segunda-feira, 27 de setembro de 2010
DOMINGO MISSIONÁRIO PALOTINO 3 DE OUTUBRO 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
Arquidiocese acolhe os novos missionários
Aconteceu na Arquidiocese de Manaus um encontro para acolher os missionários que trabalham nas diversas paróquias. Abaixo temos a noticia que foi divulgada no site da arquidiocese de Manaus, dando um destaque para os missionários que já trabalham a há algum tempo em nossa paróquia palotina de S. Ângelo em Novo Airão.
Desde dia 13, a Coordenação de Pastoral da Arquidiocese de Manaus está realizando um Encontro de Introdução à Realidade da Arquidiocese de Manaus para missionários e missionárias recém chegados. O Encontro termina amanhã, dia 15 de abril, na sala A do CEFAM – Centro de Formação da Arquidiocese de Manaus.Segundo a Ir. Rosana, PIME, que faz parte da Coordenação de Pastoral, o objetivo do Encontro é “introduzir as pessoas recém chegadas à realidade pastoral da arquidiocese”. Participam do encontro 18 religiosos de diversas congregações religiosas.
Os temas trabalhados vão desde: com que atitude um missionário deve se aproximar da realidade; conjuntura sócio-pólítica-econômica e religiosa; diretório pastoral e administrativo; Plano de Evangelização da Arquidiocese de Manaus – PEAM; papel da Vida Religiosa na arquidiocese de Manaus. No encerramento do encontro, dom Mário Pasqualotto, bispo auxiliar, terá uma conversa com os novos missionários falará sobre as expectativas da Igreja de Manaus para com eles no apoio à evangelização. Em seguida será feito o envio desses novos missionários para que tenham as bênçãos e graças de Deus no cumprimento de sua missão.
Durante o Seminário sobre a Vida Religiosa Inserida, realizado em Recife-PE, no ano passado, foi feito um convite aos religiosos e religiosas presentes para a abertura de uma comunidade intercongregacional na paróquia de Novo Airão. A Ir. Sandra Ede, nascida no Rio de Janeiro, da congregação das Irmãs Dominicanas de Monteils, afirmou que o convite “bateu tanto o sonho da congregação de ter uma comunidade na Amazônia, como com o carisma da própria congregação”.
Há muito tempo os padres palotinos, que trabalham na paróquia de Novo Airão, vinham convidando as religiosas a trabalharem lá. A comunidade intercongregacional conta com 4 religiosas: duas irmãs azuis; uma salesiana e uma dominicana.
sábado, 17 de outubro de 2009
MENSAGEM DE BENTO XVI PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES
"As nações caminharão à sua luz" (Ap 21, 24). O objectivo da missão da Igreja é iluminar com a luz do Evangelho todos os povos em seu caminhar na história rumo a Deus, pois Nele encontramos a sua plena realização. Devemos sentir o anseio e a paixão de iluminar todos os povos, com a luz de Cristo, que resplandece no rosto da Igreja, para que todos se reúnam na única família humana, sob a amável paternidade de Deus.
"… O compromisso de anunciar o Evangelho aos homens de nosso tempo... é sem dúvida alguma um serviço prestado à comunidade cristã, mas também a toda a humanidade"(Evangelii nuntiandi, 1), que "apesar de conhecer realizações maravilhosas, parece ter perdido o sentido último das coisas e de sua própria existência"(Redemptoris missio, 2)… A missão da Igreja é "contagiar" de esperança todos os povos. Por isto, Cristo chama, justifica, santifica e envia os seus discípulos para anunciar o Reino de Deus, a fim de que todas as nações se tornem Povo de Deus. É somente nesta missão que se compreende e se confirma o verdadeiro caminho histórico da humanidade. A missão universal deve se tornar uma constante fundamental na vida da Igreja. Anunciar o Evangelho deve ser para nós, como já dizia o apóstolo Paulo, um compromisso urgente e inadiável.A Igreja Universal, sem confim e sem fronteiras, se sente responsável por anunciar o Evangelho a todos os povos (cfr. Evangelii nuntiandi, 53). Ela, germe de esperança por vocação, deve continuar o serviço de Cristo no mundo. A sua missão e o seu serviço não se limitam às necessidades materiais ou mesmo espirituais que se exaurem no âmbito da existência temporal, mas na salvação transcendente que se realiza no Reino de Deus. (cfr. Evangelii nuntiandi, 27). Este Reino, mesmo sendo em sua essência escatológico e não deste mundo (cfr. Jo 18,36), está também neste mundo e em sua história é força de justiça, paz, verdadeira liberdade e respeito pela dignidade de todo ser humano….
