Mostrando postagens com marcador Roma. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Roma. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

"Que a santidade de Deus brilhe" (cf. Mateus 5,16)

Nos dias 19, 20 e 21 de janeiro celebrou-se o Tríduo em preparação da Festa de São Vicente Pallotti  aqui em Roma. Este ano, com uma intenção mais forte, pois com esse Tríduo foi dado início as comemorações pelos 50 anos da canonização de São Vicente Pallotti, ocorrido no dia 20 de janeiro de 1963.
Estamos vivendo um ano jubilar na família palotina, ano de graça, onde somos convidados pelo lema : "Que a santidade de Deus brilhe" a testemunha através do nosso carisma palotino a santidade de Deus no mundo. Como dizia o Papa Paulo VI, "Hoje o mundo não precisa de mestres, mas sim de testemunhas". E com esta exortação somos impulsionados a celebrar este ano jubilar em nossas comunidade palotinas com um fé viva.

Procurarei testemunhar em poucas linhas aquilo que pude viver nesses dias. No dia 19 de janeiro iniciamos o Tríduo na Paróquia, a qual pertence a nossa comunidade, "San Carlo ai Catinari" , onde Pe. Lodi, Províncial da Província Italiana "Rainha dos Apóstolos", desenvolveu o tema na sua homilia "São Vicente no coração da Igreja de Roma". No segundo dia do Tríduo, contamos com a presença de Dom Júlio Akamine SAC, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, e meditou o tema: "São Vicente e o Batismo". No terceiro dia foi desenvolvido o tema: "São Vicente e o crescimento na vida cristã", e contou com a presença do Pe. Derry Muphy SAC, Presidente Internacional da UAC. Nessas celebrações, bem preparadas e com uma boa participação, contaram também com testemunhos de membros da UAC.
No dia 22 de janeiro, o dia de São Vicente Pallotti, as festividades contaram com a transmissão do Terço mariano e das Vésperas para toda a Itália pela Rádio Maria. Em seguida, o Superior Geral da Sociedade do Apostolado Católico (Padres e Irmãos Palotinos), Pe. Jacob Nampudakam SAC, presidiu a Santa Missa concelebrada por dezenas de padres palotinos e amantes da sua espiritualidade. Logo após a Santa Missa todos foram convidados para um Ágape no Hotel Ponte Sisto que fica ao lado da Igreja de São Salvatore in Onda para uma confraternização no estilo palotino.
Assim, demos inícios as celebrações deste ano jubilar, para mim está sendo uma oportunidade de renovar a minha vocação e poder "beber das fontes do nosso carisma", para corresponder ao convite que o lema deste ano jubilar nos propõem: "Que a santidade de Deus brilhe!"  E aproveitando a oportunidade vale a pena ressaltar que quem visitar a Igreja São Salvatore in Onda, aqui em Roma, onde está a tumba de Pallotti, poderá adquirir indulgência plena.
Pe. Francisco Marques SAC

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Conclusão do Ano Letivo 2010-2011

O ano acadêmico do Colégio Internacional "Rainha dos Apóstolos" terminou no dia 15 de junho de 2011 com uma Eucaristia em Ação de Graças celebrada na Igreja da SS. Salvatore in Onda e presidida pelo Pe. François Harelimana, Conselheiro Geral e orientador os estudantes. Em torno do altar do nosso fundador, junto como Pe. François, estava o Reitor Geral Pe. Jacob Nampudakam, Reitor da Casa Pe. Gilberto Orsolin e cinco co-irmãos que este ano completaram sua formação em Roma: Pe. Jean Bertrand Etoundi (CN - Camarões), Pe. Daniel Rocchetti (RJ - Brasil), Pe. Vinko Sudar (CJ.HR - Croácia), Pe. Roman Almir Divieso (SP - Brasil), Pe. Thomas Kureekattil (NA - Índia). A missa não foi apenas em agradecimento a Deus pelo ano letivo que acaba de terminar, mas por todo tempo dos estudos em Roma.
O Reitor Geral deu-lhes em gesto simbólico uma pedra da calçada da Via Giulia que é considerada a rua mais longa e reta da antiga Roma. Pe. Jacob desejava que eles olhando para essa pedra aceitem os futuros trabalhos com o mesmo entusiasmo que teve São Vicente Pallotti que por varias vezes percorria esse caminho.
O Jantar no terraço da Casa Geral, com uma admirável vista para Roma e cardápio de arroz indiano e pizza em uma vivencia fraterna e alegre concluiu a noite.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Belém - Novembro de 2010, nº 55

Curso anual de formadores – testemunhos 

A primeira experiência vivenciada pelos participantes do curso anual para formadores(as) aconteceu em Perugia, onde permanecemos durante três meses para estudos da língua italiana. Éramos treze Palotinos de diversos países: quatro indianos, três brasileiros, dois ruandeses, um polonês, um tanzaniano, um congolês e Camaronês. Partimos da nossa Casa Geral em Roma, dia 04 de julho de 2010 e permanecemos em Perugia, na Casa São Felipe Neri. Alguns tinham seus quartos individuais e outros ficaram em duplas. 
O primeiro e maior desafio era a comunicação entre nós, pois falávamos línguas diferentes. A partir do dia 05 de julho, iniciamos, na Universidade para Estrangeiros, o nosso curso de italiano e, aos poucos, começamos a nos comunicar. A linguagem comum tem ajudado o grupo a ter uma maior coesão. Retornamos para Roma, no dia 01 de outubro, animados para enfrentar o Curso Anual de formação para formadores e formadoras palotinos.

Primeiro seminário sobre comunicação e vida fraterna
O primeiro curso ocorrido na Via Ferrari foi um Seminário sobre dinâmicas de grupo e sobre animação e vida fraterna, entre os dias 06 e 09 de outubro, ministrado pelo Pe. Romualdo Uzabumwana, SAC. Foram quatro dias de intenso estudo, sendo apresentado de maneira prática e concreta, os aspectos psicopedagógicos do processo vocacional, da dinâmica de grupo, da vida comunitária e da pertença à comunidade. O Seminário ajudou-nos a abrir nossos horizontes sobre a importância fundamental da mediação formativa, sobre a influência da vida comunitária e sobre o desenvolvimento do chamado feito por Deus. O curso ajudou-nos a perceber quão grande é o desafio que devemos enfrentar na missão formativa, especialmente o de nos deixarmos consumir por amor àqueles que Deus escolheu para seu serviço. Na verdade, nossa missão consiste em ser um instrumento de mediação entre o Senhor que chama e o ser humano que responde, ou quer responder ao seu chamado.

