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terça-feira, 27 de março de 2018

Mensagem da Páscoa do Reitor Geral

A Boa-Nova. Uma única palavra – Evangelho – que, no ato de ser anunciada, se torna verdade jubilosa e misericordiosa. Que ninguém procure separar estas três graças do Evangelho: a sua Verdade – não negociável –, a sua Misericórdia – incondicional com todos os pecadores – e a sua Alegria – íntima e inclusiva. Verdade, misericórdia e alegria: todas três juntas. (Papa Francisco, Quinta-feira Santa, 13 de abril de 2017).

Desejo que o feliz anúncio da Páscoa encha nossos corações de alegria e nossos gestos de ternura e misericórdia, especialmente no ano do bicentenário da ordenação de São Vicente Pallotti. Como ele disse, cada um à sua maneira e de acordo com a sua condição, torna se um alter Christus, imitando a vida e os sentimentos de Jesus na concretude de sua vida.

FELIZ PÁSCOA


Pe. Jacob Nampudakam, SAC

Reitor Geral

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Mensagem de Natal

Queridos irmãos e irmãs,
“Somente a partir do amor a família pode manifestar, propagar e regenerar o amor de Deus no mundo. Sem o amor não podemos viver como filhos de Deus, nem como cônjuges, pais e irmãos” (Carta do Papa Francisco para o IX Encontro Mundial das famílias sobre o tema: “Evangelho da família: alegria para o mundo” Dublin, 21 – 26 de agosto de 2018).
São Vicente Pallotti escreveu: “Todos aqueles que estão e estarão na Congregação da Pia Sociedade (...) cada um imaginando estar na Casa de Nazaré como se fizesse parte da Sagrada Família do Homem-Deus, se empenhe em viver com humildade, obediência, simplicidade como (...) se realmente estivesse vivendo com Jesus, Maria e José (OOCC II, 104). Inspirando-nos em nosso santo Fundador, na contemplação da Sagrada Família, desejo que todos tenham aqueles sentimentos e atitudes que transformem as nossas comunidades em “pequenas Nazarés”, ou seja, que as comunidades sejam exemplos de vida comum e de compreensão recíproca.

Desejo que o nascimento de Jesus, o Salvador, seja um dom de Deus para toda família palotina, para cada família. Que a todos dê um coração atento e capaz de reconhecer os sinais do seu Reino na vida de cada irmão. Que o Menino Jesus faça do nosso coração o presépio onde quer nascer, ser a luz para todos os nossos dias.

Desejo-lhes um Feliz Natal e Dom Ano Novo 2018.

Pe. Jacob Nampudakam, SAC
Reitor Geral

quinta-feira, 13 de abril de 2017

PÁSCOA 2017

Quando estava para iniciar a preparar a mensagem de Páscoa dirigida aos nossos membros, me deparei com as seguintes palavras do Beato Oscar Romero, contidas na sua primeira carta pastoral:

«A Igreja de Cristo deve ser uma Igreja da Páscoa, isto é, uma Igreja que nasce da Páscoa e vive para ser sinal e instrumento da Páscoa no mundo. Jesus, que realizou a nossa redenção através do signo pascal, queria prolongar a Páscoa na vida da Igreja. A Igreja é o Corpo de Cristo ressuscitado, e, através do batismo, todos aqueles que pertencem à Igreja vivem a tensão pascal, isto é, aquela passagem da morte para a vida, o caminho que nunca termina e que se chama conversão, e que nos pede de continuar a destruir tudo o que é pecado, para viver com maior vigor tudo o que é vida, renovação, santidade, justiça.
Noutras palavras, o Cristo da Páscoa continua a viver na Igreja da Páscoa. Não se pode fazer parte desta Igreja sem ser fiel à sua maneira de passar da morte para a vida, sem um movimento sincero de conversão e de fidelidade ao Senhor» (San Salvador, Domingo de Páscoa, 10 de abril de 1977).

Estas palavras do Beato Oscar Romero, mártir da justiça do nosso tempo, como nossos coirmãos argentinos assassinados em 4 de julho de 1976, estão em sintonia com o princípio espiritual de kenosis que o nosso Fundador viveu e praticou: “De fato, o inteiro processo do crescimento espiritual está baseado e modelado no mistério pascal, no qual o homem velho se torna crucificado com Cristo e o homem novo vem à luz com a ressurreição. O resultado desta experiência redentora é a transformação em Cristo” (Ratio Institutionis SAC, n. 140).

Esta é a única e autêntica forma de fazer da vida de Jesus a regra fundamental da nossa vida, como São Vincenzo Pallotti nos mostrou, e como a XXI Assembleia Geral da nossa Sociedade nos lembrou.
Desejo para vos a paz e alegria do Senhor ressuscitado. Que possam experimentar o poder da sua Ressurreição.

Jacob Nampudakam, SAC
Reitor Geral

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Natal 2016

«Ao acender a luz da árvore de Natal, nós desejamos que a luz de Cristo brilhe em nós. Um Natal sem luz não é Natal! Que haja luz na alma, no coração; que haja perdão aos outros; que não haja inimizades, trevas... Que haja a maravilhosa luz de Jesus! São estes os bons votos que formulo a todos vós, no momento de acender a luz da vossa árvore de Natal»  (Papa Francisco).

Estas maravilhosas palavras do Papa Francisco - que incansavelmente se esforça para que o nosso mundo seja governado pelo amor, misericórdia e compaixão – são os votos de todos nós na Casa Geral: que podereis ser iluminados por esta Luz e experimentar o perdão que rasga a escuridão e inimizade.
Quero também compartilhar com todos vocês a imagem comovente - enviada por Pe. José Elias Fadul, SAC, Reitor Provincial da Província de São Paulo, Brasil - que retrata uma mãe síria com seu bebê, depois de ser transferido de um barco naufragado na ilha de Lesbos, na Grécia, para nos lembrar que existem milhões de pessoas ao redor do mundo que compartilham o mesmo destino do Filho de Deus, que se fez humilde e pobre.

O Natal não nos deixa impotentes diante da manjedoura; a contemplação deste mistério profundo deve levar-nos para colocar um sorriso no rosto de uma criança, que nos ensina a manter a esperança apesar de nosso mundo marcado por tanta violência. Rezemos incessantemente pela paz, especialmente em países que estão enfrentando grandes dificuldades.

Envio uma bênção especial com imagem do Menino Jesus usado por nosso Fundador São Vicente Pallotti durante a oitava da Epifania e guardada agora em exposição na Igreja de SS. Salvatore in Onda!

