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sexta-feira, 8 de março de 2013

São Vicente Pallotti via Deus como o amor infinito

No seu último escrito, de 1849, Vicente Pallotti dizia:
Iluminado pela santa fé, creio que existe um Deus eterno, infinito, imenso, incompreensível, infinitamente feliz em si mesmo, desde toda a eternidade.

Uno na essência e trino nas pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo, infinito nos atributos e perfeições; onipotente, pode fazer tudo, exceto o pecado e a morte, porque é vida por essência e santidade infinita.

Creio que a primeira pessoa se chama Pai, porque gerou e gera, desde toda a eternidade e por toda a eternidade, a segunda pessoa que é e se chama o Filho. “E creio que Deus mesmo, sem ter necessidade das criaturas, igualmente com amor infinito e movido pela sua infinita misericórdia, criou do nada o céu e a terra e tudo o que existe no céu e na terra”.

Mas por que Deus decidiu criar o mundo?

Vicente Pallotti diz que Deus Uno e Trino criou todo o universo, o universo visível e o universo invisível, para difundir-se em todas as suas criaturas, Ele que é o eterno, o infinito, o imenso, o incompreensível.
Movido pelo amor, o Pai, através de seu Filho, o Verbo eterno, criou o mundo visível e o mundo invisível. O mundo visível é o mundo acessível aos olhos e aos outros sentidos e, no seu centro, está o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Apóstolos Hoje reflexão e oração Abril de 2012


Deus Amor Infinito

Meditação 31 (OOCC XIII, pp. 166-171)

“O Amor infinito e a infinita Misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo na Santa Eucaristia”

Oração de abertura 
Jesus Eucarístico, tu que sempre se dignaste estar conosco instituindo a Santa Eucaristia como sacramento para o nutrimento de nossas almas. Sob as aparências Eucarísticas de pão e vinho nos destes vós mesmo inteiramente – Alma, Corpo, Divindade. Consinta-nos aproximar de teu trono de graça e de misericórdia, para sermos sempre enriquecidos com teus infinitos tesouros, para curar as feridas de nossas almas, para comunicar-nos os teus méritos infinitos, para sermos revestidos das tuas mais perfeitas virtudes. Amém.
A última meditação de “Deus, Amor Infinito” nos faz entrever a pessoal experiência de nosso Santo Fundador, São Vicente Pallotti, ao compreender Jesus como Amor infinito e infinita Misericórdia na Santa Eucaristia.

Pela fé cristã, a Santa Eucaristia é Jesus. Trata-se do corpo de Cristo – e não somente o seu espírito ou divindade – mas Ele mesmo, todo inteiro com o seu Corpo real!

