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domingo, 24 de abril de 2016

Entrevista com Pe. Jan Korycki

Entrevista com Pe. Jan Korycki SAC - Postulador do processo da beatificação da Venerável Serva de Deus Elisabetta Sanna.
No dia 22 de janeiro de 2016 o Papa Francisco concordou com a beatificação da Venerável Serva de Deus Elisabetta Sanna, membro leigo da União do Apostolado Católico. A beatificação vai acontecer em 17 de Setembro de 2016 na Sardenha, onde nasceu a "mãe Sanna" - como é chamada a futura beata. Ao últimos  anos o Padre foi responsável pelo processo de beatificação de Elisabetta Sanna. Como começou a aventura com a futura beata?

Pe. Jan Korycki SAC: Meu grande interesse com a pessoa do Venerável Serva de Deus Elisabetta Sanna começou quando comecei ler a biografia dela e observei que o processo de beatificação começou quase imediatamente depois de sua morte. Exatamente quatro meses a partir da data da sua morte. Ela faleceu no dia 17 de fevereiro de 1857 e no dia 15 de Junho do mesmo ano, o Vigário de Roma nomeou o primeiro postulador da causa da beatificação, que foi Prelado da Basílica de Santa Maria Maior. Comecei a investigar e perguntar-se: por que tão rápido? E isso me levou a descobrir que Elisabetta Sanna, na verdade, na opinião dos habitantes de Roma daquele tempo, era realmente uma pessoa santa. A pessoa que atraí com a sua personalidade, mesmo que ela era analfabeta, mesmo que ela não falava bem italiano a consciência da sua santidade era muito grande.

Como manifestou-se a santidade da Elisabetta Sanna?

Pe. Jan Korycki SAC: A grandeza de Elisabetta Sanna é visível em suas virtudes, especialmente com a força da fé na vida cotidiana. Manifestou-se no fato de que o centro de sua vida foi a Eucaristia. Todos os dias, Ela participou na Missa, tanto na Sardenha como em Roma. Em Basílica de São Pedro – na época não teve a concelebração e por isso - na Basílica teve muitas celebrações da Santa Missa, e quando Ela poderia andava de altar para o altar e  de joelhos participava da Santíssima Eucaristia. Andava onde foi a exposição do Santíssimo Sacramento, onde teve a adoração de 40 horas, tudo em sua vida aconteceu em torno da Eucaristia. Para mim, é importante que o que o Concílio Vaticano II enfatizou, que a Eucaristia é o centro da vida cristã, vejo na vida pessoal de Elisabetta. Do culto da Eucaristia vem o culto da Nossa Senhora. Quando Elisabetta recebeu a imagem de Nossa Senhora Virgo Potens fiz em sua pequeno apartamento um tipo de pequeno santuário. Quando as pessoas vinham para Ela conversaram e Ela falou com eles sobre o culto e rezaram. Oração e as conversas sobre as temas espirituais foram sempre o assunto das reuniões. A devoção de Nossa Senhora foi o resultado do fato de que Maria é a Mãe do Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, que por nós foi sacrificado e, portanto, a enorme experiência da Paixão. Especialmente durante a Quaresma. Durante a Semana Santa rompeu todos os contatos com as pessoas, a fim de capturar totalmente a devoção, a reflexão sobre o mistério do martírio, morte e ressurreição do Senhor. Esta é a fonte de sua grandeza espiritual. Esta grandeza manifestou-se em que Ela era a pessoa que tinha o dom de ver e lidar bem com outras pessoas e teve a prudência pessoal. Deixe-me lembrá-lo que antes de Ela decidiu ir em peregrinação à Terra Santa, sob a influência do pregador do retiro da Quaresma pregado pelo franciscano na Sardenha. Ele convenceu um monte de gente dizendo como é importante para o desenvolvimento espiritual a visitar os lugares sagrados. Ela falou com ele, conversou com seu confessor, mas não foi o suficiente. De Codrongianos onde Ela nasceu foi a 15 km para Sassari, para o pároco da Catedral, a quem apresentou seus assuntos tanto espirituais como a peregrinação e que, vendo a sua atitude disse que nestes assuntos deve consultar o seu confessor. Esta prudência, não só que eu to convencida, não só que o meu confessor me aconselhou, e não só que isso o missionária aconselha mas vou ainda perguntar uma outra pessoa, é a virtude da prudência.