Está em questão a salvação eterna das pessoas, o fim e a plenitude da história humana e do universo. Animados e inspirados pelo Apóstolo dos Gentios, devemos estar conscientes de que Deus tem um povo numeroso em todas as cidades percorridas também pelos apóstolos de hoje (cfr. At 18, 10). De fato, "a promessa é em favor de todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor nosso Deus chamar "(At 2,39).
Toda a Igreja deve se empenhar na missio ad gentes, enquanto a soberania salvífica de Cristo não está plenamente realizada: "Agora, porém, ainda não vemos que tudo lhe esteja submisso"(Hb 2,8)….
É ainda de grande atualidade o que escreveu o meu venerado Predecessor Papa João Paulo II: "A comemoração jubilar descerrou-nos um cenário surpreendente, mostrando o nosso tempo particularmente rico de testemunhas, que souberam, ora dum modo ora doutro, viver o Evangelho em situações de hostilidade e perseguição até darem muitas vezes a prova suprema do sangue" (Novo millennio ineunte, 41).
A participação na missão de Cristo, de facto, destaca também a vida dos anunciadores do Evangelho, aos quais é reservado o mesmo destino de seu Mestre. "Lembrem-vos do que eu disse: nenhum empregado é maior do que seu patrão. Se perseguiram a mim, vão perseguir a vós também " (Jo 15,20). A Igreja se coloca no mesmo caminho e passa por tudo aquilo que Cristo passou, porque não age baseando-se numa lógica humana ou com a força, mas seguindo o caminho da Cruz e se fazendo, em obediência filial ao Pai, testemunha e companheira de viagem desta humanidade.
Às Igrejas antigas como as de recente fundação, recordo que são colocadas pelo Senhor como sal da terra e luz do mundo, chamadas a irradiar Cristo, Luz do mundo, até os extremos confins da terra. A missio ad gentes deve ser a prioridade de seus planos pastorais…
Rogo a todos os católicos para que peçam ao Espírito Santo que aumente na Igreja a paixão pela missão de proclamar o Reino de Deus e ajudar os missionários, as missionárias e as comunidades cristãs empenhadas nesta missão, muitas vezes em ambientes hostis de perseguição…
A todos, a minha Bênção.
Cidade do Vaticano, 29 de junho de 2009 BENEDICTUS PP. XVI
Para as células de Evangelização:
Já tomaste contacto com outras culturas ainda sem evangelização ou no início da mesma? Olhando essas realidades, e a nossa aqui, que sentido tem para nós a frase de São Paulo: “Ai de mim se eu não evangelizar”?
Pe. Marcelo
domingo, 27 de setembro de 2009
DOMINGO MISSIONÁRIO PALOTINO
4 de outubro de 2009

Papua Nova Guiné é uma das maiores nações insulares do Sul do Pacífico, alguns afirmam que é a mais bonita. A ilha possui um vasto território marítimo. Papua Nova Guiné é um país com uma infinita variedade de montanhas e vales, de rios sinuosos, grandes extensões de pântanos,
florestas impenetráveis e pequenas ilhas que parecem jóias colocadas no mar. Em nenhum outro país se encontra uma tão grande diversidade e discordância de línguas e
costumes em uma população tão pequena (cerca 5‐6 milhões de pessoas) como a de Papua Nova Guiné. É muito difícil precisar quantas pessoas vivem em Papua Nova Guiné, porque não foi feito nenhum censo do governo até hoje e a falta de comunicação com as aldeias mais longínquas torna impossível calcular o número exato da população que ali vive.
acima, existem ali muitas línguas e diversos dialetos (cerca de 380). Uma das aldeias situada perto da boca de Sepik (o maior rio da Papua Nova Guiné) é realmente maravilhosa. Os habitantes desta extraordinária aldeia usam duas línguas diferentes: as mulheres e os homens têm o seu próprio dialeto. O dialeto dos homens não tem nada em comum com aquele usado pelas mulheres. Ninguém sabe explicar como conseguem se entender. Talvez a linguagem do coração possa ser entendida por ambas as partes.
A existência de cada pessoa, em Papua, é ligada a existência da própria tribo e aldeia. A língua foi criada pela necessidade da aldeia. Na época primitiva, quando os homens brancos não haviam
ainda posto os pés sobre a terra de Papua Nova Guiné, as pessoas do lugar não tinham motivos de se deslocar de um lugar para outro. Se algum destemido fazia uma visita a um vizinho, arriscava ser assassinado.
