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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

DOMINGO MISSIONÁRIO PALOTINO 5 DE OUTUBRO DE 2014


DOM HENRIQUE VIETER, APÓSTOLO FUNDADOR DA IGREJA CATÓLICA EM CAMARÕES

Por ocasião da celebração do centenário da morte do primeiro bispo palotino de Camarões, D. Henrique Vieter (1853-1914), falecimento acontecido a 7 de novembro de 1914 em Yaoundé, Camarões.
O nosso Domingo Missionário neste ano, dia 5 de outubro de 2014, é dedicado a esta importantíssima figura missionária. O Bispo Vieter foi importante para o nascimento e o desenvolvimento da Igreja em Camarões, e mesmo para o enraizamento de nosso carisma palotino em território alemão, na Polônia e em outras regiões do mundo, e do nascimento do ramo missionário das Irmãs Palotinas. Recordamos com muito afeto este nosso coirmão, arauto da evangelização de Camarões, rezando pela continuidade das suas obras apostólicas e sustentando-as em Camarões e em toda a família palotina. Que seu processo de beatificação já encaminhado em Camarões possa ter um êxito positivo.

1.      BREVE BIOGRAFIA
Gerardo Henrique (Gerard Heinrich) Vieter nasceu a 13 de fevereiro de 1853 em Cappenberg, na diocese de Münster, Alemanha, e foi batizado a 16 de fevereiro do mesmo ano. Recebeu a primeira comunhão a 25 de abril de 1866, e alguns meses depois, a crisma. Carpinteiro de formação, o jovem Vieter sempre sentiu o desejo de ser sacerdote. Deus escutou e realizou seu desejo encaminhando-o à comunidade dos Palotinos de Roma, onde foi acolhido pelo Reitor Geral, Pe. Faá di Bruno. Fez os estudos filosóficos em Masio, Itália, e a teologia na Gregoriana, de Roma, sendo premiado com uma medalha em Dogmática. A 8 de maio de 1887 foi ordenado sacerdote. Depois de um breve e bem realizado apostolado em Masio, como reitor da casa de formação, e em Caxias do Sul, Brasil, como capelão dos imigrantes italianos, foi nomeado Prefeito Apostólico em Camarões, em 22 de julho de 1890. Esta Prefeitura Apostólica foi criada a 18 de março de 1890 e confiada aos Palotinos. A 20 de dezembro de 1904 a Prefeitura foi transformada em Vicariato Apostólico e Pe. Henrique Vieter foi nomeado Vigário Apostólico, recebendo a dignidade episcopal na Catedral de S. Jorge, em Limburgo, a 22 de janeiro de 1905. Depois de um intenso trabalho apostólico em sua missão, faleceu em Yaoundé, a 7 de novembro de 1914, com a idade de 61 anos.

2.      OBRA MISSIONÁRIA EM CAMARÕES
O seu programa missionário não é só de evidenciar o “princípio de implantação”, ou “Plantatio Ecclesiae”, isto é, criar infraestruturas eclesiásticas (igrejas, escolas, comunidades), mas também aprofundar o “princípio de evangelização”, isto é, alcançar a conversão interior dos neófitos.

Os sacramentos e as associações religiosas (Bikoan) são utilizados por D. Vieter e seus companheiros como instrumentos para alcançar esta meta. Seis anos depois do início da evangelização de Camarões, o Papa Leão XIII, numa audiência no Vaticano, disse então: “Oh, aquele Prefeito de Camarões quero propriamente vê-lo muito bem” (‘Oh, quel Prefetto di Camerun devo vederlo propriamente bene”). Efetivamente as experiências que este westfaliano tinha adquirido em Masio e em Caxias do Sul, ajudaram-no a formar os Camerunenses para que se tornassem bons cidadãos e cristãos confiáveis. Eis porque utilizou a escola como método, por excelência, para a evangelização. Diversas escolas primárias e escolas profissionais são fundadas em todo o território missionário confiado aos Palotinos. O ponto alto deste programa educativo é a fundação da Escola Catequética de Einsiedeln, no sudoeste de Camarões, em1907, onde são formados brilhantes catequistas, uma genuína força trabalhadora e competente para ajudar os missionários. Os Camerunenses também deviam ser promovidos à dignidade sacerdotal, mas a Providência divina tinha decidido de maneira diversa. D. Vieter realizou este programa num momento muito difícil, porque muitos dos seus coirmãos morriam de forma inesperada pela malária ou febre negra. Naquela época, ir para a missão significava viver exatamente um lento martírio. Esta personalidade excepcional e única não aceitava qualquer idéia de seus Superiores da Alemanha ou de Roma, quando se tratava do interesse de Camarões. Duas decisões históricas assinalam a vida e a obra desse homem modesto, simples, piedoso e incansável em Camarões.

Primeiro: no início da evangelização, a 8 de dezembro de 1890, confia a sua missão e Camarões à materna proteção da Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos. Em segundo lugar: a partir de 26-28 de setembro de 1906, organiza em Douala o primeiro Sínodo da Igreja de Camarões. Estes acontecimentos permitiram o desenvolvimento de uma Igreja florescente até a sua morte. Segundo as estatísticas feitas em 31 de dezembro de 1913, alguns meses antes de sua morte, acontecida a 7 de novembro de 1914, a Igreja de Camarões contava já:
·         37.597 cristãos batizados
·         15 estações missionárias
·         70 missionários Palotinos (34 sacerdotes e 36 Irmãos)
·         29 Irmãs Missionárias Palotinas
·         22 escolas elementares principais e 182 escolas elementares secundárias.
·         19.468 alunos, dos quais 17.650 rapazes e 1.818 moças.
·         259 rapazes aprendizes nos centros de formação profissional
·         79 mestres (insegnanti) autóctones.