FELIZ NATAL

FELIZ ANO NOVO
Pe. Jacob Namudakam, SAC

Reitor Geral

sábado, 1 de outubro de 2016

Eleição do Reitor Geral

Hoje, 01 de outubro de 2016, a XXI Assembleia Geral elegeu o Rev. Pe. Jacob Nampudakamcomo Reitor Geral da Sociedade do Apostolado Católico.
Pe. Jacob Nampudakam nasceu no dia 10 de agosto 1955 em Ayyampara, Kerala, Índia. É membro da Província Epifania do Senhor em Nagpur. Sua Ordenação sacerdotal foi em 1981, depois de terminar os estudos teológicos no seminário St. Charles em Nagpur, Índia. Depois da ordenação Pe. Jacob trabalhou como diretor espiritual, mestre dos novicios, diretor do Centro de Animação Palotina, Secretário Geral, Conselheiro Geral e Reitor Geral a partir do ano 2010. Por 12 anos foi também Secretário Geral para Formação. Pe. Jacob Nampudakam é mestre em filosofia e espiritualidade, estudou psicologia na Universidade Gregoriana em Roma. No dia 25 de fevereiro de 2014, foi nomeado pelo Papa Francisco como membro da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica. Pe. Jacob Nampudakam tomou posse de Superior Geral durante uma celebração na capela do Divino Mestre em Ariccia, Roma. Dentro da celebração com a presença do Procurador Geral Pe. Vitaliy Gorbatykh e os moderadores da Assembleia Pe. John Kelly e Pe. Janusz Łuczak e todos os Delegados, o novo Geral fez sua profissão de fé. Como Superior Geral Pe. Jacob deseja continuar a obra de crescimento da Sociedade e toda família palotina no espírito de colaboração e carisma do Fundador, são Vicente Pallotti. Desejamos ao Pe. Jacob Nampudakam as benção de Deus e que são Vicente Pallotti interceda na realização das tarefas.

quarta-feira, 23 de março de 2016

FELIZ PÁSCOA!

O horrível assassinato das quatro Missionárias da Caridade, junto com outras 12 pessoas, em 04 de março de 2016 no Yêmen, chocou o mundo inteiro. Estas missionárias demonstraram coragem e altruísmo, decidiram não deixar o país, apesar de os combates se intensificaram e a situação ficou precária. Continuaram a "matar a sede de Jesus", através do amor, bondade, compaixão e serviço desinteressado para o povo de Aden; estavam servindo sem levar em conta a sua segurança em favor daqueles que foram ainda mais desfavorecidos e vítimas da situação. 
“Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto” (J 12, 24). Este é o significado do grande mistério pascal que celebramos. As Missionárias da Caridade morreram como mártires: como mártires da caridade, como mártires porque são testemunhas de Cristo e tem partilhado o destino de Jesus na Cruz. Elas não só viverão para sempre, mas tornaram-se uma fonte de vida para os outros. 
Oremos portanto juntamente com o nosso Fundador, São Vicente Pallotti: “A vida de Jesus Cristo é a minha vida... A crucifixão de Jesus Cristo é a minha... A obediência de Jesus Cristo é a minha... A fortaleza de Jesus Cristo é a minha fortaleza... As obras de Jesus Cristo são as minhas obras... A pregação feita por Jesus Cristo aos pobres é a minha... A plenitude da força do Sacrifício de Jesus Cristo é a minha força. Vivo eu, porém não eu, Cristo vive em mim”. (OOCC X, 161-162; 492-495). 

Em nome da Comunidade da Casa Geral, desejo para todos os membros da Família Palotina a paz e a alegria do Senhor Ressuscitado. 

