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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Apóstolos hoje – outubro de 2012


JUBILEU PALOTINO: 50O ANIVERSÁRIO DA CANONIZAÇÃO DE
 S. VICENTE PALLOTTI

A família palotina está em festa! É bom, justo e salutar comemorar e celebrar um evento que deu tanta alegria e grande impulso espiritual aos membros da UAC e a cada uma das Instituições.

Recordar é também reviver um evento de graça e de grande júbilo. 

S.S. João XXIII assim introduziu a homilia de canonização: "Mirabilis Deus in sanctis suis” (Sl 67, 36) “Exultabunt sancti in gloria; laetabuntur in cubiculum suis”(Sl 149, 5).

Repleta de fiéis, naquele memorável dia, na Basílica S. Pedro, os presentes escutaram quanto segue: "Depois de ter invocado a abundância dos dons do Espírito Santo, ... declaramos e definimos que o beato Vicente Pallotti é Santo e o escrevemos no álbum dos santos, dispondo que a sua memória, seja em todos os anos devotamente venerada no dia do aniversário da sua morte, dia 22 de Janeiro.

TESTEMUNHO

Sinto alegria em partilhar com vocês, embora de forma sintética, aquela experiência inesquecível da canonização de S. Vicente Pallotti, ocorrido no dia 20 de Janeiro de 1963.
Não poderei porém introduzir-me neste evento de graça sem fazer uma breve referência àquilo que o precedeu, ou seja, à Beatificação de S. Vicente ocorrida no dia 22 de Janeiro de 1950, cem anos da sua morte, enquanto era Papa S. S. Pio XII. Considero grande graça ter estado presente e gozado deste privilégio.
Retornar com a mente e com o coração a este evento particularmente significativo para toda a Igreja e em especial para os seguidores de Pallotti, quer significar um reviver emoções, sentimentos e recordações que não somente se tornaram parte da vida, mas a marcaram, a enriqueceram e se tornou um programa para o caminho de vida cristã. O S. Padre Pio XII havia apenas aberto a Porta Santa dando início ao ano santo da Redenção, que para nós, foi oferta uma feliz e santa coincidência.
Assim também considero grande dom ter assistido a exumação do corpo de S. Vicente do local preparado na parede ao lado esquerdo da Igreja "SS. Salvatore in onda”. Uma simples inscrição assinalava o humilde sepulcro onde por cem anos repousou o corpo de Pe. Vicente à espera da hora de Deus. O corpo estava intacto. Deixo imaginar qual foi a emoção que suscitou nos presentes este fato.
Verdadeiramente foi digno de memória a participação na solene celebração do rito de Beatificação do Ven. V. Pallotti na Basílica vaticana, toda esplendente de luz e de beleza. Tudo suscitou alegria e emoções, mas mais ainda parece-me ver cheio de alegria o Rev. Pe. Giuseppe Ranocchini, postulador geral, o qual por longos anos trabalhou e esperou por esta etapa importante para depois proceder à canonização.
Agora é necessário passar para os treze anos que separam os dois acontecimentos da Beatificação e da Canonização do nosso santo: 1950-1963.
Mas é verdadeiramente agradável retornar com o pensamento, recordar e reviver aquele dia soleníssimo de 20 de Janeiro e tornar participantes aqueles que não tiveram a alegria de estarem presentes, mas que afetuosamente são interessados.
Pareceu-me um dever acenar também aos preparativos dos vários compromissos sabiamente distribuídos. A nós, Irmãs, foi confiado a delicada e agradável tarefa de preparar as "relíquias” do santo: dentro de pequenas teças eram colocados fragmentos de pele tiradas do corpo do santo, ou de minúsculos retalhos de vestes usadas por ele. Tudo vinha confeccionado com pequenas pérolas e fios dourados bem dispostos. Em muitas relíquias de tecido vinham aplicadas as pequenas imagens com o rosto do santo para serem distribuídas para o povo.
Outro compromisso foi o de preparar os cantos para as solenes celebrações realizadas depois da canonização nas várias Igrejas e comunidades palotinas e também preparar coros com hinos apropriados. Uma tarefa mais trabalhosa foi assumida pelas Irmãs da Comunidade da Pia Casa de caridade de Roma, junto com as alunas. Além de preparar muitíssimas relíquias sobre as pequenas imagens para dar às pessoas, bordaram em fio de ouro o "travesseiro" colocado de baixo da cabeça do Fundador e também a casula que é visível e que reveste o corpo do santo que repousa sob o altar na Igreja do "SS. Salvatore in Onda".
Finalmente chega o momento de entrar na Basílica de S. Pedro no Vaticano. Muita gente se encaminhava para a Basílica. Nós tínhamos bilhetes especiais de ingresso e lugares reservados na Basílica nas diversas tribunas: S. Longino, S. Andréa, S. Helena; sentíamos nossa a festa e gozavamos desta consciência. A Basílica estava verdadeiramente revestida de festa, adornada como uma esposa pronta para as núpcias, esplendidamente iluminada: uma visão de céu, observada e "saboreada" com indescritível emoção. As cadeiras preparadas para os Padres do Concílio dispostas em fila nos dois lados da nave central da Basílica.
 Também a feliz coincidência da celebração do Concílio Ecumênico Vaticano II, permitiu a tantos Padres Conciliares de estarem presentes à canonização e se mostraram visivelmente contentes. Uma nota festiva si notava também nos funcionários do vaticano colocadas a serviço da vigilância do ambiente; suas vestes coloridas e os uniformes elegantes contribuíram para tornar a atmosfera mais alegre.
Na cadeira gestatória o S. Padre João XXIII percorreu a nave central da Basílica, de maneira festiva e sorridente, saudando os fiéis presentes, os quais o aclamavam com gestos e cantos de alegria. O órgão entanto preenchia o ambiente de música sacra, suscitando devotos sentimentos nos corações. Assim também as vozes angélicas dos “meninos cantores” contribuíam para elevar os ânimos, já visivelmente comovidos como que suspendidos entre o céu e a terra.
O ritual iniciou e procedeu segundo o estabelecido desde os mínimos detalhes; o S. Padre pronunciou sua homilia rica de conteúdo estimulante, especialmente para nós, seguidores de Pallotti. Momento particular cheio de emoção foi quando vimos descobrir o quadro com a pintura retratando o santo na "glória de Bernini". O quadro retratava São Vicente elevado sobre as nuvens espessas e ladeado por dois anjos. Os braços do santo "docemente” abertos.
Segundo minha interpretação pessoal, o braço esquerdo direcionado para baixo, apoiava a mão no anjo que o acompanhou na sua peregrinação terrena, (recordemos que Vicente tinha uma grande devoção aos anjos), a mão direta elevada para o alto, para indicar o anjo que o devia introduzir e apresentá-lo ao Pai. Vicente, de rosto humilde e sorridente parece querer esconder-se diante de tanta glória.
No final dos ritos sagrados, uma inesperada explosão de contentamento desencadeou toda a alegria contida durante a celebração. Verdadeiramente expressão de jubilo e exultação foram expressos onde "tudo canta e grita de alegria". Seguem as saudações e as congratulações. A multidão se dispõe para sair da Basílica e também nós com o coração cheio de emoções voltamos às nossas comunidades.
A casa que acolhe todas as Irmãs vindas de várias partes do mundo e também das comunidades italianas, foi a Casa Mãe, a casa geral na "Via di Porta Maggiore". Aqui, como se pode imaginar, tudo era preparado para a festa e alí continuaram os festejos. No refeitório, na Capela ecoavam os cantos preparados para a ocasião. Tudo foi apreciado e partilhado fraternalmente, com simplicidade e santa alegria, como queria S. Vicente.
Mas a festa não podia ser concluída com o dia da canonização. Segundo os programas estabelecidos, a urna com o santo foi levada em procissão pelas ruas de Roma e na Igreja de "S. Andrea della Valle", acompanhada por um "mar” de fiéis; sim, propriamente naquela Roma e naquelas ruas que o tinham visto mover-se apressado e modesto, enquanto prestava ajuda nos lugares onde se encontravam as pessoas mais necessitadas, também a nível espiritual e apostólico. A Igreja de "S. Andrea” o tinha acolhido por anos consecutivos, quando S. Vicente celebrava o solene Oitavário da Epifania por ele fundado. Que triunfo para aquele humilde servo que, nas solenes celebrações ficava quase escondido em um canto da Igreja!