Retiro Espiritual, seguindo os passos de São Vicente Pallotti
Nós, Irmãs da Congregação do Apostolado Católico – Palotinas – tivemos a alegria de compartilhar a experiência "seguindo os passos de Pallotti", realizada com todo o grupo de formadores. Este caminho foi iniciado com uma Celebração Eucarística na Igreja de San Salvatore in Onda, presidida pelo Pe. Stanislaw Stawicki SAC, que nos desafiou a fazer uma primeira experiência real de oração: “Caminhar já é oração”. No percurso, ele comprometeu-se a ilustrar o compromisso apostólico e missionário de nosso santo fundador na cidade de Roma, revelando seu coração aberto a Deus e ao próximo. O caminho percorrido era uma luz em nosso caminho de mulheres consagradas, e despertou em nós, o desejo de aprofundar ainda mais a figura Pallotti, seu trabalho, seu carisma, sua espiritualidade e missão, que nos deixou como herança. Para nós, essa experiência foi uma grande oportunidade para “reavivarmos a fé e reacendermos o nosso amor”, e assim respondermos com mais fidelidade aos desafios de hoje, vividos pela nossa Igreja. Por isso, agradecemos a Deus por pertencermos à família Palotina.

Cursos e Aulas
Temos a alegria de contar com a presença de dezoito participantes do curso anual para os formadores e formadoras palotinos, onze sacerdotes e sete irmãs da Congregação do Apostolado Católico. As aulas são realizadas em Roma, no Centro “Cenáculo”, Via Giuseppe Ferrari, no “Claretianum" e na Pontifícia Universidade Urbaniana. O curso sobre o carisma e a espiritualidade palotina, que inclui a vida e a atividade de São Vicente Pallotti, é ministrada pelo Pe. Jan Kupka, Diretor do Instituto Histórico S. Vicente Pallotti; a história da fundação palotina, desde o fundador até os dias atuais, é ministrada pelo Pe. Franco Todisco, pela irmã Lilia Capretti e pela Ir. Isabella Swierad; a origem, desenvolvimento e o Estatuto do UAC é apresento pelo Pe.  Derry Murphy e Ir. Stella Marotta e outros membros da União Italiana; as etapas formativas, a figura e o papel do formador palotino segundo São Vicente, com alguns textos da fundação, são aprofundados pelo Pe.  Stanislaw Stawicki; a psicopedagogia da personalidade e a antropologia palotina são elaboradas e apresentadas pela Ir. Ignes Burin e por Pe. Jacob Nampudakam, atual Reitor Geral da Sociedade do Apostolado Católico.
O grupo também participa, todas as segundas-feiras, do "Curso Anual do Instituto de Teologia da Vida Consagrada Claretianum, para uma formação atualizada, global, e todas as quartas-feiras, aulas práticas de Teologia e de Direito para a Vida Consagrada, proposta pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, especialmente recomendada para aqueles que têm a responsabilidade de governo e formação nos próprios Institutos.
Para concluir, podemos dizer que, participar deste curso, na cidade de Roma, onde São Vicente Pallotti viveu, recebeu o dom de fundar a obra apostólica e de poder desenvolver o carisma da União do Apostolado Católico, é para nós formadores e formadoras palotinos uma experiência única.
Por isso, contamos com as orações de todos, para que sejamos capazes de corresponder com esta maravilhosa oportunidade de estarmos aqui nos preparando para melhor servir a Igreja com o carisma apostólico.

Palotinas e Palotinos do curso anual para formadores(as) – 2010/2011.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Presépio de são Vicente Pallotti na Praça de São Pedro

Na praça de São Pedro começou a construção do presépio. Trabalhadores do Governatorato da Cidade do Vaticano começaram a instalar a plataforma sobre a qual, como todos os anos, é construida uma gigante manjedoura de Belém.
O costume de fixar ao lado do obelisco o presépio com uma grande árvore de natal foi introduzido em 1982 com o desejo do Papa João Paulo II. Inicialmente esta iniciativa foi adotada com pouco entusiasmo, com o tempo ela se tornou uma grande atração para os moradores de Roma e turistas. As Imagens do presépio usadas  são as mesmas que foram feitas no século XIX. São Vicente Pallotti usava estas imagens para a celebração do Oitavário de Epifania. A árvore de natal, a cada ano, vem de um lugar do mundo. Primeiro, em 1982, veio das florestas perto de Roma, em 1997 da Polônia e ano passado da Bélgica.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Escola Anual para Formadores e Formadoras Palotinos

Iniciamos, em outubro de 2010, na via Giuseppe Ferrari, em Roma, o curso anual para formadores e formadoras palotinos. Somos um grupo de onze Palotinos e seis palotinas, provenientes do Brasil, da índia, da África e da Colômbia. Para nosso primeiro Curso sobre a Dinâmica de Grupo, comunicação e Vida fraterna, contamos com a presença do Pe. Romualdo Uzabumwana, SAC, que entre os dias 6-9 orientou-nos com profundidade e riqueza de exemplos os aspectos psicopedagógicos do caminho vocacional, as dinâmicas de Grupo e da Vida Comunitária e a Pertença à Comunidade. Este conteúdo ajudou-nos a aumentar nossa percepção para a importância fundamental da mediação formativa no processo vocacional e a influência da comunidade na vida e no desenvolvimento do chamado de Deus. Percebemos quão grande é o desafio no campo formativo, especialmente em deixar-nos consumir por amor aos que Deus escolheu, a sermos instrumentos de mediação entre o Senhor que chama e o ser humano que responde ao Chamado. Contamos também com a presença da Ir. Ignes Burin, Vigária Geral das Irmãs Palotinas Romanas.

No dia 12, iniciamos, na Pontifia Universtità Lateranense “Claretianum” – Istituto di Teologia della Vita Consacrata, o curso com o Pe. J.M. Alday: Formador: identidade e missão. Esperamos confiantes que as orientações do Pe. Alday nos ajude a corresponder mais eficazmente à missão que nos foi confiada.

Pe. Elmar Neri Rubira, SAC

Roma - outubro de 2010.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Pallottine Youth Forum - Rome 2010

Foi com imensa alegria que recebemos o convite para podermos participar no encontro de jovens pallottinos, aceitámos e fomos de encontro ao desafio. Chegámos de coraçao aberto, com vontade de aprender mais sobre a vida e obra de S. Vicente Pallotti. E... encontrámos no mesmo espaço jovens de vários países e culturas diferentes, mas o mesmo sentimento a unir-nos, o amor de Jesus Cristo. Desde o primeiro momento, invadiu-nos um turbilhão de sentimentos, a maior parte deles, senão todos, impossíveis de explicar. Ainda assim, podemos dizer que o cansaço é muito, as pernas começam a fraquejar, mas a vontade de aprender e sentir tudo, sem falhar nada e sem querer perder um único momento deste encontro, é grande. E é isto que torna tudo muito mais fácil e o que poderia ser difícil torna-se engraçado, porquê? Porque temos sempre alguém que nos dá um sorriso, que nos anima, que nos dá a mão... este é o sinal do amor e da caridade de Pallotti.
Este encontro ainda não terminou, mas podemos dizer que saberá sempre a pouco, a aura de espiritualidade que encontramos em cada pessoa faz-nos pensar que o mundo é muito maior do que julgamos e que o amor pode chegar através de muitas e diferentes formas...

