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sábado, 21 de outubro de 2017

Apóstolos Hoje, Setembro de 2017

“DIÁLOGO, UM CAMINHO QUE NOS LEVA A NÓS MESMOS, A DEUS E AO OUTRO.”

      
Há diversos tipos de diálogo, mas me deterei apenas em dois, que julgo serem a base para os demais.
üO diálogo interior: É o mais exigente. Ele é um processo necessário para o crescimento do ser humano em sua consistência. É neste diálogo interior que se manifesta o mundo das relações conscientes e inconscientes do humano e do divino.
üO diálogo exterior: É com tudo aquilo que se adiciona à nossa existência, da parte de fora de nós mesmos, criando desejos nem sempre são necessários à nossa existência, mas ambos são pertinentes entre si; pois a comunhão dos dois favorece a construção sólida da identidade da pessoa e do mundo em que se vive.
       Para a nossa família Palotina, tal diálogo é, ou ao menos deveria ser, fruto de uma experiência anterior, pois a pedagogia de Pallotti nos remete ao Cenáculo onde se aprende e somos capacitados para o apostolado universal. Pela falta de uma tão profunda experiência pessoal do Cenáculo e do seu poder transformador vem à luz nosso limite como pessoas, com a correspondente limitação ao apostolado.
       Uma ação apostólica efetiva requer  a compreensão e valorização de  si e do mundo em que nosso apostolado é realizado, uma compreensão do emissor e do receptor da mensagem da pessoa e da cultura.
“O diálogo, um caminho que nos leva a nós mesmos, a Deus e ao outro.”
       No episódio de Pentecostes, todos compreendiam o que os apóstolos falavam (Atos 2,8), todos entendiam a mensagem de salvação apesar de serem pessoas de línguas e culturas diferentes. Aquele diálogo gerou a comunhão entre pessoas e culturas.
A cultura de hoje continuamente nos influencia a nos tornar cada vez mais consumidores de coisas e idéias. Até mesmo uma simples propaganda de um chocolate tem o poder de provocar em mim esta pergunta: isto é necessário neste momento para mim? Da mesma forma acontece em relação a muitas outras coisas, que são desnecessárias para sermos felizes. Para muitos, o ter é mais importante que o ser.
       O diálogo externo fabricado pela ganância de poucos tem causado a carência, a pobreza, a falta de um sentido profundo interior do coração humano. Por isso, há mais interesse de conhecer o diferente, porque não se conhece a riqueza do próprio interior (conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará - Jo 8,32).
       As pessoas às quais desde muito cedo foi oferecido um espaço de diálogo, não terão dificuldades de experimentar e manifestar ao mundo externo a consistência do seu mundo interior.
“O diálogo, um caminho que nos leva a nós mesmos, a Deus e ao outro.”
       Em todos os povos a família é central na formação da pessoa, com a riqueza e as imperfeições de cada membro. O diálogo entre os membros inclui a interação entre as gerações e possibilita desta maneira a transmissão de uma duradoura identidade com as devidas características de seu grupo cultural e social.
       As culturas que foram evangelizadas pelos cristãos, logo encontraram na tradição cristã-apostólica uma compreensão do evento salvífico pelas palavras de Cristo após sua morte. Fiéis ao mandamento de Jesus, os apóstolos levaram a mensagem de salvação a todos os povos, pelo diálogo, acompanhado por sinais dos efeitos do anúncio evangélico nos corações dos ouvintes da Palavra. (Ide pelo mundo afora e pregai o evangelho a todas as nações; Mt 28,19, Mc 16,15).
       A vida na modernidade tornou o encontro consigo, com o outro e com Deus muito mais difícil. Há muitas conversas, muito conhecimento do mundo exterior, mas há muito vazio no interior das pessoas. Somos quase forçados a sermos espertos no conhecimento de coisas. No que se refere ao ser humano em si, parece que cada vez mais desconhecemos o poder da nossa natureza. Os encontros com outros muitas vezes tem revelado a inconsistência do ser humano.
       O diálogo de Jesus com os discípulos a caminho de Emaús é um modelo maravilhoso de encontro que leva à vida nova. Jesus começou fazendo-lhes uma simples pergunta a respeito daquilo que estavam conversando, deu-lhes a oportunidade de expressarem tudo o que lhes estava pesando no coração a respeito da situação atual. Somente depois de os escutar atentamente, compreendendo a profundidade de sua dor e angústia, Ele lhes dirigiu uma palavra, capaz de gerar vida e provocar mundança de vida, uma palavra que tinha o poder de penetrar, aliviar seu desespero e desafiá-los a olhar sua situação e sua vida com olhos novos, abertos à esperança que vem do Evangelho. Somente mais tarde, depois que o Senhor lhes abriu plenamente os olhos, eles reconheceram o poder misterioso do diálogo e o efeito que este provocou dentro deles: “Não se nos abrasava o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras? (Lc 24,32). Foi através do aprender e escutar de novo, com ouvidos e olhos novos, que seus corações foram transformados, que foram reconfirmados como discípulos Daquele que doou sua vida por eles, tornando-se testemunhas e presença de sua vida ressuscitada.
“O diálogo, um caminho que nos leva a nós mesmos, a Deus e ao outro.”
       O diálogo com autoridades tem-se mostrado frequentemente infrutífero e não gerador de comunhão, com pouca compatibilidade de pensamentos. Parece que temos homens e mulheres infantis em suas relações. A crise do ser humano se instalou pela crise de autoridade; temos muitos autoritários, e poucas verdadeiras autoridades. Autoritarismo envolve a ausência de presença afetiva, pois é pelo afeto que adquirimos aquela maturidade de adulto, que é capaz de acolher o outro sem perder a sua identidade.
       No meu pensar vejo que seja urgente aprendermos a perceber, a explicar e a integrar em nossa praxe os verbos: sentir, ouvir e ver, pois estes verbos são os responsáveis para que haja diálogo autêntico e consistente entre as pessoas. A consciência do sentimento é base do diálogo interior. O que ouvimos é base do escutar, do saber abrir-se para outros valores. O que vemos, forma a base de nossa visão geral a respeito da totalidade que se manifesta na nossa existência e no mundo em que vivemos.
       No diálogo como instrumento para a libertação, há um princípio que usamos na nossa comunidade terapêutica, Mãe do Divino Amor, na recuperação de jovens masculinos dependentes químicos, que fazem residência em nossa casa. “As doenças que atingem a alma, entram pelos sentimentos, pelo que ouvimos e pelo que vemos. A doença sai pela boca, ou seja, se não falamos o que sentimos, não há recuperação.
       Os dez anos desse apostolado caritativo a pessoas com dependências químicas e/ou afetivas em recuperação, tem nos mostrado que quanto mais se fala do que se sente, mais rápido se adquire ou readquire a sanidade da alma. Todo o processo terapêutico está baseado no amor.
       O amor cura: desintoxicação do corpo
       O amor salva: perseverança, quem perseverar será salvo do traficante, da morte, do julgamento, da criminalidade, culpas, rejeições etc...
       O amor liberta: conhecer o próprio mundo interior, perceber o que os levou a prisão dos afetos doentios e das drogas.
       O amor reconcilia: consigo mesmo, com Deus e com os outros, ou seja, faz a reparação do que se fez de desonesto.
       Vivendo com estes irmãos, identificamos que as causas que os levaram a tal sofrimento são inúmeras, mais a maior é a falta de diálogo. Tal falta de comunicação pelo diálogo afetivo, particularmente com aqueles tem autoridade em suas vidas, com os primeiros responsáveis, os tornaram frágeis, sujeitos a caírem na armadilha da dependência química e afetiva.
“O diálogo, um caminho que nos leva a nós mesmos, a Deus e ao outro.”
       Assim, o carisma de nosso Santo fundador São Vicente Pallotti, continua sendo uma luz para os homens e mulheres de hoje, como foi para as pessoas do seu tempo. Esta herança pertence a todos os Palotinos (Padres, Irmãos, Irmãs e Leigos).
Somos chamados a sermos luz para cada filho e filha de Deus, qualquer que seja a miséria ou sofrimento em que se encontre. Pois a graça do nosso batismo nos qualifica para tal fim. “Cada um que se arma do sinal salutar da santa cruz, pode estar certo de fazer tudo aquilo que é da maior glória de Deus e para bem da própria alma e da alma do outro.” (Cf. OOCC III. 449-450).
Em Amoris Laetitia, o Santo Padre, Papa Francisco diz: a pessoa que ama é capaz de dizer palavras de incentivo, que reconfortam, fortalecem, consolam, estimulam. Por exemplo, aqui são algumas palavras que Jesus Cristo  dizia para as pessoas: “coragem filho, teus pecados estão perdoados” (Mt 9,2). “Vai em paz” (Lc 7,50). Não tenhas medo! (Mt 14,27). (Amoris Laetitia N°100).
Todas estas palavras deveriam ser divididas, nas nossas famílias e comunidades, onde o fraco se torna forte, o medroso toma coragem, o pecador alcança a santidade.
Em resumo: O diálogo é uma porta que nos leva ao conhecimento do mistério humano e divino.