Para Pallotti, a Eucaristia era o Amado, o Esposo da alma, e que se comunicava, ele mesmo a nós – “para sempre deveríamos recordar a misericórdia infinita e o amor de Cristo, que para continuar a sua mais que santíssima vida em nós, se dignou permanecer em meio a nós por meio da Santa Eucaristia, comunicando-se como alimento e nutrimento de nossas almas”.
Na Eucaristia Cristo se dá a nós totalmente. Não é simplesmente uma parcial participação de alguma coisa, ou ainda apenas uma parte de graça ou de benção. É, na verdade, uma total doação de Si Mesmo – alma, corpo, sangue, divindade, tudo! É verdadeiramente Ele – dom de Deus – um sacramento de amor, a suprema expressão de amor. E por isso, Pallotti pede a nós que correspondamos ao amor com amor: “Jesus nos faz um presente imenso no mais Bendito dos Sacramentos. E as formas que nós poderíamos corresponder a este dom são: visitas freqüentes a Ele, nas igrejas, sempre O receber na santa comunhão e lhe oferecer a nossa adoração e nossa obediência”. Daquela muito empenhada vida apostólica de Pallotti, nós sabemos que o amor transbordante recebido na Eucaristia era a fonte de toda a sua caridade verso os necessitados que encontrava: “O amor de Cristo nos impele...”; “Gostaria ser alimento para quem tem fome...”. Jesus na Eucaristia quer abrir os nossos corações e ajudar-nos a nos transformar, junto a Ele, missionários do amor de Deus, com palavras e ações.
Segundo Pallotti, nós realmente devemos nos agarrar em Jesus na Eucaristia e tomar posse dele – “Agrada-me tanto pensar com qual fervor, Jesus Eucarístico, o mais doce dos Esposos, seria visitado se se encontrasse somente em uma só Igreja em todo o mundo; com qual fervor e sentimento seria recebido se pudesse recebê-lo somente uma única vez na vida e, ainda, das mãos do Sumo Pontífice, depois de longas peregrinações e penitências?”
Pallotti nos diz que “existem 3 coisas principais na Santa Comunhão: a lembrança da paixão de Jesus Cristo, uma abundância de graça e a promessa da vida eterna”. Estas intuições de Pallotti são confirmadas pela Igreja: a Eucaristia é o sacramento do amor,  sinal de unidade e  vínculo de caridade, um banquete no qual Cristo é recebido, o memorial de sua paixão é recordado, a mente é encharcada pela graça e nos vem dada a promessa da glória futura.
A devoção de Pallotti a este Santo Sacramento era única – “ele passava horas em adoração, seja de dia como de noite...” – e durante a celebração da Missa era grande o fogo de seu amor e fervor, conforme assim nos explicaram seus mais estreitos amigos: “no momento da elevação ele permanecia por um momento imóvel, com os braços levantados, regendo em suas mãos o Pão celestial”; e ainda:  “ele estava assim elevado, com seu corpo, por cerca de um palmo da terra”.

E mesmo diante destas todas experiências místicas, São Vicente protesta: “Eu confesso... de não ter aproveitado da Santíssima Eucaristia”. Ele não estava jamais satisfeito com seus gestos de homenagem e veneração à Eucaristia; ele não estava jamais contente de como tinha amado Jesus, desejando amar-Lo sempre, para além de qualquer medida.

Através da Eucaristia Jesus se dá inteiramente, a sua vida, a sua força, a sua divindade e qualquer outra coisa que nos permite viver uma vida santa – confirmando-nos com a sua força “sob as espécies eucarísticas de pão e de vinho, Ele se doa completamente, alma, corpo, divindade. Ele está em nossos altares como sacerdote e vitima ... Jesus, com tal incompreensível amor e misericórdia, não quer apenas estar conosco para sempre sobre os altares, (mas também), estar como trono de graças e de misericórdia. Não existe nada que não possamos obter d´Ele: um incompreensível excesso de amor”!

Para Pallotti, a Eucaristia era alimento místico que criava santos e místicos; que realizava a união celestial entre a alma finita dos homens e o Deus Infinito; que transformava a alma em Cristo:  “na Eucaristia Ele vem a mim pessoalmente para visitar-me e nutrir a minha alma, com todo o seu ser para transformar-me completamente nele e ser, para a minha alma, promessa de vida eterna”.

A Eucaristia, longe de ser um mero alimento, é Deus! E n´Ele estão todas as coisas, Ele, que é o autor de todas as coisas, a fonte de todas as graças e o fim de todas as coisas – “o Salvador, o Sacerdote, a Vítima, o Alimento e o Nutrimento da alma... autor e distribuidor de graça”. A Eucaristia é, de fato, Jesus mesmo, nosso Tudo, como o próprio Concílio afirma: “É a inteira riqueza da Igreja”.

Perguntas para uma reflexão pessoal
1  Possuo uma fé que compreende plenamente o mistério da Eucaristia?