Qual é a relação de família Palotina com a Venerável Elisabetta Sanna?
Pe. Jan Korycki SAC: Elisabetta foi muito apreciada por São Vicente Pallotti. Seu primeiro encontro com o Pallotti tem as características extraordinárias. Encontrou Ele num momento em qual Ela não sabia onde está, tava indo do Panteão, na direção da Praça de São Pedro, incapaz de perguntar às pessoas para direções, chorando do lado da igreja de São Agostinho e - de acordo com o seu testemunho - um sacerdote tão excepcionalmente olhou para ela, que, de repente recuperou a coragem, e, como mencionava, não sabe se a pé ou de outra forma, de repente já estava na Praça de São Pedro. Esse padre era o são Vicente Pallotti. Pouco depois desse acontecimento, Elisabetta encontrou-se com a Pallotti, que concordou em ser seu diretor espiritual. Pe. Francesco Vaccari, o primeiro sucessor de São Vicente Pallotti como Superior Geral da Sociedade do Apostolado Católico, lembrava para os coirmãos que a nossa Sociedade deve a sua própria existência e desenvolvimento a dois pessoas: Elisabetta Sanna e Cardeal Luigi Lambruschini. Por que Elisabetta? Ela através da oração, o sofrimento, a sabedoria - dava conselhos para aqueles que vieram com Ela. Testemunhas dizem que são Vicente Pallotti repetidamente aconselhava-se a Ela. Dizem que o Cardeal Giovani Solgia que, para dar a Ela o sustento dava para Ela trabalho, ele disse que, em questões pessoais, muitas vezes aconselhava-se com esta mulher. Vicente Pallotti em uma carta ao Pe. Valle escreveu que Elisabetta está progredindo no caminho da santidade de acordo com o plano de Deus. A sua proximidade com o Pallotti mostra o fato que quando Ela foi até a Basílica de Santa Maria Maggiore e caindo, quebrou o braço, quando Elisabetta estava no hospital notificaram sobre isso o Pallotti, mas naquele dia Ele não poderia estar com Ela, então Ele mandou imediatamente uma carta por uma mulher pedindo para Ela analisar como fica a situação e dizer que Ele não pode chegar hoje, mas amanhã vai visitar Ela. Vicente Pallotti a aceitou para o União do Apostolado Católico e ela ajudou Pallotti com oração, sofrimento, diferentes conselhos, e quando organizou a celebração do Oitavario da Epifania ela informou as pessoas, convidava, encorajava a participar. Sucessores de Pallotti também viram Nela uma grande pessoa, mesmo enviando os noviços quando eles tiveram dificuldades para falar com Elisabetta Sanna. Em família Palotina deste do começo teve um papel importante. Rezou em nossa igreja de SS. Salvatore in Onda, ajudava, devido a doença não podia levantar os braços, mas poderia fazer uma variedade as coisas assim como, por exemplo fazendo meias, e cuidava as vestes litúrgicas. Teve experiência de desenvolvimento inicial do Apostolado Católico.

Por que Elisabetta não voltar para sua família?

Pe. Jan Korycki SAC: Vicente Pallotti imediatamente fez contato com o irmão de Elisabetta, Antonio Luigi, que era um sacerdote, e apresentou-o à situação e enviou a Elisabetta para os médicos. Desde que Ela era muito fraca depois de viajem. Os quatro dias de navio a partir Porto Torres ao Genova foram muito cansativos e os médicos descobriram o fracasso do corpo. Pallotti sabendo sobre o assunto escreveu para irmão dela, que Elisabetta quer voltar para a Sardenha, para a família, mas no momento isso é impossível devido ao estado de saúde. Quando a situação melhora Ela vai embarcar em uma viagem de regresso. Sua condição estava continuamente piorando, até que um dos médicos emitiu um comunicado que se Ela vai de navio a Sardenha, outras possibilidades não teve, está arriscando a morte durante a viagem. Tinha um dom que, apesar de grandes dificuldades, não desanimou. Ela realmente queria voltar para a família. Ao longo dos primeiros cinco anos Ela chorou constantemente. Quando os médicos disseram claramente sobre o perigo da sua morte durante a viagem, o Pallotti disse a Ela: aparentemente, a vontade de Deus é fazer algo de bom aqui em Roma, e não se expor à morte durante a viagem. A família está em uma boa situação. Depois, quando chegaram para a família algumas dificuldades Ela e Pe. Vaccari, Pe. Melia organizaram ajuda. Há documentos sobre o envio de dinheiro, enviando coisas para a família, para ajudá-la. Apesar do fato de que havia muitos sofrimentos, as dificuldades, não desanimou e aceitou a situação, estava convencida de que Deus quer, que nesta situação servir a Deus e fazer o bem. Este tipo de vida levou a opiniões de santidade e rapidamente iniciar o processo de beatificação.
No século XIX, o apostolado foi reservado para o clero, o que estava fazendo a Elisabetta Sanna no campo da fé?

Pe. Jan Korycki SAC: Na Sardenha, ajudava especialmente as meninas, ensinando as o catecismo. Ajudava os pobres, as sofredores. Quando encontrou uma jovem, uma menina que estava enredada na vida imoral ajudou ela, embora ela teve um pequeno apartamento morava junto com ela, segurou aquela mulher em casa por um longo tempo, até que ele estava convencida, que encontrou a solução e que esta mulher poderia levar uma vida modesta. Em Roma, foi apreciada pelo fato de que Ela ajudava os pobres. O que recebeu do povo dava para os outros, ou para os dois orfanatos que Vicente Pallotti fundou e um deles, a Casa Pia de Carita existe até hoje, ou para pobres necessitados, ou foi para o hospital para doentes terminais, os doentes terminais. No hospital não podia fazer muito, mas a sua presença, conversa, oração impactava de forma positiva sobre as pessoas doentes que eles ansiosamente esperavam por Ela.

Durante o processo de beatificação de Elisabetta Sanna era um milagre por sua intercessão.