Perguntas:
  1. Que diálogo temos com o nosso mundo interior; o que não quero ver e por quê?
  2. O nosso apostolado tem revelado o carisma palotino aos pobres de hoje?
  3. Que tipo de dependência temos que nos impede de sermos a imagem e semelhança de Deus amor, a nós mesmos e a outros?

                                                  Fr. José Orlando de Carvalho da Cruz, SAC.

                                                  Brazil

domingo, 28 de agosto de 2016

Novena em preparação à beatificação da Venerável Elisabetta Sanna

A tanto esperada beatificação da Venerável Elisabetta Sanna se aproxima. Será celebrada no dia 17 de Setembro de 2016, na Basílica da Santíssima Trindade de Saccargia. A primeira beatificação de um membro leigo da União do Apostolado Católico é uma grande alegria para toda a nossa Família Palotina. Agradecemos ao Senhor por esta beatificação e humildemente pedimos a Ele que nos abra para acolher as graças que Ele nos dará por esta ocasião. Para prepara-nos melhor para este feliz evento, publicamos – como uso privado - a novena em preparação para a futura beatificação.

Dados bibliográficos
Elisabetta Sanna nasceu em Codrongianos (Sassari) no dia 23 de abril de 1788. Três meses depois perdeu a capacidade de levantar os braços. Casada, criou cinco filhos. Em 1825 ficou viúva e fez o voto de castidade; era a mãe espiritual das meninas e das mulheres de sua terra. Em 1831, embarcou para uma peregrinação à Terra Santa; acabou chegando em Roma, e não pode retornar, devido à graves destúrbios físicos, dedicou-se inteiramente á oração e ao serviço dos doentes e pobres. Ela foi um dos primeiros membros da União do Apostolado Católico de São Vicente Pallotti, seu diretor espiritual. Sua casa se tornou um santuário de fé viva e ardente caridade. Morreu em Roma no dia 17 de fevereiro de 1857 e foi enterrado na Igreja de SS. Salvatore in Onda. Os testemunhos confirmam e esclarecem as palavras de São Vicente Pallotti, transcritas pelo padre Scapaticci e pelo padre Vaccari: "Dois são aqueles que levaram adiante o nosso Instituto: uma pobre viúva que é Elisabetta Sanna, como haveis mais vezes entendido do Pe. Vicente Pallotti, o outro é o Cardeal Lambruschini” Por este motivo a "pobre" Serva de Deus recebe o privilégio de ser enterrada na Igreja de SS. Salvatore in Onda, junto ao túmulo de São Vicente Pallotti. Quando morreu, a sua fama de santidade era (assim) tão grande que, apenas quatro meses depois de sua morte, foi nomeado o postulador da sua causa de beatificação, com duração de mais de um século e meio. Foi declarada Venerável no dia 27 de Janeiro de 2014. O milagre que a levou, finalmente sobre os altares, aprovado pelo Papa Francis no dia 22 de janeiro de 2016 é a cura que ocorreu no dia 18 de Maio de 2008 - domingo do SS. Trindade - de uma jovem mulher brasileira (31 anos), Suzana Correia da Conceição, de uma atrofia muscular do braço e da mão direita com comprometimento funcional grave.

