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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Dia de São Vicente Pallotti em Odivelas

A celebração do dia de São Vicente Pallotti, em Odivelas, aconteceu no domingo, dia 26 de janeiro. A solene Eucaristias na igreja da Divina Misericórdia com a presença de paroquianos, membros da União do Apostolado Católico e animada pela Juventude Palotina foi presidida pelo Pe. João Francisco Pietrus SAC.
O Pe. João lembrou que o domingo é o dia que o Senhor fez para nós, é o dia em que celebramos a ressurreição de Cristo e recordou-nos que o dia 22 de janeiro, é um dia verdadeiramente palotino, é o dia da morte de Pallotti, dia em que nasceu para o Céu. Pela primeira vez foram apresentadas as relíquias do corpo de S. Vicente Pallotti.
A homilia foi feita pelo Vice-reitor Geral, Pe. Adam Golec SAC, que para este dia trouxe de Roma as relíquias de São Vicente Pallotti, a pedido do Pe. Artur Karbowy SAC.
O Pe. Adam na sua homilia confessou-nos que enquanto proclamava este Evangelho fazia a seguinte pergunta: “Como este Evangelho espalhado pelo Mundo chegou a tantas pessoas em tão pouco tempo?” Jesus não tinha os meios de hoje, como aconteceu chegar até nós? A resposta é simples, é dada pelo Evangelho.
Jesus escolheu mais 72 discípulos para levar pelo Mundo o Evangelho. Esses discípulos eram pessoas que apenas anunciavam a Boa Nova, esses discípulos foram os que sofreram nas arenas, dando a vida pelo anúncio da Boa Nova. Passados mais de 2 000 anos este Evangelho é sempre atual. Entre tantos discípulos para levar a Boa Nova está, no séc. XIX, este Padre Vicente Pallotti. Vive 56 anos, vida bem curta! Acompanha a morte de seis Papas, é confessor de dois deles. Vive num tempo difícil, tempo designado por tempo da maldição. Assiste a quatro revoluções.
Acompanha a nova visão de ser europeu em que o povo cada vez se afasta mais de Deus. No meio de tanta desgraça, de tanto pessimismo, Pe. Pallotti não desanimou, sempre insistiu em evangelizar com firmeza.
Para percebermos melhor o Pe. Adam contou-nos uma história judia. Três jovens desejavam ser profetas. Empenhados ouviam os ensinamentos do seu Mestre. Desejavam aprender tudo. Com os livros e os pensamentos do Mestre, depois da morte deste, convencidos de toda essa sabedoria, resolveram exortar as pessoas a mudar de vida.
Toda a história de vida de Pallotti pode reduzir-se a uma frase: “O bom Sábio sem obras concretas é como uma nuvem sem chuva.” Porque de obras bem concretas está inserida esta mensagem e o mistério da vida santa do Pe. Vicente Pallotti. No fim da celebração os fiéis, pela primeira vez em Portugal, puderam beijar as relíquias do nosso Fundador. O Pe. Adam pediu que as relíquias do corpo de S. Vicente Pallotti sejam para nós um estímulo para viver a Palavra de Deus e uma ajuda para, nos dias de hoje, sermos santos. Que S. Vicente Pallotti nos proteja e guie pelos caminhos da santidade.

