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sábado, 25 de outubro de 2014

Pe. Leslaw Gwarek SAC


No dia 23 de outubro em Odivelas faleceu Pe. Leslaw Gwarek SAC, por muitos anos foi o provincial dos padres palotinos. Era  especialista da Sagrada Escritura e havia viajado para Odivelas / Portugal para pregar sobre Missões.
Alguns dias antes havia enviado para Pe. Jan Sopicki SAC  (eles foram da mesma turma no seminário, e se ordenaram juntos) para que este traduzisse para o português, a homilia que ele iria fazer no domingo 26 de outubro. Mas não deu tempo. O Pai das Misericórdias o chamou de volta. Agora esta homilia será lida aqui por Pe. Jan Sopicki, no todas as Santas Missas em Santuário da Divina Misericórdia no Rio de Janeiro. Cabe a nós,  agradecermos a Deus ter-nos emprestado pe. Leslaw e por seus 38 anos de vida sacerdotal. Muitos o conheceram quando enriqueceu o I Congresso Arquidiocesano da Divina Misericórdia em 2012 no Santuário da Divina Misericórdia no Rio de Janeiro  com a palestra “Misericórdia na Missão da Igreja-João Paulo II”.

Que pelas mãos de Nossa Senhora Mãe de Misericórdia, ele encontre a Jesus Misericordioso! 