As celebrações continuaram ao longo de todo ano. Outro evento que permaneceu na memória e no coração foi quando a urna do santo foi levada à Frascati, pequena cidade dos Castelos romanos, rica de beleza. Aqui, Vicente desde pequeno, passava seu tempo de férias no verão na casa dos tios, e na "Igreja de Jesus” Vicente celebrou sua primeira Missa. A Diocese nos seus representantes e cidadãos acolheram com entusiasmo o santo, quase conterrâneo; também os monges Camaldulenses se alegraram em tê-lo hospedado no precioso período de sua doença. Em Camáldoli, segundo ele mesmo escreve, o nosso Fundador foi visitado por tantos favores a ponto de sentir-se "imerso em um dilúvio de infinitas misericórdias".
Os Bispos da região Lazio, o clero, religiosos, consagradas e o povo responderam o convite: muitas pessoas nas ruas da cidade acompanhoram a urna até a Catedral de S. Pedro, onde teve lugar a solene celebração presidida pela S. Santidade Paulo VI.
Concluindo a breve descrição da experiência vivida do grande evento da canonização de São Vicente, tenho a alegria de trazer parte de uma oração feita por ele mesmo e que me parece reproduzir ao vivo os seus sentimentos para com Deus e consigo mesmo:
Meu Deus, misericórdia minha, meu paraíso; o desejo de trabalhar para a tua glória e para a salvação das almas, sem o paraíso ... seja em mim uma chama infinitamente ardente da tua glória. Meu Deus, trabalha em mim à maneira tua; dilata os meus desejos, dá-me a graça de trabalhar como queres Tu. Meu Deus, tira tudo o que eu sou e faze tudo Tu em mim, enquanto eu goze, Senhor, que Tu sejas infinitamente glorificado e eu infinitamente desprezado. Este seja o meu céu, pelos méritos de Jesus Cristo, de Maria SS. e de todas as criaturas ... (OOCC X, 727-728).
Que surpresa terá tido S. Vicente, quando viu-se acolhido por Ti ó Deus como um santo teu no paraíso? Tu, meu Senhor, não fizeste cantar a Maria que és o Deus que humilha os soberbos e dá graça aos humildes? Dá-nos, Senhor as virtudes da verdadeira humildade da qual o Unigênito teu Filho se fez modelo aos fiéis e que o nosso Fundador bem compreendeu e profundamente viveu, fazendo assim que na sua vida fosses Tu, Deus, a viver e trabalhar nele. Amém.