Pe. Jan Korycki SAC: Reputação sobre a santidade e de conhecimento da pessoa de Elisabetta Sanna em diferentes países, o que foi feito graças ao empenho dos nossos coirmãos se espalhou também para o Brasil. Foi lá o conhecimento da pessoa de Elisabetta Sanna entre as doentes que fizeram o milagre. Uma menina, Suzanna, quando teve 25 anos adoeceu. Como um resultado do um colapso ocorreu cancro do braço e do pulso. Apesar da cirurgia e o tratamento teve uma mão paralisada. Não podia mover o braço, antebraço e punho. Recebeu um santinho de Elisabetta Sanna de um palotino, Pe. Daniel Rocchetti, e ouvindo a conferência de Pe. João Pedro Stawicki SAC, que fala sobre a União do Apostolado Católico e sobre a Elisabetta e disse que Ela tinha as duas mãos paralisadas, a ponto de que Ela não podia levantar elas, Suzanna pensou: se Elisabetta, embora tendo as duas mãos doentes fez tanta coisa boa e eu tenho uma doente então também devo fazer algo de bom. Começou a rezar. Felizmente, que este livro sobre  Elisabetta Sanna: "Cooperadora leiga de são Vicente Pallotti" palotinos traduziram para o Português. Suzanna começou ler este livro e, juntamente com várias outras pessoas começaram a rezar pedindo a intercessão de Elisabetta Sanna. Em maio de 2008, na igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Niterói, na capela do Santíssimo Sacramento, antes da reunião do grupo de jovens Suzanna orou junto com a amiga. Suzanna se aproximou para o Sacrário, colocou a mão paralisada no altar, e depois de um momento deu os gritos de alegria. Ele sente que a mão se endireita e grita: minha mão é curada! Levanta a mão para cima. Vem os jovens, vem o sacerdote, e estão vendo que, de fato, aquela que durante cinco anos, apesar de a diferentes tratamentos, que foi considerada completamente incapaz para o trabalho, recebeu uma pensão de invalidez, essa pessoa começou completamente mover a mão paralisada. Os médicos descobriram que esta súbita cura de uma forma sustentável, com total mobilidade a mão é medicamente inexplicável. Isso foi em 2008 e em 2011, depois terminarem o processo diocesano os médicos confirmaram a cura completa. Também a comissão de médicos em Roma e teólogos e cardeais, olhando para a cura súbita, afirmaram que é um milagre.

Elisabetta Sanna é pouco conhecido no mundo, como mudar isso?

Pe. Jan Korycki SAC: Vicente Pallotti reconheceu Elisabetta Sanna como uma santa. A beatificação de Elisabetta Sanna é uma graça que Deus dá para a nossa geração, e é um desafio para voltar às raízes, ao aquilo que queria São Vicente Pallotti. Elisabetta Sanna era uma filha espiritual de São Vicente Pallotti. Ela nos mostra que tudo devemos confiar em Deus, em Eucaristia e que todos somos chamados a testemunhar a fé, o amor e a esperança cristã. Portanto, precisamos fazer mais e mais pessoas conhecer a pessoa de Elisabetta Sanna através de santinhos, artigos, livros, publicações. Para vê-la como colaboradora laica de São Vicente Pallotti, que tinha uma grande consciência da vocação ao apostolado e cuja vida toda foi a realização da vocação. Também o Bispo de Sassari, na Sardenha, me pediu para preparar uns pequenos artigos sobre a vida de Elisabetta Sanna e cada semana até a beatificação será publicado um artigo sobre Ela na imprensa local. Isso vai ser italiano, mas também outros países estão interessados. Na Polônia vai ser lançado o livro, no Brasil, na Alemanha já existem publicações. Se houver mais interesse em santidade e vocação ao apostolado com base na santidade pessoal assim a Elisabetta Sanna vai ser melhor conhecida.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Noticiário da UAC

Queridos irmãos e irmãs da União

Estamos contentes de poder referir neste boletim uma nota sobre a causa de beatificação da Venerável Elisabetta Sanna preparada pelo Pe. Jan Korycki, SAC, Postulador Geral da Sociedade do Apostolado Católico, além de outras notícias da UAC.

CAUSAS DE BEATIFICAÇÃO DOS MEMBROS DA UAC A NÍVEL APOSTÓLICO

A Venerável Elisabetta SANNA admitida na UAC  por São Vicente Pallotti

Ela nasceu em 1788 na Sardenha, morreu com fama de santidade em Roma no dia 17/02/1857 e foi enterrada na Igreja do “SS. Salvatore in Onda”. Logo após a sua morte, sua fama de santidade se manifestou assim grandemente que, somente quatro meses mais tarde, dia 15 de Junho de 1857, iniciou a Causa de Beatificação. São Vicente Pallotti foi por 18 anos o seu orientador espiritual e a estimou muito.

Elisabetta, sofreu a varíola três meses após o seu nascimento e não pode mais levantar os braços. Movia os dedos e os pulsos mas não podia levar com as mãos a comida à boca; não podia fazer o sinal da cruz e nem passar o pente nos cabelos, nem lavar o rosto, nem trocar a roupa, mas podia fazer o pão, enfornar e desenfornar o pão e  criou e educou cinco filhos. 

Não obstante o seu problema físico, foi pedida em casamento. O matrimônio foi muito feliz. Os esposos tiveram sete filhos dos quais dois morreram muito cedo. Junto aos próprios filhos Elizabetta educou crianças do seu município ensinando a elas o catecismo e preparando-as aos sacramentos. A sua casa era aberta a todas as mulheres desejosas de aprender os cantos e as orações. No início de 1825, isto é, depois de 17 anos de matrimônio, morreu o marido. Ela assumiu toda a responsabilidade da família e da administração da casa.

Crescendo na vida espiritual, Elisabetta, sob o influxo das homilias quaresmais, decidiu-se partir, como peregrina, junto ao seu confessor Pe. Giuseppe Valle para a terra Santa. Prevendo uma breve ausência, deixou os filhos com sua mãe e o irmão sacerdote. Pediu também ajuda a um sobrinho e à algumas vizinhas. Mas, por motivo das dificuldades de receber o visto para o Oriente, em Genova, os dois peregrinos foram obrigados a interromper a viagem programada e depois ir para Roma, como peregrinos.

Sobrevindo graves dificuldades físicas, Elisabetta não pode voltar para Sardenha. Ela confiou a Vicente Pallotti a sua direção espiritual, o qual se colocou em contato com o irmão Pe. Antonio Luigi para informar-lo que a irmã, no momento, não poderia retornar para casa via  mar, mas o faria apenas se sentisse melhor. 