Pe. Jacob Nampudakam, SAC 
Reitor Geral

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Mensagem de Natal

Caros amigos, saúde e paz da Casa Generalícia de Roma!
Para os augúrios natalinos deste ano, gostaria de convidar a todos os membros da Família Palotina a contemplarem o Mistério da Encarnação, na companhia de Maria.
O Evangelho apresenta três ícones marianas que são, de particular importância, para todos os membros da Família Palotina: “Maria em Belém”, “Maria em Nazaré” e “Maria no Cenáculo”, sendo que a primeira e a segunda são eventos celebrativos, durante as festividades natalícias.
            No ícone “Maria em Belém”, Ela olha, vive e contempla fatos e palavras que poçam ser consideradas como origem do nosso carisma. Pallotti, de fato, recordava ‘Belém, que significa ‘Casa do pão’, como símbolo da nossa ‘mínima Congregação’, para evidenciar nela a abundância do “...alimento espiritual e dos meios necessários para a aquisição da mais sublime perfeição, para cooperar com a maior glória de Deus e a salvação das almas”. Por isso, Pallotti acrescentou esta afirmação extraordinária: “Somente alguns [...] na Congregação da Pia Sociedade [...] poderiam dizer ...hoje nasceu para você cooperador... a sua salvação, porque de certa forma poderá chamar de seu salvador” (OOCC II, pp. 15-16). E Maria, “observava” todos os acontecimentos de Belém, meditando-os em seu coração, e continua a nos atrair para nutrir também a nós como verdadeiro Pão da Vida.
            O ícone de “Maria de Nazaré” nos dispõe e nos prepara interiormente a fazer de Cristo a ‘Regra fundamental da nossa vida’. Em Nazaré, Jesus “...viveu na humildade, na pobreza, nas fadigas diárias, e no exercício das perfeitas viturdes, em plena Obediência ao Pai Celeste, e com a perfeita sujeição à Virgem Santíssima, Maria sua Mãe, e a São José, seu pai putativo” (OOCC XIII – I, p. 129). Maria de Nazaré, que contemplou tudo isso, agora nos ajuda a transformar-nos em Cristo.
            O ícone de “Maria no Cenáculo”, nos ajuda a receber as abundâncias do Espírito Santo. Vicente Pallotti desejava profundamente que todos: leigos, pastores, sacerdotes, religiosos, religiosas e consagrados tivessem Maria, depois de Jesus Cristo, o modelo mais perfeito do autêntico zelo apostólico e da caridade perfeita. O Cenáculo, com a presença de Maria Rainha dos Apóstolos, torna-se o lugar da comunhão universal para receber a plenitude do Espírito Santo, que nos conduz e nos guia na missão de “evangelizar todas as nações” (Mt 28, 19).
            Nós, membros da Família Palotina, enquanto celebramos o nascimento do nosso Salvador Jesus Cristo, que tipo de inspiração espiritual podemos tirar destes ícones marianos?
Belém, casa do pão’, nos convida a dar um verdadeiro fundamento espiritual à nossa vida e ao nosso apostolado e nos desafia a percorrer a ‘via estreita’ da vida de santidade. Quanto seria bonito, se todos nós pudéssemos nos tornar mais contemplativos e místicos, como São Vicente Pallotti, que respirava Deus em toda parte e sempre!
            ‘Nazaré’ é o lugar onde se encontra com a pessoa de Jesus Cristo, e se interioriza os valores evangélicos da pobreza, da simplicidade, e da suprema obediência ao Pai Celeste. Se a vida de Jesus se torna verdadeiramente a ‘regra da nossa vida e do nosso apostolado’, nos tornaremos apóstolos e missionários mais autênticos.
            ‘O Cenáculo, é o lugar da comunhão universal e da transformação interior, como bem exprimiu o nosso fundador a respeito de Maria: “...eu, juntamente com os apóstolos, no Cenáculo,.... ficamos repletos do Espírito Consolador, em uma assídua oração [...]; Eu, o filho, gostaria de vê-lo rico dos tesouros da Divindade, gostaria de vê-lo todo transformado em Deus para torná-lo Ministro do Evangelho mais útil às almas, e para procurar mais eficazmente a glória do Pai celeste; ame a oração; que ela seja o seu alimento, a sua bebida, o seu repouso” (Mês de Maio para os Eclesiásticos, OOCC XIII/I, 440-441).
            Assim, estes três ícones marianos apresentam à toda a Família Palotina três ‘desafios’ espirituais e apostólicos: o desejo de uma profunda experiência do infinito amor e da misericórdia infinita de Deus; o seguimento de Cristo, ou seja, escolher Jesus como regra da nossa vida e do nosso apostolado e um sério empenho apostólico e missionário, quais apóstolos de Jesus. Ele, o 'Verbo feito carne', é também o Exemplo Perfeito da perfeição divina: que a nossa vida seja centrada, sempre mais, na vida de Jesus!
            O ‘Emanuel’ é a nossa fonte de alegria. “A alegria do Evangelho se experimenta, se conhece e se vive quando doa a Palavra e a si mesmo” (Papa Francisco, Viagem apostólica nos USA, 23.09.2015). A alegria do Evangelho é, por sua própria natureza, autorrevelação; uma vez conquistada, não pode permanecer escondida, mas necessita ser partilhada. Ela consiste no “desejo inexaurível de oferecer misericórdia, fruto experimentado da infinita misericórdia do Pai” (Evangelii Gaudium, 24). Por conseguinte, o Ano Santo da Misericórdia deverá ser uma ocasião não só para que experimentemos a infinita misericórdia do Pai, mas para exprimi-la na vida cotidiana com gestos de perdão, de reconciliação, de diálogo e com obras de misericórdia corporal e espiritual.
            A exemplo da Sagrada Família de Nazaré, nós, membros da Família Palotina, somos convidados a reforçar o mais possível as nossas relações de amizade e a viver o espírito da União, procurando transformar toda a família humana em um lugar de comunhão e renovando, particularmente, o nosso empenho no cuidado e na proteção das crianças.
            A Sociedade do Apostolado Católico está preparando a sua XXI Assembleia Geral, que acontecerá nos meses de setembro/outubro de 2016, tendo como tema principal: “A Regra fundamental da nossa Congregação é a Vida de nosso Senhor Jesus Cristo” (OOCC III, 40). A Congregação das Irmãs Missionárias do Apostolado Católico também está preparando o seu Capítulo Geral, que será no mês de junho/julho de 2016, com o tema: “Acordem! Encontrem Cristo! Sejam testemunhas de alegria no mundo!” Esses dois eventos são importantes e requerem o auxílio da nossa oração.
            Rezemos, sobretudo, pela paz no mundo, de modo particular pelos países que vivem na guerra e na violência: que Jesus, o ‘Príncipe da paz’, toque o coração de todos nós, com a compaixão e o espírito de solidariedade!
            Protejamos, enfim, a nossa ‘casa comum’, da atividade e da exploração, defendendo com coragem a dignidade de toda pessoa humana e a beleza de toda a criação!
            Em nome de toda a comunidade da Casa Geral, desejo a todos vocês um FELIZ NATAL e um ANO de 2016, rico de frutos. Desejo a todos vocês a alegria e a paz do Santo Menino de Belém!

            Fraternamente em S. Vicente Pallotti,


Pe. Jacob Nampudakam, SAC
Reitor Geral da SAC e

Assistente Eclesiástico da União

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Celebração Eucarística para os membros da UAC em Roma

Em 30 de Setembro de 2015, o Pe. Jacob Nampudakam, na sua qualidade de Assistente Eclesiástico da União, presidiu uma missa na Igreja de SS. Salvatore in Onda para os membros da União do Apostolado Católico em Roma.
Em sua homilia, ele convidou todos os membros da Família Palotina para aprofundar sua compreensão e experiência do imenso dom carismático de São Vicente Pallotti e oferecê-lo a toda a Igreja com ardente paixão. Acima de tudo, ele destacou a centralidade de Deus na vida de toda a União. Deus é amor e onde Deus está, vai haver comunhão. Pe. Jacob expressou a esperança de que vai ser o início de um novo Pentecostes na Família Palotina, para ver uma energia espiritual renovada na difusão do carisma de São Vicente Pallotti e um novo entusiasmo para avaliar, atualizar e aprofundar nossos esforços para realização da União, como “trombeta evangélica”, que convida todos os fiéis a realizar a sua vocação apostólica na Igreja.
HOMILIA DO REITOR GERAL NA CELEBRAÇÃO DA MISSA PARA MUITOS MEMBROS DA UNIÃO DO APOSTOLADO CATÓLICO NA IGREJA DO SANTÍSSIMO SALVADOR EM ONDA, EM ROMA, NO DIA 30.09.2015[1]


         Início da Missa

Queridos irmãos e irmãs da Família Palotina!  Sede cordialmente bem-vindos a esta Celebração Eucarística, onde queremos rezar e agradecer a Deus de modo particular pela difusão e o crescimento do carisma palotino. Ao mesmo tempo, queremos pedir que cada membro desta grande família Espiritual faça uma caminhada cristã e palotina profunda.
A Igreja celebra, hoje, a memória de São Jerônimo. Mas, nesta tarde, nós escolhemos a Missa Votiva do Espírito Santo, porque Ele é a força criadora e renovadora na Igreja.
Também São Jerônimo tem uma belíssima mensagem para nós: Amar a Palavra de Deus na Sagrada Escritura, e ele diz também a nós: “Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo”. Daí, pois, a importância de que cada cristão viva em contato e em diálogo pessoal constante com a Palavra de Deus.
Este nosso diálogo tem duas dimensões: deve ser um diálogo verdadeiramente pessoal, porque Deus fala a cada um de nós através da Sagrada Escritura, e tem também uma mensagem para cada um. Mas para não correr o risco de cair no individualismo, devemos ter presente que a Palavra de Deus nos é dada propriamente para construir comunhão, para unir-nos na verdade no nosso caminho para Deus. Por isso, embora ela seja uma Palavra pessoal, é também uma Palavra que constrói a comunidade, que constrói a Igreja.
O lugar privilegiado da leitura e da escuta da Palavra de Deus é a liturgia, na qual, ao celebrar a Palavra e ao tornar presente no Sacramento o Corpo de Cristo, atualizamos a Palavra na nossa vida e a tornamos presente entre nós. Portanto, abramo-nos, agora, à Palavra de vida, pedindo perdão por todos os nossos pecados.