Perguntas para reflexão
1) O que entendes por herança de S. Vicente? Se o seu carisma é sempre atual, o que podes fazer para torná-lo vivo, hoje, na tua situação vocacional?
2) No tempo de S. Vicente os desafios à fé eram muitos. Quais são, hoje, os desafios que mais te provocam como palotino/a? 
3) Que relação existe entre nova Evangelização e o projeto de S. Vicente Pallotti?

Sr. Lilia Capretti CSAC

sexta-feira, 2 de março de 2012

Apóstolos Hoje - Março 2012

Deus Amor Infinito

Meditação XXX, (OOCC XIII,  pp. 161-166)

 “O amor infinito e a infinita Misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo na eleição dos doze Apóstolos”

Quando li o título desta meditação, a minha reação espontânea foi: “Oh! Não, oh Senhor, porque este tema?  Por que eu?
Embora sacerdote, é para mim um desafio escrever com honestidade sobre o tema da meditação de S. Vicente sobre o sacerdócio ministerial tendo alguma possibilidade de ser edificante para uma variedade de pessoas que lerão esta reflexão. Mas, depois veio-me à memória a imagem do grãozinho de areia ou de algum outro pequeno objeto que age como irritação ou ainda como a ostra que depois forma a pérola. Pode ser que quando vivemos os fatos com um pouco de desgosto, quando somos constrangidos a lutar para refletir mais profundamente sobre um âmbito que encontramos provocatório, algo de precioso pode provir dele. Ao menos essa é a minha esperança.
Por que para mim esse tema è um desafio? Talvez porque venho de uma cultura na qual as ações profundamente prejudiciais de alguns membros do sacerdócio ministerial constituíram  parte dos interesses quotidianos dos meios de comunicação por quase 20 anos;  dificuldades seriamente agravadas pelas respostas geralmente insuficientes de muitos superiores  religiosos e bispos em enfrentar de maneira justa, compassiva, decidida e transparente a dor daqueles que foram profundamente feridos pelos  abusos  da parte dos ministros ordenados, bem como para proteger outras pessoas jovens e vulneráveis de danos futuros pela mão daqueles mesmos ministros. Sérias perguntas foram levantadas em mérito à uma adequada resposta da autoridade da Igreja em cada nível sobre este escândalo e esta crise. O sacerdócio ministerial, em geral, em nossa cultura, foi caracterizado por um clericalismo malsão onde os sacerdotes foram considerados, de alguma maneira, membros de uma casta superior àquela do cristianismo “ordinário”, de tal maneira que resultava, por exemplo, em termos práticos, parecer que o bem da Igreja residisse mais na proteção do bom nome deste sacerdócio que na proteção dos males contra os jovens e os vulneráveis. Os pastores da Igreja foram notados mais vezes pelo exercício da sua autoridade em um modo duro, prepotente e opressor;  isto também contribuiu para deixar um sinal negativo em nossa cultura sobre a imagem de Deus e do sacerdócio ordenado que, como consequência, tantas pessoas ainda hoje têm esse conceito. E não penso que a nossa cultura seja a única informada desta maneira. Em tal clima, uma reflexão como aquela de S. Vicente Pallotti, a qual fala em termos inequívocos e positivos sobre o dom que é o sacerdócio ministerial, pode parecer um tanto incompleta. E, no entanto, S. Vicente não era um sonhador romântico; ele tinha consciência  das faltas de tantos sacerdotes do seu tempo, da incapacidade de uma liderança na Igreja que havia reduzido o papel dos cristãos leigos àquele de pouco mais que expectadores no grande drama da história da salvação.
Todavia, a resposta  de S. Vicente foi a fé, fé primeiramente  no amor infalível de Deus, tornado visível para todos em Cristo, sendo cada um uma viva e única imagem e semelhança do amor e da bondade infinita de Deus. Mas  fé também nos dons que Deus nos tem dado para continuar  ajudando  a tornar  uma realidade tangível em nossa  vida quotidiana  este amor transformante. Ele inicia cada uma de suas 31 reflexões sobre “Deus Amor infinito”  com a expressão “Iluminado pela Fé” ou alguma outra expressão semelhante. Somente com os olhos da   fé é que podemos discernir o verdadeiro valor dos dons de Deus e da sua importância para a nossa vida e para a vida dos irmãos. Isto vale também para o dom do sacerdócio ministerial.
