quarta-feira, 17 de março de 2010

XI ENCONTRO REGIONAL DA UNIAO DO APOSTOLADO CATOLICO

Mais uma vez a casa do noviciado vai servir para acolher as irmãs, padres, leigos e seminaristas palotinos...todos sejam bem vindos!!!

Começa Quarta 21 de Abril, 09:00h

Cidade: Guapimirim

Lugar: Guapimirim

Rua e número: Estrada Imperial 3361

Junto com o nosso XI Encontro, queremos comemorar com toda Família Palotina os 25 anos de sacerdócio de Pe. Cristovão, os 40 anos do Pe. Stefan Kajfasz e 20 anos do Pe. Marcos. Este evento será também o dia de novas admissões para UAC e a renovação do Empenho Apostólico!!!

Pe. João Pedro

sexta-feira, 12 de março de 2010

Juventude Palotina do Brasil na TV Canção Nova

Olá Queridos Amigos!!!

Foi emocionante a participação da Juventude Palotina do Brasil na TV Canção Nova.

No dia 10/03/2010 a Juventude Palotina do Brasil participou do programa Diálogo com Deus da TV Canção Nova, programa este que vai ao ar, ao vivo, todas as quartas-feiras as 22hrs.A TV Canção Nova nos acolheu com muito carinho desde a nossa chegada, por intermédio do Pe. Silvio Andrei-SAC.

Já nas dependências do estúdio, os próprios funcionários vieram conversar conosco para que pudessemos compartilhar um pouco de nossas experiências como Jovem Palotino, movimento jovem até então desconhecido por eles.
Após toda preparação do programa, discussão da pauta, entre outros a fazeres iniciais, começou o programa.
Antes de iniciar comentários sobre o programa em questão, cabe aqui um rápido lembrete de como se conduz o programa Díálogo com Deus: Trata-se de um programa com temas já pré-selecionados, todos conduzido pelo Pe. Sivil Andrei-SAC e assessorado pelo Pe. Renato-SAC, este na leitura de e-mails, blog e twitter, bem como intervenções expressivas no decorrer do programa. Do lado esquerdo de quem olha da "telinha" fica a banda convidada da noite e ao meio, junto com o entrevistador "Pe. Silvio Andrei-SAC", ficam seus convidados, entrevistados da noite.
Na noite do dia 10/03 os convidados foram: Marlon Roza "Curitiba-PR" (Comissão de Administração da Juventude Palotina do Brasil) e Julio Lourenço "Cambé-PR (Comissão de Patrimônio da Juventude Palotina do Brasil). "No decorrer de todo programa partilhamos a experiência da Juventude Palotina, começando sobre a definição do que é Juventude Palotina e quem pode fazer parte desta caminhada (Vale lembrar que TODOS são chamados a serem apóstolos missionários, SEJA VOCÊ TAMBÉM!!!)".
A condução do programa foi no sentido de descoberta quanto ao carisma palotino no âmbito jovem, as características, anseios da Juventude Palotina, os trabalhos realizados, enfim, uma infinidade de coisas.
No mesmo dia a Juventude Palotina do Brasil participou do Programa Diálogo com Deus da Rádio América - Canção Nova, Rádio AM 1410 - programa este que vai ao ar todos os dias das 17 as 18hrs.
Tal programa é voltado a orações e músicas, mas neste dia abriu espaço para que a Juventude Palotina do Brasil divulgasse os seus trabalhos, afinal, o principal objetivo é a evangelização.
Foi um ótimo programa, com intervenções ao vivo do ouvintes, músicas, com momentos especiais de orações, enfim, infinidade de coisas e até mesmo a participação dos Jovens Palotinos citados anteriormente.
O mais importante é que os resultados já estão chegando; jovens do: Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goias, Rio Grande do Sul, Argentina, Uruguai, Paraná, dentro outros, estão nos enviando recados por orkut, e-mails e afins.
VENHA VOCÊ TAMBÉM!!!