Ela, não podendo retornar à própria família, sofria e chorava muito, mas não desanimou; soube confiar-se a Deus, aceitar a nova situação e servir os outros, permanecendo sempre fiel às indicações do Evangelho e da Igreja. Estava muitas vezes no Hospital dos que não tinham cura e nas casas privadas para dar assistência aos doentes e confortá-los. Fazia malhas (blusas) e o dinheiro ou os diversos presentes que recebia dava aos pobres ou ajudava os órfãs nas duas casas fundadas por Pallotti; procurava levar a paz às famílias, a converter os pecadores, preparava os doentes aos sacramentos e provia os paramentos para a Igreja do “SS. Salvatore in Onda”. Ao mesmo tempo, cada dia participava de algumas Santas Missas, fazia adoração ao Santíssimo e rezava com os hospedes na própria habitação, onde numerosas pessoas buscavam os seus conselhos. Também Pe. Vicente e os primeiros palotinos se aconselhavam com ela.

Pallotti sublinhava muitas vezes os méritos de Elisabetta no que dizia respeito a UAC. Pe. Vaccari assim se refere: “Dois são aqueles que mandaram para frente o nosso Instituto; uma pobre que é Elisabetta Sanna, como muitas vezes entendemos através de Pe. Vicente Pallotti, o outro é o Cardeal Lambruschini” (Summarium, Roma 1910, p. 145, par. 33). Ela foi testemunha da fundação da UAC e acompanhou o seu desenvolvimento por 22 anos, até a morte.

A Causa de Beatificação continua. Esperamos com confiança um claro sinal de milagre, obtido por interseção da Venerável que responda a todos os critérios pedidos pela Santa Sé. Recentemente está sendo examinada uma cura que possui certos sinais de milagre. Numerosas pessoas rezam com confiança para possa ser reconhecida como miraculosa ou que o Senhor possa dar um outro sinal. O importante também é divulgar entre as pessoas o conhecimento objetivo da vida e das virtudes da Serva de Deus. 


Argentina – O Conselho de Coordenação Nacional da Argentina reuniu-se na Capela São Pedro, Lomas de Zamora no dia 15 de Março, e no encontro os membros reelegeram o presidente, Senhor Miguel Angel Della Villa e a vice presidente, Ir. Marivone Basso, CSAC, por mais um mandato de três anos; também os outros membros da equipe nacional foram reconfirmados nos cargos.

Desejamos a benção do Senhor sobre o Conselho e confiamos a São Vicente Pallotti e a Maria, Rainha dos Apóstolos o seu contínuo serviço em favor da União.

II Congresso Geral

O Congresso Geral aconteceu em “Rocca di Papa” do dia 8 à 13 de Abril com o tema: “Da visão à missão em comunhão com Maria”. Foi uma experiência de Cenáculo, do Cenáculo vivente do início ao fim. 195 pessoas participaram de modo estável e outros membros de Roma e dos arredores participaram alguns dias, segundo permitiam os seus empenhos. Os participantes vieram de 24 nações e de todas as faixas de idade e de todas as expressões da vida da União a nível mundial. Escutava-se conversações em tantas línguas e isto levou a desejar o dom de compreender e de interpretar cada língua! Mas, não obstante a grande diversidade lingüística reinava uma atmosfera de fraternidade e de comunhão palotina.

Certamente cada participante tem a sua impressão particular para sublinhar e partilhar mas, acredito que a nossa peregrinação em Roma, domingo, dia 11 de Abril, foi uma experiência especial para todos. Os membros do Congresso se transferiram de “Rocca di Papa” para Roma de manhã cedo e logo passaram pelos lugares de São Vicente Pallotti na “Via Giulia”. O reitor da Igreja do “Spirito Santo dei Napolitani”, Mons. Natalino Zagotto, afetuosamente deu as boas vindas a todos naquela Igreja tão significativa para a nossa União e pronunciou palavras de amor pelo nosso santo Fundador referindo-se ao seu exemplo de santidade sacerdotal, modelo para todos os sacerdotes, especialmente neste ano a eles dedicado. Ainda falou do seu caráter romano e do seu grande amor à Igreja, expresso na sua intuição da União.

Depois da Igreja “Spirito Santo dei Napolitani” os participantes partiram a pé até a praça São Pedro onde se encontraram com mais de 500 membros, colaboradores e amigos da UAC vindos à Roma de diversas partes para estarem presentes na Praça, para cantar o canto “Regina Coeli” com o Papa e receber a sua benção. O Papa Bento XVI nos saudou dizendo: “Saúdo com afeto os peregrinos presentes seja aqui (em Castelgandolfo), seja na Praça São Pedro: a União do Apostolado Católico fundada por um grande sacerdote romano, São Vicente Pallotti”. Logo após entramos todos na Basílica para participar da celebração da Santa Missa presidida pelo Bispo Séamus Freeman, SAC, concelebrada por Pe. Friedrich Kretz, SAC, Reitor Geral,  Pe. Derry Murphy, SAC, Presidente da UAC e por numerosos sacerdotes palotinos e sacerdotes amigos. Os participantes repetiram que a Santa Missa foi a celebração da nossa pertença à Igreja, uma afirmação da nossa profunda adesão a Igreja e nela, a realização da sua missão evangelizadora no mundo. A Santa Missa foi animada pelo coro da União, um grupo internacional que, composto de membros de muitas nações diversas, canta em outras línguas, querendo assim ser um sinal de unidade no comum carisma. O Coral se reúne no centro espiritual da UAC, na Igreja “SS. Salvatore in Onda”. Na parte da tarde os participantes continuaram o caminho sobre os passos de São Vicente.   