Oração inicial
Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, te agradeço por enriquecer de modo admirável a nossa irmã Elisabetta Sanna com sabedoria, conselho, e fortaleza. Por seus méritos, te peço que me concedas a graça que desejo ardentemente ............................, conforme a tua Santíssima Vontade.
Pai Nosso, Ave Maria, Glória ...
São Vicente Pallotti, rogai por nós!
Venerável Elisabetta Sanna, rogai por nós!

Primeiro dia: esposa e mãe (8 de Setembro)
O desejo de Elizabete desde jovem é aquele de se tormnar irmã. Tendo perdido a capacidade de levantar os braços, não pensa em se casar, e ainda, aos vinte anos é pedida em casamento por muitos jovens. Assim, no dia 13 de setembro de 1807, aos 19 anos, ela celebra o casamento com um certo Antonio Maria Porcu, um verdadeiro e bom cristão de modestas condições. Antônio é marido e pai exemplar que ama a sua esposa e lhe dá total confiança. Aos amigos, de fato diz: "Minha esposa não é como as vossas, é uma santa"!
Elizabete dirá: "Eu não era digna de tal marido, ele era tão bom." Sua família é modelo para todo o país. Nos anos seguintes, nascem sete filhos. Ela passa os dias entre a casa, a educação das crianças e no campo, onde trabalhou incansavelmente. Ela também encontra tempo para longas horas de oração na Igreja. Não tem medo das críticas por professar e viver a sua fé publicamente "Este meu temor de vida - responde - não me impediu de desempenhar os meus deveres de mãe de família." Ela mesma prepara os seus filhos para a Confissão e para a Comunhão e transmite-lhes um grande amor a Jesus, como a douçura, sem nunca usar modos bruscos. Uma verdadeira educação com o coração.
oração
Ó Deus, Espírito santificador, que amas a Igreja como tua Esposa, tu infondiste no coração da Venerável Elisabetta Sanna a chama do teu amor e o irradiaste na família, na Igreja doméstica. Te agradeço por este modelo de esposa e mãe, pelo seu encorajador e simples testemunho. Concede a cada mulher - esposa, mãe, noiva e consagrada - a graça de ser presença que compõe cada família e cada comunidade em um Cenáculo de fé e de amor, em generoso empenho e santificante serviço.
Pai Nosso, Ave Maria, Glória ...
São Vicente Pallotti, rogai por nós!
Venerável Elisabetta Sanna, rogai por nós!

Segundo dia: viúva e esposa de Jesus Cristo (9 de Setembro)
Dos sete filhos, morreram dois em uma idade muito precoce. No dia 25 de Janeiro de 1825, seu marido Antonio, assistido por ela, morreu em idade jovem. Ficou viúva com cinco filhos, o maior com 17 anos e o menor com apenas três. Elizabete se sente responsável não apenas da administração da casa e do trabalho no campo, mas sobretudo da educação espiritual e temporal dos seus filhos. Amadurecendo no caminho espiritual, Elizabete em 1829, com a permissão do pregador franciscano, no tempo da quaresma, padre Luigi Paolo de Ploaghe, faz voto de castidade. Ao seu confessor pede muitas vezes para lembrar que ela agora é uma esposa de Jesus Cristo.
Oração
Ó Senhor, Tu que consolastes Maria após a morte de José e tivéstes compaixão da viúva de Naim, dá-me a força para aceitar a minha solidão, sem perder-me em nenhuma tristeza. Como para a Venerável Elisabetta Sanna, dá-me a tua paz, a tua força e a tua alegria para colocá-las a serviço dos outros, com coragem. Em primeiro lugar, dedicando-me à minha família e a todas as pessoas queridas ligadas a mim que em Tua bondade me fizeste encontrar no caminho da vida, sabendo que cada dia me levas mais perto do encontro definitivo contigo, com (meu marido - nome do marido, da mulher, ou de outras pessoas que deseja) e com todos os meus entes queridos. Amém.
Pai Nosso, Ave Maria, Glória
São Vicente Pallotti, rogai por nós!
Venerável Elisabetta Sanna, rogai por nós!