Participe da Juventude Palotina do Brasil...
Queremos dar vôos mais altos, mas somente com a SUA PARTICIPAÇÃO é que chegaremos lá... Vamos todos juntos caminhar e trabalhar para a construção da Nova Civilização do Amor.
Caso queira entrar em contato conosco e fazer parte deste sonho, basta escrever para: juventudepalotina.brasil@gmail.com
"A Caridade de Cristo nos Impele" - São Vicente Pallotti
Marlon Roza

SER MISERICORDIOSO COMO O PAI

Nosso Senhor, certa vez, disse que suas Palavras são “espírito e vida”. A mesma Palavra da Sagrada Escritura pode nos tocar de um modo em determinada fase de nossas vidas e depois vir a tocar-nos de outro. Assim acontece com a passagem que a liturgia nos traz neste quarto Domingo da Quaresma. É a parábola do filho pródigo, mas que poderia também chamar-se parábola do Pai Misericordioso. Nela estão três personagens: O filho mais novo, o filho mais velho e o pai. A maioria de nós talvez já se tenha identificado com os três.Quantos hoje em dia se identificam com o filho mais novo: “‘Pai, dá-me a parte dos bens que me corresponde.’ E o pai repartiu os bens entre os dois. Poucos dias depois, o filho mais novo, juntando tudo, partiu para uma terra longínqua e por lá esbanjou tudo quanto possuía, numa vida desregrada.” (Lc 15, 12-13) Este mundo, a natureza, o nosso corpo, a saúde, os nossos dons pessoais, são a herança que recebemos de Deus. Muitos decidem usar desta herança longe do Pai do Céu. Repetem o pedido do filho mais novo: “‘Pai, dá-me a parte dos bens que me corresponde.” Quantos jovens se identificam literalmente com este filho mais novo, enganados pelas coisas do mundo e pela sexualidade errada na juventude, deixam seus estudos, sua família… e se não deixam a família paterna acabam por deixar a “sua” família; a família que Deus tinha sonhado dar-lhes, de forma bem estruturada e sadia, mas que ele, pelos desvarios da juventude acabam por danificá-la ou até destruí-la nos seus inícios ou até antes mesmo que ela aconteça. É uma lástima ver quantas vocações são destruídas pelo mesmo que levou o filho pródigo à miséria: “… por lá esbanjou tudo quanto possuía, numa vida desregrada.” Ou como vem mais literalmente no versículo 30 : “com as meretrizes”. A consequência não tarda: a solidão, o descontentamento e quando não a miséria mesmo material.

Nos identificamos também com o filho mais velho tantas vezes que não fomos capazes de um perdão generoso. Tantas vezes que não experimentamos que tudo que é do Pai é também nosso. Que nos sentimos mais escravos do que filhos. O único que pode nos libertar desta religião carrancuda e legalista é o Espírito Santo. De facto São Paulo nos diz: “Vós não recebestes um Espírito que vos escravize e volte a encher-vos de medo; mas recebestes um Espírito que faz de vós filhos adoptivos. É por Ele que clamamos: Abbá, ó Pai! Esse mesmo Espírito dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos de Deus, somos também herdeiros: herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, pressupondo que com Ele sofremos, para também com Ele sermos glorificados.” (Rm 8,15-17) Porém não queremos nos deter nos filhos, pois a meta de nossa vida é identificar-nos com o Pai.

O Pai da parábola tem três características que são desdobramentos do seu Amor e da Sua Misericórdia. Ele é sofredor, cheio de perdão e é generoso.* A primeira característica: é sofredor. O amor do pai não é indiferente à miséria do filho longe de casa. Prova disso é a prontidão em ver o filho enquanto ainda estava longe. Quantas tardes ele não deve ter olhado ao horizonte naquele caminho pelo qual o filho mais novo tinha se afastado de casa para ver se ele voltava. Só encontrava saudade em seu lugar. Porém numa tarde foi diferente. Quando olhou ao longe, percebeu quem estava a voltar. Não esperou que ele chegasse em casa: “Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos.” (Lc 15,20) Essa prontidão mostra quanto ele sofreu nesta ausência. Jesus disse: “Quem me vê, vê o Pai.” Sobre Jesus Crucificado nos diz São Paulo na segunda leitura: “Aquele que não havia conhecido o pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nos tornássemos, nele, justiça de Deus.” (2 Cor 5,21) Sobre o perdão vemos claramente no gesto do abraço. Quanto à generosidade, esta vem expressa tanto no repartir os bens entre os filhos no início parábola, quanto na “Melhor veste”, no “anel no dedo”, “no vitelo cevado”, enfim na festa.