Por isso não havia motivo de se aprender “a língua mãe” das outras tribos. De qualquer modo, na época da civilização e do desenvolvimento do transporte e das estradas, o problema da comunicação se tornou sério. Para fazer fronte às dificuldades, foi criada uma nova língua. Essa língua devia ser o mais simples possível, para que as pessoas de Papua pudessem aprendê‐la facilmente. Deste modo “pidgin English” (versãosimples do inglês) tornou‐se a língua comum de todos. Porém, ainda tem pessoas que não conseguem falar o pidgin. A maior parte destas pessoas que não conseguem se expressar em pidgin é composta de idosos que ainda recordam as duas guerras mundiais.
O sucesso de Papua é devido à maravilhosa variedade de fauna e flora que dá um sabor especial na vida do país. Onde quer que se vá pode‐se deliciar os olhos com as praias, barreiras de corais que são um paraíso subaquático, cadeia montanhosa com o pico mais alto, o monte Wolheln, a 400m acima do nível do mar, grama alta (kunai), fauna rica de muitas espécies, entre elas pássaros do Paraíso que se encontram somente neste país. Com razão Papua Nova Guiné é chamada “Paraíso”.
Em Papua poucas são as famílias compostas com menos de 6 filhos. Uma vez, durante um
funeral, me contaram a história da vida do defunto. Ele era pai de 6 filhos e 3 filhas, vô de 59
netos, 28 bisnetos e 6 tataranetos. As famílias com muitos filhos devem enfrentar muitos
problemas e dificuldades, tais como o desemprego e a falta de dinheiro, o que não permite aos
pais mandar os filhos para a escola, além da falta de assistência médica. Estes e muitos outros
problemas causam alta taxa de mortalidade, analfabetismo, divórcio, poligamia e alcoolismo. E, se estas dificuldades são obstáculos para uma vida feliz, existem muitas pessoas, especialmente os jovens, que desejam cumprir sua missão e serem pessoas felizes. Em uma aldeia uma mulher foi até o padre e disse: “Padre, meu marido não me ama”. O padre maravilhado lhe perguntou:
“Como tu percebeste que teu marido não te ama? Que acontecimento te levou a esta conclusão?”
Ela respondeu: “Porque ele não me bate!”. De um lado pode parecer uma história divertida,
inventada por uma mulher, mas de outro, este simples exemplo mostra que a violência está arraigada na rotina familiar em Papua Nova Guiné. As crianças crescem e tornam‐se imitadores dos comportamentos de seus pais. Elas não são somente testemunhas das boas ações de seus pais, mas também daquelas brutais e monstruosas.
Um dia fui a uma aldeia a visitar os enfermos. Tinha um homem com o braço inchado, quebrado e enfaixado. Perguntei‐lhe o que havia acontecido. Ele me disse que havia sido espancado pelo filho. É muito difícil romper uma corrente de violência, como também é difícil ajudar as vítimas da violência. Quando encontrei este homem, já estava há duas semanas a espera de uma visita médica. Ele tinha ido ao Hospital Geral de Wewak (principal hospital da nossa Província), mas quando chegou ali não tinha ninguém que pudesse ajudá‐lo: a cirurgiã que devia estar presente pegou alguns dias de descanso e ninguém sabia onde encontrá‐la. Trata‐se da irmã Joseph, de origem inglesa, da Congregação Passionista, médica e cirurgiã especializada. Ela é a pessoa que verdadeiramente leva em frente o hospital de Wewak. Ela não estaria atendendo no hospital pelas próximas duas semanas. O que quer dizer isso para um homem com o braço quebrado? Ele deveria esperar ainda duas semanas para que a irmã Joseph fizesse os procedimentos de cura do braço. Tenho medo de pensar o que acontecerá quando a irmã Joseph não trabalhar mais no hospital.
Tem muitas pessoas que vivem na floresta que não tem cobertura de uma assistência médica. É
difícil para eles vir ao hospital mais perto. Em geral, leva um dia ou mais para trazer uma pessoa
doente ao hospital. Se a pessoa está em situação grave, somente um milagre pode salvá‐la, mas se isso não acontece à morte é certa.