Terceiro dia: peregrina (10 de Setembro)
Em 1829 chega em Codrongianos o jovem vice pároco, padre Giuseppe Valle. Torna-se o confessor e diretor espiritual da família Sanna, especialmente de Elizabete. A vida cristã de Elizabetta torna-se ainda mais ardente. Durante os exercícios quaresmais em Codrongianos guiados pelo padre franciscano Luigi Paolo de Ploaghe, o pregador, falou com muita eficácia da Terra Santa. Elizabete, junto com algumas outras mulheres, foi até ele para saber mais, e ficou (muito) fascinada, nascendo assim o vivissimo desejo de ver os lugares onde nasceu e onde foi crucificado o Filho de Deus. Ela se sente chamada a seguir Jesus mais de perto e pensa ir à Palestina e visitar os Lugares Santos. Nesta situação, nos primeiros meses de 1830 pediu permissão ao padre Giuseppe Valle para realizar a peregrinação. Padre Valle, depois de várias explicações, disse que não. Passados, porém, alguns meses e, em julho, Elizabetta voltou a ele, para obter a supirada permissão. Ele, após profunda reflexão e oração, deu o seu parecer favorável à viagem e decidiu-se a acompanhá-la. Os dois começaram discretamente a preparar-se e preparar as suas famílias para a viagem programada, na esperança que iria ajudá-los a crescer espiritualmente e a servir melhor os outros. Elizabetta tinha certeza de que sua mãe, que tinha 65 anos e o seu irmão padre Don Luigi, residentes em Codrongianos, assumiriam a responsabilidade de cuidar da família, durante a peregrinação. No final de Junho de 1831, juntamente com o padre Giuseppe Valle, eles embarcam para Genova. Lá, embarcariam de navio para Chipre. No último momento, porém, padre Valle descobre que não tinha o Visto para o Oriente. Então, com Elizabetta eles decidem ir a Roma, dizendo: "Também alí é Terra Santa." Assim, no dia 23 de julho de 1831 chegam em Roma. Esta viagem desde o início teve o caráter de peregrinação.
Oração
Ó Deus, sempre a caminho para encontrar o homem, tu infundiste no coração da Venerável Elisabetta Sanna, o desejo de ser peregrina. Te agradeço pelo seu testemunho encorajador. Dá-me a força e a coragem de caminhar sempre para alcançar-te e conhecer-te. Torna-me teu discípulo, é o objetivo de todo o meu caminhar na vida. Faze que aprenda a melhorar a mim mesmo guiado pelas palavras do Evangelho. Tudo o que conheci e aprendi, agora se torne patrimônio da minha existência, para que possa transmitir tudo através do testemunho de vida.
Pai Nosso, Ave Maria, Glória
São Vicente Pallotti, rogai por nós!
Venerável Elisabetta Sanna, rogai por nós!

Quarto dia Colaboradora de São Vincente (11 de Setembro)
Em Roma, Elisabetta Sanna reside em um pequeníssimo apartamento perto da Basílica São Pedro. Em sua peregrinação às igrejas de Roma, com sede de oração, Elizabeth encontra na Igreja de Santo Agostino, um santo padre Romano, Vicente Pallotti. San Vincente, decide em 1832 acompanhar espiritualmente Elizabetta Sanna; Pallotti escreve em nome dela uma carta ao irmão sacerdote explicando que por motivos de saúde, ela não estaria em condições de retornar para a Sardenha mas que, se melhorasse, ela voltaria. A Serva de Deus, enquanto cuidava da saúde para se curar, colaborava com Pallotti com orações, conselhos e ajudava aos mais necessitados. Infelizmente, sua saúde piorava. Pallotti a sustenta no seu desejo de cura e no seu crescimento espiritual e também encontra para ela um pequeno trabalho com o Arcebispo Giovanni Soglia, futuro cardeal, na esperança de melhorar sua saúde. Quando pois, em 1838, o médico Petrilli escreve: "Sou da opinião de que, tendo que fazer outra viagem com o navio, poderia ir ao encontro a um pior infortúnio", Pallotti disse a Elizabetta: "Deus a quer em Roma." E a Serva de Deus permaneceu ali, até sua morte em 1857.
Oração
Ó Venerável Elisabetta, ajudai-me a tornar-me consciente de que a minha felicidade está em fazer a vontade de Deus. Te peço, Senhor, concede-me capacidade à minha mente de modo que possa aceitar tudo o que me acontecer e de fazer sempre - com o Tua ajuda - o melhor possível a cada dia segundo a Tua vontade. Tu podes ajudar– me como fizestes com a Venerável Elisabetta – a estar a escuta de Ti e fazer sempre a Tua vontade. Amém
Pai Nosso, Ave Maria, Glória
São Vicente Pallotti, rogai por nós!
Venerável Elisabetta Sanna, rogai por nós!

Quinto dia: A deficiente que se tornou apóstola (12 de setembro)
Quando Elizabetta tinha apenas três meses, uma epidemia de varíola causou a morte de muitas crianças em Codrongianos e também ela foi atingida. Ela se curou da epedimia, mas permaneceu com os braços ligeiramente prejudicados e as articulações endurecidas. Isso não a impediu de crescer, aprendendo a suportar a sua deficiência, como algo natural e realizar todas as tarefas domésticas e também apresentando-se sempre ordenada e limpa. Não obstante a sua deficiência física, Elizabetta tornou-se colaboradora da União do Apostolado Católico, fundada por padre Vicente Pallotti em Roma. Quem se aproximava dela, dirá: "Via Deus em tudo e adorava-O em todas as coisas. O amor de Deus era a sua vida. Aquilo que parecia ser um grande interesse, desaparecia de fronte ao interesse de Deus". De fato, a Sanna dizia seguidamente: "Meu Deus, eu vos amo acima de todas as coisas."
Oração
Venerável Elizabetta, que com tanta paciência e com tanta confiança em Deus, suportaste as dores físicas da doença e os sofrimentos da contradição moral quando não pudeste retornar para a Sardenha, obtem-me esta mesma submissão aos sofrimentos de tal maneira que possa viver sempre sob o olhar de Deus para tornar-me dócil instrumento da Providência para a salvação das almas. Amém.
Pai Nosso, Ave Maria, Glória
São Vicente Pallotti, rogai por nós!
Venerável Elisabetta Sanna, rogai por nós!