Deus em tudo e sempre...

Um abraço especial e apertado para Odivelas, Portugal!
Dina, Gonçalo e Vera
http://www.pyf2010.blogspot.com/

sábado, 17 de julho de 2010

Encontro dos párocos Palotinos

Pela terceira vez no Centro de Formação “Cenáculo” em Roma aconteceu o “Encontro dos párocos Palotinos”. Quinze párocos representaram os Palotinos que trabalham na Índia (1), Brasil (4), Polônia (2), Ucrânia (1), Estados Unidos (2), Eslováquia (1), Alemanha (1), Áustria (1), Venezuela (1) e Camarões (1). Essa lista representa só alguns países onde nossos irmãos Palotinos prestam serviço de evangelizar. O Encontro foi conduzido pelo Pe. Zenon Hanas SAC e Pe. Piotr Banach SAC membros do Secretariado Geral para o Apostolado e acompanhado pelo Pe. Stanislaw Stawicki SAC.
Durante o encontro os párocos compartilharam a experiência pastoral de seu contexto cultural, procurando elementos comuns que caracterizam o trabalho da paróquia "estilo Palotino”, essas experiências práticas foram comparadas com a visão da Igreja em obras de São Vicente Pallotti. Em várias apresentações houve alguns elementos em comum: a abertura e hospitalidade em todas as paróquias, a sensibilidade aos sinais e necessidades dos tempos, criatividade na procura de novas iniciativas de pastoral em colaboração com todos os membros da Igreja e a participação de toda a vida da paróquia. Estas características estão presentes em ambas as reflexões dos participantes sobre a prática do ministério paroquial e em discursos dos peritos da espiritualidade Palotina. Os padres também participaram da audiência com o Papa Bento XVI, visitaram os lugares palotinos de Roma como Pia Casa de Caridade, a Igreja da SS. Salvatore em Onda, a Igreja do Espírito Santo dos Napolitanos e da Congregação para a Evangelização dos Povos.
Todos os participantes, que trabalham principalmente em igrejas locais, têm enfatizado a atmosfera fraterna, da universalidade e da internacionalidade do mundo da família Palotina. As diferentes linguagens utilizadas - Inglês, Polonês e Português - se por um lado, um grande desafio, mas por outro lado, um enriquecimento para todos. Todos notaram a utilidade e riqueza de tais reuniões, e espera que continue.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Encerramento do Ano Sacerdotal

Por Pe. Daniel Luz Rocchetti SAC

Há uma semana a cidade de Roma vivenciou alguns dias especiais: cerca de 15 mil sacerdotes provenientes de diversos países se reuniram para celebrar o encerramento do ano dedicado à vocação sacerdotal.


Diversos padres palotinos também se juntaram à este enorme grupo: representantes das Províncias da Índia, Estados Unidos, Alemanha, Brasil e outros das Regiões de Camarões, África do Sul e, no nosso caso, Rio de Janeiro. Sim, digo “nosso” por que estando eu aqui e vindo o Pe. José Rodrigues Filho, juntos tivemos a chance de viver aqueles dias e representar a Região Mãe da Misericórdia – RJ.

O programa do evento previa três dias: 9, 10 e 11 de junho, dia do Sagrado Coração de Jesus. Nos dois primeiros dias, às nova da manhã tivemos duas palestras proferidas por dois cardeais e depois, a adoração ao Santíssimo Sacramento, com a possibilidade de confissão sacramental. A primeira palestra foi sobre o tema “Conversão e Missão” e a segunda, sobre o “Cenáculo e a companhia de Maria”. Foram temas espirituais que ‘revisitaram’ a identidade sacerdotal.

Porém, foram especiais outros dois eventos:

* na noite de quinta-feira tivemos uma Vigilia com o Santo Padre, na Praça São Pedro. Esta começou com diversos testemunhos (famílias, sacerdotes, religiosos – inclusive sobre a Maternidade Espiritual, tema muito caro ao Papa, que convida as pessoas, todas as pessoas, a assumirem ‘espiritualmente’ um ‘filho’ sacerdote, oferecendo orações e sacrifícios ao Bom Deus e amizade para com estes homens consagrados), continuou com algumas palavras do Santo Padre e terminou com a Adoração ao Santíssimo e a Benção.

* no dia seguinte, às dez horas da manhã, os 15 mil padres celebraram junto ao Santo Padre, a Santa Missa. Sob sol escaldante, a presença eucarística de Jesus ‘recentrou-nos’, isto é, reencontramos o centro de nossas vidas, a Eucaristia, que sendo mistério sacramental celebrado, nos leva a ter uma vida de entrega e serviço qual aquela de Nosso Senhor: a Eucaristia é adoração e é força para o serviço.

Desde aquele dia, aos sacerdotes foi entre a imagem do Sagrado Coração de Jesus como modelo de apostolado: tais homens são chamados a ser o “amor do coração de Jesus”, como dizia o Santo Cura d´Ars, São João Maria Vianney.

Enfim, repasso a bela oração que o Santo Padre fez à Virgem Maria, em favor dos sacerdotes ... ele, também um presbítero! Confesso que, se você que está lendo este artigo se sentir chamado no coração a ser “mãe” ou “pai” espiritual de um sacerdote, você possa rezar esta oração todos os dias na intenção deste homem consagrado. O que acha?

“Mãe Imaculada, neste lugar de graça,convocados pelo amor do vosso Filho Jesus,Sumo e Eterno Sacerdote, nós, filhos no Filho e seus sacerdotes,consagramo-nos ao vosso Coração materno,para cumprirmos fielmente a Vontade do Pai.

Estamos cientes de que, sem Jesus,nada de bom podemos fazer (cf. Jo 15, 5)e de que, só por Ele, com Ele e n’Ele,seremos para o mundo instrumentos de salvação.

Esposa do Espírito Santo,alcançai-nos o dom inestimável da transformação em Cristo.Com a mesma força do Espírito que,estendendo sobre Vós a sua sombra,Vos tornou Mãe do Salvador, ajudai-nos para que Cristo, vosso Filho, nasça em nós também. E assim possa a Igreja ser renovada por santos sacerdotes, transfigurados pela graça d’Aquele que faz novas todas as coisas. Mãe de Misericórdia, foi o vosso Filho Jesus que nos chamou para nos tornarmos como Ele: luz do mundo e sal da terra (cf. Mt 5, 13-14).

