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sexta-feira, 18 de março de 2011

Oração a São José por São Vicente Pallotti

Ó puríssimo e sempre virgem Patriarca São José, tu, homem todo de Deus, tu, depois da Imaculada Mãe de Deus, de tal forma privilegiado, que, dentre os filhos de Adão, de ti somente se pode dizer que o mesmo Deus é teu e tão somente teu, que foi tido e julgado como sendo seu filho.

A ti, o Eterno Pai entregou sua obedientíssima filha. O Filho, que se fez homem para redimir o gênero humano, confiou-te a sua verdadeira mãe, O Espírito Santo deu-te e confiou-te a sua puríssima e fidelíssima esposa. Numa Palavra, toda a santíssima Trindade deu-te, como verdadeira e legítima consorte, e a sua eleita, única e escolhida como o sol.

Ah, tu sim, meu querido Santo, tu que agora és bem-aventurado nos esplendores da glória, compreendes qual seja tua dignidade, a tua excelência. Tu é que entendes que coisa seja mesmo ter por esposa Maria imaculada, Mãe de Deus, Senhora do céu e da terra, Rainha de todos os Anjos e de todos os Santos.

Tu é que entendes o que seja seres tu o depositário fiel dos tesouros infinitos do próprio Deus.

Tu que sabes que, se não és alvo da inveja dos Anjos, que isto repugnaria ao estado de beatitude deles, contudo quedam-se eles assombrados e estáticos, a jubilar intimamente, a venerar-te pela plenitude dos singulares privilégios, virtudes, dons, graças, e glória de quem foste enriquecido.
Digna-te, pois, de receber as afetuosas expressões de prazer por tão grande felicidade da parte de todo o gênero humano, que por nada confia em ti, desde que te reconhece, por falar assim, como generoso dispensador das divinas misericórdias, senhor e esposo daquela de quem só Deus é maior. E, assim, por toda a eternidade, dás contigo rico e especialmente bem-aventurado entre todos os homens e entre os próprios Anjos. Assim que podes alcançar todas as graças, dons e misericórdias em bem de todos e também em proveito dos maiores pecadores.

E por isso que tu diante do trono do divino benfeitor contemplas, humilde, a tua dívida, por tantos dons que recebeste, assim desejas ardentemente que juntamente contigo todas as criaturas, por toda a eternidade, da tua parte, agradeçam ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Eis, pois, que nós todos, juntamente contigo, e em união com toda corte celeste e com todas as outras criaturas e com os mesmos Corações santíssimos de Jesus e de Maria, entendemos ter oferecido e oferecer à Santíssima Trindade, desde toda a eternidade e por toda eternidade, a todo instante infinitésimo, os , os méritos infinitos de Jesus Cristo e os méritos da Santa Igreja:

1° Em agradecimento por todos os dons, graças, favores e privilégios de que Deus se dignou enriquecer-te e à tua esposa e mãe nossa bem-aventurada.

2° Em agradecimento como se já, pela poderosíssima tua proteção e de Maria Imaculada, tivesse sido concedido a nós e a todos, presentes e futuros, de todo o mundo, o dom daquela perfeita e perseverante correspondência a todas as graças e àquele perfeito exercício de todas as virtudes, da forma com que tu e tua puríssima esposa Maria fostes os perfeitos imitadores da vida humilde, pobre, penosa, laboriosa, benéfica e desprezada, que, com amor infinito dignou-se sofrer por nós sobre esta terra Nosso Senhor Jesus Cristo.

3°Em agradecimento como se já por tua intercessão e de Maria Imaculada, Deus se tivesse dignado converter todo o mundo e dele tivesse feito um só rebanho e um só pastor.

4° Em Agradecimento como se já tivesse concedido (aqui pode-se exprimir a graça que se deseja).

5° Em agradecimento também, como se já, por sua intercessão e de Maria Imaculada, nos tivesse sido assegurada a graça da preciosa morte dos justos, com tais disposições de poder entrar, sem demora, no paraíso sem passar pelo purgatório, para chegar mais depressa a amar a Deus no reino da eterna e perfeita caridade, onde, juntamente contigo e com tua esposa, Mãe nossa Maria, e com todos os Anjos e Santos, cantaremos para sempre as divinas misericórdias. Amém.

Jesus, José e Maria, entrego-vos meu coração e minha alma.

Jesus, José e Maria, assisti-me na última agonia.