Sexto dia: A fé na vida cotidiana (13 de setembro)
Elizabetta recebeu uma educação cristã profunda na família, da qual fala claramente o seu irmão, padre Antonio Luigi. Ele nos informa sobre as orações feitas juntos em casa, a recitação do Rosário, a participação às funções eclesiais e da ajuda prestada aos pobres. Nesta atitude de fé e de oração, Sanna perseverou por toda a vida. Todos os testemunhos dizem que com ela se falava somente sobre as coisas espirituais. Quando se a visitá-la em seu quarto, a conversação se alternava entre instrução religiosa e orações. Em uma carta escrita a padre Giuseppe Valle no dia 18 de Maio de 1846, São Vincente confirmou o progresso espiritual da Serva de Deus com a seguinte frase: "Prossegue nas boas obras e espero que alcanse aquela perfeição à qual Deus deseja o Pai das misericórdias". Cada manhã ia até a Basílica São Pedro. A Basílica era a sua casa. Quando ela morreu, correu a voz: "Morreu a santa da Basílica de São Pedro".
Oração
Ó Venerável Elisabetta, ajuda-me a ser fiel aos meus deveres diários: ao dever da adoração que é a primeira necessidade para a minha vida espiritual; ao dever que me une ao próximo, aos deveres particulares da minha vocação, ao dever da caridade material e espiritual, consciente de que o diálogo com próximo é sobretudo na realização de meus deveres diários com espírito de fé e de caridade. Amém.
Pai Nosso, Ave Maria, Glória
São Vicente Pallotti, rogai por nós!
Venerável Elisabetta Sanna, rogai por nós!

Sétimo dia: mãe espiritual (14 de Setembro)
Outro campo de realização da fé e do amor de Elizabetta foi aquele do aconselhamento espiritual. Ela tinha o dom do discernimento espiritual e o usava para ajudar as numerosas pessoas que recorriam a ela. Em seu pobre quarto, diante do quadro de “Nossa Senhora, Virgem Poderosa” (Virgo Potens), rezava com os seus hóspedes e dava a eles sábios conselhos. Mesmo o Cardeal Giovanni Soglia em certas coisas de sua consciência, ele a consultou. Pallotti mesmo, aconselhou-se com Elisabetta e orientou seus filhos espirituais a escutar a sua palavra. Por esta razão padre Rafaele Melia que conhecia muito bem Elizabetta, deu-lhe o título de " mãe premorosíssima " da União do Apostolado Católico, e padre Ignazio Auconi, seu sucessor no ofício de Superior Geral, confirmou que ela teve para com a obra de Pallotti, a preocupação e dedicação de uma mãe.
Oração
Ó Maria, Virgem Poderosa, ajudai nossas famílias e nossas comunidades, especialmente aquelas que lutam com dificuldade para viver a fidelidade, a unidade e concórdia! Ajudai as pessoas consagradas para que sejam um sinal transparente do amor de Deus. Ajudai os padres, para que possam comunicar a todos a beleza da misericórdia de Deus. Ajudai os governantes para que saibam procurar sempre e somente o bem da pessoa. Ó Virgem Potente, protegei a vida em todas as suas formas, idades e situações. Sustenta cada um de nós, para que a exemplo da Venerável Elisabetta Sanna saibamos discernir os caminhos de Deus e tornar-nos apóstolos entusiastas e credíveis do Evangelho.
Pai Nosso, Ave Maria, Glória
São Vicente Pallotti, rogai por nós!
Venerável Elisabetta Sanna, rogai por nós!

Oitavo dia: Grande devoção à Eucaristia (15 de setembro)
Em Codrongianos, Elisabetta Sanna quase diariamente participava da Santa Missa. Em Roma, cada manhã, partivipava da missa na Basílica São Pedro e, se nã0 tinha outros compromissos, permanecia até o fim da última missa, porque estava convencida de que, com a Eucaristia, podemos dignamente render ao Senhor o que devemos a ele com adoração, louvor, agradecimento e oração. Ela também encorajava outros a participar da missa diáriamente. Ela, de modo particular adorava Jesus na Eucaristia nas Igrejas onde realizava "le Quarentone", isto é, a adoração de quarenta horas, e onde ela permanecia por longo tempo em profunda adoração. Padre Valle disse que conseguia receber até sete bênçãos eucarísticas no mesmo dia. Aqui se verificam as palavras do Padre Melia sobre o amor de Elizabete para com Jesus no SS.mo Sacramento da Eucaristia: "Era assim tão devota e amante que haveria consagrado toda a sua vida à adoração contínua."
Oração (Oração de São Vicente Pallotti diante do Santíssimo Sacramento)
E vós Serafins, Querubins, Tronos, Dominações, Potestadess, Principados, Virtudes, Arcanjos, e Anjos venham visitar Jesus Sacramento, e para mim adorá-lo, agradecê-lo, e amá-lo; e vós também, os Santos Patriarcas e Profetas, Apóstolos e Evangelistas, e os discípulos do Salvador, os SS. Inocentes, SS. Mártires, SS. Papas, Bispos, os Doutores, SS. Sacerdotes e levitas, SS. Confessores, Virgens e Viúvas, e vós todos os santos do Paraíso, venham todos visitar o nosso caro primogênito Irmão Jesus Sacramentado, primeiro, porém todos juntos rezemos à augusta Mãe de Deus e nossa Mãe, que se digne em conduzir-nos a visitar o seu divino filho no SS.mo Saramento Altar, e todos juntos agora e sempre adorá-lo, agradecê-lo, e amá-lo.
Pai Nosso, Ave Maria, Glória
São Vicente Pallotti, rogai por nós!
Venerável Elisabetta Sanna, rogai por nós!