Ajudai-nos, com a vossa poderosa intercessão,a não esmorecer nesta sublime vocação,nem ceder aos nossos egoísmos, às lisonjas do mundo e às sugestões do Maligno. Preservai-nos com a vossa pureza, resguardai-nos com a vossa humildade e envolvei-nos com o vosso amor materno, que se reflete em tantas almas que Vos são consagradas e se tornaram para nós verdadeiras mães espirituais.

Mãe da Igreja, nós, sacerdotes, queremos ser pastores que não se apascentam a si mesmos,mas se oferecem a Deus pelos irmãos,nisto mesmo encontrando a sua felicidade.Queremos, não só por palavras mas com a própria vida, repetir humildemente, dia após dia, o nosso “eis-me aqui”. Guiados por Vós, queremos ser Apóstolos da Misericórdia Divina, felizes por celebrar cada dia o Santo Sacrifício do Altar e oferecer a quantos no-lo peçam o sacramento da Reconciliação. Advogada e Medianeira da graça,Vós que estais totalmente imersa na única mediação universal de Cristo, solicitai a Deus, para nós, um coração completamente renovado,que ame a Deus com todas as suas força se sirva a humanidade como o fizestes Vós.

Repeti ao Senhor aquela vossa palavra eficaz:“não têm vinho” (Jo 2, 3), para que o Pai e o Filho derramem sobre nós,como que numa nova efusão, o Espírito Santo. Cheio de enlevo e gratidão pela vossa contínua presença no meio de nós, em nome de todos os sacerdotes quero, também eu, exclamar: “Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?” (Lc 1, 43).

Mãe nossa desde sempre, não Vos canseis de nos visitar, consolar, amparar. Vinde em nosso socorro e livrai-nos de todo o perigo que grava sobre nós. Com este ato de entrega e consagração, queremos acolher-Vos de modo mais profundo e radical, para sempre e totalmente, na nossa vida humana e sacerdotal. Que a vossa presença faça reflorescer o deserto das nossas solidões e brilhar o sol sobre as nossas trevas, faça voltar a calma depois da tempestade, para que todo o homem veja a salvação do Senhor, que tem o nome e o rosto de Jesus, refletida nos nossos corações, para sempre unidos ao vosso!

Assim seja!”

Papa Bento XVI

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Um mês pleno de experiências, em Roma!

Já terminamos o mês de outubro, é verdade, mas sempre somos convidados a olhar para trás e rever nossa história, refazer nosso caminho.

Resolvi esperar passar todo o mês de outubro para escrever-lhes. Aqui em Roma, este tempo é muito bem vivido:No primeiro domingo, dia 4 de outubro, com uma Eucaristia celebrada por Pe. Selvarajad, um sacerdote palotino estudante de Teologia Moral, tivemos a oportunidade de recordar a nossa missão na Papua Nova Guiné. Sim, este ano, em nosso Domingo Missionário Palotino nós tivemos a chance de relembrar aquela missão naquele país belo e distante de nós. Estávamos celebrando na Igreja São Salvador em Onda, todas as realidades da UAC, ou seja, os padres, os irmãos, as irmãs missionárias, as irmãs palotinas romanas e vários leigos empenhados.

Já no segundo domingo quem mais fez festa em nossa casa e em Roma foram os brasileiros: era véspera da Solenidade de Nossa Senhora Aparecida! Aqui em Roma, porque muitos trabalham, a procissão e a festa realizada pela comunidade brasileira sempre acontece no domingo precedente. Imaginem umas cem pessoas, com bandeiras verde e amarelo, cantando “Dai-nos a Benção, oh Mãe Querida” pelas ruas do centro histórico de Roma! Mais uma celebração que eu não perdi!

Imaginem o que acontece sempre no terceiro domingo de outubro? Acertou quem disse a Jornada Missionária Mundial. Assim, mais uma vez o tema da missão permeou as celebrações e conversas deste dia.

Depois das férias de verão, que aqui acontecem entre os meses de julho a setembro, em outubro recomeçam as aulas. Por isso, no fim de semana de 24 e 25 de outubro, a comunidade dos padres palotinos estudantes tiveram o Retiro Espiritual, com temas que nos ajudaram a “entrar no ritmo” dos estudos e da vida comunitária. Neste ano somos treze padres de diferentes países que estão estudando diferentes especializações aqui em Roma.

Enfim, para fechar o mês de outubro ainda em festa, no sábado, dia 31, foi celebrada a Santa Missa em ação de graças pela aprovação do Estatuto da UAC. E adivinhem onde celebramos? Errou quem disse na Igreja São Salvador em Onda. Hummm... Estou dando um tempo para pensar... Ok, eu falo: Celebramos juntos, todos da UAC, na Igreja onde tudo começou ha tantos anos; espiritualmente unidos a São Vicente Pallotti, à Rainha dos Apóstolos e à toda a UAC no mundo inteiro, estávamos na Igreja Santo Espírito dos Napolitanos para agradecer ao Bom Deus o dom de nosso carisma.

Bem, caros amigos, este foi um mês especial, como puderam perceber... Diria que são atividades que só conseguiríamos vivenciar se vivêssemos aqui, em Roma.

Confesso que a UAC Brasil e a Região Mãe da Misericórdia estavam comigo, em cada um destes momentos!

Um abraço e minhas orações
Pe. Daniel Luz Rocchetti SAC

terça-feira, 25 de agosto de 2009

ELISABETTA SANNA: DEFICIENTE E CANDIDATA AOS ALTARES


Ao voltar da Europa, após o Congresso dos Superiores Maiores Palotinos, realizado em Carranza, na Espanha, em outubro passado, Pe. João B. Quaini trouxe um exemplar da documentação organizada pelo Pe. Francisco Amoroso SAC em favor da beatificação e canonização da Serva de Deus ELISABETTA SANNA, grande amiga, dirigida espiritual e companheira de Vicente Pallotti na fundação da União do Apostolado Católico. A volumosa obra do Pe. Francesco Amoroso - nada menos que 250 páginas - contém uma vasta e completa documentação em torno desta “candidata aos altares”.

Desde que tomei conhecimento de Elisabetta, nos meus anos de mestre de noviços, em Cascavel, fiquei entusiasmado e interessadíssimo em conhecer mais de sua vida, de sua história e de sua santidade. Por isso, ao chegar até nós esta obra, devorei-a em poucos dias... Pe. João, ao ver meu entusiasmo, pediu que elaborasse um escrito para Informações Palotinas. Aqui está meu escorço.

As características fundamentais de Elisabetta, para começo de conversa, são as seguintes: deficiente dos braços, razão pela qual não conseguia alimentar-se naturalmente, nem lavarar-se o rosto, nem pentear-se, nem assoar o nariz; mãe de sete filhos, dos quais cinco sobreviveram; viúva muito cedo; desejosa de conhecer a Terra Santa, foi parar em Roma (ela era da Ilha de Sardenha), onde conheceu Pallotti e com ele tornou-se “a apóstola de Roma”, a “santa de São Pedro”... Vamos conhecê-la melhor!