Estamos nesta mesa de peregrinos que é a Eucaristia, em que nos é dado, como ao Povo de Israel o maná. Com Ele caminhamos para a nossa verdadeira casa. Nossa casa é o Céu. Lá esperamos “comer dos frutos da terra prometida” e este abraço eterno que o Senhor nos dará: “‘Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, estava nu e destes-me que vestir,…” (Mt 25,34-36) Em outras palavras: Aprendestes a ser Misericordiosos com o Vosso Pai do Céu.

Para Partilhar:
1- Cada um de nós já foi ou é um “filho pródigo”, uns mais outros menos. O Pai ao contrário, é sofredor pela ausência do filho, pródigo no perdão e abundante na generosidade. Como podemos ser mais semelhantes ao Pai nestas três características?
*(Cf. Lectio Divina para cada dia del año, Ed. Verbo Divino, p.265)
Pe. Marcelo

quarta-feira, 10 de março de 2010

Juventude Palotina na Canção Nova

Olá Queridos Amigos!!!

É com imenso prazer que CONVIDAMOS a TODOS para compartilharem de mais um momento especial da Juventude Palotina do Brasil.

HOJE, dia 10/03/2010 (quarta-feira) a Juventude Palotina do Brasil participará do programa Diálogo com Deus da TV Canção Nova, programa este que vai ao ar as 22hrs.Ficaremos muito felizes caso possam prestigiar tal evento.

Como disse anteriormente, tal programa será exibido pela TV Canção Nova. Caso seu televisor não tenha rede aberta para o canal, não se preocupe, você poderá assistir via on-line, como milhares de pessoas no mundo todo hoje o fazem; basta acessar:
http://tv.cancaonova.com (ao acessar a página clique no link: Assista Agora)
Participe!!!!
Juventude Palotina do Brasil
Programa Diálogo com Deus
TV Canção Nova
Data: 10/03/2010 - quarta-feira
Horário: 22hrs.

Abraços e fiquem com Deus!!!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Retiro Espiritual de Carnaval - Itaperuna-RJ

Mais um ano, com a graça de Deus, aconteceu o Retiro de Carnaval nas dependências do antigo seminário de Eugenópolis – MG. Este ano, além dos jovens das paróquias palotinas de Itaperuna, tivemos também jovens de outras paróquias diocesanas. Foi um total de 90 pessoas.
Padre Gilmar Simplicio da Silva SAC da Paróquia Santa Rita de Cássia nos acompanhou durante todo o Retiro e também tivemos a presença do Pe. José Stepinski SAC e do Pe. Francisco Marqes SAC, reitor do Seminário Maior Palotino, com 03 seminaristas (Nathan, Moisés e Denis).
Nosso Retiro foi agraciado com palestras voltado ao tema: “Eis que estou à porta de bato” (AP 3, 20a), Santa Missa todos os dias e Adoração.
Também tivemos a nossa tradicional Via-sacra, onde colocamos uma enorme cruz num alto de um morro.

Aconteceram também momentos de lazer como futebol e gincana.
No encerramento aconteceu uma festa estilo anos 80.