Homilia

Caríssimos irmãos e irmãs, como membros da Família Palotina estamos aqui reunidos para juntos rezar para cada membro e para cada comunidade desta grande família Espiritual, espalhada em mais de cinqüenta países do mundo, para que a nossa fé seja reavivada  e para que, impelidos pela caridade de Cristo, nos tornemos instrumentos eficazes para a difusão do Evangelho até aos confins da terra.
O Evangelho de hoje nos mostra que, não obstante o nosso desejo de seguir o nosso Mestre, em nosso caminho, nos encontramos com mil obstáculos e desculpas. Um diz: “Senhor, deixa-me ir antes sepultar meu pai”. O outro se desculpa, dizendo: “Eu te segurei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me daqueles da minha casa”. Embora estes sejam motivos justos, o chamado do Senhor tem um caráter de urgência: “Segue-me!”. “Ninguém que mete a mão no arado e olha para trás é apto para o reino de Deus”.
Todos nós somos chamados pelo Senhor para segui-lo: alguns de nós como sacerdotes, outros como pessoas consagradas e outros ainda como fieis leigos na Igreja, vivendo e partilhando o espírito e o carisma do nosso amado Santo fundador São Vicente, num estado de contemplação eterna de Deus, como vemos sob o altar diante de nós. Somos realmente felizes de ter a presença física e espiritual do nosso fundador.
Este é um momento para agradecer a Deus pelo grande dom deste místico e apóstolo e pela sua visão carismática e profética para toda a Igreja. Em nome dele e em meu nome, aproveito a ocasião para agradecer a cada um de vós pelo empenho em viver e em difundir a espiritualidade e o carisma de São Vicente.
Como os discípulos do Evangelho de hoje, também a nossa resposta ao chamado a viver o espírito do nosso fundador, pode, às vezes, ser limitada. Algumas vezes, não compreendemos o verdadeiro sentido da sua herança espiritual e, às vezes, reduzimos a sua visão a um simples projeto humano; outras vezes se metem no meio as nossas necessidades humanas  de segurança, de poder e de prestígio, por falta de uma profunda formação cristã e palotina.
Digo tudo isto, sem jamais esquecer que existem também centenas de pessoas que vivem o carisma palotino com grande alegria e entusiasmo. Seja como for, após quase quinze anos da aprovação do Estatuto Geral da União, este é talvez o momento justo para avaliar o andamento desta realidade eclesial para o bem de toda a família palotina. Dos meus contatos com as realidades da União, em diversos países, posso dizer-vos que, se de uma parte experimento alegria pelas muitas pessoas que crescem na fé no interno da União, da outra parte experimento preocupações especialmente onde noto discórdias e desuniões entre alguns membros ou componentes da família palotina. Em diversas ocasiões, procurei chamar a atenção  para estes sinais negativos no desenvolvimento da UAC.
Embora não sejam problemas graves, nos encontros da União, sinto muitas vezes a falta de um sentido de urgência e de seriedade no aprofundar a realidade eclesial da União desde o ponto de vista teológico, espiritual, jurídico e pastoral.  Como realizar a União concretamente com resultados pessoais e pastorais positivos para o serviço da Igreja, permanece em grande parte uma questão ainda a descobrir. Tudo isto será possível quando cada um de nós tiver realizado uma experiência profunda da pessoa e da espiritualidade de Pallotti.

O número 5 do Estatuto Geral da UAC diz: “O Reitor Geral da Sociedade do Apostolado Católico, como sucessor em linha ininterrupta do Fundador S. Vicente Pallotti é garante da fidelidade ao carisma palotino”. Garantir a fidelidade ao carisma é uma grande responsabilidade diante de São Vicente, diante da família palotina e diante da Igreja! Iluminados pelo Espírito Santo, todos nós devemos estar atentos aos sinais da vida ou àquelas tendências humanas que a limitam. A nossa Sociedade já passou um momento difícil a este respeito, e por isso não faltam os coirmãos que me pedem para estar atento. Não posso dizer que existem graves perigos até agora, mas vale a pena estar atentos a qualquer sinal que não leve à vida.
Por isso, apresento agora alguns temas para um discernimento comum em toda a nossa família espiritual. Estamos iniciando um processo de avaliação e de discernimento na nossa Sociedade. Esperamos  envolver todos os membros da União neste processo para o bem da nossa Família Palotina.

1. Antes de tudo, a União deve ser vista como um projeto de Deus e não simplesmente uma associação ou organização de fieis. O perigo é grande se reduzimos esta realidade a um centro de tipo social e cultural para obter alguma satisfação psicológica. Recordemos que a União é o fruto do caminho espiritual de um grande místico e apóstolo, São Vicente. Como seres humanos temos necessidade de organizar e viver eventos sociais e culturais, mas eles não podem substituir um profundo caminho de fé. Formamo-nos como verdadeiros e autênticos discípulos de Cristo, percorrendo o mesmo caminho do Mestre, seguindo o mistério pascal. Toda a formação na UAC e para a UAC não pode ser diversa da estrada que cada discípulo de Jesus deve fazer, como sentimos também no Evangelho de hoje.
Talvez nós estejamos reduzindo a formação na União aos encontros em diversos níveis, às conferências ou aos cantos! Onde está a cruz, onde está a renúncia, onde está a ressurreição? Onde está o radicalismo da vida cristã vivida em todo este processo? No nosso percurso formativo, num certo ponto, fazemos um empenho apostólico. Até que ponto é um empenho sério e profundo a serviço do Senhor e do seu povo? São suficientes três anos de encontro para “vestir” a túnica do empenho apostólico na União? Depois, o que sucede? Como vivemos realmente este empenho? Existe um contínuo processo de formação cristã e palotina? Em suma, se devemos criar uma União que leve a uma verdadeira comunhão, precisamos de um verdadeiro crescimento na caridade. Onde há caridade, há Deus. Portanto, Deus é e deveria ser a fonte e o fundamento da União do Apostolado Católico.