HOMILIA PARA DOMINGO DAS MISSÕES
Cada ano, em outubro, celebramos o Dia Mundial das Missões. Neste ano o Papa Francisco assim escreveu em sua mensagem: 
“O Dia Mundial das Missões é um momento privilegiado para os fiéis dos vários Continentes se empenharem, com a oração e gestos concretos de solidariedade, no apoio às Igrejas jovens dos territórios de missão. Trata-se de uma ocorrência permeada de graça e alegria: de graça, porque o Espírito Santo, enviado pelo Pai, dá sabedoria e fortaleza a quantos são dóceis à sua ação; de alegria, porque Jesus Cristo, Filho do Pai, enviado a evangelizar o mundo, sustenta e acompanha a nossa obra missionária.” 
Alegramo-nos e somos gratos a Deus, porque a Sociedade do Apostolado, a província polonesa da Anunciação do Senhor e os Padres Palotinos são participantes da atividade missionária da Igreja. Os nossos coirmãos anunciam Cristo para aqueles que ainda não O conhecem ou ajudam as Igrejas novas na sua missão. Os nossos missionários trabalham na Coréia do Sul, Papua, Nova Guiné – de um lado do mundo e no Brasil e México, do outro lado. Dizemos, brincando, que o sol sempre brilha sobre a nossa Província. Trabalhamos também numa Igreja renascente na Bielorrússia. 
Gostaria de partilhar com Vocês a minha experiência com os nossos missionários em Papua, Nova Guiné.
Quando visitei os nossos coirmãos, na qualidade de superior, não queria só ouvir o que eles contavam sobre o seu trabalho. Passei alguns dias junto a cada um deles, experimentando o que quer dizer estar presente e trabalhar em diversas missões.
Lembro-me de um domingo com o Pe. Cristóvão, que trabalhava no rio Sepik. Este rio é grande, com quase mil e duzentos quilômetros km de comprimento, que nesta altura, tem quase quatrocentos metros de largura e oitenta metros de profundidade. Podem entrar nele os navios marítimos até oitocentos quilômetros km do mar. 
Papua, Nova Guiné é a segunda maior ilha do mundo localizada perto do equador. Isso significa que tem o clima tropical, o sol nasce às 6h e se põe às 18h. Pe. Cristóvão visitou várias comunidades ribeirinhas.
Naquele dia levantamo-nos às 5h, preparamos o nosso café da manhã e  tudo o necessário para a viagem. Foi preciso levar tudo para a celebração das Missas, além combustível para o barco, água potável, etc. Saindo da casa do Pe. Cristóvão eu levei tudo isso e ele carregou o motor do barco. Por prudência o guardamos em casa para não ser roubado. Já na porta de casa estavam esperando por nós os mosquitos que não nos deixaram em paz até o momento da partida. O bote era pequeno, de três metros de cumprimento, com  motor de quinze cavalos. Embarcamos com tudo isso e partimos. No rio tivemos que ter muito cuidado por causa de troncos de árvores flutuando nas águas como também do capim flutuante. Em nosso barquinho nem dava para se movimentar. Quando queria mudar a posição tinha que avisar ao Pe. Cristóvão para segurar o leme como mais força. Depois de duas horas de viagem, chegamos para à aldeia. Todas as casas foram construídas sobre palafitas, porque a diferença de nível de água entre o tempo de seca e das enchentes é de oito metros.
Pe. Cristóvão primeiro atendeu as confissões e eu visitei a aldeia. A maior alegria era das crianças que me acompanhavam e matavam os mosquitos que me atacavam. A capela também foi construída sobre palafitas. Como chão serviram os galhos, algo parecido com a cerca em volta e o telhado de folhas de palmeiras. Debaixo da capela ardiam alguns troncos de madeira e a fumaça enchia a capela. A fumaça devia espantar os mosquitos, mas eles não levaram isso em conta. Durante a Missa no altar havia algumas pencas de galhos que serviam para o celebrante matar os mosquitos durante a celebração. Depois da Missa houve uma reunião com a liderança a respeito da formação de atividades pastorais para as  próximas semanas, porque o Pe. Cristóvão poderia voltar aí uma vez por mês. Retornamos para o nosso barquinho e nos dirigimos para a próxima aldeia.
A situação se repete. Depois da segunda Missa sentimos fome. Ninguém nos ofereceu nada para comer. Pe. Cristóvão levou consigo um pouco de arroz. Pedimos a um dos líderes que nos cozinhasse este arroz. Fomos para a sua casa nos palafitas, como as  outras casas da aldeia. Fiquei surpreendido porque a casa não tinha paredes, camas ou outros móveis. A única coisa que existia era uma grande bacia onde havia fogo aceso. Eles dormem no chão de galhos, não tem móveis, por causa do clima tropical e por não precisarem de muita roupa para se vestir. As roupas que possuem penduram nos ganchos de madeira debaixo da cobertura.
Quando o arroz estava pronto, sentamo-nos no chão e recebemos dois pratos de plástico. Em volta estava sentada a família olhando para o nosso arroz. Deste jeito logo perdemos a vontade de continuar comendo. Passei o prato com arroz para o dono da casa e o Pe. Cristóvão para o outro homem. Quando eles comiam todos olhavam para eles como se pedissem: deixem algo para nós. Os pratos com arroz passavam para os mais novos. Tivemos que ir embora. De novo, viajamos de barco durante três horas, até chegarmos à nossa missão. O calor continuava. O sol refletia na água, mas pelo menos, não havia mosquitos durante a viagem. Voltamos antes do pôr do sol. Tivemos que carregar tudo de novo para a nossa casa acompanhados, de novo, pelos mosquitos. Entramos em casa perguntando: e agora? Vamos tomar banho, preparamos alguma coisa para comer ou vamos dormir? 
Recentemente, Pe. Cristóvão voltou à Polônia depois de vinte anos nas missões. Freqüentemente tem ataques de malária e a sua saúde ficou comprometida.
Um dos nossos missionários, que atualmente trabalha na Papua, Nova Guiné, viaja de barco entre as ilhas oceânicas, no litoral oriental da ilha, atendendo a oito ilhas. Para a mais distante ele precisa fazer quase duzentos e cinqüenta quilômetros. Quando sai, no início de dezembro, só retorna no final de janeiro. Brincamos com ele dizendo que, aonde ele chegava, para os moradores era o dia de Natal. 
Peço a vocês que rezem pelos nossos coirmãos missionários, porque eles precisam muito de orações. Todos eles já pegaram a malária. Se for possível, peço a vocês uma ajuda material e ajuda para as nossas missões. Desde já, agradeço a todos pela ajuda e pelas orações. 
O Papa Francisco assim escreveu na sua mensagem: “Deus ama quem dá com alegria” (2 Cor 9,7). O Dia Mundial das Missões é também um momento propício para reavivar o desejo e o dever moral de participar jubilosamente na missão ad gentes. A contribuição monetária pessoal é sinal de uma oblação de si mesmo, primeiramente ao Senhor e depois aos irmãos, para que a própria oferta material se torne instrumento de evangelização de uma humanidade edificada no amor.
Agradeço ao Prior, Senhor Padre João Francisco, pelo convite para visitar vocês e a possibilidade de dizer algo sobre as nossas missões.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