Que aspectos mais me tocam na sua reflexão?  O seu fundamento claramente bíblico  do chamado e do envio dos apóstolos e daqueles que os sucederiam no mesmo chamado e no mesmo envio de Jesus: a missão deles será, de maneira particular, uma partilha e uma continuação do chamado e do envio do próprio Jesus da parte do Pai.  Foram enviados para anunciar a salvação de Cristo a todos, a  proclamar o seu Reino ao mundo inteiro para o bem de todos, a tomar o seu lugar  como “verdadeiros pastores”... para conduzir  outros às verdadeiras pastagens de saúde eterna, “médicos espirituais”... para curar as enfermidades espirituais como “pais amorosos” para guardá-los no coração divino de Deus. É Jesus mesmo que opera mediante o seu ministério pastoral visível para comunicar a sua própria vida divina a todos nós de tal maneira que, escutar ou rejeitar a mensagem evangélica,  significa  escutar  ou rejeitar o próprio Cristo e o Pai que o enviou.
E que missão! Se trata de uma missão aberta também a interpretações muitas vezes erradas e distorcidas na maneira   pela  qual é compreendida e vivida,  como foi até mesmo bastante  evidente na longa história da Igreja,  às vezes manifestando um sentido de privilégio, distante do ideal evangélico de Cristo que veio para servir e não para ser servido;  veio para  doar a si mesmo sem reservas como a expressão mais profunda  possível do infinito amor de Deus pela humanidade, com frequência   ferida  e perdida. S. Vicente usando os termos “pastores”, “doutores” e “pai” ele acena a um sacerdócio modelado sobre a compaixão e a ternura de Cristo, um sacerdócio que vive o chamado paradoxal de Cristo à grandeza de tornar-se o último de todos e  o servo de todos.
E na visão  de S. Vicente, este serviço não procura a dominação, mas é chamado a inspirar, reavivar,  reacender, nutrir e desafiar, conhecendo também a própria necessidade de ser constantemente inspirado,  reaceso, nutrido e desafiado pelo próprio Deus e, com frequência, operando  mediante outros irmãos e irmãs da comunidade e, às vezes, nas mais improváveis e inesperadas maneiras.  Para sermos autenticamente cristãos, tal serviço não pode ser entendido e nem realizado de maneira individualista, autosuficiente, ou de maneira paternalística, mas come se proviesse de um membro de uma família de iguais, cada um com sua dignidade, chamado  com dons especiais  e provindos  de Deus. Cada um leva dentro de si  um chamado implícito para aprender a colaborar como iguais, desde o início com  outros,  em cada estado de vida,  na Igreja e também fora da mesma para edificar o Reino de Deus -  reino de amor, de paz e de justiça em nosso mundo.
Sim, este é um chamado a uma missão particular na família de Deus, um chamado à liderança cristã, um chamado a exercitar um modo particular da autoridade de Cristo, mas uma maneira que seja sempre a serviço do bem dos outros, com a finalidade de ajudá-los a descobrir  e exercer  a plenitude da sua dignidade, liberdade e autoridade como filhos de Deus  que partilham a vida mesma da SS. Trindade no mesmo sacerdócio de Cristo mediante o Batismo, como pessoas criadas à imagem e semelhança do amor, da sabedoria e da verdade infinitas.  E,  finalmente, é um chamado a permanecer em relação, colaborando com outros na construção de uma comunidade de amor e de verdade, de alegria e de paz, de compreensão e de justiça, de respeito recíproco e de encorajamento, de igualdade na diversidade, modelada  sobre esta comunidade eterna de amor que é Deus mesmo.
Um meu amigo, sacerdote dos “Fatebenefratelli” que trabalha entre pessoas com dificuldades especiais, escreveu uma tese sobre a liderança cristã. Concluiu que ele mesmo se tornaria  um líder como Cristo somente se tivesse aprendido a servir as necessidades mais profundas de uma  pessoa particular com  a qual tinha trabalhado e que carregava graves dificuldades de aprendizagem e com nenhuma comunicação verbal. Peçamos ao Deus de toda  consolação que nos  conceda o dom daquele tipo de liderança cristã nas nossas comunidades para que cada  um de nós possa exercer  esta autoridade de maneira tal que sirva  para guiar outros à plena vida que  Cristo deseja para nós como indivíduos e como membros da Igreja e da família humana.

