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domingo, 22 de janeiro de 2012

O ARREPENDIMENTO QUE CONDUZ À SALVAÇÃO

Acabamos de sair do tempo de Natal. Com a liturgia, a vida do Salvador vai se actualizando na Santa Igreja. “E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.” (Lc 2,52) Também nós que somos o seu Corpo que é a Igreja somos chamados nos fazer crianças e deixar que o Senhor nos faça crescer e aprender como Jesus cresceu e aprendeu humanamente. Sobre esse crescimento diz a carta aos Hebreus: “Pois, vós, que há muito tempo devíeis ser mestres, precisais ainda de alguém que vos ensine os primeiros rudimentos das palavras de Deus e tornastes-vos necessitados de leite, em vez de comida sólida. Ora, o que se alimenta de leite é incapaz de entender a doutrina da justiça, pois é uma criança. A comida sólida, porém, é para os adultos, para os que têm já exercitadas, pela prática, as faculdades de distinguir o bem do mal.” (Hb 5,12-14) O que o autor da Carta aos Hebreus chama de “rudimentos da Palavra de Deus”? Vem escrito logo abaixo no Cap. 6: “…o arrependimento das obras mortas e a fé em Deus, a doutrina sobre os baptismos e a imposição das mãos, a ressurreição dos mortos e o julgamento eterno.” (Heb 6,1-2)
A Igreja, como mãe, que inclusive gera sempre novos filhos, começa mais uma vez, pacientemente a nos ensinar os pontos básicos da vivência da fé de que fala o Cap. 6 da Carta aos Hebreus. Nos domingos anteriores a Igreja falou-nos do Baptismo e das suas consequências, pois nos torna filhos adoptivos de Deus e templos do Espírito Santo.  Neste Domingo fala-os do “arrependimento das obras mortas”. O arrependimento foi o que São João Baptista e Nosso Senhor Jesus Cristo pregaram em primeiro lugar: “Depois de João ter sido preso, Jesus foi para a Galileia, e proclamava o Evangelho de Deus, dizendo: «Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho.” (Mc 1,14-15)
Dizia o Sr. Pe. Léu, fundador de uma comunidade de recuperação de drogados,  que o pecado que não é absolvido, é absorvido. É uma letrinha só, mas faz toda a diferença. Esta semana aconteceu um fato que ilustra isso plasticamente. Quando estávamos no barco da missão, indo para a comunidade de Saracá, no Rio Negro, surpreendeu-nos um forte vento contrário e consequentemente um forte banzeiro (ondas no rio). Com o balanço do barco, o lugar onde se guardam os pães deve ter-se destapado, o que possibilitou a entrada de uma barata. Quando à noite fui fazer um lanche, após a Santa Missa nesta comunidade, ao provar do pão fui obrigado a cuspi-lo imediatamente, pois o gosto tornava claro que por ali tinha passado uma barata. Ao verificar na caixa, confirmou-se a suspeita… Quando o pecado entra em nossa vida, devemos “cuspi-lo” imediatamente pelo arrependimento, como fiz com aquele pão. Quando um veneno é ingerido e vomitado, a pessoa está salva; porém quando o corpo absorve-o, isso gera a morte. Para que possa ser  extraído o veneno do pecado inoculado em nós, é necessário o antídoto do arrependimento. Por isso diz Jesus: “…arrependei-vos e acreditai no Evangelho” (Mc 1,15). Se isso não acontece,  gera a destruição e a morte, a nível pessoal, familiar e até social.  Na primeira leitura de hoje, a mensagem que Deus incumbiu Jonas de pregar era que Nínive seria destruída se não houvesse um arrependimento. O povo arrependeu-se e não houve a destruição. Nosso Senhor continua a falar ao seu povo , mas nem sempre é ouvido. Nossa Senhora em Fátima, durante a primeira grande guerra, falou que se não houvesse uma conversão, viria uma segunda guerra, pior do que a primeira. Como em grande parte seu apelo à oração e à conversão não foi ouvido, todos nós sabemos o que aconteceu…
O arrependimento das obras mortas é algo basilar do cristianismo, mas mesmo quem está muito adiantado no caminho do Senhor, não pode abandonar esse rudimento; assim como quem, já no oitavo ano da escola, está a resolver alguma equação de matemática não pode esquecer as continhas de somar ou diminuir que aprendeu no primeiro ano; pelo contrário, até usam-nas mais. Por exemplo, São Vicente Pallotti que comemoramos hoje, confessavam-se frequentemente mais de uma vez por semana. Os autores espirituais são unânimes em dizer que para nós não cairmos nos pecados mortais, devemos nos arrepender e confessar também os pecados leves. O pecado não absolvido é absorvido. Deste modo, começa-se a querer justificar, até através de leis iníquas, as maiores desordens, mesmo contra a lei natural, como é a união de pessoas do mesmo sexo e o aborto.
Com o arrependimento das obras mortas, reforçamos o Reino de Deus em nossa alma, mas devemos também pedir por todo o mundo como diz São Paulo: “1Recomendo, pois, antes de tudo, que se façam preces, orações, súplicas e acções de graças por todos os homens, 2pelos reis e por todos os que estão constituídos em autoridade, a fim de que levemos uma vida serena e tranquila, com toda a piedade e dignidade. 3Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, 4que quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.” (1 Tm2,1-4)