2  Faço uma experiência de Cristo, inteiramente presente, quando participo à Eucaristia?

3  A Celebração Eucarística me ajuda a recordar a paixão de Jesus e me abre à experiência da abundância de sua graça?

Oração de encerramento
Oh Amor, Amor Infinito, Amor Incompreensível, Amor Desconhecido, Amor ultrajado, oh Amor, converta-me em amor agora e por toda a eternidade. Amém

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Apóstolos hoje - fevereiro 2012

Deus, Amor Infinito

Meditação XXIX

“O amor infinito e a infinita misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, em tudo o que fez por nós, nos anos de sua pregação”

Nesta XXIX meditação Vicente Pallotti apresenta suas considerações sobre o infinito amor e a infinita Misericórdia de Jesus em tudo o que fez por nós nos anos de sua pregação.

Pelo Batismo recebemos o dom da fé, nos comprometemos a seguir e imitar Jesus Cristo em nosso ser e agir. Este seguimento exige que percorramos um itinerário de formação, de conhecimento e de vivência da Palavra de Deus para sermos testemunhas vivas do ser amor e misericórdia.
A encarnação do Verbo veio restabelecer a comunhão com o Pai, rompida por causa do pecado, e revelar que o Pai nos ama com infinito amor. Quanto mais uma pessoa penetra no conhecimento, meditação e contemplação da Palavra mais compreende sua própria dignidade, pois, gratuitamente, foi criada à imagem e semelhança de Deus. Isto encanta e suscita absoluta confiança num Deus capaz de amar desta maneira.

O objetivo da pregação de Jesus foi revelar ao mundo que o Pai sempre deseja a felicidade de cada indivíduo. Esta felicidade consiste em crer no seu Filho unigênito, reconhecendo seu infinito Amor e sua infinita Misericórdia. Em Lc 4, 16ss encontra-se a descrição da missão de Jesus: libertar a pessoa das amarras que impedem realizar e fazer acontecer o Reino de Deus. Livre dos males físicos e iluminado pela fé o ser humano tem condições de, não apenas de perceber os sinais do Reino, mas também sente-se interpelado a colaborar para a sua concretização. Esta revelação de Jesus foi motivo de discórdia e desentendimento entre os doutores da lei. O Reino era concebido numa dimensão legal e política, mas para Jesus a concepção era outra.

Considerando a história da Salvação verifica-se que o povo de Israel, povo escolhido, durante os quarenta anos de peregrinação pelo deserto viveu experiências de grandes provações e sofrimentos, mas Deus que lhes havia prometido sua presença em nenhum momento o abandonou.

Por isso, em diversas partes do AT encontram-se expressões muito significativas que revelam o amor, a predileção de Deus para com seu povo escolhido. Citamos algumas: “... nada temas Israel, pois eu te resgato, te chamo pelo nome, és meu. Eu sou o Senhor teu Deus, és precioso aos meus olhos. ... eu te aprecio e te amor... fica tranquilo, pois estou contigo” (cf Is 43, 2ss). Em outra passagem diz: “Não basta que sejas meu servo vou fazer de ti a luz das nações, para propagar minha salvação até os confins da terra”. “Teu nome esta gravado na palma da minha mão” (Is 49, 6ss).

A Palavra de Deus encerra belíssimas surpresas. O nome de Israel pode ser substituído pelo nosso próprio nome, as palavras dirigidas a ele ouvimo-las como dirigidas ao nosso coração. Esta experiência confirma o amor que Deus tem para conosco, é ele que nos sustenta na caminhada espiritual e nos ajuda a superar as dificuldades na vida.
Certamente cada pessoa, em sua vida passa por provações, situações onde tudo parece perder o sentido. São momentos em que Deus prova a fé, contudo, Ele sempre é fiel à sua promessa “não temas estou contigo”. Considerando essas dificuldades à distância de tempo, numa dimensão de fé sentimos a necessidade de exclamar: Não fosse a presença e a graça de Deus não teria conseguido superar tais dificuldades. Mediante a fé percebemos que a história da salvação não é algo do passado, mas Deus continua construindo a história de cada pessoa, única e irrepetível.