Algumas perguntas para a reflexão à luz do nosso caminho quaresmal:
Qual é a minha experiência de liderança na comunidade cristã, na UAC?
Segundo seu modo de ver, em que consiste uma verdadeira liderança cristã? Existem pessoas que você conhece e que encarnaram  essa liderança?
Como exercito a liderança/autoridade na minha própria vida? No trabalho?  Na  família?
Em que área de minha pessoa  percebo que tenho ainda necessidade de crescer  no serviço humilde e generoso e na colaboração com os outros?

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Apóstolos hoje – novembro de 2011

Deus, Amor Infinito

Meditação 26 (OOCC XIII, pp. 132-137)

Deus, movido pelo seu Amor infinito e pela sua infinita Misericórdia, não impediu o pecado de Adão, também para que a nossa vida fosse toda enobrecida, santificada e enriquecida pelos méritos da vida de nosso Senhor Jesus Cristo.

Introdução
 “Iluminado pela santa fé, tenho presente que Deus, Perfeição e santidade por essência, quando deixa de impedir o pecado permite que ele aconteça por motivos dignos de si e de todas as suas infinitas Perfeições. Eu não sou  capaz de compreender todos os santíssimos motivos, cheios de amor e de misericórdia, os quais Deus não impediu o pecado de Adão, mas a razão mais importante a santa fé me faz descobrir. Ele nos queria dar Nosso Senhor Jesus Cristo! Não é por nada que a  liturgia do sábado santo da Páscoa da ressurreição, a santa Igreja canta: “Ó feliz culpa que mereceu tal e tão grande Redentor”!
Maior motivo temos, entretanto, para pasmar. Se Deus não nos tivesse dado o seu divino Unigênito, feito homem por nós, mesmo que nem Adão, nem qualquer outro nunca tivesse pecado, mesmo que todos não tivessem feito outra coisa senão boas obras, essas boas obras não teriam sido enriquecidas, aperfeiçoadas e enobrecidas pelos méritos infinitos e pela perfeição e santidade da vida santíssima de Jesus Cristo. Nossas boas obras teriam permanecido como são por si mesmas, isto é, quase como um nada diante de Deus. Teriam sido, até, diante da infinita perfeição de Deus, monstros de imperfeição. Jesus Cristo é que, mediante seus méritos infinitos, santifica, aperfeiçoa e enriquece todos os pensamentos, palavras e obras da nossa vida. Enriquece e santifica também nossas ações chamadas, em si mesmas, indiferentes, quando por nós praticadas por amor de Deus, em estado de graça. O santo profeta Isaías nos assegura que até as nossas boas ações são como um pano imundo, [Pano imundo são todos os nossos atos de injustiça]” (Is 64, 5).  
Ah, meu Deus, não sou digno de contemplar os excessos do vosso amor infinito e da vossa infinita misericórdia! Como foi isso de chegardes a permitir que Adão vos ofendesse infinitamente, para, depois, dar-nos o vosso divino Filho? Ele não nos foi dado para redimir a nossa alma da escravidão do pecado e para destruir em nós a toda deformidade que, por causa do pecado, a nossa alma contraiu. Ele veio também para que todos os pensamentos da nossa mente, todos os afetos não desordenados do coração, para que todas as palavras, obras e passos, para que o uso das potências da alma e dos sentimentos do corpo, para que o uso de todas as coisas por vós criadas a nosso serviço, para que tudo, tudo fosse santificado, enobrecido e enriquecido pelos méritos infinitos, pela santidade infinita, pela perfeição dos pensamentos, palavras, desejos, ações, respirações, passos de N. S. Jesus Cristo. Para que o uso que fez N. S. Jesus Cristo das coisas criadas, o exercício de todas as potências de sua santíssima alma e do seu imaculado corpo santificassem, nobilitassem, enriquecessem nosso agir e nosso proceder.
Com efeito, pela comunicação e aplicação dos méritos infinitos de Jesus Cristo, destrói-se toda a deformidade das nossas obras, também das que se dizem obras boas. Essas, diante de vós, por si mesmas, sem a aplicação dos méritos, da santidade e da perfeição da vida de Jesus Cristo – perfeição por essência! – são tais que podem se dizer horrendíssimos monstros. Pela aplicação dos méritos de Jesus Cristo, pela santidade e perfeição da sua vida, destrói-se a deformidade não só das obras boas mas também das obras indiferentes feitas por amor de Deus. Essas obras se tornam santificadas, aperfeiçoadas e enriquecidas pela santidade, perfeição e méritos infinitos de Jesus Cristo. É, então, que posso dizer que a santidade, a perfeição, os méritos de Jesus Cristo são meus e toda a vida de Jesus Cristo é minha.