Primeiramente, deve-se dizer que o processo de beatificação de Elisabetta Sanna foi iniciado logo após sua morte (1857), pois o povo de Roma a tinha por santa. O processo, porém, não andou muito porque “os adversários da causa” argumentavam que ela teria abandonado a família, na Sardenha, razão pela qual foi engavetado por muitos e muitos anos. Só agora, há quase 140 anos de sua morte, o processo é retomado pelo Pe. Jan Korycki SAC, postulador da causa, e auxiliado pelo Pe. Francisco Amoroso. O processo está andando rápido, graças a Deus!

Nascimento, doença e infância
Elisabetta nasceu, no dia 23 de abril de 1788, em Codrongianos, Província de Sássari, na Ilha de Sardenha. Era filha de Salvatore Sanna e Maria Domenica Lai, ambos agricultores, de viva e profunda fé cristã. Tiveram sete filhos, sendo três mulheres, das quais só sobreviveu Elisabetta, e quatro homens, sendo que o primogênito faleceu e o terceiro tornou-se sacerdote (Pe. Antônio Luís).
Naquela região da Sardenha houve uma grande epidemia de varíola, que atingiu a maior parte das crianças. Elisabetta tinha três meses de idade e foi também atingida. Sobreviveu “graças” a uma cirurgia que lhe retirou os nervos dos braços, deixando-os (os braços) “travados” na altura do peito (como vemos no seu retrato). Podia apenas movimentar os pulsos e os dedos. Daí o testemunho de muitos que a conheceram: sua natural incapacidade de lavar-se o rosto, de pentear-se o cabelo, de assoar o nariz, de fazer o sinal da cruz ou de poder tomar o alimento somente com o auxílio de uma colher ou de um garfo presos a um bastonete, que com muita dificuldade e maestria o fazia chegar à boca.
Elisabetta foi crescendo dentro do clima muito religioso de sua família e de sua paróquia, dirigida por longo tempo por seu tio, Pe. Luís Sanna Soggia. Recebeu a primeira comunhão e acompanhava com muita devoção as cerimônias litúrgicas e as freqüentes visitas de sua mãe à igreja, bem como suas orações, jejuns e vigílias. “Tinha ótimas qualidades de espírito e de coração: terreno em que guardava tudo o que se lhe comunicava; capaz de entender, tinha boa memória para reter as coisas, coração caridoso para comunicar aos outros as coisas que ouvia; uma grande fé na palavra do confessor e uma grande disposição para seguir-lhe os conselhos...”

Com quinze anos já era catequista e costumava reunir suas colegas na igreja paroquial, à tardinha, para a oração do terço ou da via-sacra. Seu próprio irmão, Pe. Antônio Luís, testemunhou mais tarde: “Ouvi de minha mãe que Elisabetta era perfeitamente obediente, que nunca havia dado motivo de lamentação, nem a ela e nem ao pai”. E acrescenta: “Ouvi sempre minha mãe elogiar sua filha na presença dos outros filhos, dizendo: ‘nenhum outro filho saiu tão bom como Elisabetta’.. Apesar de sua deficiência, nunca foi ouvida lamentar-se de uma tão grande miséria. Pelo contrário, falava como se fosse uma misericórdia de Deus”.

O casamento e a família
Aos quinze anos, pensando em seu futuro, Elisabetta desejava seguir a vida religiosa e se imaginava no mosteiro de Santa Elisabetta. Nela era clara a idéia de não casar. Sua mãe, porém, tinha outros planos, pois, segundo ela: a) nenhum convento a aceitaria com aqueles braços deficientes; b) nenhuma cunhada quereria ocupar-se dela, quando sua mãe morresse; c) sozinha, como poderia enfrentar a vida? Portanto, deveria casar!

Por incrível e por mais estranho que pareça, Elisabetta recebeu três propostas de casamento. Embora não pensasse em casar, como dissemos, mas por obediência e insistência de sua mãe (às vezes até violenta, conforme as testemunhas) e de seu confessor, aceitou o casamento como disposição divina. De fato, aos 13 de outubro de 1807, com 19 anos, Elisabetta casou com Antônio Porcu “para condescender aos conselhos da mãe e do confessor, ao qual era muito obediente, pois via nele a manifestação da vontade de Deus”.

A respeito de Antônio Porcu, Pe. Antônio Luís, irmão de Elisabetta, atestou: “ era um boníssimo cristão, industrioso e bom pai de família. Tinha quase seis anos a mais de Elisabetta. Era de lindas feições, sadio e robusto”. A própria Elisabetta teria dito, após a morte dele: ”Eu não era digna de tal marido. Tão bom que era!”

Tiveram sete filhos, dos quais cinco sobreviveram. Viviam em perfeita harmonia, de tal forma que serviam de modelo e de bom exemplo “nel paese”. Elisabetta, apesar de sua deficiência, conseguia fazer tudo em casa, inclusive o pão. Sua casa estava sempre limpa e ordenada. O próprio marido, quando seus companheiros caçoavam dele, dizia: “Minha mulher não é como as vossas. Elisabetta tem todas as características de uma mulher santa...” Apesar da impossibilidade de carregar os filhos ao colo ou de abraçá-los, conseguiu criá-los com muito carinho.

Com apenas 18 anos de casados, em 1825, faleceu-lhe o marido, de um mal repentino e grave. Deixou para Elisabetta o cuidado dos cinco filhos, que tinham entre 17 e 3 anos de idade. Ela não perdeu o ânimo. Pelo contrário, acreditava entender o plano de Deus: agora, depois da riquíssima experiência da vida conjugal, abriam-se-lhe as portas da tão sonhada consagração religiosa, pelo “voto de castidade perpétua”, que de fato se concretizou, em 1829, diante de seu confessor, Pe. José Valle, recém-chegado a Codrongianos. (Daí por diante este padre passou a ter um papel determinante na vida de Elisabetta).

Seu irmão, Pe. Antônio Luís, foi quem passou a ajudá-la no cuidado dos filhos e a responsabilizar-se por sua educação e por seu futuro.