DOMINGO MISSIONÁRIO PALOTINO 5 DE OUTUBRO DE 2014


DOM HENRIQUE VIETER, APÓSTOLO FUNDADOR DA IGREJA CATÓLICA EM CAMARÕES

Por ocasião da celebração do centenário da morte do primeiro bispo palotino de Camarões, D. Henrique Vieter (1853-1914), falecimento acontecido a 7 de novembro de 1914 em Yaoundé, Camarões.
O nosso Domingo Missionário neste ano, dia 5 de outubro de 2014, é dedicado a esta importantíssima figura missionária. O Bispo Vieter foi importante para o nascimento e o desenvolvimento da Igreja em Camarões, e mesmo para o enraizamento de nosso carisma palotino em território alemão, na Polônia e em outras regiões do mundo, e do nascimento do ramo missionário das Irmãs Palotinas. Recordamos com muito afeto este nosso coirmão, arauto da evangelização de Camarões, rezando pela continuidade das suas obras apostólicas e sustentando-as em Camarões e em toda a família palotina. Que seu processo de beatificação já encaminhado em Camarões possa ter um êxito positivo.

1.      BREVE BIOGRAFIA
Gerardo Henrique (Gerard Heinrich) Vieter nasceu a 13 de fevereiro de 1853 em Cappenberg, na diocese de Münster, Alemanha, e foi batizado a 16 de fevereiro do mesmo ano. Recebeu a primeira comunhão a 25 de abril de 1866, e alguns meses depois, a crisma. Carpinteiro de formação, o jovem Vieter sempre sentiu o desejo de ser sacerdote. Deus escutou e realizou seu desejo encaminhando-o à comunidade dos Palotinos de Roma, onde foi acolhido pelo Reitor Geral, Pe. Faá di Bruno. Fez os estudos filosóficos em Masio, Itália, e a teologia na Gregoriana, de Roma, sendo premiado com uma medalha em Dogmática. A 8 de maio de 1887 foi ordenado sacerdote. Depois de um breve e bem realizado apostolado em Masio, como reitor da casa de formação, e em Caxias do Sul, Brasil, como capelão dos imigrantes italianos, foi nomeado Prefeito Apostólico em Camarões, em 22 de julho de 1890. Esta Prefeitura Apostólica foi criada a 18 de março de 1890 e confiada aos Palotinos. A 20 de dezembro de 1904 a Prefeitura foi transformada em Vicariato Apostólico e Pe. Henrique Vieter foi nomeado Vigário Apostólico, recebendo a dignidade episcopal na Catedral de S. Jorge, em Limburgo, a 22 de janeiro de 1905. Depois de um intenso trabalho apostólico em sua missão, faleceu em Yaoundé, a 7 de novembro de 1914, com a idade de 61 anos.

2.      OBRA MISSIONÁRIA EM CAMARÕES
O seu programa missionário não é só de evidenciar o “princípio de implantação”, ou “Plantatio Ecclesiae”, isto é, criar infraestruturas eclesiásticas (igrejas, escolas, comunidades), mas também aprofundar o “princípio de evangelização”, isto é, alcançar a conversão interior dos neófitos.

Os sacramentos e as associações religiosas (Bikoan) são utilizados por D. Vieter e seus companheiros como instrumentos para alcançar esta meta. Seis anos depois do início da evangelização de Camarões, o Papa Leão XIII, numa audiência no Vaticano, disse então: “Oh, aquele Prefeito de Camarões quero propriamente vê-lo muito bem” (‘Oh, quel Prefetto di Camerun devo vederlo propriamente bene”). Efetivamente as experiências que este westfaliano tinha adquirido em Masio e em Caxias do Sul, ajudaram-no a formar os Camerunenses para que se tornassem bons cidadãos e cristãos confiáveis. Eis porque utilizou a escola como método, por excelência, para a evangelização. Diversas escolas primárias e escolas profissionais são fundadas em todo o território missionário confiado aos Palotinos. O ponto alto deste programa educativo é a fundação da Escola Catequética de Einsiedeln, no sudoeste de Camarões, em1907, onde são formados brilhantes catequistas, uma genuína força trabalhadora e competente para ajudar os missionários. Os Camerunenses também deviam ser promovidos à dignidade sacerdotal, mas a Providência divina tinha decidido de maneira diversa. D. Vieter realizou este programa num momento muito difícil, porque muitos dos seus coirmãos morriam de forma inesperada pela malária ou febre negra. Naquela época, ir para a missão significava viver exatamente um lento martírio. Esta personalidade excepcional e única não aceitava qualquer idéia de seus Superiores da Alemanha ou de Roma, quando se tratava do interesse de Camarões. Duas decisões históricas assinalam a vida e a obra desse homem modesto, simples, piedoso e incansável em Camarões.