A poucos meses uma irmã das Irmãs do Espírito Santo, irmã Francisca, veio da Eslováquia para
Papua Nova Guiné para trabalhar num pequeno pronto socorro na floresta, perto do rio Sepik. Seu trabalho consistia em ajudar as outras irmãs de sua congregação a cuidar dos enfermos das aldeias pertencentes à estação católica de Timbunke. Numa quarta‐feira de cinzas, no final da tarde, irmã Francisca se sentiu mal. Depois de algumas horas teve um colapso e perdeu a consciência. As outras irmãs procuraram ajudá‐la, mas apesar da cultura médica delas não conseguiram fazer nada. Estavam impotentes. Não tinha como ajudá‐la. Também a idéia de transportá‐la ao hospital de Wewak parecia uma idéia fora da realidade, ou seja, fora do alcance delas para aquela situação grave. Timbunke não tem nenhuma estrada para a cidade. Para chegar ao hospital à única saída era pegar o barco a motor e seguir a corrente por cerca de 6 horas, mais umas 4 a 5 horas de carro. Quando escurece fazer isso é impossível. A jovem irmã de 24 anos morreu por causa de uma úlcera no estômago. Em um país civilizado a vida da irmã Francisca seria salva, coisa impossível ali. A impotência venceu mais uma vez.
Fatos como estes acima descritos não são excepcionais em Papua Nova Guiné e a nossa
realidade mostra que este país não é 100% um “Paraíso”. É um lugar onde emergem claramente a nossa impotência, deficiência, incapacidade; um lugar que sem o amor de Deus, a fé profunda e as orações que sustentam nossos benfeitores nós não conseguiremos resistir por muito tempo.
Porém, estamos neste país que ouviu falar de Jesus pela primeira vez há 120 anos atrás e
procuramos fazer o nosso melhor para sermos testemunhas do amor de Deus pelos outros.
Os primeiros missionários chegaram a Papua Nova Guiné em 1896. Se considerarmos as pequenas ilhas que agora pertencem ao território de Papua, devemos admitir que a primeira missa foi celebrada cerca de 30 anos antes de 1896,em uma pequena ilha chamada Trobriand, mas oficialmente o início do trabalho missionário estável em Papua Nova Guiné data de 1896. Os seis missionários alemães da Congregação do
Verbo Divino chegaram à região setentrional (atualmente distrito da Diocese de Aitape) estabelecendo‐se na ilha de Tumleo. A chegada deles foi precedida de grandes preparativos. A pequena casa onde morariam e a igreja foram construídas pelos Irmãos Steyl. Eles também providenciaram alimentos, roupas, as sementes para cultivar verduras, as ferramentas para trabalhar a terra. Tudo foi trazido de navio
da Europa. O peso total da carga era de 50 toneladas. Um dos primeiros missionários escreveu
brincando com o seu superior que não tinha possibilidade de ofender o voto de pobreza. Depois
de 18 anos do início do trabalho missionário em Papua, o número de missionários chegou a 86,
mesmo tendo 27 deles morrido por complicações devido à malária e outras doenças tropicais e 30 padres ou irmãos doentes tendo retornado aos seus países de origem. Um passeio pelo cemitério de Alexishafen e Wirui nos ajuda a refletir como era difícil o trabalho missionário nos
anos de pioneirismo.
Este é o início do Cristianismo em Papua Nova Guiné. Mas como iniciou o trabalho dos
Palotinos em Papua?
Todo início é difícil, mas aceitar o desafio do desconhecido pode ser motivo de grande alegria. O desafio de anunciar a boa notícia em Papua Nova Guiné foi aceito dos Padres e Irmãos Palotinos em 1990. Raymond Kalisz SVD, bispo da Diocese de Wewak, pediu aos Palotinos que mandassem padres para a Província do leste de Sepik. Havia muitas paróquias sem padres e uma grande falta de padres que trabalhassem na diocese. O convite foi aceito e os dois primeiros Palotinos foram enviados à Papua Nova Guiné: Pe. Krzysztof Morka SAC e Pe. Marian
Wierzchowski SAC.
sós aqui nesta terra estrangeira esperando ser sustentados por todas aquelas pessoas que prometeram rezar por nós (...). O que acontecerá somente Deus sabe. A nossa vida neste país será dedicada a descobrir os planos de Deus”.
Pe. G. Orsolin, Pe. J. Łuczak, Pe. P. Koteckirápido de pidgin, começou o trabalho pastoral na paróquia compartilhando com as pessoas os
períodos bons, mas também os problemas e dificuldades, como enfrentar a solidão, lutar com os
pernilongos, matar cobras, lutar contra as crenças que ainda vivem o povo local, e aprender a
sobreviver na posição de quem não possui um carro... mas, tudo aquilo que fazemos, fazemos
como dizia São Vicente Pallotti: Ad Infinita Dei Gloria.