Vicente Pallotti, homem de Deus, passou por estas experiências, isto o fez reconhecer com profunda alegria e gratidão o infinito amor de Deus. Motivado por tal amor sentiu o apelo de comunicar ao mundo a boa notícia do Infinito Amor de Deus por nós. Hoje nós somos chamados a proclamar por palavras e ações esta Boa Nova a toda a humanidade. Quem experimenta o Senhor não pode permanecer de braços cruzados.

Tal era a consciência desta realidade que o levou a exclamar: “O que querias que eu fosse, ó Deus, quando me fizeste à tua imagem e semelhança? Exatamente isto: que eu me assemelhasse a Ti.Que na minha vida fosse: Luz da tua luz, justiça da tua justiça, amor do teu Amor, santidade da tua Santidade” (cf OOCC X, 483).

Contemplando este Deus imenso, eterno e incompreensível Pallotti se extasiava, perdia as palavras, sentia-se nada e pecado, necessitado infinitamente da graça, mas ao mesmo tempo, sentia-se amado de tal forma que dizia com o salmista: o abismo do nada atrai o abismo do tudo. Não foi por acaso que Pallotti nos deixou o apelo de meditarmos diariamente 1Cor 13, 1-13, onde encontramos a essência da nossa caridade, isto é, amor a Deus e ao próximo.

Entendemos que Pallotti, com esta meditação deseja que também nós experimentemos e reconheçamos o amor de Deus Pai para conosco, através dos ensinamentos de Jesus Cristo, seu Filho. Tal reconhecimento nos impele a tornar visível o amor de Deus em nossa missão apostólica, junto aos empobrecidos e mais necessitados.

Supliquemos a Maria, Mãe do Divino Amor que nos ajude no processo de identificação com seu Filho Jesus, a fim de realizar as palavras ditas aos serventes nas Bodas de Caná “Fazei tudo o Ele vos disser” (Jo 2,5).

Para refletir:

1. Constate em que situações de sua vida você pode experimentar o amor misericordioso de Deus.

2. Como você e os demais membros da UAC podem vivenciar os ensinamentos de Jesus neste mundo globalizado?

3. Como o seu grupo valoriza a Palavra de Deus em sua caminhada?

4. Componha o seu salmo de louvor a Deus por seu infinito amor e sua infinita misericórdia e partilhe com seu grupo.

Oração
Jesus meu, irmão meu amorosíssimo, mestre de vida eterna, taumaturgo indefectível!

Quando lembro tudo o que por nós tendes ensinado, operado e sofrido nos anos da vossa celeste pregação, embora tenha continuamente presente a minha ingratidão, não perco a esperança, ao contrário, sinto que ela cresce em mim.

Assim, pela mesma vossa infinita misericórdia, pelos vossos méritos, pelos méritos e intercessão de Maria santíssima e de todos os anjos e santos, tenho firme confiança de que me dareis a perfeita contrição de todos os meus pecados. Confio que me concedereis graça eficaz e perpétua, para eu levar a prática toda a vossa celeste dotrina. Para eu viver sempre na esperança de que, a todo instante, realizareis sempre novos prodígios de vida eterna na minha alma. Fareis com que eu me valha de todos os vossos sofrimentos, até o ponto de chegar a suportar e amar o sofrimento como seja de vosso agrado, também o puro sofrimento, a fim de me tornar em tudo semelhante a vós. Amém.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Apóstolos hoje – novembro de 2011

Deus, Amor Infinito

Meditação 26 (OOCC XIII, pp. 132-137)

Deus, movido pelo seu Amor infinito e pela sua infinita Misericórdia, não impediu o pecado de Adão, também para que a nossa vida fosse toda enobrecida, santificada e enriquecida pelos méritos da vida de nosso Senhor Jesus Cristo.