O Congresso concluíu-se na terça feira de manhã, logo após os participantes começaram o seu caminho de retorno para casa levando consigo a energia e o entusiasmo vividos nestes dias, não obstante que alguns deles foram impedidos de viajar a causa da bem notável nuvem de cinzas vulcânicas suspensas sobre a Europa. Logo após, aconteceu em Grottaferrata, do dia 13 à 17 de Abril o encontro do Conselho de Coordenação Geral. Proximamente enviaremos o material do Congresso para partilhar com todos a riqueza deste evento tão significativo na história da nossa União.

 

SEGRETARIATO UAC

Piazza S.V. Pallotti, 204 – 00186 Roma

Tel./Fax: (39) 06 68194623

E-mail: uac@uniopal.org

terça-feira, 25 de agosto de 2009

ELISABETTA SANNA: DEFICIENTE E CANDIDATA AOS ALTARES


Ao voltar da Europa, após o Congresso dos Superiores Maiores Palotinos, realizado em Carranza, na Espanha, em outubro passado, Pe. João B. Quaini trouxe um exemplar da documentação organizada pelo Pe. Francisco Amoroso SAC em favor da beatificação e canonização da Serva de Deus ELISABETTA SANNA, grande amiga, dirigida espiritual e companheira de Vicente Pallotti na fundação da União do Apostolado Católico. A volumosa obra do Pe. Francesco Amoroso - nada menos que 250 páginas - contém uma vasta e completa documentação em torno desta “candidata aos altares”.

Desde que tomei conhecimento de Elisabetta, nos meus anos de mestre de noviços, em Cascavel, fiquei entusiasmado e interessadíssimo em conhecer mais de sua vida, de sua história e de sua santidade. Por isso, ao chegar até nós esta obra, devorei-a em poucos dias... Pe. João, ao ver meu entusiasmo, pediu que elaborasse um escrito para Informações Palotinas. Aqui está meu escorço.

As características fundamentais de Elisabetta, para começo de conversa, são as seguintes: deficiente dos braços, razão pela qual não conseguia alimentar-se naturalmente, nem lavarar-se o rosto, nem pentear-se, nem assoar o nariz; mãe de sete filhos, dos quais cinco sobreviveram; viúva muito cedo; desejosa de conhecer a Terra Santa, foi parar em Roma (ela era da Ilha de Sardenha), onde conheceu Pallotti e com ele tornou-se “a apóstola de Roma”, a “santa de São Pedro”... Vamos conhecê-la melhor!

Primeiramente, deve-se dizer que o processo de beatificação de Elisabetta Sanna foi iniciado logo após sua morte (1857), pois o povo de Roma a tinha por santa. O processo, porém, não andou muito porque “os adversários da causa” argumentavam que ela teria abandonado a família, na Sardenha, razão pela qual foi engavetado por muitos e muitos anos. Só agora, há quase 140 anos de sua morte, o processo é retomado pelo Pe. Jan Korycki SAC, postulador da causa, e auxiliado pelo Pe. Francisco Amoroso. O processo está andando rápido, graças a Deus!

Nascimento, doença e infância
Elisabetta nasceu, no dia 23 de abril de 1788, em Codrongianos, Província de Sássari, na Ilha de Sardenha. Era filha de Salvatore Sanna e Maria Domenica Lai, ambos agricultores, de viva e profunda fé cristã. Tiveram sete filhos, sendo três mulheres, das quais só sobreviveu Elisabetta, e quatro homens, sendo que o primogênito faleceu e o terceiro tornou-se sacerdote (Pe. Antônio Luís).
Naquela região da Sardenha houve uma grande epidemia de varíola, que atingiu a maior parte das crianças. Elisabetta tinha três meses de idade e foi também atingida. Sobreviveu “graças” a uma cirurgia que lhe retirou os nervos dos braços, deixando-os (os braços) “travados” na altura do peito (como vemos no seu retrato). Podia apenas movimentar os pulsos e os dedos. Daí o testemunho de muitos que a conheceram: sua natural incapacidade de lavar-se o rosto, de pentear-se o cabelo, de assoar o nariz, de fazer o sinal da cruz ou de poder tomar o alimento somente com o auxílio de uma colher ou de um garfo presos a um bastonete, que com muita dificuldade e maestria o fazia chegar à boca.
Elisabetta foi crescendo dentro do clima muito religioso de sua família e de sua paróquia, dirigida por longo tempo por seu tio, Pe. Luís Sanna Soggia. Recebeu a primeira comunhão e acompanhava com muita devoção as cerimônias litúrgicas e as freqüentes visitas de sua mãe à igreja, bem como suas orações, jejuns e vigílias. “Tinha ótimas qualidades de espírito e de coração: terreno em que guardava tudo o que se lhe comunicava; capaz de entender, tinha boa memória para reter as coisas, coração caridoso para comunicar aos outros as coisas que ouvia; uma grande fé na palavra do confessor e uma grande disposição para seguir-lhe os conselhos...”

Com quinze anos já era catequista e costumava reunir suas colegas na igreja paroquial, à tardinha, para a oração do terço ou da via-sacra. Seu próprio irmão, Pe. Antônio Luís, testemunhou mais tarde: “Ouvi de minha mãe que Elisabetta era perfeitamente obediente, que nunca havia dado motivo de lamentação, nem a ela e nem ao pai”. E acrescenta: “Ouvi sempre minha mãe elogiar sua filha na presença dos outros filhos, dizendo: ‘nenhum outro filho saiu tão bom como Elisabetta’.. Apesar de sua deficiência, nunca foi ouvida lamentar-se de uma tão grande miséria. Pelo contrário, falava como se fosse uma misericórdia de Deus”.