Nono dia: A serena esperança (16 de Setembro)
À profunda fé da Serva de Deus e ao seu ardente amor por nosso Senhor no Santíssimo Sacramento, se acrescenta a sua serena e alegre esperança. A um certo Luigi Schiboni, quando ele perguntou se ele se salvaria, Elizabete deu a seguinte resposta: "Duvidas? Não sabes que um Deus morreu por sua alma?". Padre Filippo Tancioni, secretário do Cardinal Soglia que estimou a Venerável como santa, disse que ela "tinha total confiança de salvar-se pelos méritos de Jesus Cristo ... e procurava inspirar em todos essa mesma confiança." Repetia muitas vezes: "Confio no Deus da Misericórdia". Nos momentos de saudade da família na Sardenha exclamava: "Misericórdia, misericórdia". Estas e outras exclamações similares ligadas a vivissíma fé e a um grande amor a Deus, desenvolveu nela a serena esperança de alcançar o Paraíso. Portanto, já na Sardenha compôs uma espécie de poesia (Lauda), recitando: " Toda sou de Deus, toda sou de Jesus. Não posso mais viver longe de Deus. Jesus é o meu coração e eu sou Jesus!". Deste modo sereno, expressava o seu desejo: "Desejo o céu cheio, o Purgatório vazio, o inferno fechado."
Oração
Ó Venerável Elisabetta Sanna, admiro a tua coragem e a tua constância em imitar Jesus com fé e serena esperança, mesmo nas situações mais difíceis. Sinto vergonha pelas minhas frequentes incertezas, pela minha preguiça e pela minha incoerência: ajuda-me a tornar-me plenamente responsável pelo dom da fé e a fazer sempre o bem com o espírito cristão, a fim de que o meu próximo possa mais facilmente unir-se a mim no louvor à Santíssima Trindade. Amém.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória
São Vicente Pallotti, rogai por nós!
Venerável Elisabetta Sanna, rogai por nós!

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Apóstolos Hoje - Setembro 2015

Congresso Geral 2015 – do discurso da Presidente
Caríssimos! Faz pouco tempo que celebramos o III Congresso Geral da União em São Paulo no Brasil (14-8 de julho de 2015). Foi um tempo especial de graças, onde experimentamos a alegria da partilha no vital frescor do carisma do Fundador. Através dos rostos, as histórias, os testemunhos, as reflexões, os diálogos, as celebrações que todos participaram, o Senhor se fez presente e nos impulsionou sempre mais a viver na e pela Caridade de Cristo. Todos, membros e colaboradores da União, estiveram presentes na comunhão de oração e de amor que preenche toda distância de tempo e espaço. Por isso, nos parece belo partilhar com vocês os pontos principais do meu discurso de abertura.
       Inicio então partilhando o dom recebido, partilhando e apresentando aquilo que sou e aquilo que mais me está no meu coração da União. É importante dizer, primeiro, que é graças à fidelidade de tantas pessoas, no presente e também de quem nos precedeu, que hoje somo aquilo que somos como Família palotina. Fidelidade a Deus conhecido e reconhecido como Amor Infinito e Misericórdia Infinita na inexaurível riqueza das histórias de cada um.

Parte I – apresentação pessoal
     Também para mim foi assim, já faz tantos anos. Era 1973, nos inícios da história da minha comunidade, Quinta Dimensão. Era uma jovem estudante, rebelde do mundo. Queria fazer a revolução contra as estruturas da sociedade; mudá-las, transformá-las: acreditava que seriam elas que impediam o bem, a solidariedade, a generosidade, a justiça, a fraternidade. Mas durante um encontro onde com alguns outros estudantes falávamos de como construir um mundo novo, fui eu, ao invés, mudada, transformada por uma frase; quem me disse foi Pe. Leonardi, palotino e nosso professor de religião. A frase ainda hoje é paradigmática para cada coisa que vivo: para que no mundo exista paz, amor, tolerância, fraternidade, verdade, escuta, não basta mudar somente as estruturas. É o homem que as cria, somos nós a criá-las. É necessário, por isso, primeiro de tudo mudar a nós mesmos e colocar no centro da vida o Evangelho de Jesus. Intuí então que devia iniciar mudar por mim. Iniciei assim a fazer a experiência que a vida cristã – a vida palotina – é simples e também plenamente humana: viver fazendo aos outros aquilo que gostaria que fosse feito a você. E o mundo é seguramente feito novo, também nas estruturas.
     Em de 2013, Papa Francisco disse aos Bispos latino-americanos: A a“‘mudança das estruturas’ (caducas ou novas) não é fruto de um estudo sobre a organização inicial e funcional eclesiástico, de onde resultaria uma reorganização estática, ela é consequência da dinâmica da missão.”
Faço agora um longo salto temporal a 30 de março de 2015, segunda-feira da Semana Santa, dia em que o Conselho Geral me elegeu Presidente da UAC. Nunca alguém de nós tinha pensado, imaginado, sonhado uma novidade assim surpreendente: um leigo – e ainda mulher – Presidente de toda a Família Palotina.
Na longa troca de ideias e desejos aspirações entre os membros do CCG, a um certo ponto saiu o meu nome e todos me olharam. Não tinha entendido muito bem; pensava que aquele nome era uma hipótese para uma UAC do futuro, ainda bem longe. Assim me levantei da cadeira e fui ao banheiro. Quando saí diante da porta doo banheiro encontrei Cheryl Sullivan, membro do CCG, que me esperava. Não recordo bem o que nos falamos se não, que nos queríamos bem e fazíamos todas as coisas juntos, em comunhão. Isso somente valia, isso somente vale.
Antes da votação teve um tempo de discernimento espiritual pessoal. Eu fui à Capela e me coloquei diante de Jesus, presente no Tabernáculo. Já me era claro que alguma coisa estava por acontecer; não somente a mim, mas também a cada um dos outros membros do CCG e a toda a União. Eu disse: “Jesus, meu Senhor, tu sabes quem sou. Contudo, se deve ser eu a pessoa escolhida, deves dar-me duas coisas. A primeira: se isso ocorrer, que não seja reconhecimento de qualidade pessoal, mas do caminho percorrido com a comunidade, impelido pelo carisma de São Vicente Pallotti na história da União. A segunda: que não seja uma eleição como uma vitória entre adversários, mas seja sinal de forte consenso, de unidade.” Jesus me deu aquilo que eu lhe pedi. Com muita alegria e consciência posso dizer que não somente a minha aceitação, mas também a de cada membro do CCG. Todos – podemos dizer – demos sim a Deus e aderido ao seu designo surpreendente e ‘revolucionário’.
Até aqui contei sobre mim. Para mim é importante partilhar as experiências porque nos ajudam a levantar o olhar não mais direcionado numa direção particular, mas com um olhar à União acolhendo-a na sua complexa inteireza. Gostaria agora de prosseguir com a segunda parte sobre aquilo que mais me está no coração acerca da UAC, desenvolvendo três aspectos: memória, capacidade de ver o presente, utopia em direção o futuro (Papa Francisco ao cotidiano argentino “La Voz del Pueblo”, maio de 2015).