Introdução
 “Iluminado pela santa fé, tenho presente que Deus, Perfeição e santidade por essência, quando deixa de impedir o pecado permite que ele aconteça por motivos dignos de si e de todas as suas infinitas Perfeições. Eu não sou  capaz de compreender todos os santíssimos motivos, cheios de amor e de misericórdia, os quais Deus não impediu o pecado de Adão, mas a razão mais importante a santa fé me faz descobrir. Ele nos queria dar Nosso Senhor Jesus Cristo! Não é por nada que a  liturgia do sábado santo da Páscoa da ressurreição, a santa Igreja canta: “Ó feliz culpa que mereceu tal e tão grande Redentor”!
Maior motivo temos, entretanto, para pasmar. Se Deus não nos tivesse dado o seu divino Unigênito, feito homem por nós, mesmo que nem Adão, nem qualquer outro nunca tivesse pecado, mesmo que todos não tivessem feito outra coisa senão boas obras, essas boas obras não teriam sido enriquecidas, aperfeiçoadas e enobrecidas pelos méritos infinitos e pela perfeição e santidade da vida santíssima de Jesus Cristo. Nossas boas obras teriam permanecido como são por si mesmas, isto é, quase como um nada diante de Deus. Teriam sido, até, diante da infinita perfeição de Deus, monstros de imperfeição. Jesus Cristo é que, mediante seus méritos infinitos, santifica, aperfeiçoa e enriquece todos os pensamentos, palavras e obras da nossa vida. Enriquece e santifica também nossas ações chamadas, em si mesmas, indiferentes, quando por nós praticadas por amor de Deus, em estado de graça. O santo profeta Isaías nos assegura que até as nossas boas ações são como um pano imundo, [Pano imundo são todos os nossos atos de injustiça]” (Is 64, 5).  
Ah, meu Deus, não sou digno de contemplar os excessos do vosso amor infinito e da vossa infinita misericórdia! Como foi isso de chegardes a permitir que Adão vos ofendesse infinitamente, para, depois, dar-nos o vosso divino Filho? Ele não nos foi dado para redimir a nossa alma da escravidão do pecado e para destruir em nós a toda deformidade que, por causa do pecado, a nossa alma contraiu. Ele veio também para que todos os pensamentos da nossa mente, todos os afetos não desordenados do coração, para que todas as palavras, obras e passos, para que o uso das potências da alma e dos sentimentos do corpo, para que o uso de todas as coisas por vós criadas a nosso serviço, para que tudo, tudo fosse santificado, enobrecido e enriquecido pelos méritos infinitos, pela santidade infinita, pela perfeição dos pensamentos, palavras, desejos, ações, respirações, passos de N. S. Jesus Cristo. Para que o uso que fez N. S. Jesus Cristo das coisas criadas, o exercício de todas as potências de sua santíssima alma e do seu imaculado corpo santificassem, nobilitassem, enriquecessem nosso agir e nosso proceder.
Com efeito, pela comunicação e aplicação dos méritos infinitos de Jesus Cristo, destrói-se toda a deformidade das nossas obras, também das que se dizem obras boas. Essas, diante de vós, por si mesmas, sem a aplicação dos méritos, da santidade e da perfeição da vida de Jesus Cristo – perfeição por essência! – são tais que podem se dizer horrendíssimos monstros. Pela aplicação dos méritos de Jesus Cristo, pela santidade e perfeição da sua vida, destrói-se a deformidade não só das obras boas mas também das obras indiferentes feitas por amor de Deus. Essas obras se tornam santificadas, aperfeiçoadas e enriquecidas pela santidade, perfeição e méritos infinitos de Jesus Cristo. É, então, que posso dizer que a santidade, a perfeição, os méritos de Jesus Cristo são meus e toda a vida de Jesus Cristo é minha.