Jesus, José e Maria, expire em paz convosco a minha alma
São Vicente Pallotti 

sábado, 18 de dezembro de 2010

OS PROBLEMAS SOCIAIS EM PALLOTTI

1. Ideal
A inspiração inicial de Pallotti (09/01/1835) compreendia três campos:
1. Reavivar a fé e a caridade entre os cristãos, ou, por outras, renovar a Igreja nos países onde existia;
2. Propagar a fé, com todos os seus tesouros, entre os povos afastados dela e entre os povos cuja fé não era autêntica;
3. Promover uma instituição universal em prol da prática das obras de misericórdia corporal e espiritual.
Entre os palotinos estão bem vivos os dois primeiros objetivos, mas o terceiro parece não ter merecido o devido destaque. Não estará reservada esta tarefa aos palotinos do terceiro mundo?!
Obras de misericórdia – para nos entendermos, vamos repetir quais as obras de misericórdia ensinadas pelos antigos catecismos:
Corporais: (Mt 25, 31-46)
1. Dar de comer a quem tem fome.
2. Dar de beber a quem tem sede.
3. Vestir os nus.
4. Dar pousada aos peregrinos.
5. Visitar os enfermos e encarcerados.
6. Libertar os prisioneiros.
7. Enterrar os mortos.
Espirituais:
1. Dar bom conselho.
2. Ensinar os ignorantes.
3. Repreender os que erram.
4. Consolar os aflitos.
5. Perdoar as injúrias.
6. Sofrer com paciência as fraquezas do próximo.
7. Rogar a Deus pelos vivos e defuntos.
2. Realizações de Pallotti
Havemos todos de lembrar os rasgos de generosidade de Pallotti, desde sua juventude; qualquer biografia salienta a vida de pobreza do santo e por isso não falamos aqui.
Algumas palavras sobre certas atividades do Fundador:
Pobres – São Vicente Pallotti viveu na Roma pobre e rodeado de pobres. Tanto assim que, cada vez que saía às ruas, levava no bolso uns trocos para repartir com os mendigos. Dava também somas importantes, após se haver informado da real necessidade do suplicante.
Muitas de suas cartas se destinaram a pedir ajuda em favor dos pobres; vários amigos colaboravam assiduamente; já que Pallotti procurava atender a todos, precisava de um bom grupo de pessoas que se empenhassem em socorrer as necessidades do próximo: eram os amigos do Apostolado Católico. Muitos pobres, que pediam socorro importante, recebiam de Pallotti um bilhete; com ele na mão se endereçavam à pessoa indicada e retornavam com o auxílio desejado.
Até o Papa Pio VIII recebeu um bilhete do P. Vicente, iniciado com as palavras da Escritura: “Serás o auxílio dos órfãos”; dizia que o Papa devia ser pobre com os pobres e órfão com os órfãos. Por isto seis meninos órfãos se ajoelhavam diante dele: a mais velha, uma jovem de 15 anos, a mais nova lá pelos cinco; em 12 ou 15 dias perderam pai e mãe; logo o patrão despejou a todos da casa; nenhum parente para os ajudar, a Paróquia São João dos Florentinos também sem condições: Sua Santidade poderia encaminhá-los a algum orfanato.
Convém observar que Pallotti criara certa organização para atender os pobres: seus grandes colaboradores eram associados do Apostolado Católico: membros do clero, entre eles cardeais, da nobreza e do povo em geral. Cardeais havia que celebravam missas nas intenções de Pallotti, deixando o estipêndio  em benefício dos pobres. Aos amigos enviava Pallotti bilhetes de loteria para serem vendidos: os ocasionais ganhadores destinavam o prêmio às obras caritativas do Apostolado Católico.
Outro sinal de organização: na porta da sacristia, em Spirito Santo dei Napoletani e em São Salvatore in Onda, afixara uma caixinha: os necessitados depositavam lá seus pedidos; Pallotti e seus colaboradores lhes davam andamento.
Combinaram com os negociantes dos arredores meio rápido de socorro: o Apostolado Católico imprimira vales para carne, pão e roupas; o pobre apresentava o vale na casa conveniada e oportunamente o Apostolado Católico realizava o pagamento. Sua casa se transformara em autêntico posto de Cáritas...
Talvez alguém observe que isto não passava de assistencialismo; pode-se responder: também ele é necessário; a fome não espera. Por outro lado, no juízo final, Cristo acolhe os que deram de comer...
Além disso, Pallotti realizou verdadeira promoção humana, como veremos.
3. Promoção Humana
Várias iniciativas de Pallotti mostram que ele visava obras que resolvessem em definitivo a situação dos pobres:
Muitas de suas cartas pedem emprego para os pobres; procurou acolhimento nos internatos para jovens sem família; a outros encaminhou a pintores e demais profissionais para que lá trabalhassem, aprendessem o ofício e assim conseguissem uma profissão para sua vida; sugeriu se conseguissem trabalhos que os pobres pudessem executar em casa. Entre as tarefas da “Procura São Matias”, dedicada a enfrentar os problemas da pobreza, inclui a de encontrar advogados que defendam as causas das viúvas e dos órfãos.
Pensou se organizasse uma “Pubblica Lavorazione” onde os pobres realizassem seus trabalhos: eis aí um primeiro lampejo das lavouras e hortas comunitárias; ainda hoje quanta gente poderia ganhar sua vida em semelhante organização de trabalho...
No seu plano de organização do Apostolado Católico, Pallotti destinou nada menos que quatro “Procuras” à causa social:
– a de São Matias, em auxílio aos pobres;
– a de São Mateus, em favor dos doentes;
– a de São Bartolomeu, destinada às obras de misericórdia em prol dos presos e condenados à morte;
– a de São João Evangelista, para as obras sociais.
Diz ele que é próprio de nosso Instituto promover de todos os modos possíveis o mais ativo exercício das obras de caridade e misericórdia; essas obras são as  mais aptas para exercitar a fé; nelas de certo modo se vê Deus.
Além disto, a caridade é industriosa: o “Procurador” seja criativo na descoberta dos meios que a promovem: quanto campo para nossa iniciativa...
As obras de caridade não podem cessar jamais; temos que garantir sua continuação.
4. Agricultores
A planície de Roma até o Mediterrâneo, margeando o Tibre, conhecida pelo nome de “Campagna Romana”, começou a ser povoada nos tempos de Pallotti, se bem que livre da malária apenas na administração de Mussolini. Aqueles agricultores pobres vinham freqüentemente a Roma: acharam em Pallotti um amigo. Também para eles o santo teve tempo. Numa carta ao P. Melia, em Londres (10/4/1845), relatou que os PP. Francisco Vaccari, Inácio Auconi, Faà di Bruno e Bravi pregaram uma santa missa em Tor-Tre-Ponti por ocasião do Natal; com tanto sucesso, que o Papa solicitou a Pallotti que enviasse mensalmente um padre para cuidar daquele povo. “Penso que um de nós pode a cada mês fazer uma visita; algumas vezes poderiam ir mais padres. Também alguns dos padres que se preparam para ir às missões estrangeiras, poderiam colaborar. Ser-lhes-ia proveitoso noviciado”.
Este movimento de agricultores se prolongou e cresceu: em junho de 1846 Pallotti pediu autorização para distribuir a comunhão na igreja de São Salvador, até uma hora depois do meio-dia “porque fiéis e agricultores em grande número vêm de longe, muitas vezes já passou o meio-dia quando acabaram de confessar”.
Em favor dos agricultores, sugeriu Pallotti um grande número de iniciativas, entre as quais o ensino do catecismo. Expressamente recomenda que também leigos participem da campanha de evangelização.
Em relação aos agricultores encontramos uma observação muito sutil e arguta: os de idade poderão oferecer resistência às mudanças e ao aprendizado da religião; então trabalhemos com os jovens e, assim, renovaremos a sociedade...
Na região de Termini funcionava uma escola de artes e ofícios: lá conseguiu Pallotti matricular bom número de filhos de agricultores: aprenderiam a profissão de pastores e de agricultores. Por 30 anos ele pessoalmente se dedicou à formação religiosa dos jovens: catequese, palestras, confissões... Queria que se tornassem bons agricultores e “apóstolos da religião e dos bons costumes entre os companheiros”.
Na Via Salária antiga o nobre Paulo Campagna abriu uma escola agrícola: aí também conseguiu Pallotti fazer estudar filhos de agricultores e cooperou na formação religiosa.
Ainda em favor da juventude, planejou Pallotti, sem conseguir realizar, uma escola de latim para jovens e adultos: lá estudariam e se encaminhariam na vida.
5. Escolas Noturnas
Boa demonstração do empenho de Pallotti pelo futuro da juventude dão as escolas noturnas; a primeira foi fundada pelo advogado Miguel Gigli e por Pallotti em São Nicolau degli Incoronati; novas escolas surgiram por iniciativa desse amigo do santo. A primeira escola se transformou em hospital, na peste da cólera, em 1837, na qual sucumbiu o Sr. Gigli.
Passada a epidemia, sobraram muitos jovens privados de seus pais; aí sentiu Pallotti maior urgência em continuar e ampliar as escolas noturnas. Com auxílio dos amigos, em pouco tempo voltaram a funcionar as escolas na rua Máscara de Ouro e a do Borgo; outras duas nasceram: na Via dell’Arancio e no quarteirão ai Monti; seus amigos abriram outras no Transtevere e na rua do Povão.
Nesta obra de educação da juventude, salientaram-se vários membros do Apostolado Católico, clérigos e leigos. Auxiliaram com trabalho pessoal e com recursos financeiros; até o Tesouro do Estado (pontifício) apoiou a obra. Pallotti realizou muito trabalho de evangelização: catequese, palestras, missas, pregação, confissões, etc., além da inspiração e coordenação geral do empreendimento.
Em 1839, quando de sua doença e descanso em Camaldoli, Pallotti encarregou o P. Morichini do cuidado da obra, ao qual escreveu que as escolas noturnas não lhe causavam preocupação, mas lhe davam alegria. Contavam por esta época 500 alunos.
Continuaram a crescer, no início da década de 1840 chegaram a mil alunos. A ampliação da obra fez com que o Governo assumisse o empreendimento; Pallotti continuou por algum tempo a se interessar por ele, até que aos poucos a organização se tornou completamente independente.
Pallotti conseguiu ainda convencer seu amigo, o Cardeal Ostini, Bispo de Albano, a fundar uma escola em sua diocese.
6. Corporações
No sistema da época, os trabalhadores estavam organizados em “corporações” – distintas segundo os ofícios. A Via dei Pettinari, por exemplo, tomou seu nome da corporação correspondente – a dos produtores de pentes. As corporações visavam promover os interesses da classe e também da religião; em geral, cada uma possuía sua igreja, onde os sócios participavam das celebrações litúrgicas.
Seguindo o exemplo de outros países, Pio VII as aboliu no começo do século 19. Ao se darem conta da formação religiosa e da vivência cristã que tais associações promoviam, os Papas começaram a ver o problema sob outro prisma. Gregório XVI permitiu o restabelecimento das que o desejassem e Pio IX, em 1852, restaurou as corporações, sob forma adaptada ao tempo.
Desde os primeiros anos de seu sacerdócio, Pallotti trabalhou na associação de jovens da Casa Muccioli: aí entrou em contato com os trabalhadores; sempre manteve relações com a classe trabalhadora. Muito se empenhou pelo restabelecimento das corporações, havendo exercido influência no ato de restauração de Pio IX.
Valendo-se da permissão de Gregório XVI, fez voltar à vida três corporações:
– A dos sapateiros, nas proximidades de Ponte Rotto; a eles reunia inclusive para oito dias de retiro na Igreja do Espírito Santo. O Vice-gerente da Diocese, D. Vespignani, mais vezes participou dos encontros dos sapateiros e elogiou generosamente os esforços de Pallotti e sua abençoada atuação entre esses trabalhadores.
A segunda associação restaurada: a dos cocheiros. Para eles, Pallotti elaborou estatutos próprios, onde previa um retiro a cada dois anos.
A terceira a merecer seu empenho foi a dos padeiros italianos, proprietários da bela Igreja de Santa Maria de Loreto, no Forum Trajano; dizia-se dos padeiros italianos, para distingui-la da associação dos padeiros alemães. Para eles Pallotti pregava retiro anualmente, além de outras formas de atendimento religioso.
A moderna organização dos trabalhadores é a dos sindicatos: que campo imenso se abre para nossas atividades, se fosse seguir o exemplo do Fundador...
E Pallotti queria que seu espírito continuasse a frutificar no apostolado dos filhos. Para isto, em seu plano das “Procuras”, previu a “Procura São João Evangelista”, a cujo encargo confiou todos os oratórios e congregações diurnas e noturnas, as pias uniões, as associações e “Ascrizioni per opere di caritá”.
7. Pia Casa de Caridade
Conhecemos a história da Pia Casa de Caridade e por isto nos contentamos com alusões.
Nasceu para abrigar órfãs que perderam os pais na peste da cólera.
Pallotti soube angariar a ajuda de Jacó Salvati, benemérito colaborador desde o início e mais tarde ecônomo da instituição. Teve também a ajuda de piedosas senhoras, que aos poucos se transformaram na Congregação das Irmãs Palotinas.
Aparecem aí dois elementos importantes: a promoção da juventude e a colaboração de uma equipe de pessoas.
Pallotti visitava semanalmente ou mais a casa: missa, confissões, pregações, reuniões com a equipe a fim de garantir o bom funcionamento da obra.
8. Hoje?
Intenção deste breve estudo foi mostrar quanto Pallotti tomou a peito a realização do terceiro aspecto de sua vocação: a missão social do Apostolado Católico.
Por meio de Maria ela ainda hoje nos exorta: “Tu és sacerdote para o povo (Hb 5,1). Eu te recomendo em especial a parte do rebanho que facilmente é negligenciada: os pobres, os doentes, os moribundos e os pecadores empedernidos” (Mês de maio para os clérigos, 24ª meditação).
O carisma do Fundador interessa toda a sua obra: é a continuadora!
Creio que de modo particular o aspecto social do Apostolado Católico fala aos homens do terceiro mundo: a pobreza se faz violenta, torna-se, por isto, urgente o empenho em prol de uma instituição de caridade universal... Assim como Pallotti a recebeu de Deus! E tentou colocá-la em prática:
Assistencial e promocional.
Com empenho pessoal e comunitário.
Trabalhando em união com todas as forças da Igreja.
Em equipe, na animação de todos os membros da família de Deus.
“Entre o anúncio evangélico e a promoção do homem, entre a caridade e a promoção humana, há uma estreita e profunda conexão, como mostra o ensino social da Igreja”. 
Temeroso das ameaças de Acab, o profeta Elias foi buscar força e inspiração no Horeb, o monte onde se revelou o Senhor. Fatigado, deitou à sombra de um junípero. Acordado por um anjo, ouviu a ordem: “Levanta-te e come, senão a caminhada será longa demais para ti” (1Rs 19,7). Talvez conviesse aplicar a nós a inspiração de Elias: volta às origens...
Pe. Genésio Bonfada SAC