Cristiano Nino

TEMPO DA GRAÇA

Assim como em determinado tempo do ano são específicos para alguns frutos das árvores, o tempo da Quaresma é um tempo de graça e de conversão. No Evangelho que a liturgia nos traz, vemos algumas pessoas que trazem a Jesus uma notícia trágica como que pedindo Dele uma interpretação destes factos aos olhos de Deus. Esta é uma questão tão actual tendo em vista os recentes fenômenos da natureza que estamos a assistir ou até presenciar: “Nessa ocasião, apareceram alguns a falar-lhe dos galileus, cujo sangue Pilatos tinha misturado com o dos sacrifícios que eles ofereciam.” (Lc 13,1) Nosso Senhor afirma claramente que essas pessoas não eram mais pecadores do que as outras, e que a sua morte não tinha a ver com isso. Eram sim, tendo em vista a fragilidade da vida humana neste mundo, um apelo urgente de conversão para as pessoas que haviam ficado: “Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos da mesma forma.” (Lc 13,5) Só Deus permanecerá e também aquilo que está a ele unido: As pessoas e as obras feitas com a graça de Deus e o seu amor. Isso permanece claro na primeira leitura na vocação de Moisés. Deus Nosso Senhor o tinha escolhido como libertador de seu Povo. Porém enquanto ele pretendeu viver a sua vocação contando apenas com as suas próprias forças humanas, foi um desastre: matou um egípcio que maltratava um hebreu e acabou não sendo acolhido nem pelo seu povo e muito menos pelo faraó. Ouviu de um hebreu: “«Quem te estabeleceu como chefe e juiz sobre nós? Acaso pensas matar-me como mataste o egípcio?» (Ex 2,14) Não aceito nem pelo seu povo nem pelos poderosos, Moisés teve de fugir. Só mais tarde, vivendo uma vida humilde de pastor, em oração no deserto é que ele conheceu verdadeiramente a Deus cujo nome é: “Eu Sou Aquele que Sou” (Ex 3,14) Ele descobriu na sua humildade que só “Deus é” e que sua vida e vocação só tinha Nele a sua consistência. Teve a sua vocação renovada.

Voltando ao Evangelho vemos um facto estranho à primeira vista: nosso Senhor fala de uma figueira estéril no meio de uma vinha. A vinha sempre foi o símbolo do povo de Israel, onde o cristianismo nasceu e cresceu. Hoje em dia pode muito bem representar este mundo. O Pai ali plantou uma figueira. Ora, de uma figueira não se esperam uvas como da vinha, mas figos. Trazendo para a nossa realidade, muitos cristãos se sentem estranhos neste mundo e são incapazes de produzir os seus “frutos”: não roubam, não matam, não adulteram…. Porém por outro lado não produzem também os seus próprios frutos, frutos que Deus Nosso Senhor esperava dele ao colocá-lo no mundo. Que frutos são estes? São Paulo nos diz: “Por seu lado, é este o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, auto-domínio. Contra tais coisas não há lei.” (Gl 5,22) Ou seja, ele é “bonzinho”, não é mau como o mundo , mas não consegue produzir os frutos que deve. Desse Nosso Senhor, no livro do Apocalipse, tem palavras fortes a esse respeito: “Conheço as tuas obras: não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente. Assim, porque és morno - e não és frio nem quente - vou vomitar-te da minha boca.” (Ap 3,15) Jesus nosso Senhor é esse vinhateiro que pede ao dono da vinha pelos méritos da Sua Paixão e Ressurreição que espere mais um ano: ‘Senhor, deixa-a mais este ano, para que eu possa escavar a terra em volta e deitar-lhe estrume. Se der frutos na próxima estação, ficará; senão, poderás cortá-la.” (Lc 13, 8-9)

Nós Vos agradecemos Senhor Jesus, pois tantas vezes, pela nossa não fecundidade mereceríamos ter sido cortados já da vinha deste mundo, mas Vós intercedestes ao Pai por cada um de nós. O Pai do Céu quer nos atender naquilo que pedimos por meio dos méritos da Vossa Paixão para fazer de nós filhos não somente pelo sacramento do Baptismo, mas também pela vivência da vida no Espírito Santo. Por isso, Senhor, derrama mais uma vez sobre nós a plenitude do Vosso Espírito Santo, para que produzamos frutos dignos do Pai que com todo carinho nos plantou neste mundo e em nossa vocação específica. De modo especial Senhor, derramai a plenitude do Espírito Santo sobre todos os sacerdotes da Igreja neste ano sacerdotal para que correspondam ao Amor Infinito de Deus que os chamou a tão sublime vocação. A Vós, ao Pai e ao Espírito Santo seja a glória, a honra e o louvor para sempre. Amém.

Para partilhar:

Em que circunstâncias Jesus hoje nos chama a produzir “frutos diferentes” daqueles que se produzem no mundo que nos rodeia. Qual é o “adubo” que, para tanto, hoje em dia, Ele deita em nossas raízes?
Pe. Marcelo

quarta-feira, 3 de março de 2010

SÃO FRANCISCO DE ASSIS E SÃO VICENTE PALLOTTI

Homilia do Pe. Franco Todisco, SAC, Vice- Geral da SAC, na Basílica inferior de São Francisco, em Assis, durante a concelebração eucarística da XVIII Assembléia Geral junto ao túmulo do Santo.