2. Uma outra realidade que enfrentamos é que, frequentemente, a União é vista como o grupo de leigos que fizeram o empenho apostólico. De fato, a União não pode ser formada por um único componente. O número 01 do Estatuto diz: “A União do Apostolado Católico, dom do Espírito Santo, é uma comunhão de fieis”. O número 07 acrescenta: “A igual dignidade dos membros da União funda-se sobre a comum semelhança com o Criador e sobre o comum sacerdócio do Povo de Deus. Ela se expressa numa pluralidade de vocações à vida laical, à vida consagrada e ao ministério ordenado, tão coligadas que cada uma ajuda a outra a estar atenta ao crescimento contínuo, e a prestar o próprio serviço”.
As três comunidades fundadas por S. Vicente Pallotti – a Sociedade do Apostolado Católico, a Congregação das Irmãs do Apostolado Católico e a Congregação das Irmãs Missionárias do Apostolado Católico – “são parte integrante da União e têm a tarefa de garantir a unidade e eficiência apostólica de toda a União” (cf. Estatuto 34, 35). Além disso, é preciso recordar que na União todas as comunidades são autônomas e os seus membros estão sujeitos às próprias regras (cf. Estatuto 40).
Estes números do Estatuto mostram que a União do Apostolado Católico se realiza somente quando nós, sacerdotes, religiosos e leigos, trabalhamos juntos para reavivar a fé e reacender a caridade na Igreja e no mundo, para levar todos à unidade em Cristo. Aqui não se trata de quem seja o maior ou o mais importante – todos nós somos discípulos e apóstolos e temos diversas vocações e dons. Não é também uma questão de clericalismo ou de laicidade exagerados. Recordemos que as três comunidades de fundação têm uma responsabilidade especial no promover e no “garantir a unidade e eficiência apostólica de toda a União”.
Trata-se, pois, de viajar todos juntos no mesmo trilho e no respeito da autonomia de cada comunidade. Se a União do Apostolado Católico foi aprovada pelo Pontifício Concílio para os Leigos, as três Comunidades de fundação estão sob a jurisdição da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. A combinação destas realidades eclesiais pode ser uma riqueza, mas pode também criar confusões, se não são claras as responsabilidades e os privilégios de cada uma. Por exemplo, a Sociedade do Apostolado Católico é governada pela sua Lei e pelos seus superiores com os seus conselhos. As propriedades da Sociedade são cuidadas pela Sociedade, segundo as normas da Sociedade e da Igreja.
Ultimamente, estamos afrontando um pouco de confusão neste campo. Segundo o meu ver, existem muitos outros argumentos como este  a serem aprofundados para o bem comum da União. Além disso, se de um lado não deve nunca faltar a caridade fraterna, do outro lado temos necessidade de normas e de contratos claros nas nossas colaborações. Neste contexto tornam-se absolutamente necessários os encontros periódicos entre os três Superiores Gerais das Comunidades de fundação, que têm uma visão global de toda a Família Palotina, e a Presidente da União. É preciso promover tais encontros também em nível nacional entre os Superiores Provinciais/Regionais e os Presidentes Nacionais da UAC. Como foi feito justamente na última Assembléia da União, temos necessidade de encontros freqüentes das Comissões mistas compostas pelos membros de cada componente da UAC para tratar de argumentos comuns como a formação, o apostolado, as missões, etc. As decisões foram tomadas e agora aguardam a sua implementação.

3. Como cada movimento ou associação na Igreja, devemos também desenvolver concretamente “um modo de ser e viver a UAC”. Isto significa que devemos encontrar um modo de interpretar a eclesiologia de comunhão, fundamento da UAC na praxe pastoral a serviço da Igreja. É necessária uma certa identidade da UAC que deriva do nosso modo de pregar, cantar, fazer apostolado, etc. Por isso, dizemos muitas vezes que o Cenáculo, segundo a visão do nosso Fundador, oferece todos os elementos espirituais e apostólicos para desenvolver o nosso modo de ser União na Igreja.
No Cenáculo, as pessoas simples são transformadas interiormente sob a inspiração do Espírito Santo e a guia materna de Maria, Rainha dos Apóstolos, partilhando a palavra e rompendo o pão, para serem enviados como apóstolos até aos confins do mundo. Desenvolver uma tal pedagogia é uma tarefa importante para toda a União. Segundo o Estatuto, o Assistente Eclesiástico, em estreita colaboração com os diversos órgãos da União, deve assegurar a formação Palotina inicial e permanente dos membros da União (cf. Estatuto Geral 11). Este é o maior desafio da União hoje.

4. Queridos irmãos e irmãs, muitas outras coisas poderiam ser ditas quanto à situação atual da União, sobre as possibilidades de sua realização e sobre os obstáculos que podemos encontrar ao longo da estrada. Convidei-vos para esta Missa especial pela União, a fim de orarmos juntos como uma família pela graça e a bênção de realizar a visão profética do nosso Santo Fundador. Junto com tantas belas experiências, como seres humanos vamos também cometer erros ao longo da estrada; somos todos pecadores e necessitados de purificação. O verdadeiro espírito de comunhão só pode ser obtido em Deus porque ele é amor e o amor favorece sempre a comunhão.
Devemos ir além de uma visão restrita da União que a vê como um grupo auto-referencial a serviço dos próprios interesses. A União é um órgão auxiliar da Igreja e está sempre a serviço da Igreja. Por isso somos chamados a formar apóstolos de Jesus para a Igreja e não apóstolos para nós mesmos.  O nosso objetivo primário deve ser o de infundir no povo de Deus o espírito de Jesus, Apóstolo do Eterno Pai, dando-lhe uma profunda formação cristã no espírito de São Vicente. Alguns deles, em seu tempo e depois de uma boa formação, poderiam fazer o empenho apostólico. Mas empenhar-se para que as pessoas façam o empenho apostólico não deveria ser o objetivo primário da União, mas formar apóstolos para a Igreja.
Assim, as nossas paróquias, por exemplo, podem ser o melhor lugar para uma tal formação apostólica. Uma vez formados, os membros devem também empenhar-se na vida apostólica e missionária da Igreja. A falta de um verdadeiro empenho apostólico e missionário dos membros leigos na missão da Igreja, segundo meu parecer, é uma grande falta na atualização da União. Um grande número de membros das Comunidades de fundação estão empenhados em diversos apostolados e missões. A Sociedade está procurando reforçar a sua identidade missionária e estamos andando em diversos países de missão. 
Existem as periferias da existência humana em toda a parte. Uma sociedade secularizada, as famílias destruídas, os anciãos descuidados, os jovens confusos, os migrantes que chegam aos milhões, os doentes abandonados, etc., que encontramos na Itália ou na Alemanha, são missões tão importantes como aquelas no Congo ou em Taiwan (ex-Ilha Formosa).
Cada comunidade local da União deve encontrar esses campos de apostolado e de missão como expressão visível da caridade fraterna. De outra forma, a União fica só um pio desejo. Não devemos também gastar todas as nossas energias, mantendo as estruturas da União ou organizando encontros, um depois do outro. Os apóstolos se formam na oração e numa comunidade de fé, nos Cenáculos.
Daqui, pois, o nosso objetivo de formar Cenáculos vivos em todo o mundo. O nosso empenho apostólico deve concretizar-se também em atos concretos de caridade especialmente, em favor dos mais necessitados.