Meditação
S. Vicente nos convida a refletir sobre o pecado através dos olhos da fé. “Iluminados pela fé” - estas palavras nos convidam e nos oferecem a oportunidade de refletir sobre a fé e descobrir como ela nos ajuda a nos transformar em pessoas que devemos ser. A fé não é estática, mas uma realidade viva que nos guia mais profundamente na realidade de Deus e do seu plano divino para nós e para toda a criação. Pallotti assegura-nos que o pecado de Adão foi permitido por Deus a fim de revelar a missão de Jesus para nós. A Escritura nos mostra os diversos elementos sobre a possível vinda de Jesus na terra para a nossa redenção. No Antigo Testamento, sua vinda foi plenamente pré-anunciada por séculos. Embora esta promessa tenha sido denominada de diversas maneiras, a fé continuou a encorajar os crentes a acreditar nela. O Novo Testamento abre nossos olhos para o anúncio da vinda de Jesus. O capítulo 1 do Evangelho de João é uma maravilhosa reflexão sobre o plano de Deus para o seu povo através de Jesus,  “O Verbo era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus... Todos nós recebemos da sua plenitude graça sobre graça” (Jo 1, 9-16).
Esta passagem da Escritura nos ajuda a esclarecer melhor o que Pallotti está tentando nos dizer no texto escolhido para este mês?
O que é pecado? É qualquer pensamento, comportamento ou omissão que enfraquece ou causa interrupção do nosso relacionamento amoroso com Deus. A consequência do pecado de Adão é a herança de todos os seres humanos desde o primeiro instante de sua existência. Jesus tornou-se o novo Adão e através de sua paixão, morte e ressurreição, nos deu a salvação do pecado e felicidade eterna que Adão perdeu por nós a causa do seu afastamento de Deus. Em sua carta aos Romanos, (5, 12-21), São Paulo reflete sobre como o pecado entrou no mundo através de Adão, mas também explica como Jesus mudou a situação – “Portanto, como pelo pecado de um só, a condenação se estendeu a todos os homens, assim por um único ato de justiça recebem todos os homens a justificação que dá a vida”( Rm 5, 18). A nossa esperança de redenção é fundada sobre a fé que nos conduz a Deus pelo batismo. Paulo pergunta: “Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte?” (Rm 6, 3). O capítulo 6 continua a refletir sobre a relação entre pecado a morte, a graça e a relação existente entre eles que serve para libertar-nos da tentação de pecar. Em Rm 6, 14 encontramos: “O pecado já não vos dominará, porque agora não estais mais sob a lei, e sim sob a graça”.
Pallotti, o místico, refletiu de modo semelhante sobre o pecado, sobre nossa indignidade e sobre nossa incapacidade de agir sem a graça que Jesus quer compartilhar conosco. A graça é dom gratuito de Deus, pela qual nós, seus filhos, podemos nos beneficiar por estarmos abertos a sua ação através de nossos esforços para viver a vida cristã e, de modo particular através da frutuosa aceitação dos sacramentos, especialmente da “Eucaristia e da Reconciliação”.  A oração é parte essencial da vida de cada um de nós e realizando-a deixando esse espaço diário fixo em nossa agenda para o relacionamento com a Trindade por meio de uma vida de oração ativa, seremos beneficiados de várias maneiras. Nos ajudará a reconhecer o pecado dentro de nós que nos leva a fazer escolhas que nos prejudicam, assim como, prejudica nosso relacionamento com Deus e com os outros. Nos ensina que somente o dom gratuito da graça de Deus, recebido através da oração, poderá nos dar a força e a coragem para purificar as nossas vidas e que só a ação da graça dentro de nós pode efetuar uma verdadeira e duradoura conversão e crescimento. O amor e o exemplo de nossas famílias e de nossos irmãos e irmãs na fé pode nos oferecer coragem e sustento quando a tentação ameaça separar-nos de Nosso Senhor que nos ama sempre e deseja que vivamos como videira verdadeiramente abençoada. Se tivermos sempre em nossa mente a necessidade de continuarmos sendo “iluminados pela fé”, cresceremos a tal ponto de compreender e experimentar em primeira pessoa a complexidade do pecado, pois somente pelos méritos de Jesus Cristo poderemos nos tornar à imagem de Deus, não importa o quão imperfeitos somos. Deus ama o pecador e nunca deixa de aplaudir os nossos esforços para tornar-nos mais “divinos”.

domingo, 7 de agosto de 2011

Apóstolos Hoje – Agosto de 2011

“Deus Amor Infinito” de São Vicente Pallotti
XXIII Meditação
 “Deus, em seu Amor infinito e em sua infinita Misericórdia, fez-se homem para ensinar-nos na sua SS. humanidade como devemos viver para aperfeiçoar a nossa alma enquanto é uma viva imagem de Deus”

ORAÇÃO AO ESPÍRITO SANTO:

Vinde Espírito Santo em nossos corações e mandai do céu  um raio da Vossa luz divina. Nós Vos invocamos com toda nossa força, Espírito do Pai, Espírito de Santidade. A Vós entregamos novamente nossa vida, como ela é, para que Vós vos torneis o seu Mestre. Lavai, pois, o que em nós é sórdido, regai o que é seco, sarai o que está ferido, dobrai o que é rígido, aquecei o que é frio, endireitai o que está torto. Vós, Consolador da alma, vinde e distanciai-nos do mal, livrai-nos do pecado que nos mantém miseravelmente ligados. Inflamai-nos do calor do coração de Deus, onde o fogo queima e consome tudo aquilo que não permite entrar no Reino dos Céus.Tornai-nos apóstolos da Boa Nova em todo o mundo para que em breve chegue a nossa salvação e a vossa vinda definitiva.

LEITURA DA BÍBLIA:
Então Deus disse: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastem sobre a terra." Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher”(Gn 1, 26- 27).

O que quer dizer-me este texto bíblico?
A passagem do Livro do Gênesis me fez pensar no amor gratuito de Deus para nós, sua misericórdia infinita, que não pede nada em troca. Estamos conscientes desse amor que de graça recebemos de Deus? A semelhança com Deus é um dom que os homens não reconhecem! Quase sempre, de fato permanecemos como pecadores ingratos. A partir do texto bíblico aparece claro que o homem, por criação, é um ser social que vive em relação consigo mesmo, com o seu Criador, com os outros homens e com todas as criaturas. Somos chamados a amar e sermos amados. Esta é a origem do nosso lugar especial na criação em relação às outras criaturas. E, ainda no mesmo texto, os homens recebem a tarefa de compreender e viver as suas respectivas diferenças na complementaridade da diversidade (cf. Gn 1, 27). Segundo o profeta Isaías somos preciosos aos olhos de Deus porque ele nos criou à sua imagem.
Ascolta
Trascrizione fonetica

Dizionario

Este amor gratuito e misericordioso de Deus, surpreendia tanto o nosso Fundador São Vicente Pallotti que o levou a exclamar:

 “Meu Deus, Amor infinito, Misericórdia inefável, incomparável. É verdade de fé que minha alma foi criada a tua imagem. Não foi pintada em tela, não foi feita de madeira, pedra ou metal, mas de uma substância viva, racional e espiritual. Meu Deus, quem pode compreender o teu infinito amor e a tua infinita misericórdia? Eu? que por ignorância e ingratidão não sei considerar como deveria no justo respeito nem a minha alma? Mas pela mesma Tua Misericórdia, te dignaste a ajudar-me para que eu reze sempre assim:
 “Meu Deus, Pai amado e misericordioso, meu Criador, me è impossível compreender o valor da minha alma criada à Tua imagem e semelhança, porque não sou capaz de conhecer-Te. E é ainda mais difícil compreender o teu infinito amor e a tua infinita misericórdia; Tu te dignaste criar-me, embora na tua infinita sabedoria conhecias o quão pouco eu teria aproveitado desta grande bênção, quanto ingrato teria sido a ponto de tornar impossível para mim ser capaz de reconhecer a minha indignidade. Mas, pelos méritos de Jesus Cristo, a intercessão de Maria e de todos os anjos e santos, tenho firme confiança e creio com certeza que imediatamente me concedes a mais perfeita contrição para sempre apreciar e respeitar a minha alma e aquela do meu próximo, a fim de ser grato por este inefável dom, segundo a tua vontade”.

Deixemos que o texto do livro do Gênesis ressoe na nossa experiência e perpasse as várias etapas de nossa vida, também as etapas de crise que, a caminho da cura, estão cheias de esperança. Assim podemos aprender a viver no amor e nos assemelharmos mais e mais a Deus para poder trabalhar sempre para o bem, mesmo quando os nossos esforços parecerem inúteis. Com fé acreditamos que o Cristo ressuscitado estará presente com o dom de Si mesmo por nós, e nos levará à meta da nossa existência como fez com São Vicente Pallotti, que cheio de admiração pelo amor de Deus em sua vida, assim se expressava: “como viva imagem de Deus, minha alma é também uma imagem viva do Espírito Santo, que é Amor infinito, imenso, incompreensível do Pai e do Filho. Portanto ... minha alma tem uma tendência natural que aspira ao amor infinito que não é aquele terreno.  [Assim], auxiliado pela graça, sou obrigado a aproveitar para o dom do livre arbítrio a tornar-me perfeito enquanto sou viva imagem do Amor infinito do Pai e do Filho.