À tarde o Pe. Adam deu uma palestra apresentando como a carisma de São Vicente Pallotti é vivido no Mundo. Temos apenas 176 anos como padres palotinos, em comparação com jesuítas, dominicanos e outras congregações é pouco tempo. No mundo inteiro há 2 400 padres palotinos, que vivem e trabalham em 360 comunidades, em 44 Países, em todos os Continentes.
O lema principal que estava presente nos pensamentos de S. Vicente Pallotti e continua presente nos dias de hoje é aquela frase de S. Paulo “A Caridade de Cristo nos impele”. O Pe. Adam destacou que nós, palotinos, vivendo no séc. XXI não vamos inventar mais nada. Procuramos viver como Pallotti, apesar do nosso tempo ser diferente do séc. XIX. Fazer as mesmas obras de caridade (visitar os presos, cuidar dos doentes, dar de vestir, de comer…). No mundo de hoje onde chega um palotino logo chega a Obra da Divina Misericórdia.
Respondendo aos planos, aos projetos de Pallotti levamos ao Mundo em que estamos Jesus Misericordioso e ficamos empenhados nesta grande obra da divulgação da Divina Misericórdia. O Vice-reitor Geral lembrou que precisamente no dia de hoje passam 61 dias do dia da luta contra a lepra. Em 1962, na Índia, um sacerdote palotino, o polaco Pe. Adam Wisniewski fundou um hospital para leprosos. Ele construiu 3 grandes tendas em lugares desertos, onde não havia água. Começou por visitar os bairros mais pobres e tirava de lá as pessoas consideradas como o lixo da sociedade, aquelas que já estavam contagiadas com a lepra. Nos dias de hoje estão lá 650 pessoas, deste número 500 são crianças. No Centro de Reabilitação os pacientes quando melhoram ajudam os outros doentes.
Outro lugar, na Ásia, em que há Padres palotinos é a Coreia do Sul. Entre tantas tarefas não é apenas dar assistência social, mas sobretudo fortalecer a fé dessas pessoas. Depois de tantos desafios os Padres Palotinos construíram as comunidades e divulgam a Divina Misericórdia. Graças ao esforço dos palotinos foi traduzido para a língua coreana o Diário da Irmã Faustina e distribuído pelos coreanos. Todos os meses têm um boletim da Divina Misericórdia e fazem 5 000 exemplares para serem distribuídos pela Coreia e outros Países.
Em África os Padres palotinos estão há 100 anos, em vários Países. Em Kibeho os palotinos trabalham num Santuário Mariano, é o único lugar em África onde Nossa Senhora apareceu e essas aparições foram confirmadas pela Igreja. Nestas aparições não houve mensagens novas, mas apenas recomendações para os homens viverem como verdadeiros filhos de Deus. Este Santuário dá assistência aos órfãos. Iniciou-se uma campanha de Adoção de Coração. Vendo a necessidade das crianças pode-se ajudar na parte material, educacional e espiritual. Um grupo de pessoas, por mês, dispõe de algum dinheiro e cuidada das necessidades de uma só criança. Há 4 000 crianças na Adoção de Coração. A Adoção de Coração já saiu de África e já está presente no Brasil e no México. Uma campanha parecida foi levada pelos palotinos para a Colômbia e Venezuela.
Grande esforço é feito pelos Padres palotinos presentes no Mundo na área da educação. Há 60 colégios, sendo 36 na Índia. Alguns colégios na Índia têm entre 5 a 6 mil alunos. O Pe. Adam referiu que no ano passado o Bispo do Perú visitou o quarto de Pallotti e, de joelhos, em oração fervorosa pediu: “Que os teus filhos espirituais possam vir para o Perú”. Quem assistiu a esta oração foi o Padre Geral que lhe disse não ter candidatos para trabalhar naquele País. O curioso é que, dois meses depois, telefonaram dos Estados Unidos oferecendo-se para trabalhar no Perú e assim, no próximo mês de Março, inicia-se a missão palotina no Perú.

Depois da palestra, na igreja da Divina Misericórdia, houve, em homenagem a São Vicente Pallotti, um concerto do Coro Polifónico, "Magnificat", da Paróquia de Odivelas, em conjunto com mais 3 coros convidados.

Isabel Martins

sexta-feira, 29 de julho de 2011

DOIS BANQUETES, DOIS REINOS

No Evangelho de hoje, temos dois banquetes. Um que sacia a alma e o corpo dos discípulos de Cristo, outro que não sacia o homem, mas o avilta.
Vejamos esses os dois:
Esse segundo vem insinuado no início do Evangelho. Foi o banquete onde São João Baptista foi morto. Era o banquete de Herodes. Neste banquete, os pobres não foram convidados. Para este só foram convidados “os grandes da corte, os oficiais e os principais da Galileia” ( Cf. Mc 6,21). João baptista foi o único pobre que compareceu e cortaram-lhe a cabeça. Era uma refeição onde aconteceu, certamente, muito desperdício e intemperança. Herodes já estava alcoolizado. Naquele tempo ele estava em adultério. Vivia com a esposa de seu irmão Filipe. Neste banquete uma jovenzinha dançou. Era provavelmente sobrinha de Herodes. Jovem exuberante e formosa que facilmente ganhou-lhe a alma. Não contente em estar em adultério com a mãe, já interessava-se pela filha. A proposta foi insensata e inconsequente: “– Pede-me o que quiseres e eu to darei.» E acrescentou, jurando: «Dar-te-ei tudo o que me pedires, nem que seja metade do meu reino” (Mc 6,22-23) A menina, inexperiente, foi perguntar à mãe o que deveria pedir. Nesse momento, o ódio e o despeito falaram ainda mais alto do que a ambição. “Induzida pela mãe, respondeu: «Dá-me, aqui num prato, a cabeça de João Baptista” (Mt 14,8) Paremos por aqui, pois já começa a dar-nos náuseas…. Em resumo, quais são as características deste banquete? Convite só dos ricos, desperdício, bebedeira, adultério, luxúria, ódio e morte.
Não nos admiramos que uma das pessoas que provavelmente estava presente, Joana, mulher de Cuza, administrador de Herodes, (Cf. Lc 8,3) tenha tomado a decisão de procurar um novo rei, um outro reino. O Evangelho, mais tarde, relata que ela foi uma das principais mulheres que seguiam Jesus. Este Herodes não dava mais. Não dava mais para seguir as máximas daquele ditador. Era necessário um novo Rei e um novo Reino.
No Evangelho de hoje, aparece o banquete, ou pelo menos o prelúdio do banquete do novo Rei e do novo Reino. É o banquete de Jesus. Ele o prepara no deserto, que na Bíblia é o local do encontro com Deus. Dele participam os pobres, os ricos, os letrados, os ignorantes, ou seja, quem tiver fome e sede de justiça. O novo Rei, ao invés do cruel Herodes, é cheio de compaixão pelo seu povo: “Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de misericórdia para com ela, curou os seus enfermos” (Mt 14,14); Alimenta-os também com a Palavra de Deus: “Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, então, a ensinar-lhes muitas coisas” (Mc 6,34) Não é um banquete de extravagâncias, mas o essencial não falta: o Amor de Deus que suscita caridade e partilha: “Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes.» «Trazei-mos cá» - disse Ele” (Mt 14,17)
Que diferença do banquete de Herodes! Mesmo sendo pouco, a partir da partilha, Jesus faz o milagre: o milagre da multiplicação dos pães, prefiguração do maior de todos os milagres que é a Santíssima Eucaristia; Eucaristia que é Sacramento da Caridade, que alimenta a caridade através da Palavra e do Pão da Vida.
Podemos nos perguntar: de que banquete temos participado (ou pelo menos participado mais)? Do banquete do Rei Jesus ou do banquete do rei Herodes? Não serão as nossas crises internas e externas como a seca da Somália e outros países, um convite do Senhor a participarmos com mais fruto do banquete da Eucaristia,  partilhando com mais generosidade e que as nossas festas sejam mais ao estilo do Rei Jesus?
Pe. Marcelo