Karl Ebermaier, governador alemão de 1912 a 1916, em Camarões, qualificou D. Vieter como “Bom Pastor do seu rebanho, Superior amado e adorado”. É possível comparar este fiel filho da Igreja Católica e fundador de um povo cristão em terra africana com S. Bonifácio (672-754), pai da nação alemã, ou a Santa Joana D’Arc (1412-1431), heroína e mãe da nação francesa. D. H. Vieter viveu segundo este versículo do Salmo 69: “O zelo de tua casa me devora” (Sl 69,10). É por isto que ele escolheu como lema de sua ordenação episcopal: “Ego servus tuus” = Eu sou teu servo), porque queria ser um humilde servidor da Palavra de Deus entre as pessoas. D. Vieter realizou em Camarões uma obra reconhecida como “excepcional” pelo Dr. Wilhelm Heirich Solf, Secretario de Estado da administração imperial das colônias, em Berlim.


O seu túmulo encontra-se em Mvolyé, um bairro de Yaoundé (a capital política de Camarões), onde D. Vieter fundou em fevereiro de 1901, entre os seus camerunenses, a primeira missão católica da região de Yaoundé. Sobre este túmulo poder ler a seguinte inscrição: “Os Palotinos, nossos pais na fé”.

3.      SEU PAPEL NO DESENVOLVIMENTO DA FAMÍLIA PALOTINA E A CONTINUIDADE DA OBRA DE CAMARÕES
Mesmo sendo considerado apóstolo fundador da Igreja Católica em Camarões e pai fundador da fé neste país, D. Henrique Vieter contribuiu também para o desenvolvimento histórico da família palotina. Com efeito, graças ao empenho missionário de D. Vieter e de seus companheiros, os Palotinos puderam estabelecer-se na Alemanha, abrindo casas para formar novos missionários palotinos para evangelizar Camarões; na Austrália; e em várias nações da América Latina. O carisma palotino se estenderá também a outros países europeus vizinhos, como a Polônia, a Suíça e a Áustria. Tendo experimentado também a necessidade da educação e da formação das jovens camerunesas, em 1892, D. Vieter chama as Irmãs Palotinas para colaborar com ele em Camarões. Por isso, o ramo missionário das Irmãs Palotinas nascerá em Limburgo, na Alemanha, e com o tempo tornar-se-á uma congregação autônoma, realizando a visão missionária do Fundador Vicente Pallotti. Depois da interrupção, devida à primeira guerra mundial, em 1916, os Palotinos da Província Alemã de Limburgo, retornaram a Camarões em 1964, para continuar a obra começada por D. Vieter e seus companheiros.

Depois da celebração do centenário da Igreja Católica em Camarões, em 1990, abriram a sua primeira casa de formação chamando-a “Maison Henri Vieter” (Casa Henrique Vieter), em homenagem ao apóstolo fundador da Igreja em Camarões. Com a bênção divina das vocações locais, o primeiro sacerdote camerunense é ordenado em 1994. Depois do retorno dos palotinos, em 1993, na missão de Mvolyé, em Yaoundé, missão fundada por D. Vieter em 1901, nasceram o coro Henri Vieter e o Foyer Henri Vieter, em Mvolyé. O bom crescimento numérico dos Palotinos em Camarões os conduzirá a abrir também uma missão na Nigéria, onde o primeiro sacerdote será ordenado em 2010. 

Hoje os dois países formam a Região da Santíssima Trindade, com mais de 130 membros, entre Irmãos de consagração perpétua, de consagração temporária e candidatos do período introdutório, com o primeiro bispo palotino camerunense, D. Bruno Ateba Edo, nomeado a 5 de abril de 2014 pelo Papa Francisco, como bispo da diocese de Maroua Mokolo.
Pelo convite de D. Jan Ozga, bispo da diocese de Doumé Abong-Mbang, as Irmãs Missionárias Palotinas da Província Polonesa retornaram a Camarões em 1998. São hoje umas 15 e iniciaram também a formação das jovens camerunesas, com a abertura de uma casa de formação. As Irmãs Palotinas empenham-se, sobretudo, no apostolado sócio-caritativo (educação, saúde, promoção humana, ‘adoção do coração’ para os meninos) em três dioceses de Camarões. A família palotina está hoje presente em Camarões e Nigéria. Os nossos coirmãos da Região da Santíssima Trindade, de Camarões/Nigéria, estão presentes em oito dioceses de Camarões e em duas da Nigéria. Fora do território de sua Região, trabalham ou estudam na Alemanha, na França, na Itália, nos Estados Unidos e na África do Sul. Seu empenho apostólico é visível nas paróquias, na formação dos jovens, na educação, no acolhimento e na gestão de um centro espiritual em colaboração com as Irmãs Palotinas. Com muita coragem e zelo, continuam a estupenda obra missionária iniciada por D. Vieter e seus companheiros. Hoje, em Camarões, há muitas instituições que levam o nome deste apóstolo e arauto da evangelização do país, como a Casa de formação dos seminaristas palotinos “Maison Vieter”, em Nkolbisson, Yaoundé, o complexo escolar palotino “Dom Vieter”, em construção em Yaoundé, o coro “Coral Henri Vieter”, da Basílica Maria, Rainha dos Apóstolos, de Yaoundé e diversas outras estruturas e associações que levam o seu nome.

As ofertas livres recebidas em todo o mundo palotino, durante este Domingo Missionário Palotino de 2014, servirão para ajudar a família palotina a continuar a obra missionária de D. Vieter em Camarões, sobretudo, para terminar a construção do complexo escolar Vieter em Yaoundé, e também para custear o processo de beatificação já iniciado em Camarões.