A viagem à Terra Santa e sua ida a Roma
Na Quaresma de 1829, esteve em Codrongianos Frei Luís Paulo de Ploaghe, um franciscano que conhecia a Terra Santa. Em diversas pregações falou sobre os Santos Lugares e Elisabetta ficou de tal forma impressionada que decidiu conhecer os “lugares banhados pelo sangue do Redentor”. Nos primeiros meses de 1830, dirigiu-se ao seu confessor, Pe. José Valle, e lhe expressou o desejo ardente de ir à Terra Santa. Este mostrou-lhe os perigos e os imprevistos de uma viagem tão longa e lhe mostrou a inconveniência de deixar os filhos sem mãe. Ela o escutou e lhe obedeceu, mas, em julho do mesmo ano, voltou a fazer o mesmo pedido ao Pe. Valle que, por fim, decidiu deixá-la ir e se ofereceu para acompanhá-la.
O argumento, que mais tarde Pe. Valle aduziu em favor da partida de Elisabetta à Terra Santa, foi o seguinte: sua ida à Terra Santa não só não era um prejuízo para a família, mas, pelo contrário, um bem, pois aquela família, passando aos cuidados de seu irmão Pe. Antônio Luís, teria um futuro melhor... Para Elisabetta, na verdade, tornara-se quase uma obsessão ir à Terra Santa, pois sua vida estava por demais voltada às coisas de Deus e ao permanente desejo de consagrar-se totalmente a Ele, desde sua infância. Era a voz de Deus a falar-lhe bem alto. Agora decidiu seguí-la.
Aos 24 de junho de 1831, juntamente com seu confessor, Pe. José Valle, Elisabetta partia em direção à Terra Santa. No dia 29 desembarcaram no porto de Gênova, à espera de um outro barco que os levaria naquela direção. Logo apareceu um que iria até Chipre. Ao apresentar seus passaportes, foi-lhes dito que necessitavam do visto do Ministro de Turim, e isso levaria um mês... Não teriam dinheiro suficiente para permanecer um mês em Gênova e então decidiram ir a Roma. “Eis aqui - diz Pe. Valle - a manifestação da Divina Providência: vamos a Roma e de lá, se os céus quiserem, partiremos para a Terra Santa!”
A viagem durou de 9 a 23 de julho, em carroça, carreta, a pé, entre fome, sede e o sol quente do verão europeu. Uma verdadeira aventura, sobretudo para uma deficiente. Ao longo da viagem, visitavam cidades, igrejas, santuários e outros lugares santos, como Cássia (Santa Rita).
Ao chegar a Roma, Pe. Valle conseguiu logo ser capelão do Hospital de Santo Espírito. E Elisabetta? Pe. Valle conseguiu para ela um quartinho, no último piso de um casarão paralelo à fachada da Igreja de Santo Espírito, junto à rua que conduz às colunas da Basílica São Pedro. Além disso, deixou-lhe algum dinheiro e, sempre que podia, visitava-a e levava-lhe algum alimento, até que ela mesma conseguisse arranjar-se sozinha. Diga-se de passagem: Elisabetta era analfabeta e só sabia falar o sardo, dialeto da Sardenha, que ninguém em Roma entendia, a não ser um ou dois confessores do Vaticano.
Em Roma e o encontro com Pallotti
Ao encontrar esse lugar para Elisabetta, Pe. Valle a recomendou a algumas senhoras, que moravam em quartos vizinhos, e dela se fizeram amigas. Ela, por sua vez, com sua maneira edificante de portar-se, atraiu logo a simpatia delas, de tal forma que em seguida a levaram a visitar igrejas, a assistir programações religiosas etc. E, a fim de que ficasse melhor para ela, indicaram-lhe um quartinho de 2,30 de comprimento por 2,00 de largura, no segundo piso, na praça da sacristia da Basílica São Pedro. Ali ela tinha uma cozinha, com forninhos e pia. Uma senhora levou-lhe uma cama de tábuas, um colchão de palha e um cobertor, embora ela continuasse a querer dormir no chão.
Seus dias transcorriam entre visitas a igrejas, muitas missas diárias na Basílica ou em outras igrejas que havia nos arredores, adoração ao Santíssimo Sacramento, novenas, via-sacras, visitas a doentes e a pobres, bem como o cuidado das coisas e das roupas do Pe. Valle, que em pouco tempo teve que deixar a capelania do Hospital do Santo Espírito. Era para ele mãe e irmã: cozinhava, lavava a roupa, confeccionava meias e barretes etc.
Por diversas vezes e por insistência de seus familiares, particularmente de seu irmão Pe. Antônio Luís, com quem mantinha freqüente correspondência, através do Pe. Valle, que por sua vez seguia as instruções do Pe. Loria - o confessor de Elisabetta, em Roma, que entendia o sardo - esteve por retornar à sua família, em Codrongianos, ao menos para ver seus filhos. Infelizmente, ao propor-se, logo adoecia e não tinha condições de viajar. A última tentativa foi quando o Dr. Petrilli, diante da possibilidade de ela empreender tal viagem, obrigou-se a responder em consciência: “Sofrendo há muito tempo de uma molestíssima palpitação, sou de opinião que, empreendendo uma outra viagem semelhante à anterior (da Sardenha a Roma), poderia ir ao encontro de um mal-estar ainda pior”. Tanto ela como seu confessor entenderam como vontade divina que permanecesse em Roma para sempre.
O encontro com Pallotti teria começado provavelmente em 1832, quando, tendo ouvido muito falar dele e de sua santidade, desejou tê-lo como confessor. A primeira confissão aconteceu na igreja das Graças, na festa do Redentor. Este fato marcou a trajetória de 18 anos de orientação espiritual (até a morte de Pallotti) e de amizade entre Sanna e Pallotti. O incrível é que Pallotti não conhecia o sardo (única língua que Elisabetta falava) e no entanto ele a entendia e se fazia entender por ela.
A idéia de voltar a Codrongianos, imaginando que sua família estivesse precisando dela, continuava a perseguí-la, embora soubesse que sua sáude não lhe permitia tal viagem. Certo dia Pallottti lhe disse: “Coragem, filha! A tua família não tem necessidade de ti. Ao contrário, será a maravilha e a inveja de toda a vila”. A profecia se realizou, pois o irmão sacerdote lhe escreveu que estava maravilhado e edificado com sua família, que servia de exemplo a toda a vila e fazia inveja a todos...
Até 1839 Elisabetta se ocupou do Pe. Valle, que depois retornou à Sardenha. Ocupava-se igualmente do Cardeal Soglia, cuidando dele todos os dias e todo o dia. Deixada a Casa Soglia, passou a se ocupar em tudo da instituição dos Sacerdotes da Missão Católica, fundada por Pallotti. Trabalhava para eles e para as Palotinas. Cuidava dos paramentos sagrados da liturgia e das toalhas dos altares. Com Dona Rinaldi, que era como uma irmã para ela, fazia as orações e os exercícios de piedade e, muitas vezes, as refeições. Dona Rinaldi ajudava-a na limpeza do quarto e em sua higiene pessoal. Enquanto isso, Elisabetta “era ao extremo compassiva com os pobres, ajudava-os o quanto podia, dando-lhes quase tudo o que recebia da caridade do povo. Visitava os doentes nos hospitais e especialmente naquele de San Giacomo, instruindo-nos na Doutrina Cristã e motivando-os a receberam os sacramentos. Procurava acabar com as discórdias nas famílias”.