Os nossos corações estão cheios de alegria pelo trabalho pastoral que temos para desenvolver nas paróquias e pela oportunidade de ajudar os paroquianos em suas necessidades. Em Ulupu, onde Pe. Piotr Czerwonka é pároco, foi criada uma padaria na floresta. Um grupo de mulheres, viúvas e mães solteiras, se ocupam da padaria. Enfrentam muitas dificuldades para sustentar suas famílias. Para pagar a escola dos filhos, que não custa pouco (30 dólares para as primeiras séries do ensino fundamental cada ano e 650 dólares para as séries do ensino secundário) estas mulheres labutam muito. Todas as quintas‐feiras este grupo assa o pão que é vendido no mercado e permite de ganhar alguns trocados que ajuda as mães a pagar a mensalidade da escola das crianças. Mas para fazer este trabalho havia necessidade de um forno. Como transportar um na mata fechada? Para resolver o problema Pe. Piotr inventou um forno para a floresta. Para fazê‐lo ele usou tonéis de gasolina de 200 litros. Colocou estes tonéis em cima de tijolos e os cobriu com cimento para assegurar que o calor não saísse; colocou uma pequena porta em um dos fundos dos tonéis, ao passo que a fornalha foi colocada embaixo dos tonéis. Desta maneira Pe. Piotr e o grupo de mulheres podem desenvolver este extraordinário trabalho; todas as quintas‐feiras Pe. Piotr prepara pães frescos tão esperados por todos nós e que permite as mulheres pagar as taxas escolares.
As pessoas de Papua Nova Guiné são entusiastas em participar da organização das paróquias.
Elas colocam alma e coração quando preparam as atividades esportivas, piqueniques na praia e
trabalhos em pequenos grupos. Nos dias de festa as missas celebradas são cheias de danças
tradicionais que exprimem a alegria e felicidade deste povo. Jovens e crianças estão se
organizando em grupos, quais sejam: Antioquia, Juventude Católica, grupos musicais, jovens da
Legião de Maria. As crianças em geral freqüentam os cursos dominicais onde tem a oportunidade
conhecer e aprender sobre a fé católica. Os membros das escolas dominicais da paróquia Roma,
cujo pároco é Pe. Jacek, são maioria em relação aos membros das escolas dominicais das outras
paróquias. A cada domingo 600 crianças participam dos encontros para aprender alguma coisa
sobre Jesus e a Sua vida.

Os católicos em Papua Nova Guiné gostam muito de procissões. A distância destas procissões, que
freqüentemente é maior que 15 km, não os
desencorajam. As celebrações da sexta‐feira Santa preparada pela paróquia de Boran sempre se transformam em uma grande manifestação de fé. Não importa o tamanho: a Procissão de Via Crucis atrai o interesse de milhares de pessoas todos os anos.
O envolvimento dos paroquianos não seria possível se o pároco os tivesse abandonado. As paróquias são grandes e abrange muitas aldeias distantes da sede paroquial. O padre não consegue celebrar a missa em todas as aldeias que abrange a paróquia, todos os domingos. Por esta razão as “explorações”, isto é, as visitas do pároco as aldeias mais longínquas, são essenciais para a vida da paróquia. Freqüentemente não se consegue chegar a algumas aldeias de carro ou de moto. Tem somente um jeito: caminhar dezenas de quilômetros pela floresta. Geralmente estas explorações podem durar poucos dias ou algumas semanas. Durante estas visitas temos tempo para resolver os problemas da comunidade, para preparar Batismos, atender confissões, prepará‐los para a primeira comunhão e matrimônios. As pessoas que vivem nas aldeias são hospitaleiras e procuram fazer com que suas casas, feitas com materiais da floresta, sejam acolhedoras para o padre, compartilhando tudo aquilo que têm: alimentos saborosos (vermes que vivem nos troncos das palmas de sagu, filé de porco, cobra que tem o sabor de frango frito e batata doce que se assemelham as batatinhas vendidas nos fastfood). Quem está ali pode esquecer o banho nos banheiros modernos: somente o rio e os estoques de água estão a disposição.
Existem inúmeros exemplos que mostram a felicidade e alegria da vida missionária, como
também existem ainda muitos exemplos de desencorajamento. A pergunta sem resposta é: “Há
necessidade de mim aqui?”.