4.      PROPOSTA DE ANIMAÇÃO LITÚRGICA DO DOMINGO
MISSIONÁRIO PALOTINO DE 2014
Com a celebração do Domingo Missionário Palotino, queremos também propor-vos um modo de celebração. Antes de tudo, convidamos para o domingo, 5 de outubro de 2014, a todas as comunidades e obras palotinas a recordar na oração e nas celebrações eucarísticas, D. Henrique Vieter, primeiro bispo palotino e fundador da Igreja Católica Camerunense. Os textos litúrgicos serão aqueles do 27º Domingo do tempo comum “A”. Fazemos aqui uma sugestão para recordar D. Henrique Vieter nas homilias aos fieis presentes, tendo em conta as leituras da liturgia dominical, falar brevemente o que nosso coirmão fez para o crescimento do Reino de Deus em Camarões. Propomos-vos as orações dos fieis adaptadas à celebração do nosso Domingo Missionário Palotino de 2014.
ORAÇÃO DOS FIÉIS
Senhor, Jesus Cristo, tu nos chamas hoje a ser o teu novo povo que produz frutos para o reino de Deus. Pedimoste que dês a cada um de nós a mesma coragem e zelo que deste a Dom Vieter para tornarnos hoje bons servos na tua vinha:

 Cristo Jesus, Apóstolo do Pai, escuta a nossa prece

1.      Pela Igreja, pelo Papa, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos que tem o encargo de animar as pessoas, para que encontrem em Deus a força e a coragem de realizar sua missão, rezemos.

2.      Por toda a família palotina, cuja missão é reavivar a fé e reacender a caridade, pedindo a graça de ser sempre mais audazes e profetas, em responder ao apelo da Nova Evangelização, possamos tornarnos verdadeiros discípulos missionários de Cristo, anunciando a Boa Nova e escutando o grito dos mais necessitados, rezemos.

3.       
     Pelos jovens, para que, conservando a coragem de dar e servir com alegria e colocando em prática a tua Palavra, façam renascer a esperança onde vivem, e produzam bons frutos que permaneçam para a vida eterna, rezemos.

4.      Senhor, rendemoste graças por Dom Vieter, que, Com desapego e coragem, ultrapassou as fronteiras para semear o carisma palotino no Brasil e, sobretudo, em Camarões, para que toda a nossa família palotina possa continuar a sua obra, rezemos.

5.      Pelos nossos irmãos e irmãs falecidos, sobretudo, por todos os missionários palotinos e palotinas que viveram a plenitude da fé, no serviço aos outros, Deus os acolha na sua misericórdia, rezemos.

6.      Por todos nós, para que, abrindonos à voz do Espírito, acolhamos a sua Palavra em cada momento e em cada escolha da nossa vida, e tenhamos sempre o desejo de construir uma sociedade fundada sobre a rocha do amor, da justiça e da fraternidade, rezemos.

Deus, nosso Pai, chamastenos a trabalhar na tua vinha, como fizeste a Dom Henrique Vieter, ajudanos hoje a sermos autênticos discípulos missionários, anunciadores com alegria, zelo e entusiasmo da tua Palavra no nosso mundo de hoje. Por Cristo nosso
Senhor.

Desejamos a todos uma boa celebração do Domingo Missionário Palotino, no próximo 5 de outubro.

Pe. Jean Bertrand Etoundi, SAC
Secretário Geral para as Missões

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

DOMINGO MISSIONÁRIO PALOTINO 3 DE OUTUBRO 2010

APRESENTAÇÃO DA REGIÃO MISSIONÁRIA DA SAGRADA FAMÍLIA
DA RUANDA E DA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO

A. A FAMÍLIA PALOTINA NA RUANDA
Os palotinos chegaram na Ruanda em 08 de junho de 1973 a convite de dom Jean Baptiste Gahamanyi, então bispo da diocese de Butare. Desde a chegada dos palotinos, os bispos lhes confiaram algumas paróquias. Eles também construíram a casa regional em Gikondo, em um dos bairros de Kigali, capital da Ruanda. Neste bairro temos a paróquia dedicada a São Vicente Pallotti, um Centro de Saúde e a tipografia «Pallotti Presse».
            Os Palotinos foram muito diligentes, no sentido de entender que não poderiam radicar-se na Ruanda sem promover as vocações junto à população nativa. Por esta razão, em 1978 abrimos, em Kigali, o primeiro noviciado que, mais tarde, em 1985, foi transferido para a Casa de Formação de Butare. Atualmente, este noviciado acolhe noviços de vários países africanos, quais sejam: Camarões, Congo, Costa do Marfim, Nigéria e Ruanda.
Já as Irmãs Palotinas chegaram na Ruanda em 1977 e iniciaram seus trabalhos apostólicos nos centros de saúde, de nutrição, na escolinha de costura e nos orfanatos. Em 1981 iniciaram o trabalho de acolhimento do povo Ruandês na cidade de Masaka e, a partir de 1986, em Ruhango, onde atualmente funciona também o noviciado. Em 1993 fizeram os primeiros votos perpétuos três palotinas nativas.