Caríssimos irmãos em Cristo e em São Vicente Pallotti!

Este lugar recorda-nos a pessoa, a obra e sobretudo a santidade de São Francisco, daquele que, como ninguém até agora, pela pobreza se identificou com Cristo.

Cada santo teve uma palavra bíblica como chave da sua história com Deus e os irmãos, a partir da qual tudo iniciou e sobre a qual tudo construiu. Fundamento perene da espiritualidade e santidade de São Francisco foi a pobreza, tão intensa, tão radical, tão perene em sua vida, que ele a via e a vivia como um esponsalício, captando em sua imagem conjugal a perenidade e a continuidade da condição.A pobreza manifesta-se externamente como um redimensionamento da realidade material, o qual é expressão do desprendimento e da pobreza interior.

A primeira e fundamental pobreza nasce da descoberta de Deus como centro de todas as coisas; da descoberta que o mundo material não é estranho, embora diverso, daquele espiritual, porque o mesmo Criador os sustenta e cada vida faz parte da história que Ele teceu nos séculos com as suas criaturas.

A pobreza é a descoberta existencial de Deus como bem único e absoluto, como fim único de cada pensamento, palavra e ação; é a descoberta do senhorio de Deus na própria vida e na história. Se Deus é o centro de todas as coisas, então se toma distância do que nos circunda, que parece indispensável mas não o é: “Não quero nada que não agrade a Deus, mas tudo o que agrada a Deus” “Meu Deus, meu tudo!”- dizia São Vicente Pallotti. E isto sem esquecer ou desprezar o mundo: “Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão sol, pelo irmão fogo, pela irmã água, pela irmã lua e as estrelas...”; a pobreza verdadeira não é privação mas descoberta de uma nova beleza e dignidade da realidade que passa da consideração de instrumento àquela de criatura, como nós, de Deus e à de nossa companheira de viagem na existência. E não é somente contemplação e poesia, mas atenção aos pobres e partilha com os mesmos. “Irmão menor”, na Idade Média, queria dizer “último” em todo sentido; irmão para ser enviado aos últimos, aos pobres e aos fracos a fim de identificar-se com eles. Sabemos que São Francisco, durante as suas viagens, não dormia em casa de amigos ou em hospedarias mas nos leprosários ou nos lazaretos (os hospitais daquele tempo confiados à caridade completa das pessoas), para cuidar dos doentes e assisti-los, até à sua derradeira escolha de morrer nu sobre a terra nua.
São Vicente Pallotti, desde jovem, teve uma grande devoção a São Francisco de Assis; quis ser capuchinho, mas a sua débil saúde, as oposições do pai e do confessor convenceram-no a entrar no clero secular. Sorte para nós. O resto da história nos é conhecido. Mas ele fez o propósito de viver como capuchinho no clero secular; até 1839 dormiu cada noite vestido com o hábito capuchinho, no chão, sobre um cobertor, tendo uma pedra como travesseiro. Por ordem médica suspendeu este costume, mas todos puderam ver no seu quarto como era a sua cama.Esta opção pela pobreza franciscana começara antes. No dia 29 de novembro de 1816, festa de todos os santos Franciscanos, recebera o hábito de terciário franciscano e, no dia 15 de fevereiro de 1818, fizera a “profissão”. Tudo isto pouco antes de sua ordenação sacerdotal.

Em 1816 escrevera sobre a pobreza interior: “...o meu inimigo capital: o que não é total despojamento do intelecto e da vontade” e sobre a pobreza exterior “...tendo eu necessidade de um palmo de terra para descansar, de ar para respirar, de água para matar a sede, de alimento para sustentar-me, de um trapo para cobrir-me, que eu não encontre nada, inclusive me seja dado o mais tormentoso sofrer!”.