Pallotti havia aberto um orfanato para meninas em Santa Ágata e outro na Ladeira de Santo Onofre, no Gianícolo, além de quatro escolas noturnas para artesãos, e Elisabetta fez seu todo o apostolado do seu Diretor Espiritual (Pallotti), com o qual propunha “reavivar a fé com todos os meios oportunos e reacender a caridade em todo o mundo a fim de que acontecesse, quanto antes, segundo o desejo de Jesus Cristo, um só rebanho com um só Pastor”.
Pe. Rafael Melia atestou dela: “Não existia nela nenhum apego à sua vontade, nenhum interesse próprio. Nunca agia por conta própria ou por sua vontade, mas somente para cumprir a vontade de Deus, que lhe vinha manifestada na obediência” (ao seu Diretor Espiritual). E continua o Pe. Melia: “Conheci-a sempre igual, sempre operosa, sempre tranqüila em Deus. Quando algum membro da Sociedade se mostrava incerto ou temeroso pelo futuro do Instituto, cheia de zelo o animava a ter confiança em Deus e no Fundador”... “Desde que começou a minha Sociedade - diz Pe. Melia - à qual ela pertencia e da qual foi especial promotora, mostrou-se para os seus membros mãe premurosíssima de seu bem espiritual, usando do aconselhamento, da oração e de qualquer meio de caridade cristã, para animá-los a assimilar o verdadeiro espírito e as virtudes do Fundador e a manter-se em paz, união e caridade”... “Considerava - é ainda Melia que fala - a nossa família como sua e, como mãe solícita, desejava que ela tivesse tudo o que fosse necessário. Ela mesma confeccionava nossas meias, providenciava para nós os lençóis, os cobertores e a comida. Dava-nos o dinheiro e quanto recebia da generosidade dos fiéis. Na medida em que Deus lhe dava, entregava tudo para nós. Enquanto era assim tão generosa para conosco, ela vivia na maior penúria”..
Morte e sepultamento
Em 1850, morre Pallotti. Em 1857, morre Elisabetta. Sua morte foi precedida de uma febre muito forte e de uma inflamação no peito, de que sofria freqüentemente e que suportava com “admirável resignação e paciência”.
Era 17 de fevereiro de 1857. Estava presente à sua morte apenas o Vigário Cooperador da Basílica São Pedro. Nenhum de seus amigos e amigas.. A esse respeito diz Pe. Amoroso: “Uma morte na solidão e na mais extrema pobreza.. Mas alguma coisa começou a ressoar por longo tempo”.
Seu corpo ficou exposto por dois dias, sobre tábuas, na entrada do edifício onde estava sua pequena habitação. Durante os dois dias, foi grande a afluência de gente de todas as classes sociais. Muitos diziam: “Morreu Santa Elisabetta!” “Morreu a Santa!”.. Daí seu corpo foi levado para San Salvatore in Onda (a igreja dos Palotinos), onde ainda ficou exposto por dois dias, pois era muita a gente que desejava despedir-se dela, beijar-lhe os pés ou a fronte, ou então tocar com objetos em seu corpo. As testemunhas afirmaram, a respeito do seu corpo: “Nos quatro dias, com estupor de todos, a fisionomia da Serva de Deus ficou inalterada; nenhum sinal de decomposição; nenhum mau cheiro; parecia adormecida e o corpo se conservou flexível...”
Pe. Melia havia solicitado ao Cardeal Vigário a permissão para enterrar Elisabetta na igreja da SAC, junto a Pallotti, o que lhe foi concedido, mediante as seguintes razões: a) Elisabetta esteve 24 anos sob a direção espiritual do Pe. Vicente Pallotti, Fundador da Sociedade, enterrado naquela igreja; b) fez parte da Sociedade, desde sua fundação; c) dedicou seu trabalho à Sociedade durante a vida e também depois da morte do Fundador, até que ela viveu.
Conclusão: há lugar entre os santos para uma deficiente física?
É uma graça poder conhecer a vida desta santa: é um exemplo paradoxal de mulher, de mãe, de viúva, de cristã, de leiga consagrada, de apóstola, de deficiente física e de santa.
Ao concluir esta tentativa de síntese de sua vida, desejo simplesmente traduzir para os leitores uns trechos da “conclusão” do Pe. Amoroso em seu vasto documentário a respeito de Elisabetta Sanna.
“Elisabetta é uma camponesa sarda. Não freqüentou nenhuma escola e não aprendeu nunca a ler. Com três meses a varíola pregou-lhe os braços e carregou por toda a vida esta deficiência, que lhe impedia de levar o alimento à boca com as mãos. A viagem por mar da Ilha a Gênova e aquela, em grande parte a pé, de Gênova a Roma, no verão de 1831, provocaram-lhe, com a artrite, uma série de males, que lhe tornaram precária e penosa a existência e, de 1850 em diante, a prenderam entre o quartinho escuro, onde morava, e a Basílica São Pedro, que distava uns cinqüenta passos de sua habitação. Humildade, pobreza e constante e profunda união com Deus foram as notas distintivas de sua vida”.
“A vida de Elisabetta foi, pois, uma vida de apóstolo. E uma camponesa que se torna apóstolo, uma mãe de família que se ergue como luz de contemplação, uma deficiente que se torna Santa, é certamente um dom precioso de Deus justamente para a nossa sociedade contemporânea, envolta em um paroxismo hedonístico, que destrói a vida e pratica o culto do eu, que desperta ciúmes, vinganças, contrastes, ativismos e guerras.
Em uma sociedade que vê o sofrimento como uma maldição e uma deficiência e como um fato intolerável e procura a libertação através da vingança, da droga, da eutanásia e do suicídio; para uma sociedade na qual a destruição dos não-nascidos se torna um direito, Elisabetta, deficiente e sofredora a vida inteira, que vive para a alegria dos outros, é um raio de luz, que se abre como caminho para o desespero dos deficientes, - hoje sempre mais numerosos -, dos marginalizados, dos idosos e dos doentes não cuidados e abandonados a si mesmos e à sua tristeza. E não será um dom da Misericórdia do Pai Celeste que suba aos Altares esta deficiente física, mãe de família, distante dos filhos, exatamente neste tempo em que se arranca um filho de sua fonte de vida com a irresponsabilidade com que se arranca um fruto da árvore onde desabrocha, se cortam inumeráveis vidas humanas como se corta o feno, se mata por dinheiro, vingança, capricho, e o número dos deficientes, por guerras inescrupulosas e acidentes cotidianas multiplica-se?”
“Para todos os sofredores Elisabetta é um farol. Aquilo que pareceu uma condenação, uma frágil corrente, com esta camponesa pode tornar-se instrumento de ressurreição, uma escada para o céu, através de uma privilegiada participação na redenção oferecida por Jesus Cristo, Filho de Deus, Redentor do Mundo, exatamente através de sua adorável Paixão”.
Pe. Casimiro Facco