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Deus amor Infinito

“Da obrigação que temos de aperfeiçoar-nos meritoriamente a nós mesmos, enquanto somos viva imagem do Filho.”

Oração: (Fechar os olhos, cantar ou rezar) -

Preenche meu ser.

Preenche meu ser.

Espírito, unge meu ser.

Em ondas de amor,

Oh vem sobre mim,

Espírito unge meu ser.

Reflexão: Momento de silêncio refletindo sobre a oração/canto acima.

Na reflexão de São Vicente Pallotti, proposta para este mês, vemos o quanto é importante, necessário e urgente que nos voltemos ao cenáculo do nosso coração e pedirmos que o Espírito de Deus preencha nosso ser, nosso coração. Assim, vivenciaremos o que Pallotti vivenciou: “À luz da santa fé, preciso dar-me conta de que a minha alma foi criada à imagem e semelhança de Deus e que, por isso, ela é viva imagem do Filho Divino. Sendo assim, por obrigação natural, decorrente da criação, confiado na graça, devo valer-me do livre arbítrio para aperfeiçoar sempre mais a mim mesmo, enquanto viva imagem do mesmo divino Filho do eterno divino Pai...”(Deus Amor Infinito, p.118)

Uma pessoa atenta ao que se passa no seu coração: sentimentos, aspirações, sonhos, conseguirá perceber a ação de Deus em cada momento da vida. Torna-se sensível ao Seu chamado nas pequenas ações do dia a dia e é generosa na resposta.