B. A FAMÍLIA PALOTINA NA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO (RDC)
            No Natal de 1981 chegaram ao Congo os Palotinos provenientes da Ruanda. Os Padres Henri Kazaniecki e Jean Kedziora foram os primeiros Palotinos que chegaram à diocese de Goma. O bispo local dom Faustin Ngabu, lhes confiou a paróquia de Rutshuru. Os Palotinos substituíram os Padres Brancos que ali estavam desde 1957, ano da fundação da paróquia. Em 1994 chegaram ao Congo às primeiras Irmãs Palotinas.  Quatro anos mais tarde os Palotinos abriram em Goma uma casa chamada «Génésareth», que funciona como Centro de Formação apostólico e espiritual.
C. OS MEMBROS, AS COMUNIDADES E AS OBRAS
a)         Os membros são o bem primário da Região. Atualmente a região conta com 52 membros que já fizeram a consagração perpétua, destes 2 são irmãos, 2 diáconos, 47 padres e 1 bispo. Destes 38 estão na Ruanda e no Congo e os outros estão no exterior em outras missões.
b)         As comunidades: temos 7 comunidades na Ruanda, 2 na República Democrática do Congo e 1 na Bélgica. Na formação temos 10 na teologia, 11 na filosofia e 7 no noviciado.
C)        Nossos empenhos apostólicos: há alguns anos começamos a dar ênfase ao apostolado especializado. Vimos que este responde melhor às expectativas do povo de Deus na Ruanda e na República Democrática do Congo.            Assim sendo, nos lançamos no apostolado da Divina Misericórdia em Ruhango e Kabuga. Ao mesmo tempo queremos desenvolver o apostolado da peregrinação e a devoção mariana para reforçar a nossa presença no Santuário mariano de Kibeho.
1. O Centro da Reconciliação «Jesus Misericordioso» em Ruhango:
A comunidade palotina de Ruhango se ocupa do apostolado paroquial e do Centro Jesus Misericordioso. Este centro visa a dois vastos campos de apostolado: 1) o da animação spiritual da divina Misericórdia (adoração perpétua do Santíssimo Sacramento; ministério da cura, da reconciliação e da paz); 2) a formação dos leigos – damos formação aos leigos que mais diretamente colaboraram com os padres, no espírito da nova evangelização. Este centro tem um papel importante, pois este povo viveu em 1994 o drama da guerra e do genocídio.
2. O Santuário de Nossa Senhora de Kibeho
A comunidade palotina de Kibeho dedica-se ao apostolado do santuário de Kibeho. A Virgem Maria apareceu a três meninas que ainda frequentavam a escola secundária. A primeira vez foi em 28 de novembro de 1981, quando a Virgem disse ser a Mãe do Verbo. Em 29 de junho de 2001, as aparições foram imediatamente reconhecidas pela Igreja em uma declaração pública feita pelo bispo da diocese de Gikongoro. Hoje é meta de muitas peregrinações. Este santuário nos foi confiado pelo bispo.

3. O centro Génésareth e as Casas de formação em Keshero
A comunidade palotina de Keshero (Diocese de Goma, RDC) é responsável pela pastoral do Centro, pela formação dos Postulantes e dos seminaristas que estudam filosofia.
O centro Palotino de Formação “Génézareth” constitui-se como um lugar para a expressão da espiritualidade da UAC, um lugar de recolhimento, de oração e renovação, um lugar de formação de novos “evangelizadores”.
4. O Santuário da divina Misericórdia de Kabuga
A nossa comunidade palotina de Kabuga, da arquidiocese de Kigali na Ruanda, é responsável pela paróquia de Kabuga e pelo santuário da divina Misericórdia. Este santuário é:
a)      um lugar de evangelização a serviço da comunidade paroquial de Kabuga e da arquidiocese de Kigali;
b)      um lugar de animação espiritual sobre a divina Misericórdia e a reconciliação;
Neste ano os bispos nos confiaram a organização do Congresso Nacional da Misericórdia que acontecerá no santuário entre os dias 17 e 25 de outubro de 2010. Os preparativos para o congresso vão bem, mas precisamos das orações dos nossos irmãos e irmãs para que o mesmo tenha êxito. 

5. Pallotti-Presse
A comunidade de S. Maximiliano Kolbe de Kigali na Ruanda administra a «Pallotti-Presse» que é uma tipografia e uma editora. É uma boa maneira de evangelizar através da imprensa católica.
6. Pastoral da beneficência
O nosso Conselho Regional fez um grande esforço para organizar uma ajuda aos pobres através da pastoral da beneficência. Esta ajuda está focada sobretudo na escolarização. Tudo foi possível graças à ajuda de amigos e benfeitores. Depois da guerra e do genocídio de 1994 houve várias iniciativas dirigidas aos órfãos, das quais participou também a Província Cristo Rei através do Secretariado das Missões de Ząbki, facilitando o projeto “Adoção de Coração”. Sempre tivemos em mente uma pastoral da beneficência como forma de realização do espírito da UAC.

7. Pastoral paroquial
Os Palotinos iniciaram este serviço para dar um reforço ao clero diocesano. Temos ainda algumas paróquias, mas a maioria é ligada a outras atividades específicas.
8. A presença palotina na Bélgica

Depois de três anos de negociação, chegou-se a um acordo entre os Palotinos e o Vicariato de Bruxelas. Os nossos confrades dão sua contribuição para a pastoral global, estando a serviço de algumas paróquias na diocese de Mechelen-Bruxelas.


9. Fundação da UAC
Os decretos das nossas últimas três Assembléias enfatizam que todos os nossos esforços devem realizar-se no espírito da UAC. É uma visão profética, um ideal a realizar. Neste sentido, já damos alguns passos importantes. Desde o princípio nesta região dos Grandes Lagos,os Palotinos e Palotinas colaboram para a realização do carisma palotino. Também os leigos passaram a fazer parte recentemente da Família Palotina e outros fazem pedidos para o empenho apostólico; o Conselho Nacional de Coordenação e os Conselhos Locais de Coordenação são atuantes.

10. A formação dos jovens confrades e a formação permanente
Este apostolado é há muito tempo uma prioridade para a Região e o será também no futuro. Na Região da Sagrada Família tem três casas de formação: o Postulantado em Keshero, o Período introdutório em Butare e a filosofia em Keshero. Esta formação é precedida pela pastoral vocacional, que possui um grande número de jovens que fazem o discernimento vocacional. Realizadas estas  etapas, os jovens vivem um tempo de aprofundamento da identidade palotina que os prepara para a Formação Permanente (ou especializada).