Primeiro: no início da evangelização, a 8 de dezembro de 1890, confia a sua missão e Camarões à materna proteção da Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos. Em segundo lugar: a partir de 26-28 de setembro de 1906, organiza em Douala o primeiro Sínodo da Igreja de Camarões. Estes acontecimentos permitiram o desenvolvimento de uma Igreja florescente até a sua morte. Segundo as estatísticas feitas em 31 de dezembro de 1913, alguns meses antes de sua morte, acontecida a 7 de novembro de 1914, a Igreja de Camarões contava já:
·         37.597 cristãos batizados
·         15 estações missionárias
·         70 missionários Palotinos (34 sacerdotes e 36 Irmãos)
·         29 Irmãs Missionárias Palotinas
·         22 escolas elementares principais e 182 escolas elementares secundárias.
·         19.468 alunos, dos quais 17.650 rapazes e 1.818 moças.
·         259 rapazes aprendizes nos centros de formação profissional
·         79 mestres (insegnanti) autóctones.

Karl Ebermaier, governador alemão de 1912 a 1916, em Camarões, qualificou D. Vieter como “Bom Pastor do seu rebanho, Superior amado e adorado”. É possível comparar este fiel filho da Igreja Católica e fundador de um povo cristão em terra africana com S. Bonifácio (672-754), pai da nação alemã, ou a Santa Joana D’Arc (1412-1431), heroína e mãe da nação francesa. D. H. Vieter viveu segundo este versículo do Salmo 69: “O zelo de tua casa me devora” (Sl 69,10). É por isto que ele escolheu como lema de sua ordenação episcopal: “Ego servus tuus” = Eu sou teu servo), porque queria ser um humilde servidor da Palavra de Deus entre as pessoas. D. Vieter realizou em Camarões uma obra reconhecida como “excepcional” pelo Dr. Wilhelm Heirich Solf, Secretario de Estado da administração imperial das colônias, em Berlim.


O seu túmulo encontra-se em Mvolyé, um bairro de Yaoundé (a capital política de Camarões), onde D. Vieter fundou em fevereiro de 1901, entre os seus camerunenses, a primeira missão católica da região de Yaoundé. Sobre este túmulo poder ler a seguinte inscrição: “Os Palotinos, nossos pais na fé”.

3.      SEU PAPEL NO DESENVOLVIMENTO DA FAMÍLIA PALOTINA E A CONTINUIDADE DA OBRA DE CAMARÕES
Mesmo sendo considerado apóstolo fundador da Igreja Católica em Camarões e pai fundador da fé neste país, D. Henrique Vieter contribuiu também para o desenvolvimento histórico da família palotina. Com efeito, graças ao empenho missionário de D. Vieter e de seus companheiros, os Palotinos puderam estabelecer-se na Alemanha, abrindo casas para formar novos missionários palotinos para evangelizar Camarões; na Austrália; e em várias nações da América Latina. O carisma palotino se estenderá também a outros países europeus vizinhos, como a Polônia, a Suíça e a Áustria. Tendo experimentado também a necessidade da educação e da formação das jovens camerunesas, em 1892, D. Vieter chama as Irmãs Palotinas para colaborar com ele em Camarões. Por isso, o ramo missionário das Irmãs Palotinas nascerá em Limburgo, na Alemanha, e com o tempo tornar-se-á uma congregação autônoma, realizando a visão missionária do Fundador Vicente Pallotti. Depois da interrupção, devida à primeira guerra mundial, em 1916, os Palotinos da Província Alemã de Limburgo, retornaram a Camarões em 1964, para continuar a obra começada por D. Vieter e seus companheiros.