“Ora, a divina pessoa do Filho é infinitamente semelhante ao Pai, princípio fontal de toda a divindade. Assim, a minha alma tem, por natureza, uma tal necessidade de ser, meritoriamente, sempre mais aperfeiçoada no seu ser natural de imagem de Deus e de Deus todo, que um procedimento diverso seria, segundo seus desígnios sapientíssimos de um amor infinito e de uma infinita misericórdia, uma conduta contrária à natureza e à exigência da natureza da minha alma, que Ele quer semelhante a si na glória.”

Daí a obrigação que, ajudado pela graça e na medida do possível, tenho de organizar tudo, todos os pensamentos, os afetos, palavras e obras, toda a minha vida, de forma que venha a imitá-lo, segundo os desígnios de Deus, em todas as coisas.(Deus Amor Infinito, p. 119)

Internalizando a verdade divina a pessoa se torna um místico. Pessoa mística é aquela que tem o coração voltado para o céu e os pés na terra. Reconhece e vivência do Espírito criador em seu interior, concretizando-o no dia a dia. Reconhece a sua pequenez, as misérias existentes em tão frágil coração, mas acredita na força poderosa de Deus que emana de seu interior.

“Ah, meu Deus, é de fé que me criaste dessa forma. Enxertastes em minha alma essa natural preciosíssima obrigação. Ali a inseristes apesar de terdes previsto quanto eu vos teria sido ingrato, quanto eu teria agido em oposição a ela, quanto eu vos teria ofendido, quanto eu teria arruinado minha alma! Como, então, me suportais ainda sobre a terra? Tornai, pelo menos, conhecido, para vossa maior glória, em todo o universo, esse amor infinito e essa vossa infinita misericórdia! Tornai a todos conhecidos também a minha monstruosa ingratidão e o meu abuso contra o vosso amos infinito e a vossa infinita misericórdia!

Ajudai-me, então, pela mesma vossa infinita misericórdia, para que eu vos ore sempre assim:(Deus Amor Infinito, p. 119)

O homem é imagem de Deus desde o primeiro momento da sua fecundação. Tal dignidade está presente em cada fase da vida humana. É o Criador que participa este dom especial ao homem. E Deus espera que o homem reconheça tal dom, o agradeça, o manifeste e faça crescer na sua vida os frutos de tal dom e possa testemunhar com coragem no próprio agir cotidiano o ser imagem de Deus. Dizer que Deus nos criou à sua imagem significa que Ele possui também um projeto para cada um de nós. E, porque a imagem perfeita de Deus é Cristo mesmo (2 Cor 4,4; Col 1,15; Eb 1,3), o homem deve ser a Ele conformado (Rm 8, 29). Efetivamente para “tornar-se” sempre mais imagem de Deus é necessário que o homem colabore ativamente para a sua transformação segundo o modelo da imagem do Filho (Col 3, 10).

O pecado não destrói, não anula a imagem de Deus no homem, porque essa é parte da essência humana. Mas, o pecado deturpa esta imagem divina, a fere e a ofusca e, uma vez ferido pelo pecado, o homem necessita de salvação. Deus infinitamente bom, lhe oferece tal salvação mediante o Seu Filho Unigênito Jesus Cristo, o qual liberta, cura as feridas do homem mediante a Sua Morte e Ressurreição.

PAUSA PARA REFLEXÃO

"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará " Jo 8, 32

Partindo desta afirmação, vamos silenciar e olhar para o nosso coração. Vamos estar com Jesus e deixar que Ele mostre realmente, a verdade que vai dentro de cada um de nós, para que assumamos e nos comprometamos por inteiro, ao serviço do Reino de Deus.

1- Quais são os afetos do meu coração neste momento?

2- Para onde está voltado meu coração, com o que ele se importa mais?

3- Que lugar, Deus e a missão a mim conferida, têm em meu coração?

Com toda a Família Palotina rezemos a própria oração de São Vicente:

LEITOR: Deus meu, Pai meu, amor infinito e misericórdia infinita da minha alma! Amor inefável, amor incompreensível!

TODOS: Espírito Santo preenche e unge meu ser.

LEITOR: Somente vós compreendeis quanto vos tenho sido ingrato e quantos pecados cometi! Todos eles são outras tantas conseqüências da minha ingratidão ao vosso amor infinito e àquela infinita misericórdia com que me tendes criado à vossa imagem e semelhança.

TODOS: Espírito Santo preenche e unge meu ser.

LEITOR: Não tirei proveito de vosso amor e misericórdia! Principalmente, agi em oposição ao fato de ser minha alma viva imagem do Verbo eterno, vosso Filho Divino, infinitamente semelhante a Vós.

TODOS: Espírito Santo preenche e unge meu ser.

LEITOR: Ah, meu Deus! Se me tivesse valido disso como quereis vós e me tivesse confiado na graça, nunca teria pecado! Ao contrário, como teria, para a maior glória vossa e para a maior santificação da minha alma e dos meus próximos, multiplicado as obras santas! É por isso, que me sinto réu de tantos pecados, privado de tantos méritos. Sinto minha alma envenenada, toda chagada e - tantas vezes! – acorrentada por inúmeras culpas.

TODOS: Espírito Santo preenche e unge meu ser.

LEITOR: Ah, meu Deus, quem me dera lágrimas para chorar tão triste, tão monstruosa ingratidão ao amor infinito e à infinita vossa misericórdia!

TODOS: Espírito Santo preenche e unge meu ser.

LEITOR: Meu Deus! Amor meu! Amor, amor infinito de minha alma pobrezinha, deformada, chagada, envenenada!

TODOS: Espírito Santo, preenche e unge meu ser.

LEITOR: Posto em tal abismo de miséria, vós, ó meu Deus, que sois a misericórdia por essência, quereis que em Vós não espere.?

TODOS: Espírito Santo preenche e unge meu ser.

LEITOR: Ao contrário, pela mesma infinita vossa misericórdia, pelos méritos infinitos de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelos méritos e intercessão de Maria Santíssima e de todos os anjos e santos, tenho firme confiança – creio-o, com certeza! – que me concedereis, já agora, a perfeita contrição de todos os meus pecados e de toda a minha monstruosa ingratidão.

TODOS: Dar-me-eis prontamente a graça de começar agora e de prosseguir até a morte, uma vida totalmente aplicada à maior perfeição da minha alma, sempre com fervor, sempre com diligência acrescida! Com Vossa graça, lembrarei sempre aquele vosso amor infinito e aquela vossa infinita misericórdia, com que me tendes criado semelhante a vós, no intuito de que me valesse disso como quereis, para chegar a ser semelhante a vós na glória, por toda eternidade.

ORAÇÃO DO PAI NOSSO, pela unidade dos Cristãos.

Finalizamos pedindo sobre todos, bênçãos do Senhor Jesus.

O Senhor nos abençoe nos livre de todo o mal e nos conduza a vida eterna.

domingo, 9 de maio de 2010

Feliz dia das mães

Oração para amar Maria

Meu Deus, não sou digno de ter o dom de um perfeito amor à nossa Imaculada Mãe, Maria Santíssima. Mas vós mo concedereis pela vossa infinita misericórdia e pelos merecimentos de Jesus e da própria Virgem, Nossa Senhora.

Quero amar ternamente nossa queridíssima Mãe Maria com o amor com que vós, ó eterno Pai, a amais como filha, com o amor com que vós, ó Filho divino, a amais como Mãe, com o amor com que vós, ó Espírito Santo, a amais como Esposa.

