, 12,47): é esta a Palavra evangélica que encarnou Vicente e de onde partiu para acender em tantos corações o ardor que jorrava do Coração sacratíssimo de Cristo, e para unir em comunhão espiritual as pessoas disponíveis à graça e à missão de Jesus Cristo. De fato Vicente se move sempre e somente com a intenção de procurar a infinita glória do Pai e a salvação de todas as almas.
Vicente procura sempre unir todos; o encontro, o diálogo, a comunhão são passos indispensáveis para fazer a verdadeira União e chegar a fazer de todos os povos um só rebanho sob um só pastor. O diálogo é a porta, a unidade é a meta de um cansativo e fascinante caminho. Todos destinatários da salvação, todos enviados para colaborar “numa obra santa e divina”, que Cristo continuará em nós até o fim dos tempos.
Maria está presente na Igreja e na obra confiada a São Vicente como Rainha dos Apóstolos, mas é também a mãe da Igreja e de todos os povos. Maria disse poucas palavras, mas seu diálogo com Deus e com a humanidade é perene, eficaz e correndentor, um diálogo no qual convida cada um de nós, inspirado pelos próprios carismas, a entrar e participar sempre mais profundamente a serviço da edificação do Reino de Deus na Igreja e no mundo.
                                                                            Sr. Lilia Capretti, CSAC.
                                                                            Roma
Perguntas para a reflexão:
1.        “Mais que definí-lo o carisma é um dom a seguir e ao qual responder”. Como temos experimentado o poder do carisma de São Vicente Pallotti em nossa vida pessoal e comunitária? Peçamos ao Espírito Santo, doador de todos os carismas, em oração contínua, de conceder-nos – membros, amigos e colaboradores da União – uma experiência espiritual mais profunda e dinâmica deste dom maravilhoso a fim de que seja sempre mais uma verdadeira e própria força motriz na nossa vida pessoal e comunitária.

2.       Quando e onde temos experimentado diálogo frutuoso, comunhão e colaboração com carismas de outras famílias religiosas? Como, discípulos de Cristo inspirados pelo carisma de São Vicente, podemos ajudar a promover tal experiência para a edificação do Corpo de Cristo e para dar uma resposta apostólica mais unida, eficaz e frutuosas às múltiplas exigências e desafios do nosso tempo?