D. O NOSSO AMBIENTE, A IGREJA LOCAL
            A Igreja local onde vivemos e trabalhamos (Na Ruanda e República Democrática do Congo) é uma igreja jovem, porque tem apenas 100 anos. É uma Igreja dinâmica, ainda que sua história tenha sofrido uma reviravolta. Aqui penso na crise da maturidade! Na Ruanda a Igreja se reconhece como força moral, uma Igreja que se confronta com o desafio da unidade e da reconciliação do povo, de um lado, e  em reforçar a própria credibilidade e de suas estruturas de funcionamento, de outro. Os trágicos eventos de 1994 (guerra e genocídio) não pouparam a Igreja, dado que muitos fiéis (padres e leigos) foram vítimas ou autores. Atualmente temos um grande número de fiéis entusiastas pela evangelização, sejam aqueles ligados a novas comunidades (como a comunidade do Emanuel), sejam aqueles ligados aos centros de Formação e de animação espiritual. Esperamos que a organização e a realização do Congresso nacional da Divina Misericórdia em Kabuga contribua para despertar novos talentos e dar um novo impulso eclesial.
            O tema deste Congresso evoca muitas expectativas que também são nossas: «A divina Misericórdia como antídoto ao mal que corrói a nossa sociedade».
            No Congo a Igreja já tinha passado e superado duras provas antes dos irmãos da Igreja da Ruanda. Para superar os momentos difíceis das ideologias políticas e sociais lutou muito para manter a unidade, aprofundar a fé e participar na evangelização.
            A nossa população é pobre, mas ainda aberta aos valores. Eles precisam de líderes iluminados não somente por boa formação acadêmica, mas, sobretudo, pela luz da palavra de Deus para transformar as notícias ruins em Boa Notícia e fazer com que as nossas misérias sejam penetradas pelos raios da divina Misericórdia.

domingo, 27 de setembro de 2009

DOMINGO MISSIONÁRIO PALOTINO

DOMINGO MISSIONÁRIO PALOTINO
4 de outubro de 2009

Papua Nova Guiné é uma das maiores nações insulares do Sul do Pacífico, alguns afirmam que é a mais bonita. A ilha possui um vasto território marítimo. Papua Nova Guiné é um país com uma infinita variedade de montanhas e vales, de rios sinuosos, grandes extensões de pântanos,
florestas impenetráveis e pequenas ilhas que parecem jóias colocadas no mar. Em nenhum outro país se encontra uma tão grande diversidade e discordância de línguas e
costumes em uma população tão pequena (cerca 5‐6 milhões de pessoas) como a de Papua Nova Guiné. É muito difícil precisar quantas pessoas vivem em Papua Nova Guiné, porque não foi feito nenhum censo do governo até hoje e a falta de comunicação com as aldeias mais longínquas torna impossível calcular o número exato da população que ali vive.

Embora a população de Papua Nova Guiné seja relativamente pequena, como descrevemos
acima, existem ali muitas línguas e diversos dialetos (cerca de 380). Uma das aldeias situada perto da boca de Sepik (o maior rio da Papua Nova Guiné) é realmente maravilhosa. Os habitantes desta extraordinária aldeia usam duas línguas diferentes: as mulheres e os homens têm o seu próprio dialeto. O dialeto dos homens não tem nada em comum com aquele usado pelas mulheres. Ninguém sabe explicar como conseguem se entender. Talvez a linguagem do coração possa ser entendida por ambas as partes.
Quais poderiam ser as razões pelo qual existem tantos dialetos e línguas em Papua Nova Guiné?
A existência de cada pessoa, em Papua, é ligada a existência da própria tribo e aldeia. A língua foi criada pela necessidade da aldeia. Na época primitiva, quando os homens brancos não haviam
ainda posto os pés sobre a terra de Papua Nova Guiné, as pessoas do lugar não tinham motivos de se deslocar de um lugar para outro. Se algum destemido fazia uma visita a um vizinho, arriscava ser assassinado.
Por isso não havia motivo de se aprender “a língua mãe” das outras tribos. De qualquer modo, na época da civilização e do desenvolvimento do transporte e das estradas, o problema da comunicação se tornou sério. Para fazer fronte às dificuldades, foi criada uma nova língua. Essa língua devia ser o mais simples possível, para que as pessoas de Papua pudessem aprendê‐la facilmente. Deste modo “pidgin English” (versão
simples do inglês) tornou‐se a língua comum de todos. Porém, ainda tem pessoas que não conseguem falar o pidgin. A maior parte destas pessoas que não conseguem se expressar em pidgin é composta de idosos que ainda recordam as duas guerras mundiais.

O sucesso de Papua é devido à maravilhosa variedade de fauna e flora que dá um sabor especial na vida do país. Onde quer que se vá pode‐se deliciar os olhos com as praias, barreiras de corais que são um paraíso subaquático, cadeia montanhosa com o pico mais alto, o monte Wolheln, a 400m acima do nível do mar, grama alta (kunai), fauna rica de muitas espécies, entre elas pássaros do Paraíso que se encontram somente neste país. Com razão Papua Nova Guiné é chamada “Paraíso”.

Em Papua poucas são as famílias compostas com menos de 6 filhos. Uma vez, durante um
funeral, me contaram a história da vida do defunto. Ele era pai de 6 filhos e 3 filhas, vô de 59
netos, 28 bisnetos e 6 tataranetos. As famílias com muitos filhos devem enfrentar muitos
problemas e dificuldades, tais como o desemprego e a falta de dinheiro, o que não permite aos
pais mandar os filhos para a escola, além da falta de assistência médica. Estes e muitos outros
problemas causam alta taxa de mortalidade, analfabetismo, divórcio, poligamia e alcoolismo. E, se estas dificuldades são obstáculos para uma vida feliz, existem muitas pessoas, especialmente os jovens, que desejam cumprir sua missão e serem pessoas felizes. Em uma aldeia uma mulher foi até o padre e disse: “Padre, meu marido não me ama”. O padre maravilhado lhe perguntou:
“Como tu percebeste que teu marido não te ama? Que acontecimento te levou a esta conclusão?”
Ela respondeu: “Porque ele não me bate!”. De um lado pode parecer uma história divertida,
inventada por uma mulher, mas de outro, este simples exemplo mostra que a violência está arraigada na rotina familiar em Papua Nova Guiné. As crianças crescem e tornam‐se imitadores dos comportamentos de seus pais. Elas não são somente testemunhas das boas ações de seus pais, mas também daquelas brutais e monstruosas.