O casamento e a família
Aos quinze anos, pensando em seu futuro, Elisabetta desejava seguir a vida religiosa e se imaginava no mosteiro de Santa Elisabetta. Nela era clara a idéia de não casar. Sua mãe, porém, tinha outros planos, pois, segundo ela: a) nenhum convento a aceitaria com aqueles braços deficientes; b) nenhuma cunhada quereria ocupar-se dela, quando sua mãe morresse; c) sozinha, como poderia enfrentar a vida? Portanto, deveria casar!

Por incrível e por mais estranho que pareça, Elisabetta recebeu três propostas de casamento. Embora não pensasse em casar, como dissemos, mas por obediência e insistência de sua mãe (às vezes até violenta, conforme as testemunhas) e de seu confessor, aceitou o casamento como disposição divina. De fato, aos 13 de outubro de 1807, com 19 anos, Elisabetta casou com Antônio Porcu “para condescender aos conselhos da mãe e do confessor, ao qual era muito obediente, pois via nele a manifestação da vontade de Deus”.

A respeito de Antônio Porcu, Pe. Antônio Luís, irmão de Elisabetta, atestou: “ era um boníssimo cristão, industrioso e bom pai de família. Tinha quase seis anos a mais de Elisabetta. Era de lindas feições, sadio e robusto”. A própria Elisabetta teria dito, após a morte dele: ”Eu não era digna de tal marido. Tão bom que era!”

Tiveram sete filhos, dos quais cinco sobreviveram. Viviam em perfeita harmonia, de tal forma que serviam de modelo e de bom exemplo “nel paese”. Elisabetta, apesar de sua deficiência, conseguia fazer tudo em casa, inclusive o pão. Sua casa estava sempre limpa e ordenada. O próprio marido, quando seus companheiros caçoavam dele, dizia: “Minha mulher não é como as vossas. Elisabetta tem todas as características de uma mulher santa...” Apesar da impossibilidade de carregar os filhos ao colo ou de abraçá-los, conseguiu criá-los com muito carinho.

Com apenas 18 anos de casados, em 1825, faleceu-lhe o marido, de um mal repentino e grave. Deixou para Elisabetta o cuidado dos cinco filhos, que tinham entre 17 e 3 anos de idade. Ela não perdeu o ânimo. Pelo contrário, acreditava entender o plano de Deus: agora, depois da riquíssima experiência da vida conjugal, abriam-se-lhe as portas da tão sonhada consagração religiosa, pelo “voto de castidade perpétua”, que de fato se concretizou, em 1829, diante de seu confessor, Pe. José Valle, recém-chegado a Codrongianos. (Daí por diante este padre passou a ter um papel determinante na vida de Elisabetta).

Seu irmão, Pe. Antônio Luís, foi quem passou a ajudá-la no cuidado dos filhos e a responsabilizar-se por sua educação e por seu futuro.