Causam espanto em São Vicente, desde jovem, a clareza da meta e a força das decisões. A sua pobreza é logo doação total de si mesmo aos irmãos mais necessitados; quisera ser “...luz para os cegos, voz para os mudos, ouvido para os surdos, pena macia para dar repouso aos membros cansados dos fatigados”. Sabemos que ele dedicou a sua vida a todos, mas sobretudo aos pobres. Era pobre e por isso compreendia a situação dos pobres. Sempre os amou, os acolheu, os compreendeu e escusou; não deu a eles somente esmolas, mas, nos limites do seu tempo, os educou, os instruiu e procurou trabalho para eles, ajudou-os de todos os modos até ser chamado, ao morrer, o pai dos pobres.

Ele pessoalmente comia pouco e frugalmente. Nunca se queixava do alimento nem dizia que estava bem preparado ou temperado; não comia fora de hora e, se comia, muitas vezes comia o pão dormido ou as sobras. Teria podido viver folgadamente, pois a sua família estava economicamente bem; mas ele quis fazer-se e ser pobre no vestuário e na alimentação, privando-se sempre de toda mínima comodidade.

Também no nosso Fundador as criaturas têm todas um valor e uma função positiva. Um texto entre muitos: “Procurai Deus em todas as coisas e o encontrareis em tudo: procurai-o sempre e encontrá-lo-eis sempre”. Somente quem é enormemente pobre pode entrever Deus nas coisas e nos acontecimentos.

Uma pobreza franciscana que ele queria presente na sua obra.

Nas casas para os sacerdotes e os leigos que pelas missões se consagravam a Deus com os votos, pedira o hábito dos Capuchinhos, as sandálias sem meias e a regra e o estilo de vida de São Francisco, e pedira que se considerassem não como possuidores mas como mendicantes. Também para as irmãs da Sociedade quis o hábito de São Francisco e por regra uma fusão daquelas de São Francisco com as dos sagrados retiros.
As casas da sua mínima Congregação deviam ter a forma e o estilo dos conventos dos Padres Capuchinhos: “Também as igrejas deverão resplandecer a santa pobreza, conforme a forma das igrejas dos RR. PP. Capuchinhos”.

Considerava a pobreza como um dos sinais de reconhecimento do divino em nosso meio. O espírito de pobreza começava com a escolha do lugar e do ambiente mais pobre; pobreza nos móveis, nos quartos e na mesa, sempre unida à frugalidade e à temperança. A mínima Congregação devia ser considerada por todos como a primeira dos pobres e a comunhão de bens como o instrumento livre para que as eventuais diferenças econômicas ou sociais iniciais dos membros desaparecessem no dom total de si mesmos a Deus, aos irmãos e ao apostolado e por isso na igualdade.

Alguém disse: o catolicismo de amanhã ou será pobre ou não existirá.

A pobreza tem duas faces distintas, mas não separadas: uma interior, aquela do espírito, e a outra voltada para a sociedade e para a história.

A pobreza de espírito é o fundamento. Ela revela logo se optamos por Deus e que opção fizemos, opção esta que deve externar-se em atitudes concretas.

A pobreza é, antes de tudo, disponibilidade. É ter colocado em Deus toda segurança, ter-lhe dado ao menos a possibilidade de agir na nossa vida. Ser pobre significa ter renunciado a tantas certezas e seguranças; a fé não pode ser hoje uma apólice de uma companhia divina de seguros. Pobreza, em vez disso, quer dizer ter tantos pontos de interrogação que, na tradição hebraica, quando encontram uma resposta, se abrem para outra pergunta. Tudo isto não em contraste com o dever de anunciar a boa notícia do Evangelho. A pobreza diz respeito somente ao modo justo.

A pobreza, enfim, se refere também aos meios; são necessários, mas não o são todas as implicações e as alianças que, por exemplo, o dinheiro procura. Abundância, consumismo e desperdício não convêm a quem escolheu a pobreza; porque ser e viver como pobre é também cada dia dar-se conta dos irmãos necessitados para partilhar a sua condição.

Sobre a pobreza somos todos incentivados ou desafiados a andar contra a corrente pela palavra admoestadora de Jesus: “É mais fácil que um camelo passe pelo fundo de uma agulha que um rico entre no reino dos céus”.

Que São Francisco e São Vicente nos ajudem a ser pobres e a viver todas as nossas opções pessoais e apostólicas no espírito da Santa Pobreza, para assemelhar-nos mais Àquele que era rico e se fez pobre por nós. Amém.
Tradução do
Pe. João Baptista Quaini