Um dia fui a uma aldeia a visitar os enfermos. Tinha um homem com o braço inchado, quebrado e enfaixado. Perguntei‐lhe o que havia acontecido. Ele me disse que havia sido espancado pelo filho. É muito difícil romper uma corrente de violência, como também é difícil ajudar as vítimas da violência. Quando encontrei este homem, já estava há duas semanas a espera de uma visita médica. Ele tinha ido ao Hospital Geral de Wewak (principal hospital da nossa Província), mas quando chegou ali não tinha ninguém que pudesse ajudá‐lo: a cirurgiã que devia estar presente pegou alguns dias de descanso e ninguém sabia onde encontrá‐la. Trata‐se da irmã Joseph, de origem inglesa, da Congregação Passionista, médica e cirurgiã especializada. Ela é a pessoa que verdadeiramente leva em frente o hospital de Wewak. Ela não estaria atendendo no hospital pelas próximas duas semanas. O que quer dizer isso para um homem com o braço quebrado? Ele deveria esperar ainda duas semanas para que a irmã Joseph fizesse os procedimentos de cura do braço. Tenho medo de pensar o que acontecerá quando a irmã Joseph não trabalhar mais no hospital.

Tem muitas pessoas que vivem na floresta que não tem cobertura de uma assistência médica. É
difícil para eles vir ao hospital mais perto. Em geral, leva um dia ou mais para trazer uma pessoa
doente ao hospital. Se a pessoa está em situação grave, somente um milagre pode salvá‐la, mas se isso não acontece à morte é certa.

A poucos meses uma irmã das Irmãs do Espírito Santo, irmã Francisca, veio da Eslováquia para
Papua Nova Guiné para trabalhar num pequeno pronto socorro na floresta, perto do rio Sepik. Seu trabalho consistia em ajudar as outras irmãs de sua congregação a cuidar dos enfermos das aldeias pertencentes à estação católica de Timbunke. Numa quarta‐feira de cinzas, no final da tarde, irmã Francisca se sentiu mal. Depois de algumas horas teve um colapso e perdeu a consciência. As outras irmãs procuraram ajudá‐la, mas apesar da cultura médica delas não conseguiram fazer nada. Estavam impotentes. Não tinha como ajudá‐la. Também a idéia de transportá‐la ao hospital de Wewak parecia uma idéia fora da realidade, ou seja, fora do alcance delas para aquela situação grave. Timbunke não tem nenhuma estrada para a cidade. Para chegar ao hospital à única saída era pegar o barco a motor e seguir a corrente por cerca de 6 horas, mais umas 4 a 5 horas de carro. Quando escurece fazer isso é impossível. A jovem irmã de 24 anos morreu por causa de uma úlcera no estômago. Em um país civilizado a vida da irmã Francisca seria salva, coisa impossível ali. A impotência venceu mais uma vez.

Fatos como estes acima descritos não são excepcionais em Papua Nova Guiné e a nossa
realidade mostra que este país não é 100% um “Paraíso”. É um lugar onde emergem claramente a nossa impotência, deficiência, incapacidade; um lugar que sem o amor de Deus, a fé profunda e as orações que sustentam nossos benfeitores nós não conseguiremos resistir por muito tempo.
Porém, estamos neste país que ouviu falar de Jesus pela primeira vez há 120 anos atrás e
procuramos fazer o nosso melhor para sermos testemunhas do amor de Deus pelos outros.


Os primeiros missionários chegaram a Papua Nova Guiné em 1896. Se considerarmos as pequenas ilhas que agora pertencem ao território de Papua, devemos admitir que a primeira missa foi celebrada cerca de 30 anos antes de 1896,
em uma pequena ilha chamada Trobriand, mas oficialmente o início do trabalho missionário estável em Papua Nova Guiné data de 1896. Os seis missionários alemães da Congregação do
Verbo Divino chegaram à região setentrional (atualmente distrito da Diocese de Aitape) estabelecendo‐se na ilha de Tumleo. A chegada deles foi precedida de grandes preparativos. A pequena casa onde morariam e a igreja foram construídas pelos Irmãos Steyl. Eles também providenciaram alimentos, roupas, as sementes para cultivar verduras, as ferramentas para trabalhar a terra. Tudo foi trazido de navio
da Europa. O peso total da carga era de 50 toneladas. Um dos primeiros missionários escreveu
brincando com o seu superior que não tinha possibilidade de ofender o voto de pobreza. Depois
de 18 anos do início do trabalho missionário em Papua, o número de missionários chegou a 86,
mesmo tendo 27 deles morrido por complicações devido à malária e outras doenças tropicais e 30 padres ou irmãos doentes tendo retornado aos seus países de origem. Um passeio pelo cemitério de Alexishafen e Wirui nos ajuda a refletir como era difícil o trabalho missionário nos
anos de pioneirismo.

Este é o início do Cristianismo em Papua Nova Guiné. Mas como iniciou o trabalho dos
Palotinos em Papua?