Um dos principais obstáculos que devemos superar é a barreira da crença ancestral,
profundamente enraizada. A espiritualidade dos habitantes de Papua Nova Guiné é eclética. A
crença deles parece a composição de dois elementos: a fé cristã, dominada das crenças ancestrais. Um bom exemplo pode ser o “sanguma”. Em pidgin a palavra “sanguma” quer dizer mágico, bruxo ou veneno. Quando ocorre uma morte imprevista na aldeia – especialmente a de um jovem – os habitantes interpretam esta morte como “saguma”. Todas as explicações dadas pelos médicos, de que a causa da morte pode ter sido por tuberculose, malaria ou AIDS, são inúteis para os familiares para os quais a causa da morte é somente uma “saguma”. A família procura o responsável pela morte, que pode ser até mesmo um da própria família ou um vizinho de outra aldeia. Qualquer que seja o resultado desta procura a sentença é sempre a mesma: morte. Em uma das aldeias da província de Chimbu, uma jovem morreu imprevistamente. Depois do funeral a família da jovem anunciou que uma senhora idosa de uma aldeia vizinha era a responsável pela morte de sua filha. A senhora idosa, que era manca, arbitrariamente condenada à morte, se refugiou junto aos seus familiares que viviam na cidade, esperando que com o passar dos anos a sentença seria esquecida. Depois de muitos anos ela retornou do exílio. A sentença não tinha sido esquecida. O seu corpo foi cortado com machado e facão e golpeado por uma lança.
de catequese. O pároco da paróquia de Boram estava entrando para ministrar as lições quando foi abordado pelo guarda do portão da entrada. O guarda contou ao pároco a história de um homem que tinha sido capturado e colocado na prisão. Este homem foi consultar um bruxo para pedir conselho do que ele deveria fazer para transformar‐se em um homem forte. O bruxo lhe disse que deveria matar seu filho caçula e comer suas vísceras. Ele o fez. Sacrificou a vida de seu filho para realizar um desejo ilusório de transformar‐se em um homem forte.
Outro grande obstáculo são as guerras tribais. Freqüentemente acontecem manifestações de
competição de prestígio, autoridade e intimidações uns com os outros. Também freqüentemente
ocorre derramamento de sangue. Recentemente duas aldeias fizeram guerra na paróquia de Roma. O motivo era um pedaço de terra, uma terra devastada, tapada de uma grama alta (kunai). Uma família havia plantado bananas, mas o proprietário da terra não gostou e cortou as bananeiras e o conflito começou a se agravar: discussões, rixas, etc. Um dia as partes se afrontaram com armas (roubadas da caserna da polícia ou feitas artesanalmente). Uma pessoa foi morta e outras seriamente feridas. O medo passou a reinar nas aldeias, as crianças ficavam fechadas dentro de casa em vez de irem à escola (os pais tinham medo que pudessem ser seqüestradas). A aldeia do homem que foi morto pediu um ressarcimento de 100.000 kina (cerca de 40.000 dólares). Mais cedo ou mais tarde, o dinheiro resolverá o problema. Mas quando a paz poderá reinar nas duas aldeias e seus habitantes se entender? É possível que isso
aconteça? A mentalidade de Papua Nova Guiné não conhece o significado da palavra “perdão”. Eventos como aqueles que aconteceram estão sempre vivos nas memórias das pessoas e
com o passar dos anos, as pessoas envolvidas na guerra ou nos episódios se tornam heróis. Esta guerra persiste até hoje e não apresenta sinais de que a agitação vá terminar logo.
Pe. Krzysztof MorkaAgora trabalham em Papua Nuova Guiné os seguintes confrades palotinos: Pe. Bilik Jacek, Pe.
Kotecki Paweł, Pe. Morka Krzysztof, Ir. Namyślak Janusz, Pe. Rykała Jan e Pe. Woźniak Dariusz.
domingo, 14 de dezembro de 2008
Partilhar, explicar, fazer conhecer... em Missiologia!
Dentre tantos bons sentimentos, assuntos mais sérios e recordações, Pe. João Pedro demonstrou interesse por saber mais sobre o estudo que estou fazendo. Era uma justa curiosidade! E foi assim que nasceu a idéia de tornar mais claro, para todos os palotinos e palotinas, leigos, irmãs e padres, o estudo de Missiologia que estou me especializando.
Gostei da idéia e, sem muita demora, faço uma primeira apresentação. Sim, depois de refletir alguns dias, pensei em fazer esta apresentação em etapas, com pequenos textos semanais (eu espero!), que explicassem passo a passo aquilo que a Missiologia propõe.
O primeiro texto, este que você lê, será uma apresentação geral; os seguintes serão mais específicos, apresentando as matérias que fiz, as que estou fazendo e aquelas que ainda estão previstas. Apresentarei, também, o tema de minha tese.
Espero que o texto não fique pesado. Com a ajuda do Kalendarium de minha faculdade, farei o possível para que a Missiologia se torne, também para cada um de vocês, uma matéria conhecida e, quem sabe, também amada! Vamos lá!