Depois da celebração do centenário da Igreja Católica em Camarões, em 1990, abriram a sua primeira casa de formação chamando-a “Maison Henri Vieter” (Casa Henrique Vieter), em homenagem ao apóstolo fundador da Igreja em Camarões. Com a bênção divina das vocações locais, o primeiro sacerdote camerunense é ordenado em 1994. Depois do retorno dos palotinos, em 1993, na missão de Mvolyé, em Yaoundé, missão fundada por D. Vieter em 1901, nasceram o coro Henri Vieter e o Foyer Henri Vieter, em Mvolyé. O bom crescimento numérico dos Palotinos em Camarões os conduzirá a abrir também uma missão na Nigéria, onde o primeiro sacerdote será ordenado em 2010. 

Hoje os dois países formam a Região da Santíssima Trindade, com mais de 130 membros, entre Irmãos de consagração perpétua, de consagração temporária e candidatos do período introdutório, com o primeiro bispo palotino camerunense, D. Bruno Ateba Edo, nomeado a 5 de abril de 2014 pelo Papa Francisco, como bispo da diocese de Maroua Mokolo.
Pelo convite de D. Jan Ozga, bispo da diocese de Doumé Abong-Mbang, as Irmãs Missionárias Palotinas da Província Polonesa retornaram a Camarões em 1998. São hoje umas 15 e iniciaram também a formação das jovens camerunesas, com a abertura de uma casa de formação. As Irmãs Palotinas empenham-se, sobretudo, no apostolado sócio-caritativo (educação, saúde, promoção humana, ‘adoção do coração’ para os meninos) em três dioceses de Camarões. A família palotina está hoje presente em Camarões e Nigéria. Os nossos coirmãos da Região da Santíssima Trindade, de Camarões/Nigéria, estão presentes em oito dioceses de Camarões e em duas da Nigéria. Fora do território de sua Região, trabalham ou estudam na Alemanha, na França, na Itália, nos Estados Unidos e na África do Sul. Seu empenho apostólico é visível nas paróquias, na formação dos jovens, na educação, no acolhimento e na gestão de um centro espiritual em colaboração com as Irmãs Palotinas. Com muita coragem e zelo, continuam a estupenda obra missionária iniciada por D. Vieter e seus companheiros. Hoje, em Camarões, há muitas instituições que levam o nome deste apóstolo e arauto da evangelização do país, como a Casa de formação dos seminaristas palotinos “Maison Vieter”, em Nkolbisson, Yaoundé, o complexo escolar palotino “Dom Vieter”, em construção em Yaoundé, o coro “Coral Henri Vieter”, da Basílica Maria, Rainha dos Apóstolos, de Yaoundé e diversas outras estruturas e associações que levam o seu nome.

As ofertas livres recebidas em todo o mundo palotino, durante este Domingo Missionário Palotino de 2014, servirão para ajudar a família palotina a continuar a obra missionária de D. Vieter em Camarões, sobretudo, para terminar a construção do complexo escolar Vieter em Yaoundé, e também para custear o processo de beatificação já iniciado em Camarões.

4.      PROPOSTA DE ANIMAÇÃO LITÚRGICA DO DOMINGO
MISSIONÁRIO PALOTINO DE 2014
Com a celebração do Domingo Missionário Palotino, queremos também propor-vos um modo de celebração. Antes de tudo, convidamos para o domingo, 5 de outubro de 2014, a todas as comunidades e obras palotinas a recordar na oração e nas celebrações eucarísticas, D. Henrique Vieter, primeiro bispo palotino e fundador da Igreja Católica Camerunense. Os textos litúrgicos serão aqueles do 27º Domingo do tempo comum “A”. Fazemos aqui uma sugestão para recordar D. Henrique Vieter nas homilias aos fieis presentes, tendo em conta as leituras da liturgia dominical, falar brevemente o que nosso coirmão fez para o crescimento do Reino de Deus em Camarões. Propomos-vos as orações dos fieis adaptadas à celebração do nosso Domingo Missionário Palotino de 2014.
ORAÇÃO DOS FIÉIS
Senhor, Jesus Cristo, tu nos chamas hoje a ser o teu novo povo que produz frutos para o reino de Deus. Pedimoste que dês a cada um de nós a mesma coragem e zelo que deste a Dom Vieter para tornarnos hoje bons servos na tua vinha:

 Cristo Jesus, Apóstolo do Pai, escuta a nossa prece

1.      Pela Igreja, pelo Papa, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos que tem o encargo de animar as pessoas, para que encontrem em Deus a força e a coragem de realizar sua missão, rezemos.