Quero também que ela seja amada por todas as criaturas.

S. Vicente Pallotti. Mês de maio para o clero

sábado, 1 de maio de 2010

PALLOTTI E MÊS DE MAIO

Para os nossos queridos leitores do blog queremos apresentar 3 livros do nosso Fundador, São Vicente Pallotti, sobre o mês de Maria - mês de maio!!!  Estes livros foram traduzidos de italiano para português por nosso querido Bispo Palotino Dom Jose Maria Maimone SAC e editados pela Editora Biblos no ano 2009.

Muitas formas de piedade, no passado consideradas salus et vita, caíram hoje em desuso. Entre elas o mês de maio, chamado também de mês mariano. Segundo o Padre Palotino, Francesco Moccia, “já na Idade Média, em Mântua e Paris (...), havia o costume de dedicar a Nossa Senhora os primeiros dias do mês de maio”. Em 1726 um jesuíta italiano, Annibale Dionisi, escreveu um livro com meditações para cada dia intitulado: “Maio, mês de Maria”. Alguns anos mais tarde, em 1785 um outro jesuíta, Alfonso Muzzarelli, publicou um novo guia mariano para o mês de maio. A obra era destinada, exclusivamente, aos alunos dos colégios jesuítas de Milão e de Roma. É assim que, no Colégio Romano, o jovem Vicente Pallotti descobriu esse manual. Foi nesta época que nasceu em São Vicente o desejo de escrever uma Trilogia de Livros sobre Maria e Mês de Maio dedicados aos Religiosos, Leigos e Sacerdotes.

Estudando esses três opúsculos, não é difícil constatar que Vicente Pallotti seguia o mesmo esquema e os mesmos objetivos dos manuais de Dionisi e Muzzarelli. Para os três autores, se tratava de aprofundar a fé e de renovar a vida cristã. Mas as meditações de Pallotti têm algo de totalmente novo e original. É claro que, a exemplo de Dionisi e Muzzarelli, Pallotti apresenta Maria como Modelo e Mestra para todos os cristãos, mas ele o faz de uma maneira diferente para cada grupo, levando em conta o que é comum e o que é especifico de cada um e conjugando, assim, unidade e diversidade. Por exemplo, a todos os grupos, Maria se apresenta como “Imaculada Mãe de Deus”, mas para os leigos ela é também “Mãe da Misericórdia” para os consagrados é “Rainha dos santos”; para os eclesiásticos é sobretudo, “Rainha dos Apóstolos”. Dessa maneira, as diversas vocações não são simplesmente justapostas. Pallotti não as apresenta como caminhos paralelos nem complementares. As diversas vocações são chamadas a dar testemunho, cada uma de maneira privilegiada, de um aspecto da vida cristã que todos devem viver. Em outras as vocações são chamadas a se iluminarem mutuamente e a trabalharem juntas, ou seja, a cooperarem para a maior glória de Deus e para a salvação da humanidade.

Essa lógica da cooperação, que se radica progressivamente em Pallotti, o leva a fazer vivê-la também no seio da Igreja. Por exemplo, é muito claro para ele que o sacerdócio ministerial é ordenado ao serviço dos cristãos leigos. Mas, segundo Pallotti, seria muito limitado pensar que os padres e religiosos, também eles, não pudessem receber dos leigos um testemunho para viver em plenitude a sua própria vocação. Assim, no Mês de Maio para os eclesiásticos, recordando a importância da leitura espiritual, Pallotti coloca na boca da Virgem Maria as seguintes palavras: “Procurareis, cada dia, ler a Vida de algum Santo. Gostaria que lêsseis não somente a vida de algum Santo Sacerdote, mas também de um Santo leigo para sempre mais humilhar-vos, fazendo o confronto dela com a vida que tendes”. Por sua vez, vendo os religiosos, os leigos podem se desprender dos laços humanos absolutos que olvidam que a relação com Cristo precede e funda todas as outras relações.

A estrutura desses 3 livros é a mesma: cada um deles possui 31 meditações, precedidas por um dia de preparação. Vicente aconselha começar esse exercício pelo hino Ave Maris Stella. Em seguida, convida a Virgem Maria a falar para fazer nascer no interlocutor a disposição de querer o que Deus quer. Pallotti aconselha também solicitar o que é necessário, mas insiste muito sobre a capacidade de pedir segundo o espírito de Deus, para acolher o que é oportuno às necessidades de cada um. Maria está presente sempre como Mãe dos que oram (Jo 19,27) e os acompanha no caminho da fé, encorajando e intercedendo por eles.

Maria propõe aos ouvintes, cada um segundo seu estado de vida, coisas bem concretas para que possam avançar no caminho da perfeição. Assim, ela propõe aos clérigos e religiosos invocá-la várias vezes durante o dia ao ouvir o repique dos sinos; ler diariamente um capítulo das Escrituras e algumas linhas da vida dos santos; fazer seu exame de consciência de maneira precisa à noite; aproveitar o tempo presente; confessar-se regularmente para dispor-se a receber as graças que ela deseja conceder-lhes; no caso de não possuir ainda um diretor espiritual, buscar um segundo o espírito de Deus, ou seja, adequado e apropriado para a própria alma. Maria se propõe obter tal diretor se assim for desejado.

Finalmente Maria se endereça aos leigos a fim de que eles aproveitem plenamente o mês de maio. Ela suplica que não se esqueçam da própria alma e que procurem todos os dias se desfazer de tudo o que conduz ao pecado: jogos perigosos, relações nocivas, conversações inúteis etc. Ela os convida a escutar mais o outro, saber se acalmar em casa, entrar com mais freqüência nas igrejas, ler a vida dos santos e meditar especialmente a vida do Santo dos santos, Jesus Cristo, anotar as inspirações divinas e as resoluções tomadas, retornar a elas relendo-as, aproveitar com mais freqüência da confissão e da eucaristia e agradecer a Santíssima Trindade por todos os dons recebidos.

Pe. João Pedro Stawicki SAC

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Tríduo a Madre Anastasie e são Vicente Pallotti

Por uma coincidência feliz dia 21 de abril é uma data especial para as duas congregações que atuam em Novo Airão. Neste dia a família palotina celebra o nascimento de são Vicente Pallotti – fundador da Sociedade e União do Apostolado Católico a qual pertence Pe. José Maslanka e Pe. Artur Karbowy. Neste mesmo dia Madre Anastasie, fundadora da Congregação das Irmãs Dominicanas de Nossa Senhora do Rosário de Monteils da qual pertence Irmã Sandra, nasceu para céu.

Por esta oportunidade durante três dias a comunidade de Novo Airão reuniu-se para juntos rezar, refletir e conhecer um pouco mais a sobre a vida e obra desses fundadores. Cada dia a comunidade se reunida em outra igreja onde neste dia normalmente é celebrada a Santa Missa.