domingo, 8 de maio de 2011

Apóstolos Hoje - Maio de 2011

Deus, Amor Infinito
Meditação XX
 “Da obrigação que temos de aperfeiçoar-nos meritoriamente a nós mesmos, enquanto vivas imagens de Deus, que é o eterno, o infinito, o imenso, o incompreensível”.
Oração inicial
Guia-me, Tu, luz perfeita, através da escuridão que me circunda, sejas Tu a conduzir-me! A noite é escura e estou distante da casa: sustenta os meus passos vacilantes!
Não peço de poder enxergar aquilo que me espera no horizonte, mas de descobrir somente um caminho que me será de conforto.
Amava escolher e escrutar o meu caminho: mas, agora seja Tu a conduzir-me! Amava o dia iluminado, mas o meu coração era escravo do orgulho.
Os anos passaram e a Tua força ao longo do caminho me abençoou  e estou certo que me conduzirá ainda: além do deserto e o mar, além das montanhas e riachos, até que a noite termine. Com o amanhecer vou rever o sorriso daqueles rostos angelicais que por tanto tempo eu amei e que acreditava ter perdido no meu caminho. Card. J. H. Newman.
"Senhor, peço que abençoes cada um de nós, concede-nos terrenos sempre mais vastos e mantenhas a Tua mão sobre nossa cabeça afastando de nós as desgraças e as dores".
Reflexão
Na sua meditação sobre Deus, Amor Infinito, São Vicente intuiu, com a iluminação do Espírito Santo, que sua alma é obrigada, usando o livre arbítrio e com a ajuda da graça, a aperfeiçoar-se a si mesma, sendo imagem viva de Deus Pai, perfeito e infinito. É um caminho da imagem à semelhança: com a criação o ser humano recebeu a dignidade da imagem, mas por natureza tende à perfeição da semelhança divina deixando-se guiar pelo Espírito.
O caminho de São Vicente…
Grande é a consciência do Santo no considerar-se uma criatura limitada, que não consegue comprir bem o quanto deveria realizar para corresponder ao amor de Deus. Daqui nasce a dor de São Vicente pela incapacidade de seguir plenamente o desejo que possui de glorificar e servir Cristo.
A humildade de São Vicente se espelha nesta consideração que ele tem de si mesmo: um ser infinitamente miserável. Esta condição o torna uma criatura predileta de Jesus o qual, sendo infinita misericórdia, pode preencher suas imperfeições e plasmá-lo tornando-o semelhante a Si.
O zelo de São Vicente pela sua salvação encontra sua fonte e modelo em Cristo. Como Jesus na cruz quis salvar toda a humanidade, assim o Santo aprende d’Ele a não temer os sacrifícios pela conversão do homem. Para cumprir isto, pede a Deus que lhe conceda, como medida de comparação no compromisso pela salvação dos irmãos, a mesma sede que Jesus sentiu na cruz.
Uma sede insaciável e nunca satisfeita. O único modelo ao qual seguir é Cristo, e como o Santo, também nós não nos desanimemos de seguí-lo, sabendo que Ele atua por meio de nós.
…o nosso caminho
Seguindo o exemplo de São Vicente, o nosso caminho se fundamenta na experiência de Deus como “Abbá”, isto é, Pai infinitamente bom, e na nossa adesão ao Seu projeto de amor. Tudo isso passa pela conversão e pela fé, da qual fala toda a Escritura. O termo conversão na Bíblia é expresso de dois modos: o primeiro  é  shuh, que significa voltar, é usado no Antigo Testamento pelos profetas para convidar Israel a voltar para Jahvé, quando ele se distancia.
O segundo modo é a metanoia, é usada no Evangelho por Jesus, quando chama à conversão. Isso não significa retorno, porque nós cristãos não retornamos a qualquer coisa de velho, mas nós somos chamados a aderir algo novo. A conversão pregada por Jesus significa propriamente "mudança de mentalidade": Ele anuncia para que nos convertamos e  creiamos no Evangelho.
No processo de conversão retorno a Deus, colocando na minha existência a dinâmica do Evangelho, de modo que se torne o meu modelo de vida. Jesus propõe em fazer do Evangelho a própria vida!
Lucas 15, 7: "Há mais alegria no céu por um pecador que se converte do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão". Jesus pronuncia esta frase depois de contar a parábola do pastor que vai em busca da ovelha perdida, e encontrando-a, coloca-a sobre seus ombros e volta contente para casa. A conversão da “ovelha”, que deu muita alegria para o pastor, foi aquela de deixar-se levar pelo Senhor abandonando-se em suas mãos. Muitas vezes, quando falamos de conversão, pensamos em alguma coisa que devemos fazer para Deus: na realidade trata-se de acolher aquilo que Deus quer fazer por nós.
Isaías 40, 11: "Como um pastor, ele cuida do rebanho, e com seu braço, o reúne; leva os cordeirinhos no colo e guia mansamente as ovelhas que amamentam". Jesus convida-nos a entregar a Ele a nossa vida e deixar-nos conduzir por Ele, o Pastor infinitamente bom que nos conduzirá a pastagens perfeitas realizando o projeto de felicidade escrito no DNA de nossa existência. Ele não fala de obrigações ou deveres.
A conversão é acompanhada pela fé. Muitas vezes dizemos: "Eu acredito, minha família acredita ... ",  mas em que coisa acreditamos? Na carta de Tiago 2, 19 se lê: “Até os demônios crêem e tremem”. A fé não é acreditar na existência de Deus e em algum dogma, a verdadeira fé é aquela do Evangelho. Muitas vezes, pedimos ao Senhor que aumente a nossa fé, mas São Paulo na Carta aos Romanos cap 12, 6 nos lembra que "Todos nós recebemos uma medida de fé: como os carismas, os talentos, os dons, também a fé deve ser usado para dar frutos e fazê-la crescer.
Mateus 17, 20: “Se tiverdes fé, como um grão de mostarda, direis a esta montanha: Transporta-te daqui para lá, e ela irá; e nada vos será impossível”. Esta é a verdadeira fé! Quando temos um problema que bloqueia nosso caminho, tão grande quanto uma montanha, muitas vezes, ficamos blocados  por toda vida, porque aquele problema se torna “o nosso Deus”.
Continuando a olhar de forma estática o problema, o faremos tornar cada vez maior. Mas se começarmos a dizer "Montanha, problema, doença muda de cá para lá”, iniciamos um caminho no qual tomamos consciência de que nada é impossível para Deus. A nossa fé será capaz de mover montanhas, porque dentro de nós atua a graça que nos capacita em realizar aquilo que para nós parece impossível. Chegaremos a “degustar” a vida e fazer o bem não porque está escrito na lei, mas porque vive um imperativo moral dentro de nós. Uma rosa perfuma sempre, seja no elegante salão, seja embaixo da humilde escada: não poderá fazer outra coisa do que perfumar, porque esse é parte do seu ser. Nós fomos criados para sermos felizes e fazer os outros felizes; o verdadeiro crente é aquele que observa a lei de Deus, aquele que na vida coloca um Amor semelhante ao Seu. O verdadeiro discípulo de Jesus descobre que a conversão e a fé permitem a passagem do sacrifício ao dom: cada passo da vida se torna um dom precioso que nos é oferecido, na alegria como plenitude e no sofrimento como cura.
Assim, o tempo não será Cronos, um Rei tirano que mata seus súditos consumindo suas vidas, mas será Kairos, um momento de bênção para construir uma tecido de relações com os outros.
Proposta para a reflexão e a partilha:
Salmo 8, 5-7; Heb 2, 5-9; Luc 10, 25-37.
Oração Final
Senhor, Pai Santo, ensina-me a falar não como uma tromba esquilante, mas como uma flauta gentil.
Ajuda-me a espelhar-me nos outros, abre as janelas do meu coração, ilumina os meus pensamentos.
Faze-me abrir os olhos para preenchê-los de estrelas, mas não deixe que as minhas mãos fechem o punho para ignorar o outro. Não confiar-me a riqueza do mundo, mas te peço a sabedoria do coração.
E, no final dos meus dias concede-me o maior dom, o mais forte que existe: duas asas fortes e seguras, formadas por muitas pequenas gotas de amor, para superar as trevas e com grande desejo chegar a Ti. Para ser como Tu, em Ti.
Tudo te peço por meio de Jesus Cristo e por intercessão de São Vicente Pallotti. Amém