Meditação
S. Vicente nos convida a refletir sobre o pecado através dos olhos da fé. Iluminados pela fé” - estas palavras nos convidam e nos oferecem a oportunidade de refletir sobre a fé e descobrir como ela nos ajuda a nos transformar em pessoas que devemos ser. A fé não é estática, mas uma realidade viva que nos guia mais profundamente na realidade de Deus e do seu plano divino para nós e para toda a criação. Pallotti assegura-nos que o pecado de Adão foi permitido por Deus a fim de revelar a missão de Jesus para nós. A Escritura nos mostra os diversos elementos sobre a possível vinda de Jesus na terra para a nossa redenção. No Antigo Testamento, sua vinda foi plenamente pré-anunciada por séculos. Embora esta promessa tenha sido denominada de diversas maneiras, a fé continuou a encorajar os crentes a acreditar nela. O Novo Testamento abre nossos olhos para o anúncio da vinda de Jesus. O capítulo 1 do Evangelho de João é uma maravilhosa reflexão sobre o plano de Deus para o seu povo através de Jesus,  O Verbo era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus... Todos nós recebemos da sua plenitude graça sobre graça” (Jo 1, 9-16).
Esta passagem da Escritura nos ajuda a esclarecer melhor o que Pallotti está tentando nos dizer no texto escolhido para este mês?
O que é pecado? É qualquer pensamento, comportamento ou omissão que enfraquece ou causa interrupção do nosso relacionamento amoroso com Deus. A consequência do pecado de Adão é a herança de todos os seres humanos desde o primeiro instante de sua existência. Jesus tornou-se o novo Adão e através de sua paixão, morte e ressurreição, nos deu a salvação do pecado e felicidade eterna que Adão perdeu por nós a causa do seu afastamento de Deus. Em sua carta aos Romanos, (5, 12-21), São Paulo reflete sobre como o pecado entrou no mundo através de Adão, mas também explica como Jesus mudou a situação – Portanto, como pelo pecado de um só, a condenação se estendeu a todos os homens, assim por um único ato de justiça recebem todos os homens a justificação que dá a vida”( Rm 5, 18). A nossa esperança de redenção é fundada sobre a fé que nos conduz a Deus pelo batismo. Paulo pergunta: Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte?” (Rm 6, 3). O capítulo 6 continua a refletir sobre a relação entre pecado a morte, a graça e a relação existente entre eles que serve para libertar-nos da tentação de pecar. Em Rm 6, 14 encontramos: O pecado já não vos dominará, porque agora não estais mais sob a lei, e sim sob a graça”.
Pallotti, o místico, refletiu de modo semelhante sobre o pecado, sobre nossa indignidade e sobre nossa incapacidade de agir sem a graça que Jesus quer compartilhar conosco. A graça é dom gratuito de Deus, pela qual nós, seus filhos, podemos nos beneficiar por estarmos abertos a sua ação através de nossos esforços para viver a vida cristã e, de modo particular através da frutuosa aceitação dos sacramentos, especialmente da Eucaristia e da Reconciliação”.  A oração é parte essencial da vida de cada um de nós e realizando-a deixando esse espaço diário fixo em nossa agenda para o relacionamento com a Trindade por meio de uma vida de oração ativa, seremos beneficiados de várias maneiras. Nos ajudará a reconhecer o pecado dentro de nós que nos leva a fazer escolhas que nos prejudicam, assim como, prejudica nosso relacionamento com Deus e com os outros. Nos ensina que somente o dom gratuito da graça de Deus, recebido através da oração, poderá nos dar a força e a coragem para purificar as nossas vidas e que só a ação da graça dentro de nós pode efetuar uma verdadeira e duradoura conversão e crescimento. O amor e o exemplo de nossas famílias e de nossos irmãos e irmãs na fé pode nos oferecer coragem e sustento quando a tentação ameaça separar-nos de Nosso Senhor que nos ama sempre e deseja que vivamos como videira verdadeiramente abençoada. Se tivermos sempre em nossa mente a necessidade de continuarmos sendo iluminados pela fé”, cresceremos a tal ponto de compreender e experimentar em primeira pessoa a complexidade do pecado, pois somente pelos méritos de Jesus Cristo poderemos nos tornar à imagem de Deus, não importa o quão imperfeitos somos. Deus ama o pecador e nunca deixa de aplaudir os nossos esforços para tornar-nos mais divinos”.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Deus Amor Infinito de São Vicente Pallotti

