sexta-feira, 16 de março de 2012

Formação para solidariedade

Em cada mês Pe. João Francisco Pietrus SAC convida as catequistas da paróquia do Santíssimo Nome de Jesus em Odivelas para uma noite de formação.
Neste ano a formação está acontecendo meditando a da Doutrina Social da Igreja, de combate a pobreza.Igreja sempre estava ao lado dos pobres e de modo especial precisa estar do lado dele também neste tempo de crise, no qual muitas pessoas tornam se ainda mais pobres. Para a noite de formação nesta quinta-feira, dia 15 de março, Pe. João Francisco chamou um ilustre convidado, o Senhor Juiz Jorge Santos, que durante muitos anos foi presidente da Comunidade “Vida e Paz” a atualmente é vice presidente da Comunidade.
Muitas paroquianos, não só as catequistas, foram para aprender um pouco mais e perceber que pode fazer se ainda muito para mostrar para as pessoas, Jesus – amigo de todos. O senhor Jorge Santos apresentou para nós  a Comunidade “Vida e Paz”, que foi fundada no ano 1989 no Patriarcado de Lisboa para recuperar as Pessoas Sem-Abrigo mostrando para eles o caminho para redescobrir a dignidade da vida através dos projetos de reencaminhamento para a esperança, a sua reinserção familiar, social, escolar e profissional. Doutrina Social da Igreja mostra os valores evangélicos, que podemos definir como: dignidade da pessoa humana, liberdade, autodeterminação, solidariedade, aceitação do outro, amor pelo próximo.
Olhando para esses valores a Comunidade procura,acolhe, motiva, recupera, reinserira e acompanha as Pessoas Sem-Abrigo, ajudando-as a reconstruir projetos de vida para que redescubram a sua dignidade de modo a que se tornem e sintam pessoas dignas, integradas, participativas e felizes propondo uma experiência de vida em comunidade, um programa terapêutico e uma formação técnico-profissional. A comunidade trabalha com voluntários, cada noite mais que 500 deles, rotativamente e organizados em 56 equipes, percorrem a cidade de Lisboa em 4 circuitos diferentes nas “carrinhas brancas” e parando em 96 locais.
Com esta intervenção estou criando uma relação de confiança, de escuta e motivação as Pessoas Sem-Abrigo para ajudar a mudar de vida. Como meio de aproximação distribuem-se alimentos e agasalhos. Todas as noites são atendidas cerca de 510 Pessoas Sem-Abrigo, durante cada mês são distribuídos cerca de 30.000 sanduíches e 4.500 litros de leite. Junto com a comida a pessoa recebe uma palavra, pois como destacou Jorge Santos, o maior problema é a perda da autoestima dos desabrigados. Após a motivação, o morador de rua é encaminhado e preparado para iniciar o programa de tratamento. O modelo terapêutico nas vertentes física, psicológica e espiritual. O tratamento tem a duração sensivelmente de 13 meses em regime de internamento. A Comunidade Vida e Paz proporciona aos seus utentes a freqüência de cursos de formação oficial de agricultura, informática, artesanato, entre outros, com vista à valorização educacional e profissional, reconhecimento e valorização das potencialidades, visando a integração no mercado de trabalho. O que os possibilita crescer interiormente aprendendo não só um novo oficio mas também a viver com os seus sentimentos.
Nosso convidado esta percebendo que neste tem pode crise precisamos de uma campanha de educação para voluntariado e solidariedade para receber o outro como hospede em casa e coração. Pe. João Francisco lembrou que são Vicente Pallotti falou: “Só Deus basta” e repetindo esta fraze devemos ser solidários: dar para Deus, presente na pessoa do outro,tudo o que temos.
Pe. Artur