Para partilhar:
1-  A Carta aos Hebreus diz: “A comida sólida, porém, é para os adultos, para os que têm já exercitadas, pela prática, as faculdades de distinguir o bem do mal.” (Heb 5,14)  O autor da Carta aos Hebreus diz que a característica do cristão adulto é a capacidade de discernir o bem do mal, baseado na conformidade ou não com o Evangelho.  Tendo isto em conta, quais os sinais de bem que existem na cultura actual?: Ex. Desejo da paz, colaboração entre os povos,  ….
Quais os contra-valores passados subtilmente pelos “mass midea”, que depois vão impedindo o arrependimento por não serem considerados como mal?
Pe. Marcelo

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

SÃO VICENTE PALLOTTI, SANTO DO APOSTOLADO UNIVERSAL

O Evangelho deste terceiro Domingo do tempo comum, vem trazendo o relato do chamamento dos primeiros Apóstolos de Cristo. Ao mesmo tempo, no Sábado anterior, dia 22, vivemos a solenidade de São Vicente Pallotti, fundador da Sociedade de Vida Apostólica a que fazem parte os padres que servem esta unidade pastoral. A vida de cada santo não é outra coisa senão uma vocação bem sucedida, uma vez que todos temos a vocação à santidade. Desta forma, suas vidas nos estimulam a sermos aquilo a que somos chamados a ser: santos. Por isso, achamos por bem aproveitar a oportunidade e apresentar, ainda que sucintamente como é obvio, alguns de seus traços biográficos.
Pallotti nasceu no dia 21 de Abril de 1795, e foi o terceiro dos dez filhos de Madalena e Pedro Paulo Pallotti. Aos doze anos, pôs-se sob a direcção espiritual do Pe. Bernardino Fazzini, que soube comunicar-lhe os valores fundamentais da vida Cristã e ao mesmo tempo, percebeu a têmpera daquele que lhe era confiado, sabendo não extinguir o Espírito, mas acompanhando com cuidado os movimentos e inspirações da graça, daquele que, aos olhos de um desavisado, poderia parecer um exagerado, mas que, diante de um homem de fé, apareceu como o que na verdade era: um jovem com uma sede grandíssima de Deus. Fazzini foi o seu confessor durante trinta anos, até sua morte em 1837. A princípio, ao lado de sua grande piedade, o menino apresentava notáveis dificuldades nos seus estudos.  É atribuída a uma novena ao Espírito Santo, e é claro, a seu empenho nos estudos, a mudança deste quadro.

Estudou filosofia na Faculdade “Sapienza”. A teologia fê-la junto a grandes professores de sua época. Depois de quatro anos, consegue o diploma e foi designado “professor adjunto” pelo Mons. Cristaldi da Universidade “Sapienza”. Foi ordenado sacerdote no dia 16 de Maio de 1818. Cerca dez anos depois, retira-se da área do ensino para se dedicar plenamente ao ministério pa­storal. Intensifica a sua pregação em Roma e arredores. Grandes multidões o escutam com atenção, atraídas sobretudo pela sua vida exemplar. Concebe, mais  tarde, o projecto da Pia Sociedade do Apostolado Católico, instituída no ano de 1835. Seu plano original não foi a congregação dos padres, mas uma associação de fiéis de todas as classes e condições, onde cada um, de acordo com os próprios talentos e os dons dados por Deus, e as condições particulares, se dedicasse com todo empenho possível ao Apostolado de Jesus Cristo. Dizia São Vicente Pallotti que o dom mais divino de todos os dons divinos derramados sobre os homens é o de colaborar com Deus e consequentemente com os demais, para a salvação das almas. Dizia ele: “Deus considera a perfeição e o acabamento das obras de acordo com as disposições do coração e a capacidade de suas criaturas. Sim, todos – grandes e pequenos, ricos e pobres, sacerdotes e leigos, que vivem em comunidade ou individualmente – podem, a partir de sua posição, isto é, a partir do estado ao qual Deus os chamou, exercer de algum modo, mas sempre com mérito, o apostolado de Jesus Cristo.” (OOCC IV, 182)

Foi grande incentivador da Imprensa religiosa, que era o que se pode dizer, o  “mass mídia” de sua época. Foi director espiritual e confessor de vários seminários, sacerdotes, casas religiosas de irmãs e até conselheiro dos Papas Gregório XVI e Pio IX.

Além disso, Pallotti se distingue também pelas suas obras de caridade: socorre os enfermos, os encarcerados, órfãos e as viúvas. Funda institutos para acolher meninas abandonadas, dedica-se à educação dos jovens. Fundou escolas nocturnas para os pobres artesãos. Ao director espiritual e àqueles que o queriam ainda em vida, por ocasião de sua última doença, o Santo res­ponde: –“Por caridade, deixem-me ir onde Deus me chama”. Ele morreu na noite do dia 22 de Janeiro de 1850 na casa junto à Igreja San Salvatore in Onda, Via Pettinari, em Roma. A multidão comovida e aflita se reúne para dar a última saudação ao tão amado sacerdote.

Em 1887 Leão XII o declarou venerável. Em 1932 Pio XI proclamou a heroicidade de suas virtudes. Em 22 de Janeiro de 1950, no centenário de sua morte, Pio XII o proclamou Beato dando-lhe o título de “honra e decoro do clero romano”. Durante o Concílio Vaticano II, a 20 de Janeiro de 1963, presentes centenas de bispos, João XXIII o inscreve no álbum dos santos.

Para as células de Evangelização:
João Paulo II disse certa vez aos jovens que a nossa geração precisa de “santos de calça de ganga (Jens)”. Pallotti talvez diria hoje: “…precisamos de apóstolos de calça de ganga”. Quais são as características do apóstolo de hoje? Estou disposto a sê-lo?
Pe. Marcelo