Na segunda-feira dia 19 reunimos-se na capela Jesus Misericordioso. Neste dia refletimos sobre o tema: sementes da Boa Nova – breve biografia de são Vicente e Madre Anastasie. Vicente Pallotti nasceu em Roma, na Itália, no dia 21 de abril 1795. Foi ordenado padre em 1818 aos 23 anos. Desde pequeno, distinguiu-se pela piedade que aprendeu principalmente com sua mãe. Sempre queria ajudar os outros. A generosidade era tão grande, que muitas vezes chegava em casa sem os sapatos porque os dava aqueles que não tinham. Ainda como aluno ensinava os mais jovens a rezar e cantar.

São Vicente Pallotti morreu no dia 22 de janeiro de 1850. Vicente Pallotti foi beatificado em 1950 e canonizado em 1963 durante Concílio Vaticano II. Alexandrine Conduché, como religiosa recebeu o nome Anastasie, é a Fundadora da Congregação das Dominicanas de Nossa Senhora do Rosário de Monteils. Tendo nascido em Compeyre, situada nas gargantas do rio Tarn, de uma família pobre e de fé sólida, recebe uma educação escolar precoce e relativamente longa para sua época:"ela era completamente tudo"relatam-nos as crônicas. Aos treze anos, para não permanecer mais tempo a cargo dos seus pais, ela sai de Compeyre para ir ao presbitério do seu tio Artières em Tizac. O padre Artières, consciente das qualidades intelectuais da sua jovem sobrinha, decide abrir uma escola para os iletrados da aldeia da qual ela se torna responsável.

No Segundo dia do Tríduo foi celebrado na igreja matriz de santo Ângelo, com o tema discípulos fiéis – marcas do discipulado. Neste dia foram apresentadas para a comunidade as principais características dos trabalhos feitos pelos fundadores que marcaram não só a vida deles, mas também pessoas que se apaixonaram com exemplo que eles deixaram. São Vicente Pallotti ficou conhecido em toda Roma como um trabalhador incansável, que estava atuando na universidade, hospitais, presídios, confessionário. Pallotti confrontava-se com os problemas que dificultavam a vivência da fé e o crescimento das tarefas ligadas ao anúncio do Evangelho nas terras de missão. Diante de tais problemas que a Igreja devia afrontar, Pallotti voltava sua atenção sobre a necessidade urgente de reavivar a fé e de reacender a caridade entre os católicos para anunciar a todos os homens a boa notícia da salvação. No território da cidade de Roma ele, com um grupo de colaboradores, desenvolveu uma notável célula de atividades apostólicas e ao mesmo tempo ocupou-se em unir e coordenar tais atividades. Disto nasceu a idéia de fundar uma nova instituição, ou seja, a “União do Apostolado Católico”, para unir todas as iniciativas apostólicas. Nos múltiplos escritos Pallotti desenvolveu a visão global da obra na Igreja, a fim de que a boa notícia pudesse ser levada a todos os homens de maneira ordenada e sistemática.

Madre Anastasie é uma ótima professora que sabe limitar o seu ensinamento às necessidades dos seus alunos. Mas o que a motiva mais ardentemente, é transmitir aos seus alunos "o amor do Senhor Jesus". Nesse primeiro serviço de Igreja, ela compreende a perfeita unidade entre profissão e apostolado. E Deus interpela-a. E sem reserva, ela responde “Sim”. A sua atração mais intensa era para com uma vida religiosa de tipo contemplativo. No noviciado de Saint Julien d´Empare, dão-lhe o sobrenome de "noviça despreocupada", de tal forma ela é feliz na paz daquele convento. Mas a fundação de Bor começa... Ela "deixa portanto Deus para Deus", tornando-se diretora da nova escola de Bor. Aos dezoito anos, já mestra das noviças e responsável pela comunidade que está surgindo.

Dia 21 de abril foi celebrado na capela Nossa Senhora Auxiliadora, neste dia Pe. José foi visitar as comunidades ribeirinhas que vivem na margem do Rio Negro. Nossa comunidade estava reunida para refletir o tema: Discípulos e missionários de Jesus – A fundação – o carisma – o apostolado. Todos tiveram oportunidade conhecer um pouco mais a União do Apostolado Católico e trabalho das irmãs Dominicanas de Monteils. As origens da União do Apostolado Católico remontam ao dia 9 de Janeiro de 1835, data em que, por inspiração divina, São Vicente Pallotti decidiu fundar uma obra em que todos os membros do Povo de Deus pudessem participar unidos na missão evangelizadora da Igreja. São Vicente Pallotti estava imbuído da idéia de que todos os batizados, em resposta ao "mandamento novo" da caridade, são chamados a empenhar-se ativamente em prol da salvação do próximo e de si mesmos, e considerava também que as iniciativas apostólicas pessoais seriam mais eficazes, se fossem realizadas de forma associada e orientadas para a tarefa comum de vida e de propagação conjunta do Evangelho. Desde o início, a União do Apostolado Católico foi composta por leigos, clérigos e religiosos, com um desenvolvimento constante ao longo dos anos, e subdividiu-se em várias comunidades de fiéis de todos os estados de vida e condições, desejosos de plasmar a sua vocação em conformidade com os ideais apostólicos do Fundador. Esta partilha do mesmo carisma pressupõe a distinção e a complementaridade necessárias entre os diversos estados de vida na comunhão eclesial.

Irmãs Dominicanas de Monteils são conhecidas pela sua abertura social das primeiras comunidades, estreitamente ligada ao objetivo primordial de promover a inteligência da fé. É esta fidelidade à sua tradição que orienta ainda hoje as Irmãs de direção de um apostolado comunitário, num serviço de verdade e de bondade. Chamadas por Cristo para viverem com Ele, ele as envia, com os apóstolos, para anunciar a Boa Nova aos homens, vivendo em total comunhão com eles.

Três dias é pouco para conhecer vida e a obra de grandes pessoas, mas esses três dias com toda certeza ajudaram a perceber que sempre podemos trabalhar mais e melhor para maior glória de Deus e salvação do próximo.

sábado, 3 de abril de 2010

Encontro semestral dos grupos locais da União do Apostolado Católico

No dia 27 de março na paróquia de Nossa Senhora da Glória em Manaus, aconteceu o encontro semestral (encontrão) dos grupos locais da União do Apostolado Católico – UAC. O mesmo teve como palestrante o Pe. Stanislaw Krajewski SAC, que fez uma abordagem completa do tema: “A misericórdia infinita de Deus”, desde o sentido neotestamentário do termo misericórdia, até sua manifestação no perdão, como fruto do amor infinito de Deus pelos pecadores. Os Membros do UAC e pessoas que são fascinadas pelo carisma palotino vieram de toda Manaus para junto refletir, rezar e mergulhar no infinito amor de Deus. Pe. Stanislaw com grupo da UAC da Glória preparou uma boa recepção.
O Encontro começou com oração na frente das relíquias de São Vicente Pallotti. Durante a palestra todos aprendemos que a misericórdia de Deus é muito freqüente na Bíblia. Da primeira à ultima página da Palavra de Deus fala sobre Criador que é amoroso, compassivo, fiel, transbordante de graças, terno, piedoso, benevolente, clemente. Com Jesus é revelada plenamente a misericórdia que nos salva.O Tema da infinita misericórdia de Deus é tão grande que na próximo encontro vamos ter uma continuação desse tema com base nas palavras de são Vicente Pallotti. Como sempre encontro foi cheio de alegria. Todos participantes poderiam aprender um pouco mais e aproximar se para fonte da infinita misericórdia.
Nair Araujo - UAC Manaus

quarta-feira, 24 de março de 2010

MARIA NA VIDA DE VICENTE PALLOTTI, ATÉ SUA ORDENAÇÃO SACERDOTAL: 16.05.1818

Maria ocupa um lugar muito especial na piedade, no estudos e nas aspirações de Vicente Pallotti. E isso, na família, na escola e na sua formação teológica e pastoral, como também nas suas atividades.