quarta-feira, 14 de março de 2012

Espírito de oração e de penitência de Jesus

Deus meu, misericórdia minha infinita, pela mesma tua infinita misericórdia, pelos méritos e intercessão de Maria santíssima e de todos os Anjos e Santos e por todos os méritos de toda a Igreja de Jesus Cristo, creio firmemente,
que o mérito infinito do Batismo de Jesus Cristo, do seu retiro no deserto, da sua oração, do seu jejum e do seu triunfo sobre o tentador infernal, desde este instante, para sempre e sempre com novos acréscimos de perfeição, a todo instante infinitésimo, destrói em mim toda soberba e todo espírito de soberba  e todas as suas conseqüências; destrói o espírito mundano, a indisposição e o impedimento à vida de oração e de penitência, a inclinação e a proclividade em ceder às tentações e todas e cada uma das conseqüências de tão más inclinações, tendências e proclividades. E tu comunicas-me todo o mérito infinito do Batismo de Jesus Cristo, do seu retiro e estada no deserto, da sua oração do jejum e da vitória sobre o tentador. Comunicas-me juntamente a sua humildade e o seu espírito de solidão, de oração, de penitência e a virtude de vencer todas as tentações e todos os assaltos do tríplice inimigo das nossas almas, para debelá-los em todos os instantes da vida e principalmente na hora terrível da minha morte. Comunicas-me tudo, tantas vezes e com tanta glória tua, como se tudo tivesse sido comunicado e se comunicasse a todas as criaturas passadas, presentes, futuras e possíveis, todas infinitamente multiplicadas a todo instante infinitésimo, por toda a eternidade.
São Vicente Pallotti

quinta-feira, 8 de março de 2012

segunda-feira, 5 de março de 2012

Peregrinação ao Cristo Redentor

No dia 03 de março, participei da peregrinação ao Cristo Redentor, junto com a Paróquia de São Sebastião de Itaipu. Participaram desta peregrinação 45 pessoas, que tenho certeza que curtiram de mais.
Não só pela linda paisagem que podemos apreciar daquele lindo lugar no Rio de Janeiro, mas principalmente pelo espírito de união e confraternização que esteve presente em todos os momentos. Já ao chegar à Matriz de Itaipu, pude encontrar diversos amigos que já aguardavam a chegada de nossos transportes, e ali ficamos conversando falando de outras experiências de peregrinações e visita também ao Cristo, tudo com muita cordialidade, e fraternidade. Já a caminho do Cristo, depois das orações, podemos trocar experiências, quem não se conhecia, teve a oportunidade de se conhecer, num clima bastante agradável.

Ao chegarmos, notamos a quantidade de gente que estavam lá, nossa, tinha mesmo muita gente, então, logo nos dirigimos ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, para participarmos da Santa Eucaristia. Com muito carinho o padre Casimiro e padre Juliano pediram que as pessoas se aproximassem, e logo a capela estava superlotada, não só com a nossa presença, mas também de muitos turistas que aproveitaram para participar também da Celebração, muitos ficaram emocionados! A celebração foi presidida pelo padre Casimiro Pac SAC e concelebrada pelo padre Juliano Guilherme SAC que fez uma linda Homilia, falando do verdadeiro sentido da Quaresma.


Ao final da Celebração o Padre Casimiro falou sobre a oportunidade de estarmos ali, naquele local tão lindo e tão próximo ao maior monumento em homenagem ao Cristo de nosso Brasil. Que pudéssemos aproveitar para também elevar os nossos pensamentos e nossa fé ao Cristo ressuscitado, não só os que estavam ali em peregrinação, mas também os turistas e quem sabe poloneses como ele que visitavam o Santuário, pessoas que vieram de todas as partes do mundo para apreciar a beleza de todas as coisas criada por Deus e que tinham o prazer de contempla - las de lá.Em seguida fomos apreciar a vista, e tirar fotos, todos queriam tirar fotos com o Cristo, muito engraçado, pois pessoas deitavam até no chão para conseguir um “bom ângulo”.

Enfim, chegou o momento de ir embora, todos ficaram muitos satisfeitos, e com vontade de voltar. Contemplar a linda imagem do Cristo Redentor, de braços aberto sobre toda a Cidade Maravilhosa, como se dissesse:
“Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve.” (Mt 11, 28-30)
E foi desta forma que deixamos o Santuário, com a alma leve, abençoados por Ele.
Catari Viana do Espírito Santo Santos

sábado, 3 de março de 2012

Retiro dos Padres

Certamente uma das mais frutuosas maneiras de celebrarmos 50anos da Canonização do nosso Fundador e 10 da nossa Região é bebermos da nascente do nosso carisma e espiritualidade que é a vida de São Vicente Pallotti. Neste ano, nos dias 27 -01 de Março participamos do Retiro anual da nossa Região.
Este Retiro foi conduzido por nosso Coirmão da Província de Santa Maria, Vice-Províncial  Pe. Edgar Ertl. De uma maneira simples e ao mesmo tempo profunda conduziu o nosso Retiro através dos Retiros que o nosso Pai vivenciou a partir do ano 1811 até 1849. Nós agradecemos por esta experiência enriquecedora que certamente irá renovar o nosso ardor apostólico e a nossa disposição de continuarmos a obra de São Vicente Pallotti. Temos a certeza que esta é uma boa maneira de não deixar que os 50 anos de canonização e 10 anos da Região seja apenas uma data no calendário exposto na parede, e sim, uma oportunidade para crescermos na consciência de sermos Palotinos.
Mais uma vez agradecemos Pe. Edgar.
Pe. Jorge Chmielecki SAC