A viagem à Terra Santa e sua ida a Roma
Na Quaresma de 1829, esteve em Codrongianos Frei Luís Paulo de Ploaghe, um franciscano que conhecia a Terra Santa. Em diversas pregações falou sobre os Santos Lugares e Elisabetta ficou de tal forma impressionada que decidiu conhecer os “lugares banhados pelo sangue do Redentor”. Nos primeiros meses de 1830, dirigiu-se ao seu confessor, Pe. José Valle, e lhe expressou o desejo ardente de ir à Terra Santa. Este mostrou-lhe os perigos e os imprevistos de uma viagem tão longa e lhe mostrou a inconveniência de deixar os filhos sem mãe. Ela o escutou e lhe obedeceu, mas, em julho do mesmo ano, voltou a fazer o mesmo pedido ao Pe. Valle que, por fim, decidiu deixá-la ir e se ofereceu para acompanhá-la.
O argumento, que mais tarde Pe. Valle aduziu em favor da partida de Elisabetta à Terra Santa, foi o seguinte: sua ida à Terra Santa não só não era um prejuízo para a família, mas, pelo contrário, um bem, pois aquela família, passando aos cuidados de seu irmão Pe. Antônio Luís, teria um futuro melhor... Para Elisabetta, na verdade, tornara-se quase uma obsessão ir à Terra Santa, pois sua vida estava por demais voltada às coisas de Deus e ao permanente desejo de consagrar-se totalmente a Ele, desde sua infância. Era a voz de Deus a falar-lhe bem alto. Agora decidiu seguí-la.
Aos 24 de junho de 1831, juntamente com seu confessor, Pe. José Valle, Elisabetta partia em direção à Terra Santa. No dia 29 desembarcaram no porto de Gênova, à espera de um outro barco que os levaria naquela direção. Logo apareceu um que iria até Chipre. Ao apresentar seus passaportes, foi-lhes dito que necessitavam do visto do Ministro de Turim, e isso levaria um mês... Não teriam dinheiro suficiente para permanecer um mês em Gênova e então decidiram ir a Roma. “Eis aqui - diz Pe. Valle - a manifestação da Divina Providência: vamos a Roma e de lá, se os céus quiserem, partiremos para a Terra Santa!”
A viagem durou de 9 a 23 de julho, em carroça, carreta, a pé, entre fome, sede e o sol quente do verão europeu. Uma verdadeira aventura, sobretudo para uma deficiente. Ao longo da viagem, visitavam cidades, igrejas, santuários e outros lugares santos, como Cássia (Santa Rita).
Ao chegar a Roma, Pe. Valle conseguiu logo ser capelão do Hospital de Santo Espírito. E Elisabetta? Pe. Valle conseguiu para ela um quartinho, no último piso de um casarão paralelo à fachada da Igreja de Santo Espírito, junto à rua que conduz às colunas da Basílica São Pedro. Além disso, deixou-lhe algum dinheiro e, sempre que podia, visitava-a e levava-lhe algum alimento, até que ela mesma conseguisse arranjar-se sozinha. Diga-se de passagem: Elisabetta era analfabeta e só sabia falar o sardo, dialeto da Sardenha, que ninguém em Roma entendia, a não ser um ou dois confessores do Vaticano.
Em Roma e o encontro com Pallotti
Ao encontrar esse lugar para Elisabetta, Pe. Valle a recomendou a algumas senhoras, que moravam em quartos vizinhos, e dela se fizeram amigas. Ela, por sua vez, com sua maneira edificante de portar-se, atraiu logo a simpatia delas, de tal forma que em seguida a levaram a visitar igrejas, a assistir programações religiosas etc. E, a fim de que ficasse melhor para ela, indicaram-lhe um quartinho de 2,30 de comprimento por 2,00 de largura, no segundo piso, na praça da sacristia da Basílica São Pedro. Ali ela tinha uma cozinha, com forninhos e pia. Uma senhora levou-lhe uma cama de tábuas, um colchão de palha e um cobertor, embora ela continuasse a querer dormir no chão.
Seus dias transcorriam entre visitas a igrejas, muitas missas diárias na Basílica ou em outras igrejas que havia nos arredores, adoração ao Santíssimo Sacramento, novenas, via-sacras, visitas a doentes e a pobres, bem como o cuidado das coisas e das roupas do Pe. Valle, que em pouco tempo teve que deixar a capelania do Hospital do Santo Espírito. Era para ele mãe e irmã: cozinhava, lavava a roupa, confeccionava meias e barretes etc.
Por diversas vezes e por insistência de seus familiares, particularmente de seu irmão Pe. Antônio Luís, com quem mantinha freqüente correspondência, através do Pe. Valle, que por sua vez seguia as instruções do Pe. Loria - o confessor de Elisabetta, em Roma, que entendia o sardo - esteve por retornar à sua família, em Codrongianos, ao menos para ver seus filhos. Infelizmente, ao propor-se, logo adoecia e não tinha condições de viajar. A última tentativa foi quando o Dr. Petrilli, diante da possibilidade de ela empreender tal viagem, obrigou-se a responder em consciência: “Sofrendo há muito tempo de uma molestíssima palpitação, sou de opinião que, empreendendo uma outra viagem semelhante à anterior (da Sardenha a Roma), poderia ir ao encontro de um mal-estar ainda pior”. Tanto ela como seu confessor entenderam como vontade divina que permanecesse em Roma para sempre.
O encontro com Pallotti teria começado provavelmente em 1832, quando, tendo ouvido muito falar dele e de sua santidade, desejou tê-lo como confessor. A primeira confissão aconteceu na igreja das Graças, na festa do Redentor. Este fato marcou a trajetória de 18 anos de orientação espiritual (até a morte de Pallotti) e de amizade entre Sanna e Pallotti. O incrível é que Pallotti não conhecia o sardo (única língua que Elisabetta falava) e no entanto ele a entendia e se fazia entender por ela.
A idéia de voltar a Codrongianos, imaginando que sua família estivesse precisando dela, continuava a perseguí-la, embora soubesse que sua sáude não lhe permitia tal viagem. Certo dia Pallottti lhe disse: “Coragem, filha! A tua família não tem necessidade de ti. Ao contrário, será a maravilha e a inveja de toda a vila”. A profecia se realizou, pois o irmão sacerdote lhe escreveu que estava maravilhado e edificado com sua família, que servia de exemplo a toda a vila e fazia inveja a todos...
Até 1839 Elisabetta se ocupou do Pe. Valle, que depois retornou à Sardenha. Ocupava-se igualmente do Cardeal Soglia, cuidando dele todos os dias e todo o dia. Deixada a Casa Soglia, passou a se ocupar em tudo da instituição dos Sacerdotes da Missão Católica, fundada por Pallotti. Trabalhava para eles e para as Palotinas. Cuidava dos paramentos sagrados da liturgia e das toalhas dos altares. Com Dona Rinaldi, que era como uma irmã para ela, fazia as orações e os exercícios de piedade e, muitas vezes, as refeições. Dona Rinaldi ajudava-a na limpeza do quarto e em sua higiene pessoal. Enquanto isso, Elisabetta “era ao extremo compassiva com os pobres, ajudava-os o quanto podia, dando-lhes quase tudo o que recebia da caridade do povo. Visitava os doentes nos hospitais e especialmente naquele de San Giacomo, instruindo-nos na Doutrina Cristã e motivando-os a receberam os sacramentos. Procurava acabar com as discórdias nas famílias”.