Todo início é difícil, mas aceitar o desafio do desconhecido pode ser motivo de grande alegria. O desafio de anunciar a boa notícia em Papua Nova Guiné foi aceito dos Padres e Irmãos Palotinos em 1990. Raymond Kalisz SVD, bispo da Diocese de Wewak, pediu aos Palotinos que mandassem padres para a Província do leste de Sepik. Havia muitas paróquias sem padres e uma grande falta de padres que trabalhassem na diocese. O convite foi aceito e os dois primeiros Palotinos foram enviados à Papua Nova Guiné: Pe. Krzysztof Morka SAC e Pe. Marian
Wierzchowski SAC.
Ir. J. Namyślak, Pe. J. Bilik, Pe. L. Rykała, Pe. P. Kotecki,
Pe. G. Orsolin, Pe. D. Woźniak
Chegaram a Papua Nova Guiné cerca 100 anos depois do início do trabalho missionário neste país, mas isso não significava que depois de 100 anos de trabalho que o nosso fosse mais fácil. Eis os primeiros relatos dos missionários: “Em 30 de janeiro eu e Marian chegamos ao Porto moresby e pela primeira vez colocamos o pé na terra da Diocese de Wewak. Esta se tornou a terra prometida para nós, mandados por Deus para permanecer e trabalhar aqui (...). Estamos
sós aqui nesta terra estrangeira esperando ser sustentados por todas aquelas pessoas que prometeram rezar por nós (...). O que acontecerá somente Deus sabe. A nossa vida neste país será dedicada a descobrir os planos de Deus”.
Deus bendice o trabalho dos primeiros Palotinos e enviou mais sacerdotes e irmãos à Sua vinha plantada em Papua Nova Guiné: Pe. Andrzej Kozminski SAC e Pe. Piotr Czerwonka SAC (1991), Pe. Jerzy Suszko (30.05.1993), Pe. Jan Rykala SAC e Pe. Dariusz Wozniak SAC (01.11.1994), Pe. Jacek Bilik SAC (26.10.1996), Ir. Janusz Namyslak SAC (15.11.2002) e Pe. Pawel Kotecki SAC (4.11.2003). Houve então pedidos de dispensa da missão. As dispensas deram‐se por muitas razões, mas em grande parte foram por motivo de doenças. Alguns padres acima mencionados tornaram para a Polônia e iniciaram um trabalho pastoral ali ou em outros países. Atualmente somos 5 padres e 1 irmão que trabalham aqui em Papua Nova Guiné.Pe. G. Orsolin, Pe. J. Łuczak, Pe. P. Kotecki
Cada um de nós depois de ser introduzido no trabalho missionário e depois de fazer um curso
rápido de pidgin, começou o trabalho pastoral na paróquia compartilhando com as pessoas os
períodos bons, mas também os problemas e dificuldades, como enfrentar a solidão, lutar com os
pernilongos, matar cobras, lutar contra as crenças que ainda vivem o povo local, e aprender a
sobreviver na posição de quem não possui um carro... mas, tudo aquilo que fazemos, fazemos
como dizia São Vicente Pallotti: Ad Infinita Dei Gloria.

Os nossos corações estão cheios de alegria pelo trabalho pastoral que temos para desenvolver nas paróquias e pela oportunidade de ajudar os paroquianos em suas necessidades. Em Ulupu, onde Pe. Piotr Czerwonka é pároco, foi criada uma padaria na floresta. Um grupo de mulheres, viúvas e mães solteiras, se ocupam da padaria. Enfrentam muitas dificuldades para sustentar suas famílias. Para pagar a escola dos filhos, que não custa pouco (30 dólares para as primeiras séries do ensino fundamental cada ano e 650 dólares para as séries do ensino secundário) estas mulheres labutam muito. Todas as quintas‐feiras este grupo assa o pão que é vendido no mercado e permite de ganhar alguns trocados que ajuda as mães a pagar a mensalidade da escola das crianças. Mas para fazer este trabalho havia necessidade de um forno. Como transportar um na mata fechada? Para resolver o problema Pe. Piotr inventou um forno para a floresta. Para fazê‐lo ele usou tonéis de gasolina de 200 litros. Colocou estes tonéis em cima de tijolos e os cobriu com cimento para assegurar que o calor não saísse; colocou uma pequena porta em um dos fundos dos tonéis, ao passo que a fornalha foi colocada embaixo dos tonéis. Desta maneira Pe. Piotr e o grupo de mulheres podem desenvolver este extraordinário trabalho; todas as quintas‐feiras Pe. Piotr prepara pães frescos tão esperados por todos nós e que permite as mulheres pagar as taxas escolares.

As pessoas de Papua Nova Guiné são entusiastas em participar da organização das paróquias.
Elas colocam alma e coração quando preparam as atividades esportivas, piqueniques na praia e
trabalhos em pequenos grupos. Nos dias de festa as missas celebradas são cheias de danças
tradicionais que exprimem a alegria e felicidade deste povo. Jovens e crianças estão se
organizando em grupos, quais sejam: Antioquia, Juventude Católica, grupos musicais, jovens da
Legião de Maria. As crianças em geral freqüentam os cursos dominicais onde tem a oportunidade
conhecer e aprender sobre a fé católica. Os membros das escolas dominicais da paróquia Roma,
cujo pároco é Pe. Jacek, são maioria em relação aos membros das escolas dominicais das outras
paróquias. A cada domingo 600 crianças participam dos encontros para aprender alguma coisa
sobre Jesus e a Sua vida.


Os católicos em Papua Nova Guiné gostam muito de procissões. A distância destas procissões, que
freqüentemente é maior que 15 km, não os
desencorajam. As celebrações da sexta‐feira Santa preparada pela paróquia de Boran sempre se transformam em uma grande manifestação de fé. Não importa o tamanho: a Procissão de Via Crucis atrai o interesse de milhares de pessoas todos os anos.