Conclusão

Concluo com estas palavras fortes e desafiantes de São Vicente: “A caridade exercitada como a descreve o Apóstolo forma todo o substancial constitutivo da Pia União; se esta viesse a faltar, não haveria mais nela o Apostolado Católico; por isso ai daquele que na pia União tentasse ofender a caridade; mas feliz todo aquele que a conservar perfeita, pois terá o mérito do seu estabelecimento, progresso, de todas as empresas evangélicas da pia União” (OOCC III, 134-137).
Oremos para que a vida de nosso Senhor Jesus Cristo seja a regra fundamental da vida e do apostolado de cada um de nós e de toda a Família Palotina. Amém.
                           
Pe. Jacob Nampudakam, SAC
                   Reitor Geral e Assistente Eclesiástico da União
Igreja do Santíssimo Salvador em Onda, 30 de setembro de 2015

         ATO DE CONSAGRAÇÃO AO ESPÍRITO SANTO

Ó divino Espírito, que desceste com a abundância
das Tuas luzes e dos Teus dons
sobre a primeira comunidade
reunida no dia de Pentecostes,
entre os muros do Cenáculo.
Eis diante de Ti esta comunidade
que suplica que renoves nela
o que realizaste naquele memorando dia.
E para que isto aconteça, nós nos consagramos a Ti,
oferecendo-Te a nossa mente,
a nossa vontade, o nosso coração.

A obra redentora que Cristo, o Verbo encarnado,
realizou sobretudo com a Sua paixão e morte
e quis confiar à Sua Igreja,
foi completada por Ti com o Pentecostes que nunca faltou.
Mas para que em nós seja mais intenso e frutuoso,
e esta porção da Igreja viva um contínuo progresso espiritual,
nós nos entregamos sem reservas a Ti.

A Tua luz ilumine as nossas mentes,
para que busquemos sempre a verdade
E não nos deixemos desviar por falsos profetas.
Que a Tua graça rejuvenesça as nossas vontades
e as torne capazes de resistir às insídias
do demônio e da corrupção.
Que os Teus dons nos transformem em apóstolos
com a palavra e com o exemplo.

Ó Divino Espírito, repete em nós os prodígios da graça
que se verificaram na primeira comunidade com a Tua descida.
Faze que, vivendo em Ti, levemos à Igreja
e ao Cristo redentor quantos nos circundam,
contribuindo assim àquele plano maravilhoso
de salvação do gênero humano que, em Pentecostes,
Deu os primeiros maravilhosos frutos. Amém.

Tradução de João Baptista Quaini SAC. Também a sublinhação das palavras é do mesmo.



[1] A respeito desta homilia, o Reitor Geral escreveu aos padres Edgar Ertl e João Baptista Quaini,em 01.10.2015: ”Caros coirmãos. Vejo a grande necessidade de iniciar um processo de renovação e de atualização da União. Ontem, celebrei a Missa com esta homilia à presença de muitos membros da UAC em Roma. Se possível, vos peço que publiqueis esta homilia com alguma modificação. Todos nós fazemos a UAC. Já estamos um pouco fora do momento e isto é um verdadeiro perigo a ser corrigido”. 

sábado, 24 de janeiro de 2015

Inspiração e modelo na promoção do apostolado na vida e na obra de São Vicente Pallotti

Homilia do Reitor Geral da SAC, Pe. Jacob Nampudakam, do terceiro dia do Tridum em honra de São Vincente Pallotti, proclamada na igreja de SS. Salavadore in Onda em Roma.