O Amor infinito e a misericórdia infinita de Deus na criação do homem

Introdução: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança (Gen 1, 26)

A fé nos diz que Deus não tem corpo, devemos portanto dizer que a alma é criada à imagem e semelhança de Deus. Por este motivo, a nossa alma é um ser vivente e inteligente com as características particulares de ser uma viva imagem de Deus, essência de Deus (Deus Amor Infinito, cap. VIII).

Quando reflete sobre o significado de ser criado a imagem e semelhança de Deus, Pallotti encontra um elenco de características. Quer dizer que somos:

·         Uma viva imagem de Deus

·         Uma viva imagem do Pai, do Filho e do Espírito Santo

·         Uma viva imagem da potência infinita

·         Uma viva imagem da sabedoria e bondade

·         Uma viva imagem da justiça, misericórdia e pureza

·         Uma viva imagem da santidade e perfeição.

Reflexão

A imagem da pessoa, com uma alma criada à imagem e semelhança de Deus. concorda com a imagem dada no Salmo 8: o ser humano é plenificado de dignidade e de honra aos olhos de Deus.

Ao contemplar esta possiblidade sentimos-nos chamados a um otimismo e a uma esperança que vai além do reconhecimento habitual do nosso pecado e de nossas faltas e a fé nos leva a acreditar na misericórdia de Deus e na sua prontidão em perdoar-nos. Nós, seres humanos, somos criados à imagem e semelhança de Deus e todas estas características constituem o nosso sinal distintivo desde o nascimento. Muitas vezes é necessário uma reflexão mais profunda sobre esta intuição positiva para fazê-la própria como nos encoraja Pallotti nesta meditação. 

São Vicente é consciente de quanto difícil é entender a grandeza desta graça, reconhecer que a maioria das pessoas, e também ele, experimentam “negligência e ingratidão” por não apreciar o grande dom de nossas almas.

Muitas vezes somos tentados a concentrar-nos sobre nossas limitações e sobre aquilo que não sabemos fazer e que Pallotti define com os termos de “negligência” e de “ingratidão”. Todavia ao longo da história da Igreja tivemos autoridades espirituais como São Vicente, que falaram desta tensão.

A tensão entre a escuridão e a luz foi tratada em um discurso em 1994 atribuído a Nelson Mandela mas escrito por Marianne Williamson: “O nosso medo mais profundo não é aquele de nos sentirmos inadequados. O nosso medo mais profundo é aquele de nos sentirmos potentes além de nossos limites. É a nossa luz, não a nossa sombra que mais nos assusta. Nos perguntamos: “Quem sou eu para ser brilhante, cheio de talentos, magnifico?” “Na realidade quem és tu para NÃO ser também? Somos filhos de Deus. O nosso “jogar” pequeno não serve para o mundo. Não existe nada de iluminado em diminuir-nos a nós mesmos de modo que os outros não se sintam inseguros ao nosso redor. Todos nós nascemos para resplandescer como fazem as crianças. Nascemos para manifestar a glória de Deus que está dentro de nós e, não somente em alguns de nós mas, em cada um de nós. E quando permitimos que a nossa luz resplandeça, incoscientemente damos aos outros a possibilidade de fazerem o mesmo. E quando nos libertamos dos nossos medos, a nossa presença, automáticamente liberta os outros”.

A Sagrada Escritura afirma que fazer brilhar a nossa luz é fundamental para nós que somos chamados a sermos cristãos: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha”(Mt 5, 14) “Porque o Senhor assim no-lo mandou: ‘Eu te estabeleci para seres luz das nações, e levares a salvação até os confins da terra” ( At 13, 47).Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas” (1Tess 5, 5).