2.      Por toda a família palotina, cuja missão é reavivar a fé e reacender a caridade, pedindo a graça de ser sempre mais audazes e profetas, em responder ao apelo da Nova Evangelização, possamos tornarnos verdadeiros discípulos missionários de Cristo, anunciando a Boa Nova e escutando o grito dos mais necessitados, rezemos.

3.       
     Pelos jovens, para que, conservando a coragem de dar e servir com alegria e colocando em prática a tua Palavra, façam renascer a esperança onde vivem, e produzam bons frutos que permaneçam para a vida eterna, rezemos.

4.      Senhor, rendemoste graças por Dom Vieter, que, Com desapego e coragem, ultrapassou as fronteiras para semear o carisma palotino no Brasil e, sobretudo, em Camarões, para que toda a nossa família palotina possa continuar a sua obra, rezemos.

5.      Pelos nossos irmãos e irmãs falecidos, sobretudo, por todos os missionários palotinos e palotinas que viveram a plenitude da fé, no serviço aos outros, Deus os acolha na sua misericórdia, rezemos.

6.      Por todos nós, para que, abrindonos à voz do Espírito, acolhamos a sua Palavra em cada momento e em cada escolha da nossa vida, e tenhamos sempre o desejo de construir uma sociedade fundada sobre a rocha do amor, da justiça e da fraternidade, rezemos.

Deus, nosso Pai, chamastenos a trabalhar na tua vinha, como fizeste a Dom Henrique Vieter, ajudanos hoje a sermos autênticos discípulos missionários, anunciadores com alegria, zelo e entusiasmo da tua Palavra no nosso mundo de hoje. Por Cristo nosso
Senhor.

Desejamos a todos uma boa celebração do Domingo Missionário Palotino, no próximo 5 de outubro.

Pe. Jean Bertrand Etoundi, SAC
Secretário Geral para as Missões

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

DOMINGO MISSIONÁRIO PALOTINO 3 DE OUTUBRO 2010

APRESENTAÇÃO DA REGIÃO MISSIONÁRIA DA SAGRADA FAMÍLIA
DA RUANDA E DA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO

A. A FAMÍLIA PALOTINA NA RUANDA
Os palotinos chegaram na Ruanda em 08 de junho de 1973 a convite de dom Jean Baptiste Gahamanyi, então bispo da diocese de Butare. Desde a chegada dos palotinos, os bispos lhes confiaram algumas paróquias. Eles também construíram a casa regional em Gikondo, em um dos bairros de Kigali, capital da Ruanda. Neste bairro temos a paróquia dedicada a São Vicente Pallotti, um Centro de Saúde e a tipografia «Pallotti Presse».
            Os Palotinos foram muito diligentes, no sentido de entender que não poderiam radicar-se na Ruanda sem promover as vocações junto à população nativa. Por esta razão, em 1978 abrimos, em Kigali, o primeiro noviciado que, mais tarde, em 1985, foi transferido para a Casa de Formação de Butare. Atualmente, este noviciado acolhe noviços de vários países africanos, quais sejam: Camarões, Congo, Costa do Marfim, Nigéria e Ruanda.
Já as Irmãs Palotinas chegaram na Ruanda em 1977 e iniciaram seus trabalhos apostólicos nos centros de saúde, de nutrição, na escolinha de costura e nos orfanatos. Em 1981 iniciaram o trabalho de acolhimento do povo Ruandês na cidade de Masaka e, a partir de 1986, em Ruhango, onde atualmente funciona também o noviciado. Em 1993 fizeram os primeiros votos perpétuos três palotinas nativas.