O envolvimento dos paroquianos não seria possível se o pároco os tivesse abandonado. As paróquias são grandes e abrange muitas aldeias distantes da sede paroquial. O padre não consegue celebrar a missa em todas as aldeias que abrange a paróquia, todos os domingos. Por esta razão as “explorações”, isto é, as visitas do pároco as aldeias mais longínquas, são essenciais para a vida da paróquia. Freqüentemente não se consegue chegar a algumas aldeias de carro ou de moto. Tem somente um jeito: caminhar dezenas de quilômetros pela floresta. Geralmente estas explorações podem durar poucos dias ou algumas semanas. Durante estas visitas temos tempo para resolver os problemas da comunidade, para preparar Batismos, atender confissões, prepará‐los para a primeira comunhão e matrimônios. As pessoas que vivem nas aldeias são hospitaleiras e procuram fazer com que suas casas, feitas com materiais da floresta, sejam acolhedoras para o padre, compartilhando tudo aquilo que têm: alimentos saborosos (vermes que vivem nos troncos das palmas de sagu, filé de porco, cobra que tem o sabor de frango frito e batata doce que se assemelham as batatinhas vendidas nos fastfood). Quem está ali pode esquecer o banho nos banheiros modernos: somente o rio e os estoques de água estão a disposição.

Existem inúmeros exemplos que mostram a felicidade e alegria da vida missionária, como
também existem ainda muitos exemplos de desencorajamento. A pergunta sem resposta é: “Há
necessidade de mim aqui?”.

Um dos principais obstáculos que devemos superar é a barreira da crença ancestral,
profundamente enraizada. A espiritualidade dos habitantes de Papua Nova Guiné é eclética. A
crença deles parece a composição de dois elementos: a fé cristã, dominada das crenças ancestrais. Um bom exemplo pode ser o “sanguma”. Em pidgin a palavra “sanguma” quer dizer mágico, bruxo ou veneno. Quando ocorre uma morte imprevista na aldeia – especialmente a de um jovem – os habitantes interpretam esta morte como “saguma”. Todas as explicações dadas pelos médicos, de que a causa da morte pode ter sido por tuberculose, malaria ou AIDS, são inúteis para os familiares para os quais a causa da morte é somente uma “saguma”. A família procura o responsável pela morte, que pode ser até mesmo um da própria família ou um vizinho de outra aldeia. Qualquer que seja o resultado desta procura a sentença é sempre a mesma: morte. Em uma das aldeias da província de Chimbu, uma jovem morreu imprevistamente. Depois do funeral a família da jovem anunciou que uma senhora idosa de uma aldeia vizinha era a responsável pela morte de sua filha. A senhora idosa, que era manca, arbitrariamente condenada à morte, se refugiou junto aos seus familiares que viviam na cidade, esperando que com o passar dos anos a sentença seria esquecida. Depois de muitos anos ela retornou do exílio. A sentença não tinha sido esquecida. O seu corpo foi cortado com machado e facão e golpeado por uma lança.
Geralmente às quintas‐feiras, na prisão situada na paróquia de Boram, são ministradas as lições
de catequese. O pároco da paróquia de Boram estava entrando para ministrar as lições quando foi abordado pelo guarda do portão da entrada. O guarda contou ao pároco a história de um homem que tinha sido capturado e colocado na prisão. Este homem foi consultar um bruxo para pedir conselho do que ele deveria fazer para transformar‐se em um homem forte. O bruxo lhe disse que deveria matar seu filho caçula e comer suas vísceras. Ele o fez. Sacrificou a vida de seu filho para realizar um desejo ilusório de transformar‐se em um homem forte.

Outro grande obstáculo são as guerras tribais. Freqüentemente acontecem manifestações de
competição de prestígio, autoridade e intimidações uns com os outros. Também freqüentemente
ocorre derramamento de sangue. Recentemente duas aldeias fizeram guerra na paróquia de Roma. O motivo era um pedaço de terra, uma terra devastada, tapada de uma grama alta (kunai). Uma família havia plantado bananas, mas o proprietário da terra não gostou e cortou as bananeiras e o conflito começou a se agravar: discussões, rixas, etc. Um dia as partes se afrontaram com armas (roubadas da caserna da polícia ou feitas artesanalmente). Uma pessoa foi morta e outras seriamente feridas. O medo passou a reinar nas aldeias, as crianças ficavam fechadas dentro de casa em vez de irem à escola (os pais tinham medo que pudessem ser seqüestradas). A aldeia do homem que foi morto pediu um ressarcimento de 100.000 kina (cerca de 40.000 dólares). Mais cedo ou mais tarde, o dinheiro resolverá o problema. Mas quando a paz poderá reinar nas duas aldeias e seus habitantes se entender? É possível que isso
aconteça? A mentalidade de Papua Nova Guiné não conhece o significado da palavra “perdão”. Eventos como aqueles que aconteceram estão sempre vivos nas memórias das pessoas e
com o passar dos anos, as pessoas envolvidas na guerra ou nos episódios se tornam heróis. Esta guerra persiste até hoje e não apresenta sinais de que a agitação vá terminar logo.

Pe. Krzysztof Morka


Estas histórias narradas acima, alegres ou tétricas, aconteceram nas paróquias onde trabalham os Padres e Irmãos Palotinos. Esta é a nossa vida aqui, neste país chamado “Paraíso”. A nossa força e o nosso refúgio está em Deus e nas orações de todas aquelas pessoas que nos prometeram rezar por nós. Por favor, continuem a sustentar‐nos com as vossas orações e a vossa ajuda constante.

Agora trabalham em Papua Nuova Guiné os seguintes confrades palotinos: Pe. Bilik Jacek, Pe.
Kotecki Paweł, Pe. Morka Krzysztof, Ir. Namyślak Janusz, Pe. Rykała Jan e Pe. Woźniak Dariusz.