1. Maria da vida familiar de Vicente Pallotti

Foi na própria família que Vicente Pallotti descobriu, aprendeu a conhecer, a amar Maria e a valer-se da sua intercessão. Aí cresceu seu grande desejo de amá-la, de torná-la conhecida e amada de todos, e também seu desejo de imitá-la. Sua família era profundamente cristã e mariana. Seus pais eram grandes devotos de Maria. Na casa havia muitas imagens de Cristo e de Maria. Na casa rezava-se diariamente o terço e na casa celebravam-se as festas marianas. Todos os dias os pais levavam os filhos a rezar diante do Santíssimo Sacramento e diante de um altar de Maria. O nome de Maria era pronunciado com grande respeito. O amor à eucaristia e o amor a Maria marcavam a vida da família Vicente Pallotti.

Sobretudo a mãe de Vicente Pallotti exerceu uma grande influência sobre o pequeno Vicente. Quando morreu sua mãe Maria Madalena De Rossi, em julho de 1827, a pedido do seu confessor Vicente Pallotti traçou numa carta o perfil moral da sua grande mãe. Ele a chama sua “boa mãe”. Diz que ela tinha um grande amor a Deus, à sua Palavra, à eucaristia e a Maria Santíssima. Ela venerava de modo especial a Imaculada Conceição e a maternidade de Maria. Ela levava seus filhos a invocarem Maria como Imaculada Conceição. Ela queria que seus filhos fossem puros e transparentes nos seus pensamentos, afetos, palavras e atos. Pedia que Maria Imaculada conservasse puros os seus filhos. A mãe de Vicente Pallotti venerava a maternidade de Maria. Sentia-se fascinada por Maria Mãe de Deus e Mãe dos homens. Gostava de repetir as antífonas marianas: “Bem-aventuradas as entranhas da Virgem Maria que carregaram o Filho de Deus. Bem-aventurados os seios que amamentaram o Cristo Senhor”.

Entre os seus irmãos, Vicente Pallotti era quem mais se sentia atraído por Maria e, ainda bem pequeno, pedia a Maria que o fizesse bom.

Além do ambiente familiar, exerceu uma influência muito grande em Vicente Pallotti o clima mariano da cidade de Roma, expresso nas muitas igrejas e altares marianos, nas imagens de Maria nas casas e nas ruas e praças. As celebrações marianas da cidade, os santuários marianos de Roma e arredores deixaram marcas na piedade mariana de Vicente Pallotti.

2. Maria na escola de Vicente Pallotti

O que Vicente Pallotti recebia em casa era ampliado e aperfeiçoado na escola. Freqüentou a escola de São Pantaleão, dirigida pelos Padres das Escolas Pias, fundados por São José de Calasanz (são também conhecidos como Piaristas). São uma comunidade mariana e eles incutiam nos seus alunos a grande devoção a Maria Santíssima. Nessa escola Vicente Pallotti entrou na Congregação Mariana. Todos os domingos e dias festivos os congregados reuniam-se para rezar o Ofício de Maria, para escutar uma conferência mariana e para a celebração eucarística. Maior ainda foi o influxo mariano recebido por Vicente Pallotti na escola secundária, no Colégio Romano, sede das Congregações Marianas. Foram alunos do Colégio Romano São Luiz Gonzaga e São João Berchmans, cujos corpos são venerados na igreja de Santo Inácio e cujos quartos também podem ser visitados. Os dois santos jovens jesuítas exerceram uma grande influência sobre Vicente Pallotti, que se sentiu sobretudo atraído por São João Berchmans.

A partir de 1816 Vicente Pallotti começou a escrever algo do que lhe ia no coração: os seus propósitos, as suas aspirações, as luzes e iluminações que ia recebendo.

3. Maria na preparação de Vicente Pallotti para o sacerdócio

Aos 16 anos, Vicente Pallotti tomara a decisão de tornar-se sacerdote diocesano, já que não lhe fora possível tornar-se sacerdote capuchinho. Quis preparar-se com todo o esmero para a recepção e o exercício do ministério sacerdotal. Valeu-se da orientação de um sábio diretor espiritual. Mas é a partir dos 21 anos que ele nos faz sentir o que mais o movia, o alegrava, o fazia sofrer, bem como as suas incontidas aspirações de doação a Deus e ao próximo. Quer amar infinitamente a Deus e a todas as suas criaturas, particularmente Maria. Quer destruir todo pecado, salvar todos os homens e consumir toda sua vida a infinita glória de Deus. Aí aparecem também suas aspirações marianas:- o desejo de imitar Jesus Cristo, Maria, os anjos e santos;
- por meio de Maria quer conquistar uma singular pureza em todo o seu ser;
- quer ter um amor infinitamente terno para com Maria;
- quer falar muitas vezes de Maria;
- quer estar sempre no cenáculo com Maria e todas as criaturas;
- quer fazer tudo em obséquio de Maria e fazer também o que fez Maria;
- venerar Maria, nossa senhora e mãe afetuosíssima.
- fazer todas as coisas com a perfeição com que as fez Maria;
- quer ter a pobreza de Cristo e de Maria;
- quer confessar publicamente o privilégio da Imaculada Conceição, defendê-lo publicamente;
- em 1816 fez o voto de crer na Imaculada Conceição;
- faz o propósito de dedicar todas as obras literárias à Imaculada Conceição de Maria Santíssima e faz a intenção de que todas as criaturas dediquem todas as suas ações e obras à Imaculada Conceição, sua mais que afeiçoadíssima Mestra, Mãe, Advogada..., não deixando, porém, de dedicá-las ao mesmo tempo à sua maternidade divina, à sua virgindade incomparável, às suas dores...;
- quer estar agasalhado no seio de Maria;
- quer aprender de Maria a imitar Jesus Cristo;
- quer valer-se da intercessão de Maria, Advogada;
- vê Maria como Mestra;
- quer realizar todas as suas ações com a perfeição com que as realizou Maria Santíssima;
- quer praticar as virtudes com Maria;
- quer ter a modéstia de Maria.

4. Maria na ordenação sacerdotal de Vicente Pallotti

No tempo de Vicente Pallotti a ordenação sacerdotal acontecia em três etapas: subdiaconato, diaconato e presbiterato. Ele recebeu as ordenações na igreja de São João de Latrão:
- subdiaconato: dia 21 de setembro de 1816;
- diaconato: dia 20 de setembro de 1817;
- presbiterato: dia 16 de maio de 1818.
Antes de receber o subdiaconato, Vicente Pallotti considerava-se o mais indigno de todos de receber a ordem do subdiaconato e as demais ordens sacras. Mas para recebê-las faz a intenção de fazer o que fariam Jesus, Maria, os anjos e santos se devessem preparar-se para receber as ordens.