B. A FAMÍLIA PALOTINA NA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO (RDC)
            No Natal de 1981 chegaram ao Congo os Palotinos provenientes da Ruanda. Os Padres Henri Kazaniecki e Jean Kedziora foram os primeiros Palotinos que chegaram à diocese de Goma. O bispo local dom Faustin Ngabu, lhes confiou a paróquia de Rutshuru. Os Palotinos substituíram os Padres Brancos que ali estavam desde 1957, ano da fundação da paróquia. Em 1994 chegaram ao Congo às primeiras Irmãs Palotinas.  Quatro anos mais tarde os Palotinos abriram em Goma uma casa chamada «Génésareth», que funciona como Centro de Formação apostólico e espiritual.
C. OS MEMBROS, AS COMUNIDADES E AS OBRAS
a)         Os membros são o bem primário da Região. Atualmente a região conta com 52 membros que já fizeram a consagração perpétua, destes 2 são irmãos, 2 diáconos, 47 padres e 1 bispo. Destes 38 estão na Ruanda e no Congo e os outros estão no exterior em outras missões.
b)         As comunidades: temos 7 comunidades na Ruanda, 2 na República Democrática do Congo e 1 na Bélgica. Na formação temos 10 na teologia, 11 na filosofia e 7 no noviciado.
C)        Nossos empenhos apostólicos: há alguns anos começamos a dar ênfase ao apostolado especializado. Vimos que este responde melhor às expectativas do povo de Deus na Ruanda e na República Democrática do Congo.            Assim sendo, nos lançamos no apostolado da Divina Misericórdia em Ruhango e Kabuga. Ao mesmo tempo queremos desenvolver o apostolado da peregrinação e a devoção mariana para reforçar a nossa presença no Santuário mariano de Kibeho.
1. O Centro da Reconciliação «Jesus Misericordioso» em Ruhango:
A comunidade palotina de Ruhango se ocupa do apostolado paroquial e do Centro Jesus Misericordioso. Este centro visa a dois vastos campos de apostolado: 1) o da animação spiritual da divina Misericórdia (adoração perpétua do Santíssimo Sacramento; ministério da cura, da reconciliação e da paz); 2) a formação dos leigos – damos formação aos leigos que mais diretamente colaboraram com os padres, no espírito da nova evangelização. Este centro tem um papel importante, pois este povo viveu em 1994 o drama da guerra e do genocídio.
2. O Santuário de Nossa Senhora de Kibeho
A comunidade palotina de Kibeho dedica-se ao apostolado do santuário de Kibeho. A Virgem Maria apareceu a três meninas que ainda frequentavam a escola secundária. A primeira vez foi em 28 de novembro de 1981, quando a Virgem disse ser a Mãe do Verbo. Em 29 de junho de 2001, as aparições foram imediatamente reconhecidas pela Igreja em uma declaração pública feita pelo bispo da diocese de Gikongoro. Hoje é meta de muitas peregrinações. Este santuário nos foi confiado pelo bispo.

3. O centro Génésareth e as Casas de formação em Keshero
A comunidade palotina de Keshero (Diocese de Goma, RDC) é responsável pela pastoral do Centro, pela formação dos Postulantes e dos seminaristas que estudam filosofia.
O centro Palotino de Formação “Génézareth” constitui-se como um lugar para a expressão da espiritualidade da UAC, um lugar de recolhimento, de oração e renovação, um lugar de formação de novos “evangelizadores”.
4. O Santuário da divina Misericórdia de Kabuga
A nossa comunidade palotina de Kabuga, da arquidiocese de Kigali na Ruanda, é responsável pela paróquia de Kabuga e pelo santuário da divina Misericórdia. Este santuário é:
a)      um lugar de evangelização a serviço da comunidade paroquial de Kabuga e da arquidiocese de Kigali;
b)      um lugar de animação espiritual sobre a divina Misericórdia e a reconciliação;
Neste ano os bispos nos confiaram a organização do Congresso Nacional da Misericórdia que acontecerá no santuário entre os dias 17 e 25 de outubro de 2010. Os preparativos para o congresso vão bem, mas precisamos das orações dos nossos irmãos e irmãs para que o mesmo tenha êxito. 