segunda-feira, 16 de março de 2009

Brasileiros refletem temática da CF-2009 pelas ruas de Roma

Animados pelo lema da Campanha da Fraternidade 2009, "A Paz é fruto da Justiça", religiosos, padres, seminaristas e leigos brasileiros, residentes em Roma, em espírito de penitência e de solidariedade com a Igreja particular do Brasil, percorreram ruas de Roma, fazendo a Via-Sacra e assumindo os objetivos da CF-2009 de compromisso pela Paz e a Justiça na sociedade.A caminhada teve inicio às 8 horas deste domingo, 15, na Igreja Santa Maria Maior e, durante o percurso que os conduziu até a Basílica São Pedro, os participantes entraram em comunhão com os sentimentos de Jesus e da Campanha da Fraternidade brasileira. "Não podemos ficar indiferentes a tantas injustiças que condenam tantos inocentes ao sofrimento e à insegurança constantes. É nossa missão, aonde quer que estejamos sermos construtores de Paz e de reconciliação", lembra o integrante do grupo, Padre Carlos Moraes.
Na Igreja Santo Andrea della Vale aconteceu a Missa presidida pelo conselheiro geral da Congregação dos Padres Estigmatinos, Padre José Primo. A caminhada passou pela Piazza Navona, diante da Embaixada Brasileira, onde foi dedicada uma estação da Via-Sacra, que rezou pela realidade dos migrantes que vivem fora de sua pátria. Depois, continuou até à Piazza São Pedro, para que, ao meio dia, pudesse receber a Benção do Santo Padre.

(texto do site da CNBB)
Abraços, pe. Daniel



sábado, 24 de janeiro de 2009

Dia de São Vicente Pallotti em Roma

Estar em Roma é a oportunidade que temos de viver mais perto de nosso fundador. Não é somente uma questão física, pois moro no mesmo prédio onde ele viveu, onde ele trabalhou, onde ele, no dia 22 de janeiro de 1850, terminava sua vida e entrava naquela mais profunda intimidade com Deus, seu único amor e único bem. Sim, não é somente uma questão física, é também uma oportunidade de verdadeira riqueza espiritual: daqui, deste centro, cremos que se emana a toda família palotina, as graças renovadoras e carismáticas de nossa própria identidade. Uma vez o nosso padre geral disse que este lugar sustenta muitas casas palotinas, muitas pessoas palotinas ...

Dia 22 de janeiro foi belo ver que isto é realidade. Cremos nesta realidade espiritual que não conhece a distância. Éramos centenas de pessoas reunidos em torno ao altar do Santo, para agradecer ao bom Deus o dom de sua vida e o dom de seu carisma, herança nossa. Como não acreditar que os padres palotinos, as irmãs palotinas, as missionárias palotinas, as irmãs e os padres de Schoenstatt, os leigos e leigas empenhados e tantos e tantos devotos, de diversas partes do mundo não eram como que canais da graça de Deus para que o carisma de Pallotti fosse reavivado em cada lugar, em cada realidade onde trabalhamos? Sim, eramos aqui, centenas, mas não eramos apenas nós ... conosco, em nossa lembrança, estava todo o mundo palotino.

Pe. Zenon Hanas SAC, vice-geral dos padres e irmãos palotinos foi quem celebrou a Santa Missa festiva. Em sua homilia, questionou-nos, mais uma vez, com aquela mesma autoridade que acreditamos que nosso fundador havia: "Que coisa você pode e deve fazer, hoje, para reavivar a fé, confirmar a esperança, reascender a caridade em você mesmo e nos teus irmãos?" Um silencio, longo e profundo ... uma resposta que nós deveríamos dar, ali, já naquela hora, a Pallotti e ao nosso Bom Deus.

Como família reunida, uma resposta já foi dada. Um simples sinal realizado naquela Santa Missa, um gesto simbólico, se tornou profético para todos nós: foi entregue aos representantes das realidades palotinas, Pe. Zenon Hanas (vice-geral dos Padres e Irmãos Palotinos), Ir. Serena Cambiaghi (madre geral das Irmãs Palotinas), Ir. Stella Holisz (madre geral das Irmãs Missionárias Palotinas) e Sr. Corrado Montaldo (membro da comunidade leiga Quinta Dimensão e vice-presidente do Conselho de Coordenação Nacional Italiano da União) uma cópia do Estatuto Geral da UAC, aprovado definitivamente pelo Pontifício Conselho para os leigos, no último dia 28 de outubro.
Naquele gesto, a família palotina retoma com força nova o compromisso de tornar visível, verdadeira realidade, aquela que foi a inspiração primeira de São Vicente Pallotti, uma comunidade que, unida pela regra do amor evangélico, existe para avivar a fé e a sustentar a caridade.
Pe. Daniel

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Uma Notícia Boa!

Olá, minha família e meus amigos .... tantos e queridos!

Hoje resolvi trazê-los para mais perto de mim. Sim, vocês estiveram comigo durante todo o dia. Do acordar, durante a jornada, enquanto celebrava a Eucaristia ... e agora, já um pouco tarde da noite.

Gostaria poder vê-los e abraçá-los, pois meu coração está cheio de paz e de satisfação. E alegria mesmo!Ontem recebi de minha Universidade, pelo trabalho realizado no ano passado, uma medalha comemorativa: melhor aluno no curso de bacharelado em Missiologia.

O resultado do ir feliz ao curso e o resultado de voltar 'sem chão e tonto', por causa daquilo que se ouvia e aprendia ... bem, o resultado das leituras de livros e das horas de adoração para tentar entender aonde o Senhor me levava; o resultado da vida comunitária, dos abraços e torcidas dos daqui e daqueles daí ... sim ... o resultado final desta primeira etapa de estudos aqui em Roma foi o motivo deste reconhecimento.
Mas aqui, no fundo do meu coração, sei que não poderia ter feito aquilo que fiz, se o Senhor Jesus, a cada dia, a cada aula e a cada momento que me via 'voar longe', não me fizesse reconhecê-Lo novamente como meu Senhor e meu Centro. Único. Esperança minha. Segurança minha, que me inspire a pensar com audácia, sem perder a riqueza do já conquistado.

Hoje reconheço o Seu cuidado comigo. Me fazendo caminhar na Verdade ... não deixando de andar mais longe, mais e mais avante!
Meus queridos, quero partilhar com vocês esta alegria; vocês que sempre estiveram comigo nas etapas boas e difíceis da minha história.
Pe. Daniel Rocchetti Luz SAC