Informativo digital – nº6 – Março 2012

UNIÃO DO APOSTOLADO CATÓLICO
 Conselho Nacional de Coordenação

Nesse informativo temos, pela primeira vez, notícias do Maranhão. Espero que outros Conselhos Locais e comunidades possam enviar notícias para que esse informativo atinja a todos os lugares do Brasil. Para iniciar esse informativo gostaria de colocar a oração do Ano Jubilar, para que possamos rezar em todos os nossos encontros e criarmos um espírito de comunhão.
Dario Ivatiuk Jr
Presidente do CNCB

Oração do Jubileu de Canonização

Deus, Pai de misericórdia, sempre atento às necessidades dos teus filhos e filhas.
Te agradecemos pelo dom deste Ano jubilar que quiseste conceder a todos nós, membros e colaboradores da União do Apostolado Católico como sinal do Teu infinito amor.
Dá que possamos viver este tempo de júbilo, com espírito de gratidão, humildade e oração, a fim de que o nosso coração seja plenificado pela tua graça, rica de misericórdia e de bênção. Concede‐nos imitar Jesus Apóstolo a exemplo de São Vicente Pallotti: reavivando em nós a Fé, fortalecendo em nós a Esperança, reacendendo em nós a Caridade, para propagá‐las em todo o mundo. Neste tempo de renovação espiritual e apostólica, desejamos viver uma profunda experiência de Deus, na qual a tua Palavra seja luz e guia aos nossos passos, e a Eucaristia, o alimento de nosso espírito, para sermos autênticos discípulos missionários de Cristo. Faze que nossas comunidades e famílias se transformem em cenáculos prontos a acolher os dons do Espírito Santo, junto com Maria SS. Rainha dos Apóstolos, e com toda a Igreja peregrina, para o crescimento do Reino. São Vicente Pallotti, te pedimos, ajuda‐nos a viver a fidelidade ao carisma e à missão a nós confiada; torna‐nos perseverantes no caminho rumo à santidade, sustenta‐nos na vivência da misericórdia, da caridade fraterna e do espírito de comunhão neste nosso tempo, a serviço da Igreja no mundo.
Amém

NOTÍCIAS DO MARANHÃO

É com grande alegria que informamos que na cidade de Codó, foi criado um bairro com o nome de São Vicente Pallotti. O decreto de criação foi publicado no dia 22 de Dezembro de 2011. É um grande presente para o ano jubilar. Maria da Conceição Cruz, coordenadora do Conselho Local de Codó, enviou algumas fotos das festividades de São Vicente Pallotti no bairro.

Momento da gincana com as crianças do bairro no dia 22/01/12

Procissão na tarde do dia 22/01

Missa após a procissão dia 22 de janeiro de 2012 celebrada pelo Pe Palotino José Wasensteiner

ENCONTRO REGIONAL DA UAC 

Durante muitos anos a província São Paulo Apóstolo organizou os encontros de Leigos. Eram encontros em que todas as paróquias da província participavam, momento de celebração, partilha e confraternização. A partir da aprovação do estatuto foi criada uma equipe executiva, formada por padres, irmãs e leigos para continuar organizando esses encontros. Em seguida, esses encontros ganharam outra característica e se tornaram encontro dos Grupos de Vivência Palotina, uma organização de leigos que surgiu em Cambé, e que foi extinta em 2010. Em 2011, os Conselhos Locais de algumas cidades do Paraná e de São Paulo se reuniram e decidiram retornar aos encontros, mas agora não mais de leigos, mas encontro da UAC aberto a todos os grupos e membros da UAC. É importante ressaltar que os encontros não são mais da província, mas de todos aqueles que quiserem participar. Reunidos em Arapongas, no dia 5 de fevereiro, a equipe de preparação decidiu que esse encontro acontecerá nos dias 6, 7 e 8 de julho, no seminário palotino em Londrina – Pr.
Tema: Jubileu de Canonização de São Vicente Pallotti
Lema: Crescer em Santidade e Missão
A taxa do encontro será de R$ 25,00. Todos aqueles que tiverem interesse em participar do encontro, entre em contato com a secretaria do CNCB, pelo email uacbrasil@gmail.com
Ivana Camille Battistin
Curitiba