“Como Pai me enviou, também eu vos envio” Jo 20, 21
A faculdade de Missiologia, diz a apresentação do curso no Kalendarium, quer promover o estudo e a pesquisa em matéria missiológica. “Fiel à divina Revelação e ao Magistério eclesial a faculdade de Missiologia propõe, através da investigação bíblica e teológica, histórica e antropológica, aprofundar a natureza e as atividades da missão da Igreja; promover a relação entre o Evangelho, as diferentes culturas e a vida social em nosso tempo; favorecer um sério conhecimento sobre as religiões não cristãs, oferecendo fundamentos teológicos e pistas pastorais para o diálogo inter-religioso; e ainda, estudar a própria transmissão da mensagem evangélica e seus caminhos, suas vias de divulgação.”
A Missiologia faz parte daquela parte da teologia, mais nova como reflexão, chamada Teologia Pastoral. Além daquelas fontes religiosas, como a Sagrada Escritura, a vida da Igreja e o Magistério, a Teologia Pastoral faz uso de outras ciências, como a psicologia, a antropologia, a sociologia, a pedagogia... É por isso que, para a reflexão em Missiologia, por exemplo, a antropologia cultural e a sociologia são de grande importância. É uma ciência teológica interdisciplinar, portanto.
Porque a Igreja é por sua natura missionária (cf.AG 2) e porque a missão é, num senso estreito, o anúncio de Nosso Senhor Jesus Cristo àqueles que não o conhecem, o programa acadêmico prioriza a missão ad gentes, para motivar e orientar aquele anúncio e a fundação e o crescimento da comunidade eclesial onde ela ainda não existe. Ao mesmo tempo, o programa reflete sobre a vocação missionária de cada batizado e de cada comunidade cristã, orientando-os em suas atividades evangelizadoras propriamente no lugar onde estão presentes, participando-os na missão universal da Igreja.
Enfim, através da investigação acadêmica a Faculdade de Missiologia se propõe três objetivos:
1. Formar espertos no estudo dos pontos fundamentais e vitais na reflexão missiológica, tais como: a salvação em Cristo e o problema da salvação nas outras religiões; a natureza missionária da Igreja e as novas atividades evangelizadoras; o diálogo ecumênico e a unidade dos cristãos; o diálogo interreligioso; a inculturação do Evangelho; a ação evangelizadora e a transmissão da mensagem cristã; a evangelização e a promoção humana; a animação e a cooperação missionária e a espiritualidade missionária.
2. Preparar professores e formadores, principalmente nas áreas da teologia da missão, da evangelização e pastoral missionárias, da catequese e do diálogo com as religiões.
3. Sustentar a qualificação de agentes e responsáveis pela catequese, pela pastoral, pelas comunidades, para que possam pensar e traçar seus planos pastorais com a consciência eclesial do anuncio, da missão.
No caminho de formação em Missiologia existem três etapas, ou melhor, três ciclos que, por sua vez, vão aprofundando os assuntos nesta área: o primeiro ciclo é realizado com um ano de bacharelado (para uma séria formação missionária de base); o segundo é o mestrado, feito em dois anos (onde se escolhe uma das seguintes especializações: “Teologia Missionária”, “Evangelização e Pastoral Missionária” e “Missão e Religiões”) e o terceiro ciclo é o doutorado, feito em dois anos, onde se especializa na pesquisa missiológica.
Acredito que esta breve apresentação já nos permite saber a dimensão da reflexão em Missiologia. Desde o tempo do seminário pensava sobre a missão. Ou melhor, pensava somente no ato missionário, isto é, no “ir e evangelizar”.
Em meu trabalho de conclusivo em teologia, no Mosteiro de São Bento, procurei relacionar o mandato missionário de Jesus (em Marcos, Mateus, Lucas e João) com a idéia original de nosso fundador, São Vicente Pallotti: a União do Apostolado Católico deveria ser um jeito novo, atual, moderno, adaptado para o nosso hoje, de como evangelizar, de como anunciar o Senhor Jesus Cristo.
Quando me foi proposto vir a Roma para estudar, logo propus a Missiologia como especialização. E a proposta foi aceita. Ao começar os estudos no primeiro ciclo, o bacharelado, me deparei com uma dimensão muito mais ampla no discurso sobre a missão e a evangelização. Confesso que me assustei. Aquela visão “romântica” de ir pelo mundo para levar a salvação a todos não correspondia com a realidade... Não foi coisa fácil! Percebi que o tema é muito mais complicado, mas não menos atraente!
Assim, dentro de mim, aconteceu uma segunda resposta, confirmando aquela primeira: “Mesmo desafiante assim, quero conhecer mais sobre a Missão. Quero conhecer a realidade da atividade missionária. Quero entrar em contato com o diferente... de cultura e religião diferentes... para aprender e para ensinar! Quero fazer este caminho, formar-me, para que possa formar outros na coragem de se abrir e entrar em diálogo e na troca de experiências de vida!”