Caros irmãos e irmãs em Cristo!
Neste último dia do tríduo em honra do santo Fundador, somos convidados a meditar sobre o tema: “Inspiração e modelo na promoção do apostolado na vida e na obra de São Vicente Pallotti”.
Iniciamos nossa reflexão partindo do texto do Evangelho de hoje sobre a missão dos setenta e dois discípulos (cf. Lc 10,1- 12). Junto com o envio dos doze apóstolos, episódio trazido também por Marcos e Mateus, Lucas nos narra também um segundo episódio, que lhe próprio: o envio em missão dos setenta e dois discípulos. A intenção é mostrar que a missão não é confiada unicamente ao estreito grupo dos apóstolos, mas ao círculo mais vasto dos discípulos. A tarefa de anunciar Cristo entra na vocação cristã de cada batizado e deve estender-se a toda a terra: o número setenta e dois retoma a tradição judaica que considerava que as nações da terra fossem, precisamente, setenta e duas. Conhecemos bem o conceito de apostolado universal, ou seja, a chamada de todos os batizados a participar na missão da Igreja, profeticamente intuído pro S. Vicente e aceito totalmente, hoje, pela Igreja.
O evangelista introduz o episódio, ligando-o às palavras sobre o seguimento:
“Enviou-os dois a dois...”. A missão supõe um envio e envio missionário, isto é, cada cristão deve estar consciente que recebeu um encargo que deve realizar com fidelidade e nos termos estabelecidos. No conceito de enviar está também a ideia de viagem, de partir, de dispersão: “Ide!”. Não são os povos que devem encaminhar-se em direção dos discípulos, mas os discípulos é que devem correr em direção dos povos. Este modo de pensar a missão acentua fortemente a ideia da universalidade e do serviço, um tema tão caro ao Papa Francisco: ir em busca das ovelhas e não fechar-nos dentro de nós mesmos ou de nossas estruturas.
Mas quais são os comportamentos e sentimentos que Jesus pretende de seus missionários?
1.      Antes de tudo, a consciência da urgência e da vastidão da tarefa: “A messe é
grande...”. Desta consciência jorra a necessidade da oração: “Pedi ao dono da messe...”. A urgência e a vastidão da tarefa são sublinhadas por outra advertência: “Pelo caminho não saudeis a ninguém”. Não há tempo para conversações inúteis, para coisas secundárias. O discípulo concentra-se sobre o essencial e não há tempo a perder. A realidade é que há muito trabalho a fazer. Posso testemunhá-lo na minha pequena experiência no mundo palotino. O povo de Deus nos espera na Itália, em Moçambique, no Vietnam, em Cuba, etc. Respondemos-lhes simplesmente que não temos nem pessoal, nem dinheiro? A questão central é: que critério usamos nas nossas escolhas: o Evangelho ou as nossas seguranças?
2.      A segunda atitude sugerida pelo Evangelista é a pobreza: “Não leveis nem
bolsa, nem sacola...”. Trata-se de uma liberdade indispensável para que a pureza do Evangelho seja salva e o modo de viver torne acreditável o mesmo Evangelho. Mostra, de fato, diante de todos a confiança que o missionário tem no Pai. Eis o verdadeiro desafio para todos nós. É verdade: a pergunta sobre quem paga pelo que fazemos, permanece válida. Também é verdade que alguém pagou por aquilo que temos. Mas, se o que fazemos é uma verdadeira obra de Deus, se não é somente um reino que construímos por nós mesmos, se o que diz o Evangelho é verdadeiro e se acreditamos nestas palavras, encontraremos o pessoal e os meios necessários. Tendo entrevisto a possibilidade e dando-me conta da importância de abrir uma missão no Vietnam, fiz um apelo a um Reitor Regional, pedindo-lhe pessoas disponíveis a partir: com grande surpresa dois membros jovens e capacitados estão prontos a ir ao Vietnam. Estamos à espera de um Bispo que os acolha.
3.      Por fim, a terceira atitude: a consciência e a aceitação de uma situação
desproporcional: “Eu vos envio como cordeiros ao meio de lobos”. O choque com o mundo não é com armas iguais, mas o cristão deve ter fé na Palavra que anuncia, mesmo se esta parece inadequada em relação com a tarefa. Frequentemente é a falta de fé que impede a Palavra de manifestar a força de Deus que ela esconde. O sucesso de nosso trabalho apostólico ou missionário não é determinado pelo número de membros ou da soma de dinheiro no banco, mas pelo espírito evangélico e santidade de vida de quem é enviado. Uma das missões mais dinâmicas da nossa Sociedade é aquela de Arunachal Pradesh, no nordeste da Índia, fundada por um confrade que partiu para essas montanhas do Himalaya, quando tinha mais de 70 anos.