No seu tratado sobre o ‘Espírito Santo’, São Basílio Magno, explica como a presença do Espírito ajuda a iluminar esta luz que está dentro de nós: “O Espírito é fonte de santificação e luz inteligível. Oferece a toda criatura inteligente a si mesmo e através de si mesmo luz e ajuda para buscar a verdade…do mesmo modo, dos raios de sol, do qual os benefícios são sentidos por cada um como se resplandecesse somente para ele…assim também o Espírito Santo …infunde em todos uma graça suficiente e total…

E como os corpos muito transparentes e nitidos ao contato de um raio se tornam também esses muito luminosos e emanam de si novos raios, assim as almas que possuem em si o Espírito e que são iluminadas pelo Espírito se tornam também essas santas e refletem a graça sobre os outros. Do Espírito …a familiaridade das coisas do céu. D’Ele a alegria eterna, d’Ele a união constante e a semelhança com Deus, e, coisa mais sublime de cada criatura, d’Ele a possibilidade de se tornar semelhantes a Deus”. Pois, como Pallotti reconheceu, esta é a imagem da qual fomos criados. 

O autor franciscano, Richard Rohr, percebe as implicações do aceitar de que somos criados a imagem de Deus: o passo enorme para frente se torna claro quando começamos a honrar e aceitar a imagem divina dentro de nós, e depois não podemos não enxergá-la em cada pessoa, e sabemos que este dom é assim imerecido aos outros quanto o é  para nós. E por isso, deixa-se de fazer mau juizo sobre os outros, e se inicia amar de modo incondicionado sem perguntar-nos se o outro é digno ou não.

Em outras palavras, o reconhecimento de ser criado à imagem divina conduz a uma mais completa manifestação da imagem de Deus na vida dos fiéis. Somos chamados a nos aproximar da imagem de Deus na qual imagem e semelhança fomos criados. Este é um processo contínuo, intercalado com tempos de ingratidão e negligência, mas, também nutrido pela oração e pela prática. O prefácio I do tempo da Quaresma nos lembra: “Cada ano doas aos teus fiéis de…participar aos mistérios da redenção para que alcancem a plenitude da vida nova em Cristo teu Filho”. 

Pallotti interpreta o fato de que somos criados à imagem e semelhança de Deus como uma chama para a santidade e à perfeição. Porém, é somente através dos nossos esforços limitados e imperfeitos em viver o amor, a justiça e a misericórdia que nos transformamos na imagem de Deus na qual somos criados. E, portanto, podemos rezar com São Vicente:

“Deus meu, Pai meu, amorosíssimo e misericordiosíssimo meu Criador, é impossível que eu chegue compreender a preciosidade da minha alma criada à imagem e semelhança vossa, porque não chego a conhecer-Vos. Mas muito mais impossível que eu chegue a compreender aquele Amor infinito e aquela infinita misericórdia com a qual Vós vos dignastes em criar-me assim, mesmo que, tenhais com a vossa infinita e eterna sabedoria conhecido a pouca importância que eu teria feito de Vós, incompreensível beneficio e quanto vos fui ingrato e portanto é também impossível que eu chegue a compreender a minha indignidade.

Mas, Vós pela mesma vossa infinita misericórdia, pelos merecimentos infinitos de Jesus Cristo, pelos merecimentos e intercessão de Maria SS. e de todos os Anjos e Santos tenho firme confiança, e tenho por certo, que me concedereis o dom de uma perfeita contrição, e de lembrar sempre este vosso Amor infinito, e esta vossa infinita Misericórdia, e de apreciar sempre e estimar a minha alma e de meu próximo e de ser agradecido a Vós pelos infalíveis benefícios como Vós quereis”. (Deus Amor Infinito, cap. VIII)