Após ter recebido o subdiaconato, sente mais profundamente o dom de Deus, mas também sua pobreza pessoal e sua incapacidade de aproveitar devidamente os dons recebidos. Confiando, porém, nos merecimentos e na intercessão de Maria, tem a certeza de que Deus lhe dará a graça de aproveitar todas as graças e dons.

Durante o retiro de preparação imediata para o sacerdócio pede a Maria Santíssima que lhe obtenha de Deus todas as graças necessárias para poder cumprir bem todas as obrigações sacerdotais.

Ao receber o sacerdócio, escreveu ao seu amigo São Gaspar del Búfalo que Deus lhe tinha dado a dignidade do sacerdócio, capaz de suscitar admiração e temor na própria Mãe de Deus. Pede-lhe que recite pessoalmente o cântico do Magnificat em ação de graças pelo benefício recebido. E Vicente Pallotti exclama: “Oh que dignidade o sacerdócio, que dignidade”!.

No tempo da sua ordenação, pouco antes ou pouco depois, Vicente Pallotti escreveu uma exortação em que pede aos irmãos e mestres serem apóstolos fervorosíssimos de Maria:

Meus irmãos e mestres, devemos nutrir uma tal devoção à nossa mais que queridíssima Mãe Maria; com as obras e as exortações devemos ser apóstolos fervorosíssimos não somente de Jesus Crucificado, mas também da sua e nossa Mãe Maria. Devemos ser filhos e apóstolos de Nossa Senhora. Devemos procurar, cheios de confiança em Deus, ser de tal modo transformados em Nossa Senhora que, depois de Jesus Cristo o nosso coração seja de Nossa Senhora, os nossos movimentos internos sejam de Nossa Senhora, as nossas palavras, os nossos olhares, os nossos passos e todas as nossas ações, sejam todos de Nossa Senhora. Persuadamo-nos que um verdadeiro devoto de Maria se tornará um grande santo e sua santidade aumentará dia por dia. Esforcemo-nos por isso com sumo empenho em propagar as glórias de Maria (laus Mariae est fons indeficiens), em insinuar no coração de todos um amor, se fosse possível, infinitamente terno à nossa mais que queridíssima Mãe, Senhora e Rainha Maria.

Pe. João Baptista Quaini SAC

quinta-feira, 18 de março de 2010

Oração a São José por São Vicente Pallotti

Ó puríssimo e sempre virgem Patriarca São José, tu, homem todo de Deus, tu, depois da Imaculada Mãe de Deus, de tal forma privilegiado, que, dentre os filhos de Adão, de ti somente se pode dizer que o mesmo Deus é teu e tão somente teu, que foi tido e julgado como sendo seu filho.

A ti, o Eterno Pai entregou sua obedientíssima filha. O Filho, que se fez homem para redimir o gênero humano, confiou-te a sua verdadeira mãe, O Espírito Santo deu-te e confiou-te a sua puríssima e fidelíssima esposa. Numa Palavra, toda a santíssima Trindade deu-te, como verdadeira e legítima consorte, e a sua eleita, única e escolhida como o sol.

Ah, tu sim, meu querido Santo, tu que agora és bem-aventurado nos esplendores da glória, compreendes qual seja tua dignidade, a tua excelência. Tu é que entendes que coisa seja mesmo ter por esposa Maria imaculada, Mãe de Deus, Senhora do céu e da terra, Rainha de todos os Anjos e de todos os Santos.

Tu é que entendes o que seja seres tu o depositário fiel dos tesouros infinitos do próprio Deus.

Tu que sabes que, se não és alvo da inveja dos Anjos, que isto repugnaria ao estado de beatitude deles, contudo quedam-se eles assombrados e estáticos, a jubilar intimamente, a venerar-te pela plenitude dos singulares privilégios, virtudes, dons, graças, e glória de quem foste enriquecido.
Digna-te, pois, de receber as afetuosas expressões de prazer por tão grande felicidade da parte de todo o gênero humano, que por nada confia em ti, desde que te reconhece, por falar assim, como generoso dispensador das divinas misericórdias, senhor e esposo daquela de quem só Deus é maior. E, assim, por toda a eternidade, dás contigo rico e especialmente bem-aventurado entre todos os homens e entre os próprios Anjos. Assim que podes alcançar todas as graças, dons e misericórdias em bem de todos e também em proveito dos maiores pecadores.

E por isso que tu diante do trono do divino benfeitor contemplas, humilde, a tua dívida, por tantos dons que recebeste, assim desejas ardentemente que juntamente contigo todas as criaturas, por toda a eternidade, da tua parte, agradeçam ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Eis, pois, que nós todos, juntamente contigo, e em união com toda corte celeste e com todas as outras criaturas e com os mesmos Corações santíssimos de Jesus e de Maria, entendemos ter oferecido e oferecer à Santíssima Trindade, desde toda a eternidade e por toda eternidade, a todo instante infinitésimo, os , os méritos infinitos de Jesus Cristo e os méritos da Santa Igreja:

1° Em agradecimento por todos os dons, graças, favores e privilégios de que Deus se dignou enriquecer-te e à tua esposa e mãe nossa bem-aventurada.

2° Em agradecimento como se já, pela poderosíssima tua proteção e de Maria Imaculada, tivesse sido concedido a nós e a todos, presentes e futuros, de todo o mundo, o dom daquela perfeita e perseverante correspondência a todas as graças e àquele perfeito exercício de todas as virtudes, da forma com que tu e tua puríssima esposa Maria fostes os perfeitos imitadores da vida humilde, pobre, penosa, laboriosa, benéfica e desprezada, que, com amor infinito dignou-se sofrer por nós sobre esta terra Nosso Senhor Jesus Cristo.

3°Em agradecimento como se já por tua intercessão e de Maria Imaculada, Deus se tivesse dignado converter todo o mundo e dele tivesse feito um só rebanho e um só pastor.

4° Em Agradecimento como se já tivesse concedido (aqui pode-se exprimir a graça que se deseja).

5° Em agradecimento também, como se já, por sua intercessão e de Maria Imaculada, nos tivesse sido assegurada a graça da preciosa morte dos justos, com tais disposições de poder entrar, sem demora, no paraíso sem passar pelo purgatório, para chegar mais depressa a amar a Deus no reino da eterna e perfeita caridade, onde, juntamente contigo e com tua esposa, Mãe nossa Maria, e com todos os Anjos e Santos, cantaremos para sempre as divinas misericórdias. Amém.

Jesus, José e Maria, entrego-vos meu coração e minha alma.

Jesus, José e Maria, assisti-me na última agonia.

Jesus, José e Maria, expire em paz convosco a minha alma
São Vicente Pallotti

Extraído do Livro “ As Orações” São Vicente Pallotti,
Ansgario Faller, SAC
Editora Biblos, Santa Maria 2007