Parte II
Memória
       Gostaria de partir do Estatuto Geral e evidenciar alguns elementos que constituem o seu fundamento, dessa forma trazer à tona a memória comum da vida e da forma da União deste decênio (um pouco mais de um decênio). Memória comum: aquilo que envolve todos nós, nos pertence e sistematiza a nossa responsabilidade em direção a Deus e os homens no mantê-la vital e em enriquecê-la.

       O Estatuto Geral é fruto de um trabalho comunitário longo e paciente, iniciado nos anos 90, mas que tem raízes históricas mais antigas quando, o Concílio Vaticano II convidou cada Família Religiosa a voltar “às primitivas inspirações dos institutos” a “sua própria fisionomia” (Perfectae Caritatis, 2). E unir-se através de uma estrutura jurídica (cf. Partes II-IV) as várias partes da Família (sacerdotes e irmãos, irmãs, leigos), unidos já por um vínculo moral que descende do carisma de fundação (cf. Parte I).
       O Estatuto apresenta este vínculo através dos elementos espirituais essenciais: reavivar a fé e reacender a caridade para unir todos em Cristo; chamar todos – seja religiosos, leigos, bem como clérigos – ao apostolado; unir os esforços de todos a serviço da Igreja. Depois prossegue sem interferir com a sua estrutura jurídica e com a vida interna das partes singulares. Assim o Estatuto pode aplicar-se a todas as partes da Família Palotina, e cada uma pode reconhecer com paridade de direito.
       O elemento comum e essencial da identidade do carisma e da unidade da Família Palotina, é o Apostolado Católico. É o título que qualifica a sua vocação na Igreja, o elemento irrenunciável (cf. OOCC X, 196-201; III, 139). Eis a obra nova na Igreja que, na memória agora partilhada, abre-se ao presente.

Capacidade de ver o presente
       “Gostaria de fazer outro esclarecimento a respeito do carisma: corremos o risco de considerá-lo somente como um «conteúdo», mas não é assim. Cada carisma de fundação inclui um «conteúdo», mas, ao mesmo tempo, também um «modo de ser», um «modo de proceder» peculiares. Isto é importante quando se trata de «atualizar» um carisma de fundação”.[1] Seguindo o pensamento do Papa, de fato, podemos dizer que o “conteúdo” do carisma da nossa fundação é o apostolado católico, o elemento irrenunciável. Mas, disse o Papa, além do conteúdo existe mais ainda: existe o modo de ser, o modo de proceder, essenciais para atualizar o carisma de fundação.
       Desde a aprovação da União até hoje foi feito muito caminho: a constituição e as atividades do CGC, dos CNC e dos CLC; os programas de formação; as equipes de formação com os promotores; os congressos gerais, continentais e mundiais; as admissões dos novos membros com o Ato de Compromisso; as celebrações jubilares; os oitavários; o plano de ação anual, etc. Tudo contribuiu e contribui, com a graça de Deus, para dar estabilidade estrutural na edificação de uma obra assim complexa e diversa como a UAC. É um processo necessário para encarnar, concretizar a experiência de Espírito que São Vicente nos deixou como dom, pois vale também para ele: “Para os Fundadores e as Fundadoras a regra em absoluto foi o Evangelho, cada outra regra queria ser somente expressão do evangelho e instrumento para vivê-lo em plenitude”.[2] O nosso presente resplandesce certamente luzes, mas – em diversos lugares e em diversas formas – resultam também as sombras. É preciso saber lê-las com sabedoria pois, se de um lado o elemento humano é sempre débil, frágil, vulnerável, de outro reconhecemos que a força do Espírito Santo se serve também das sombras para levar adiante o seu projeto. Essas sombras, então, não são ignoradas, deixadas à certa distância ou delegadas a outros, mas são necessárias para crescer, para atualizar o «modo de ser », «modo de proceder». Eis a minha proposta: a colaboração e a comunhão exigem hoje o gerar ou renovar a consciência das várias expressões da União, pois para dar significado à pertença à Família Palotina não é mais suficiente a estabilidade estrutural. Compreendemos que é necessário colocar no centro da comunhão a relação, o diálogo direto entre as pessoas. O que seria a Igreja sem a experiência vivida pelo mandamento novo do amor? O que seria da UAC se os seus membros e colaboradores não vivessem entre eles o constitutivo substancial da caridade? “Que todos possam admirar como vos cuidais uns dos outros, como vos encorajeis mutuamente e como vos acompanheis” (EG, 98.99).

Utopia voltada ao futuro
       A utopia voltada ao futuro é empenhar-se – “resolver-nos”, diria o Fundador – a estar em comunhão uns com os outros, renovando cada estratégia pessoal e comunitária para favorecer a unidade. Na Obra de São Vicente Pallotti, nas suas palavras, somos todos chamados a ser cofundadores com ele.