Pallotti havia aberto um orfanato para meninas em Santa Ágata e outro na Ladeira de Santo Onofre, no Gianícolo, além de quatro escolas noturnas para artesãos, e Elisabetta fez seu todo o apostolado do seu Diretor Espiritual (Pallotti), com o qual propunha “reavivar a fé com todos os meios oportunos e reacender a caridade em todo o mundo a fim de que acontecesse, quanto antes, segundo o desejo de Jesus Cristo, um só rebanho com um só Pastor”.
Pe. Rafael Melia atestou dela: “Não existia nela nenhum apego à sua vontade, nenhum interesse próprio. Nunca agia por conta própria ou por sua vontade, mas somente para cumprir a vontade de Deus, que lhe vinha manifestada na obediência” (ao seu Diretor Espiritual). E continua o Pe. Melia: “Conheci-a sempre igual, sempre operosa, sempre tranqüila em Deus. Quando algum membro da Sociedade se mostrava incerto ou temeroso pelo futuro do Instituto, cheia de zelo o animava a ter confiança em Deus e no Fundador”... “Desde que começou a minha Sociedade - diz Pe. Melia - à qual ela pertencia e da qual foi especial promotora, mostrou-se para os seus membros mãe premurosíssima de seu bem espiritual, usando do aconselhamento, da oração e de qualquer meio de caridade cristã, para animá-los a assimilar o verdadeiro espírito e as virtudes do Fundador e a manter-se em paz, união e caridade”... “Considerava - é ainda Melia que fala - a nossa família como sua e, como mãe solícita, desejava que ela tivesse tudo o que fosse necessário. Ela mesma confeccionava nossas meias, providenciava para nós os lençóis, os cobertores e a comida. Dava-nos o dinheiro e quanto recebia da generosidade dos fiéis. Na medida em que Deus lhe dava, entregava tudo para nós. Enquanto era assim tão generosa para conosco, ela vivia na maior penúria”..
Morte e sepultamento
Em 1850, morre Pallotti. Em 1857, morre Elisabetta. Sua morte foi precedida de uma febre muito forte e de uma inflamação no peito, de que sofria freqüentemente e que suportava com “admirável resignação e paciência”.
Era 17 de fevereiro de 1857. Estava presente à sua morte apenas o Vigário Cooperador da Basílica São Pedro. Nenhum de seus amigos e amigas.. A esse respeito diz Pe. Amoroso: “Uma morte na solidão e na mais extrema pobreza.. Mas alguma coisa começou a ressoar por longo tempo”.
Seu corpo ficou exposto por dois dias, sobre tábuas, na entrada do edifício onde estava sua pequena habitação. Durante os dois dias, foi grande a afluência de gente de todas as classes sociais. Muitos diziam: “Morreu Santa Elisabetta!” “Morreu a Santa!”.. Daí seu corpo foi levado para San Salvatore in Onda (a igreja dos Palotinos), onde ainda ficou exposto por dois dias, pois era muita a gente que desejava despedir-se dela, beijar-lhe os pés ou a fronte, ou então tocar com objetos em seu corpo. As testemunhas afirmaram, a respeito do seu corpo: “Nos quatro dias, com estupor de todos, a fisionomia da Serva de Deus ficou inalterada; nenhum sinal de decomposição; nenhum mau cheiro; parecia adormecida e o corpo se conservou flexível...”
Pe. Melia havia solicitado ao Cardeal Vigário a permissão para enterrar Elisabetta na igreja da SAC, junto a Pallotti, o que lhe foi concedido, mediante as seguintes razões: a) Elisabetta esteve 24 anos sob a direção espiritual do Pe. Vicente Pallotti, Fundador da Sociedade, enterrado naquela igreja; b) fez parte da Sociedade, desde sua fundação; c) dedicou seu trabalho à Sociedade durante a vida e também depois da morte do Fundador, até que ela viveu.
Conclusão: há lugar entre os santos para uma deficiente física?
É uma graça poder conhecer a vida desta santa: é um exemplo paradoxal de mulher, de mãe, de viúva, de cristã, de leiga consagrada, de apóstola, de deficiente física e de santa.
Ao concluir esta tentativa de síntese de sua vida, desejo simplesmente traduzir para os leitores uns trechos da “conclusão” do Pe. Amoroso em seu vasto documentário a respeito de Elisabetta Sanna.
“Elisabetta é uma camponesa sarda. Não freqüentou nenhuma escola e não aprendeu nunca a ler. Com três meses a varíola pregou-lhe os braços e carregou por toda a vida esta deficiência, que lhe impedia de levar o alimento à boca com as mãos. A viagem por mar da Ilha a Gênova e aquela, em grande parte a pé, de Gênova a Roma, no verão de 1831, provocaram-lhe, com a artrite, uma série de males, que lhe tornaram precária e penosa a existência e, de 1850 em diante, a prenderam entre o quartinho escuro, onde morava, e a Basílica São Pedro, que distava uns cinqüenta passos de sua habitação. Humildade, pobreza e constante e profunda união com Deus foram as notas distintivas de sua vida”.
“A vida de Elisabetta foi, pois, uma vida de apóstolo. E uma camponesa que se torna apóstolo, uma mãe de família que se ergue como luz de contemplação, uma deficiente que se torna Santa, é certamente um dom precioso de Deus justamente para a nossa sociedade contemporânea, envolta em um paroxismo hedonístico, que destrói a vida e pratica o culto do eu, que desperta ciúmes, vinganças, contrastes, ativismos e guerras.
Em uma sociedade que vê o sofrimento como uma maldição e uma deficiência e como um fato intolerável e procura a libertação através da vingança, da droga, da eutanásia e do suicídio; para uma sociedade na qual a destruição dos não-nascidos se torna um direito, Elisabetta, deficiente e sofredora a vida inteira, que vive para a alegria dos outros, é um raio de luz, que se abre como caminho para o desespero dos deficientes, - hoje sempre mais numerosos -, dos marginalizados, dos idosos e dos doentes não cuidados e abandonados a si mesmos e à sua tristeza. E não será um dom da Misericórdia do Pai Celeste que suba aos Altares esta deficiente física, mãe de família, distante dos filhos, exatamente neste tempo em que se arranca um filho de sua fonte de vida com a irresponsabilidade com que se arranca um fruto da árvore onde desabrocha, se cortam inumeráveis vidas humanas como se corta o feno, se mata por dinheiro, vingança, capricho, e o número dos deficientes, por guerras inescrupulosas e acidentes cotidianas multiplica-se?”
“Para todos os sofredores Elisabetta é um farol. Aquilo que pareceu uma condenação, uma frágil corrente, com esta camponesa pode tornar-se instrumento de ressurreição, uma escada para o céu, através de uma privilegiada participação na redenção oferecida por Jesus Cristo, Filho de Deus, Redentor do Mundo, exatamente através de sua adorável Paixão”.
Pe. Casimiro Facco