Nos próximos textos apresentarei os cursos já feitos no ano de bacharelado e aqueles que estão e serão ainda feitos.
Com meu abraço, pe. Daniel Luz Rocchetti SAC
sábado, 4 de outubro de 2008
Domingo Missionário Palotino 2008
Este ano queremos apresentar a realidade missionária da Delegatura «Santa Teresa do Menino Jesus», Colômbia e Venezuela, da Província "Cristo Rei". O fazemos com o objetivo de crescermos na colaboração entre as Províncias/ Regiões, de sermos próximos aos confrades que trabalham nas missões e de conhecermos mais profundamente o trabalho missionário polotino.
Esperamos que este material inspire e ajude na preparação da Celebração Eucarística do Domingo Missionário. Recomendamos também, para tal fim, a Mensagem do Papa Bento XVI de 11 de maio de 2008. Na alegria de poder servir a Deus e aos irmãos através do nosso trabalho missionário, vos saúdo na paz de Cristo. Que Maria, Rainha dos Apóstolos e São Vicente Pallotti nos acompadre sempre nesta caminhada.
Pe. Gilberto Orsolin SAC - Secretário Geral para as Missões
A DELEGATURA DA PROVINCIA POLONESA “CRISTO REI” NA COLÔMBIA E VENEZUELA
A Delegatura da Província polonesa “Cristo Rei” denominada Santa Tereza do Menino Jesus, tem 10 anos de existência. Os primeiros 6 palotinos da Província polonesa “Cristo Rei” chegaram ao mesmo tempo no território colombiano e venezuelano em outubro de 1997. Três deles permaneceram em Medellín, na Colômbia, e os outros 3 em Guarenas, na Venezuela. Após uma curta preparação nas primeiras paróquias, em 1998 receberam a Paróquia da Assunção de Maria em Guarenas , perto de Caracas, e a Paróquia de Santa Helena próximo a Medellín, que deixaram depois de 2 anos para começar o trabalho pastoral na Paróquia da Epifania em Bello. Elenco das casa da Sociedade do Apostolado Católico na Colômbia e Venezuela:
Guarenas – Paróquia Assunção de Maria, Paróquia Santa Helena.
Upata – Paróquia Santo Antônio de Pádua, Paróquia São Francisco de Assis, Paróquia São Vicente Palloti.
Bello – Paróquia da Epifania.
Medellín – Casa de Formação.
Bogotá – Paróquia Maria Reina, Paróquia Nossa Senhora das Angustias.
Manteco – Paróquia S. Teresa de Ávila.
Padres P. Adam Gasior SAC é pároco da Paróquia da Epifania em Bello (Colômbia) e ele nos falou do que significa para os missionários promover a paz e a justiça frente a tantos desafios pastorais, sociais e econômicos na Colômbia. Disse:
“A obra mais significativa para mim, que é como uma resposta mais eficaz para a situação social das pessoas, é o Lar João Paulo II. É um Lar preventivo para a população infantil do município de Bello e de outros municípios em torno, originários de famílias numerosas, em conflito social, de baixos recursos econômicos, etc. Com o apoio da comunidade, das atividades realizadas na Paróquia da Epifania e com o respaldo de alguns paroquianos, abrigamos 24 menores aos quais oferecemos alimentação, educação, saúde, entre outros. Porém, não se trata somente de suprir estas necessidades que certamente são tão importantes para o desenvolvimento de cada criança. Um dos nossos objetivos é que nossas crianças vivam num ambiente equilibrado, onde gozam de segurança e de um lar, para que mais adiante possam ter relações construtivas com os demais, ter êxito nos estudos, e no trabalho, ser produtivos e com capacidade para se adaptar às mudanças. Minha meta com este trabalho é formar pessoas íntegras tanto em valores morais como espirituais, desenvolvendo a plenitude das atitudes, habilidades, faculdades e capacidades físicas e intelectuais com o objetivo de formar bom núcleo familiar e social.
O problema grave que os missionários enfrentam na Colômbia é a falta de reconciliação e a dor que cresce por causa da violência, o narcotráfico e a onipresente guerrilha. É por este motivo que promovemos a Devoção à Divina Misericórdia. Além das celebrações temos a adoração ao Santíssimo durante todo o dia e a possibilidade de confissão. Esta devoção atrai não só pessoas da comunidade, mas também de diferentes lugares da região metropolitana. O nosso trabalho pastoral também se realiza a través da caridade, dando atenção a mais de 130 enfermos que moram na área paroquial, através da Pastoral da Saúde. Contamos com um restaurante para 30 crianças”.