JUBILEU DE CANONIZAÇÃO DE SÃO VICENTE PALLOTTI

Ano de festa para a família palotina, todos estão envolvidos em várias atividades durante o ano todo. O CNCB, em conjunto com as comunidades pertencentes à União, prepararam algumas atividades. A abertura do ano jubilar se dará na véspera da Festa da Rainha dos Apóstolos, no dia 25 de maio, em que todas as comunidades, conselhos locais, paróquias farão uma vigília tendo a oração a Rainha dos Apóstolos como ponto de partida da Vigília. Assim toda a união estará unida, celebrando o jubileu. Também nesse dia, daremos início à peregrinação de uma relíquia de São Vicente Pallotti, vinda direto de Roma. Essa relíquia visitará todas as paróquias e comunidades palotinas do Brasil.
Finalizando o ano jubilar, teremos uma grande concentração em Aparecida do Norte, no dia 26 de Janeiro de 2013. Existe uma equipe que está organizando essa concentração e assim que tivermos a programação iremos divulgar. Mas todos já podem ir se organizando para participar desse grande momento palotino.
Aproveito para pedir a todos aqueles que têm atividades programadas para esse ano, que enviem a programação para que possamos divulgar a todos. O Conselho Local de Porto Alegre enviou a programação para o primeiro semestre:
1. 19/04 - Entrevista na Rádio Aliança com o Pe. Judinei Vanzeto sobre o Jubileu de São Vicente Pallotti, à noite. (horário ainda a ser definido)
2. 14 a 22/04 - Novena na Paróquia São Vicente Pallotti.
3. 21/04 - Carreata com imagem de Pallotti - saída da Paróquia São Vicente Pallotti, até a Paróquia Nossa Senhora de Fátima às 18h e Missa nessa comunidade.
4. 22/04 – Carreata com retorno da imagem da Paróquia Fátima para São Vicente Pallotti na Missa das 10h da manhã.
5. 28/04 – Tributo Palotino na Escola Cenáculo pela manhã. Apresentação das crianças sobre a vida de Pallotti.
6. 25/06 – Vigília da Rainha dos Apóstolos a partir das 20h na Paróquia Pallotti. A vigília será uma atividade em conjunto das duas paróquias.
Dario Ivatiuk Jr
Presidente do CNCB

ISEP – JULHO 2012

Comunico-lhes que a primeira etapa do Curso de Formação e Vivência Palotina no ISEP, será de 09 a 25 de julho.
Com as bênçãos de Pallotti,
abraços.
Pe. Ângelo Lôndero

sexta-feira, 2 de março de 2012

Apóstolos Hoje - Março 2012

Deus Amor Infinito

Meditação XXX, (OOCC XIII,  pp. 161-166)

 “O amor infinito e a infinita Misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo na eleição dos doze Apóstolos”