5. Pallotti-Presse
A comunidade de S. Maximiliano Kolbe de Kigali na Ruanda administra a «Pallotti-Presse» que é uma tipografia e uma editora. É uma boa maneira de evangelizar através da imprensa católica.
6. Pastoral da beneficência
O nosso Conselho Regional fez um grande esforço para organizar uma ajuda aos pobres através da pastoral da beneficência. Esta ajuda está focada sobretudo na escolarização. Tudo foi possível graças à ajuda de amigos e benfeitores. Depois da guerra e do genocídio de 1994 houve várias iniciativas dirigidas aos órfãos, das quais participou também a Província Cristo Rei através do Secretariado das Missões de Ząbki, facilitando o projeto “Adoção de Coração”. Sempre tivemos em mente uma pastoral da beneficência como forma de realização do espírito da UAC.

7. Pastoral paroquial
Os Palotinos iniciaram este serviço para dar um reforço ao clero diocesano. Temos ainda algumas paróquias, mas a maioria é ligada a outras atividades específicas.
8. A presença palotina na Bélgica

Depois de três anos de negociação, chegou-se a um acordo entre os Palotinos e o Vicariato de Bruxelas. Os nossos confrades dão sua contribuição para a pastoral global, estando a serviço de algumas paróquias na diocese de Mechelen-Bruxelas.


9. Fundação da UAC
Os decretos das nossas últimas três Assembléias enfatizam que todos os nossos esforços devem realizar-se no espírito da UAC. É uma visão profética, um ideal a realizar. Neste sentido, já damos alguns passos importantes. Desde o princípio nesta região dos Grandes Lagos,os Palotinos e Palotinas colaboram para a realização do carisma palotino. Também os leigos passaram a fazer parte recentemente da Família Palotina e outros fazem pedidos para o empenho apostólico; o Conselho Nacional de Coordenação e os Conselhos Locais de Coordenação são atuantes.

10. A formação dos jovens confrades e a formação permanente
Este apostolado é há muito tempo uma prioridade para a Região e o será também no futuro. Na Região da Sagrada Família tem três casas de formação: o Postulantado em Keshero, o Período introdutório em Butare e a filosofia em Keshero. Esta formação é precedida pela pastoral vocacional, que possui um grande número de jovens que fazem o discernimento vocacional. Realizadas estas  etapas, os jovens vivem um tempo de aprofundamento da identidade palotina que os prepara para a Formação Permanente (ou especializada).

D. O NOSSO AMBIENTE, A IGREJA LOCAL
            A Igreja local onde vivemos e trabalhamos (Na Ruanda e República Democrática do Congo) é uma igreja jovem, porque tem apenas 100 anos. É uma Igreja dinâmica, ainda que sua história tenha sofrido uma reviravolta. Aqui penso na crise da maturidade! Na Ruanda a Igreja se reconhece como força moral, uma Igreja que se confronta com o desafio da unidade e da reconciliação do povo, de um lado, e  em reforçar a própria credibilidade e de suas estruturas de funcionamento, de outro. Os trágicos eventos de 1994 (guerra e genocídio) não pouparam a Igreja, dado que muitos fiéis (padres e leigos) foram vítimas ou autores. Atualmente temos um grande número de fiéis entusiastas pela evangelização, sejam aqueles ligados a novas comunidades (como a comunidade do Emanuel), sejam aqueles ligados aos centros de Formação e de animação espiritual. Esperamos que a organização e a realização do Congresso nacional da Divina Misericórdia em Kabuga contribua para despertar novos talentos e dar um novo impulso eclesial.
            O tema deste Congresso evoca muitas expectativas que também são nossas: «A divina Misericórdia como antídoto ao mal que corrói a nossa sociedade».
            No Congo a Igreja já tinha passado e superado duras provas antes dos irmãos da Igreja da Ruanda. Para superar os momentos difíceis das ideologias políticas e sociais lutou muito para manter a unidade, aprofundar a fé e participar na evangelização.
            A nossa população é pobre, mas ainda aberta aos valores. Eles precisam de líderes iluminados não somente por boa formação acadêmica, mas, sobretudo, pela luz da palavra de Deus para transformar as notícias ruins em Boa Notícia e fazer com que as nossas misérias sejam penetradas pelos raios da divina Misericórdia.