Retornando a São Vicente, podemos constatar que ele desenvolveu uma profunda base teológica, espiritual e mística para sua inspiração e para seu modelo apostólico. Para compreendê-lo melhor é preciso iniciar pela experiência que ele fez de Deus, amor infinito e misericordioso, partindo da Sagrada Escritura: “Deus tanto amou o mundo a ponto de dar-lhe seu Filho Unigênito” (Jo 3,16). “Esta é a vida eterna: que te conheçam a Ti, o único Deus, e aquele que enviaste, Jesus Cristo” (Jo 17,3). “Por isso... fixai bem os olhos em Jesus, o Apóstolo...” (Hb 3,1). São Vicente Pallotti, inspirando-se continuamente na Sagrada Escritura e evidenciando o primado da graça de Deus, fixava seu olhar sobre o Enviado do Eterno Pai, isto é, o Apóstolo do Eterno Pai: “Nosso Senhor Jesus Cristo é o Apóstolo do Divino Pai Eterno porque enviado por Ele (...) O apostolado de Jesus Cristo é a sua obediência ao preceito do Pai celeste...”. O carisma do Fundador e a sua espiritualidade expõem à luz a dimensão apostólica da vida e da morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. “Fonte, origem mestre de todo apostolado para os que pertencem à União é Jesus Cristo, Apóstolo do Eterno Pai” (cf. Hb 3,1), diz o Estatuto da União. Assim Vicente Pallotti, que quis ter e viver “os mesmos sentimentos que tinha Jesus Cristo” (Fl 2,5), mostra-se um Seu grande imitador e seguidor. Portanto, os sentimentos de Jesus tornam-se o ritmo da vida do santo Fundador. Diz São
Vicente: “A vida de Jesus Cristo é a minha vida... A crucifixão de Jesus Cristo é minha... A obediência de Jesus Cristo é minha... A fortaleza de Jesus Cristo é minha... As obras de Jesus Cristo são minhas obras... a pregação feita por Jesus Cristo aos pobres é minha... a plenitude do poder do Sacrifício de Jesus Cristo é minha... Em resumo, como dizia São Paulo, “Eu vivo, mas não eu, Cristo vive em mim”. Esta era a sua regra. 
E este também é o programa dos membros da sua Fundação. “A regra fundamental da nossa mínima Congregação é a vida de N. S. Jesus Cristo, para imitá-lo com humildade e confiança, com toda a possível perfeição, em todas as Obras da Vida oculta, e do público ministério evangélico, para a maior glória de Deus Pai celeste, e para a maior santificação da nossa alma e dos nossos próximos...”.
Conhecer, amar e seguir o Apóstolo do Pai: eis a dinâmica da vida de
São Vicente Pallotti e a fundamental inspiração da sua espiritualidade e o modelo do seu apostolado. Neste contexto compreendemos melhor a convicção e a paixão interior de Vicente Pallotti, expressas nas palavras seguintes: “A cada um mandou Deus procurar a salvação eterna do seu próximo; e como para realizar tais preceitos devemos imitar Jesus Cristo, que é o Apóstolo do Eterno Pai, por isso a vida de Jesus Cristo, que é o seu apostolado, deve ser o modelo do Apostolado de cada um; e como todos somos chamados, e mais, obrigados a imitar Jesus Cristo, assim todos, na proporção de sua condição e estado, são chamados ao Apostolado...”
Neste dia em que tantos membros da família Palotina estão reunidos para honrar o nosso Santo Fundador Vicente Pallotti, quereria insistir que a verdadeira inspiração e modelo para a nossa vida e apostolado é sempre Jesus, o Apóstolo do Pai. Chegou o momento de meditar profundamente sobre estas palavras do nosso Fundador e de colocá-las em prática. A vida mesma de Jesus era o seu apostolado. Portanto, o apostolado não é tanto uma questão de fazer, mas de ser, de dar testemunho de Jesus Cristo. Da minha pequena experiência na Sociedade do Apostolado Católico, gostaria de tomar em consideração quatro pontos que considero de grande importância para nós.
            Em primeiro lugar, temos necessidade de voltar sempre mais ao espírito do Evangelho, à vida e às obras de Jesus. Isto deve sempre ser o centro de nossa meditação. Isto significa que a Palavra de Deus deve tornar-se a luz constante para nossos passos.
Em segundo lugar, devemos descobrir mais profundamente e viver mais concretamente a espiritualidade de São Vicente Pallotti. Ele é um santo, um místico e um profeta do nosso tempo. Ele nos ensinará e nos guiará no seguimento de Jesus. Maria, Rainha dos Apóstolos, nos sustentará com sua materna solicitude e proteção.
Em terceiro lugar temos necessidade de redespertar mais o zelo missionário. Trata-se de um espírito missionário que deriva de nossa imitação de Jesus, o Apóstolo do Pai. Este espírito missionário deveria ser o fruto de um profundo caminho espiritual e não só um conjunto de projetos humanos. Deve ser a nossa resposta ao grito do povo de Deus.
Em quarto lugar a Eucaristia e a adoração ao Santíssimo Sacramento são os dois meios mais eficazes para viver a comunhão com Jesus. Temos necessidade de mais tempo para a adoração do Senhor e para contemplar e experimentar o seu amor e a sua misericórdia para connosco e para com o povo de Deus, em particular pelos mais necessitados. Neste sentido o nosso carisma encontrou sua concretização na vida e nas obras das Irmãs Eucarísticas Palotinas que, como lembra já o nome, colocam a dimensão eucarística da vida cristã no centro do seu apostolado. Temos necessidade de ter o coração compassivo de Jesus para servir o seu povo, justo como Vicente fez e como está fazendo agora Papa Francisco, dando-nos um testemunho autêntico. A vida cristã e o nosso mandato missionário reclamam de nós que demos testemunho do Senhor crucificado e ressuscitado e nas suas obras de compaixão e de amor.
Trago-vos o testemunho vivo e autentico de um cristão, de um pastor segundo o Coração de Jesus. A 16 de janeiro de 2015, depois da missa na catedral da cidade, Papa Francisco ficou uns vinte minutos na companhia de meninos da rua, nas Filipinas. As autoridades filipinas tinham decidido “dar hospedagem” a estes meninos de rua em centros de detenção para “ter ruas limpas”, por ocasião da visita do Papa. Mais tarde, durante o encontro com os jovens de Manila, o Santo Padre citou a pergunta de Jun, ex-menina de rua que, chorando, perguntava: “Por que Deus permite isto, e por que tão poucas pessoas nos ajudam?”. “Convido a cada um de vós, acrescentou, a perguntar-se: aprendi a chorar quando vejo uma criança com fome, um menino de rua que usa drogas, um menino sem casa, abandonado, abusado, que a sociedade escraviza?”. “Ela compreendeu o nosso drama, - prosseguiu Papa Francisco - ao mundo de hoje falta a capacidade de como chorar; choram os marginalizados, choram os desprezados, porém não entendemos muito estas pessoas se não choramos; certas verdades da vida só se veem com os olhos das lágrimas. Esta é primeira coisa que vos queria dizer: prendamos a chorar – concluiu – como hoje nos ensinou o testemunho; a grande resposta que podemos dar à grande pergunta de hoje é: ‘aprendamos a chorar”. “Quando o coração é capaz de fazer-se esta pergunta e de chorar, - disse o Papa – podemos compreender; há uma compaixão mundana que, ao máximo, nos faz meter a mão no bolso e dar uma moeda. Se Cristo tivesse tido este tipo de compaixão teria passado, teria curado três ou quatro e teria retornado ao Pai”.
Portanto, eis o verdadeiro sentido de seguir Jesus Cristo, Apóstolo do Eterno
Pai, como escutamos também na Primeira Leitura do Profeta Isaías: “Não é antes este o jejum que quero: romper as cadeias iníquas, desatar as cordas do jugo, mandar embora livres os oprimidos e quebrar toda espécie de jugo? Não consiste, talvez, em dividir o pão com o que tem fome, dar abrigo aos infelizes sem asilo, vestir os maltrapilhos, em lugar de desviar-se de seu semelhante? Então a tua luz surgirá como a aurora, a tua ferida cicatrizará logo. A tua justiça caminhará diante de ti e a glória do Senhor te seguirá” (Is 58,6-9).
Boas festas para todos vós! Rezo para que nós, membros da grande família de São Vicente Pallotti, descubramos, sempre com mais profundidade, a herança espiritual e apostólica deste santo, místico e profeta; vivamos com grande empenho e alegria a nossa vocação cristã e missionária, sempre a serviço da única Igreja de Jesus, Apóstolo do Pai. Rezemos para que, pela intercessão de Maria, Rainha dos Apóstolos, o Evangelho seja verdadeiramente a única regra de nossa vida e de nosso apostolado. Amém.
Pe. Jacob Nampudakam SAC
Reitor Geral da SAC
Roma, 21 de janeiro de 2015

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

FELIZ NATAL E ANO NOVO


"Queridos jovens, não desanime!" Com estas palavras, o Papa Francisco se dirigiu aos  jovens refugiados presentes em Istambul, Turquia, 30 de novembro de 2014.
Ele acrescentou: “Com a ajuda de Deus, continuam a ter a esperança de um futuro melhor, apesar das dificuldades e obstáculos que vocês estão enfrentando agora. Lembrem-se sempre de que Deus não esquece nenhum de seus filhos, e que as crianças e os doentes estão mais perto do coração do Pai”.
Dedicamos este Natal para as milhares de crianças indefesas e necessitadas em todo o mundo que precisam de alimento, proteção e carinho. O Filho de Deus continua a nascer de novo, diante de nossos olhos, na carne e no sangue dessas crianças.
“Deus é Amor por essência. O homem é criado à imagem e semelhança de Deus. Então, o homem, de acordo com a essência da sua criação é uma imagem e semelhança da Caridade por essência” (São Vicente Pallotti, OOCC III, 151). O Menino de Belém, de fato, todas as crianças, é a personificação do amor de Deus.

Neste ano dedicado à vida consagrada, enviei uma mensagem de Natal diretamente para cada membro de nossa Sociedade convidando para a renovação espiritual no espírito do Evangelho, como havia desejado nosso fundador, São Vicente Pallotti. Que a vida de Jesus seja o centro de nossas meditações e orações. Que o seu apostolado seja a nossa paixão. Este é também o meu desejo e oração para cada membro da família Palotina.
Para todos vocês, meus melhores votos de um feliz e santo Natal e um ano novo cheio de bênçãos para continuar a viver a sua consagração com alegria e entusiasmo.

Fraternalmente em São Vicente Pallotti,
Pe. Jacob Nampudakam SAC
Reitor Geral