sábado, 31 de julho de 2010

DINHEIRO UMA FALSA SEGURANÇA

“Guardai-vos escrupulosamente de toda avareza” (Lc 12,15) – é Jesus quem nos diz. Além do mais, como é curta a alegria dos avaros: “nesta noite ainda exigirão de ti a tua alma” (Lc 12,19). Mas, vejamos: não se trata de ter ou não ter. A avareza é uma atitude, uma disposição má que nos leva a estar demasiado preocupados com os bens materiais, em juntá-los, em não gastá-los, em não partilhar. A avareza vai corroendo a pessoa humana e não a deixa ser feliz já que a um bem material sempre se pode juntar um novo bem, e assim por diante com a consequente preocupação de efectivamente conseguir esse novo objecto. O problema não está nas coisas, de fato as chamamos bens materiais. A avareza é uma atitude da pessoa, algo que está dentro do coração humano, como os outros vícios capitais.

Até parece que os produtos estão gritando nas grandes lojas: “Compra-me! Você necessita de mim! O que você tem já está velho! Sou muito melhor! Compra-me! Compra-me!” E nós, diante desse constante estímulo do “ter”, nos rendemos! O nosso “rico dinheirinho”, ou melhor, o “meu” (dinheiro não se partilha!) dinheiro tem que render cada vez mais, não pode sofrer nenhum prejuízo, e melhor ganhar mais que muito. Consumismo, hedonismo, avareza!

Como é importante praticar o desprendimento dos bens materiais, a generosidade e a magnificência, caso queiramos ver-nos livres da avareza. Um exercício interessantíssimo para começar a vencer a avareza é emprestar com alegria. Como custa! E, no entanto, esse desprendimento momentâneo de um bem material – que depois retornará a nós – pode ser um primeiro caminho de generosidade. Logicamente, não se trata de emprestar o do gasto diário a outros para praticar o desprendimento e a generosidade!

A avareza destrói amizades. Conta-se que três amigos que eram assaltantes, na hora de dividir o produto do roubo, pediram que um deles fosse comprar uma garrafa de whisky para comemorar o êxito da empresa. Enquanto o companheiro foi comprar a bebida pensou consigo o quê fazer para ficar com todo o dinheiro sem ter que dividi-lo: “- já sei, vou comprar o whisky e coloco veneno dentro, os dois morrem e o dinheiro será todo meu”, pensou decidido a colocar o seu plano em acção. Os outros dois que tinham ficado à espera do amigo que fora comprar o whisky pensaram entre si que seria muito mais interessante dividir o dinheiro entre dois que entre três: daria mais para cada um. Combinaram que quando o outro chegasse o matariam e ficariam com o dinheiro só para os dois. Decididos a executar o plano, assim que chegou o outro amigo com o whisky, mataram-no, e, em seguida, para comemorar um novo êxito… beberam o whisky! Morreram os três! E de quem seria o dinheiro, fruto do roubo e da avareza?

A avareza vai tirando a nossa vitalidade, impede a felicidade e nos faz mesquinhos. Quando notemos que a avareza, a preocupação desmedida por acumular, está tomando conta do nosso coração, reajamos imediatamente: ela corrói por dentro e nos faz infelizes. Está claro que um pai de família tem que se preocupar em garantir um futuro para os seus filhos, um universitário terá que preocupar-se em fazer uma pequena biblioteca pessoal, uma mãe de família terá que guardar as roupas da família para outros que virão, isso não é avareza. Além do mais, não se trata de ter ou não, mas de que haja uma atitude de desapego daquilo que temos… ou não temos!

                                                                                                                                  P. Luiz Maurício

Para as Células de Evangelização

Conhecemos alguém (s) realmente desprendido na nossa comunidade? Comentar sobre ela (s) e como fazer para seguir seu caminho de desapego?Temos sido generosos com as obras de evangelização de nossa Paróquia?