Conclusão
       Convidamos-nos e sustentemos-nos uns aos outros para percorrer com paciência e humildade corajosa esta via, sem dúvida mariana nos modos, conscientes que a comunhão deve ser e tornar a primeira forma de evangelização: “Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo 13,35). O que nos torna União é a comunhão. E o Apostolado Católico é a sua irradiação direta, espontânea, natural. As gerações futuras estão no nosso presente. E esta é uma certeza que acompanha o nosso empenho de servir fielmente a Deus e com alegria na União do Apostolado Católico.
“Como nos faz bem, apesar de tudo, amar-nos uns aos outros! Sim, apesar de tudo! Não deixemos que nos roubem o ideal do amor fraterno!” (EG, 101). Não, não nos deixemos roubar-lhe! Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós. Obrigado pela vossa atenção!


                                                                              Donatella Acerbi,
                                                                              Roma.



[1] Mons. Jorge Mario Bergoglio, no Sínodo sobre a Vida Consagrada e a Sua Missão na Igreja e no Mundo, XVI Congregazione generale, Roma, 13 outubro 1994, n. 5.
[2] Papa Francesco, Lettera Apostolica alle Consacrate e ai Consacrati, 21.11.2014, I,1.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Oração a São José por São Vicente Pallotti



Ó puríssimo e sempre virgem Patriarca São José, tu, homem todo de Deus, tu, depois da Imaculada Mãe de Deus, de tal forma privilegiado, que, dentre os filhos de Adão, de ti somente se pode dizer que o mesmo Deus é teu e tão somente teu, que foi tido e julgado como sendo seu filho. A ti, o Eterno Pai entregou sua obedientíssima filha. O Filho, que se fez homem para redimir o gênero humano, confiou-te a sua verdadeira mãe, O Espírito Santo deu-te e confiou-te a sua puríssima e fidelíssima esposa. Numa Palavra, toda a santíssima Trindade deu-te, como verdadeira e legítima consorte, e a sua eleita, única e escolhida como o sol.
Ah, tu sim, meu querido Santo, tu que agora és bem-aventurado nos esplendores da glória, compreendes qual seja tua dignidade, a tua excelência. Tu é que entendes que coisa seja mesmo ter por esposa Maria imaculada, Mãe de Deus, Senhora do céu e da terra, Rainha de todos os Anjos e de todos os Santos.

Tu é que entendes o que seja seres tu o depositário fiel dos tesouros infinitos do próprio Deus.

Tu que sabes que, se não és alvo da inveja dos Anjos, que isto repugnaria ao estado de beatitude deles, contudo quedam-se eles assombrados e estáticos, a jubilar intimamente, a venerar-te pela plenitude dos singulares privilégios, virtudes, dons, graças, e glória de quem foste enriquecido.
Digna-te, pois, de receber as afetuosas expressões de prazer por tão grande felicidade da parte de todo o gênero humano, que por nada confia em ti, desde que te reconhece, por falar assim, como generoso dispensador das divinas misericórdias, senhor e esposo daquela de quem só Deus é maior. E, assim, por toda a eternidade, dás contigo rico e especialmente bem-aventurado entre todos os homens e entre os próprios Anjos. Assim que podes alcançar todas as graças, dons e misericórdias em bem de todos e também em proveito dos maiores pecadores.

E por isso que tu diante do trono do divino benfeitor contemplas, humilde, a tua dívida, por tantos dons que recebeste, assim desejas ardentemente que juntamente contigo todas as criaturas, por toda a eternidade, da tua parte, agradeçam ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Eis, pois, que nós todos, juntamente contigo, e em união com toda corte celeste e com todas as outras criaturas e com os mesmos Corações santíssimos de Jesus e de Maria, entendemos ter oferecido e oferecer à Santíssima Trindade, desde toda a eternidade e por toda eternidade, a todo instante infinitésimo, os méritos infinitos de Jesus Cristo e os méritos da Santa Igreja:

1° Em agradecimento por todos os dons, graças, favores e privilégios de que Deus se dignou enriquecer-te e à tua esposa e mãe nossa bem-aventurada.

2° Em agradecimento como se já, pela poderosíssima tua proteção e de Maria Imaculada, tivesse sido concedido a nós e a todos, presentes e futuros, de todo o mundo, o dom daquela perfeita e perseverante correspondência a todas as graças e àquele perfeito exercício de todas as virtudes, da forma com que tu e tua puríssima esposa Maria fostes os perfeitos imitadores da vida humilde, pobre, penosa, laboriosa, benéfica e desprezada, que, com amor infinito dignou-se sofrer por nós sobre esta terra Nosso Senhor Jesus Cristo.

3°Em agradecimento como se já por tua intercessão e de Maria Imaculada, Deus se tivesse dignado converter todo o mundo e dele tivesse feito um só rebanho e um só pastor.

4° Em Agradecimento como se já tivesse concedido (aqui pode-se exprimir a graça que se deseja).

5° Em agradecimento também, como se já, por sua intercessão e de Maria Imaculada, nos tivesse sido assegurada a graça da preciosa morte dos justos, com tais disposições de poder entrar, sem demora, no paraíso sem passar pelo purgatório, para chegar mais depressa a amar a Deus no reino da eterna e perfeita caridade, onde, juntamente contigo e com tua esposa, Mãe nossa Maria, e com todos os Anjos e Santos, cantaremos para sempre as divinas misericórdias. Amém.

Jesus, José e Maria, entrego-vos meu coração e minha alma.

Jesus, José e Maria, assisti-me na última agonia.

Jesus, José e Maria, expire em paz convosco a minha alma
São Vicente Pallotti