Quando li o título desta meditação, a minha reação espontânea foi: “Oh! Não, oh Senhor, porque este tema?  Por que eu?
Embora sacerdote, é para mim um desafio escrever com honestidade sobre o tema da meditação de S. Vicente sobre o sacerdócio ministerial tendo alguma possibilidade de ser edificante para uma variedade de pessoas que lerão esta reflexão. Mas, depois veio-me à memória a imagem do grãozinho de areia ou de algum outro pequeno objeto que age como irritação ou ainda como a ostra que depois forma a pérola. Pode ser que quando vivemos os fatos com um pouco de desgosto, quando somos constrangidos a lutar para refletir mais profundamente sobre um âmbito que encontramos provocatório, algo de precioso pode provir dele. Ao menos essa é a minha esperança.
Por que para mim esse tema è um desafio? Talvez porque venho de uma cultura na qual as ações profundamente prejudiciais de alguns membros do sacerdócio ministerial constituíram  parte dos interesses quotidianos dos meios de comunicação por quase 20 anos;  dificuldades seriamente agravadas pelas respostas geralmente insuficientes de muitos superiores  religiosos e bispos em enfrentar de maneira justa, compassiva, decidida e transparente a dor daqueles que foram profundamente feridos pelos  abusos  da parte dos ministros ordenados, bem como para proteger outras pessoas jovens e vulneráveis de danos futuros pela mão daqueles mesmos ministros. Sérias perguntas foram levantadas em mérito à uma adequada resposta da autoridade da Igreja em cada nível sobre este escândalo e esta crise. O sacerdócio ministerial, em geral, em nossa cultura, foi caracterizado por um clericalismo malsão onde os sacerdotes foram considerados, de alguma maneira, membros de uma casta superior àquela do cristianismo “ordinário”, de tal maneira que resultava, por exemplo, em termos práticos, parecer que o bem da Igreja residisse mais na proteção do bom nome deste sacerdócio que na proteção dos males contra os jovens e os vulneráveis. Os pastores da Igreja foram notados mais vezes pelo exercício da sua autoridade em um modo duro, prepotente e opressor;  isto também contribuiu para deixar um sinal negativo em nossa cultura sobre a imagem de Deus e do sacerdócio ordenado que, como consequência, tantas pessoas ainda hoje têm esse conceito. E não penso que a nossa cultura seja a única informada desta maneira. Em tal clima, uma reflexão como aquela de S. Vicente Pallotti, a qual fala em termos inequívocos e positivos sobre o dom que é o sacerdócio ministerial, pode parecer um tanto incompleta. E, no entanto, S. Vicente não era um sonhador romântico; ele tinha consciência  das faltas de tantos sacerdotes do seu tempo, da incapacidade de uma liderança na Igreja que havia reduzido o papel dos cristãos leigos àquele de pouco mais que expectadores no grande drama da história da salvação.
Todavia, a resposta  de S. Vicente foi a fé, fé primeiramente  no amor infalível de Deus, tornado visível para todos em Cristo, sendo cada um uma viva e única imagem e semelhança do amor e da bondade infinita de Deus. Mas  fé também nos dons que Deus nos tem dado para continuar  ajudando  a tornar  uma realidade tangível em nossa  vida quotidiana  este amor transformante. Ele inicia cada uma de suas 31 reflexões sobre “Deus Amor infinito”  com a expressão “Iluminado pela Fé” ou alguma outra expressão semelhante. Somente com os olhos da   fé é que podemos discernir o verdadeiro valor dos dons de Deus e da sua importância para a nossa vida e para a vida dos irmãos. Isto vale também para o dom do sacerdócio ministerial.
Que aspectos mais me tocam na sua reflexão?  O seu fundamento claramente bíblico  do chamado e do envio dos apóstolos e daqueles que os sucederiam no mesmo chamado e no mesmo envio de Jesus: a missão deles será, de maneira particular, uma partilha e uma continuação do chamado e do envio do próprio Jesus da parte do Pai.  Foram enviados para anunciar a salvação de Cristo a todos, a  proclamar o seu Reino ao mundo inteiro para o bem de todos, a tomar o seu lugar  como “verdadeiros pastores”... para conduzir  outros às verdadeiras pastagens de saúde eterna, “médicos espirituais”... para curar as enfermidades espirituais como “pais amorosos” para guardá-los no coração divino de Deus. É Jesus mesmo que opera mediante o seu ministério pastoral visível para comunicar a sua própria vida divina a todos nós de tal maneira que, escutar ou rejeitar a mensagem evangélica,  significa  escutar  ou rejeitar o próprio Cristo e o Pai que o enviou.
E que missão! Se trata de uma missão aberta também a interpretações muitas vezes erradas e distorcidas na maneira   pela  qual é compreendida e vivida,  como foi até mesmo bastante  evidente na longa história da Igreja,  às vezes manifestando um sentido de privilégio, distante do ideal evangélico de Cristo que veio para servir e não para ser servido;  veio para  doar a si mesmo sem reservas como a expressão mais profunda  possível do infinito amor de Deus pela humanidade, com frequência   ferida  e perdida. S. Vicente usando os termos “pastores”, “doutores” e “pai” ele acena a um sacerdócio modelado sobre a compaixão e a ternura de Cristo, um sacerdócio que vive o chamado paradoxal de Cristo à grandeza de tornar-se o último de todos e  o servo de todos.
E na visão  de S. Vicente, este serviço não procura a dominação, mas é chamado a inspirar, reavivar,  reacender, nutrir e desafiar, conhecendo também a própria necessidade de ser constantemente inspirado,  reaceso, nutrido e desafiado pelo próprio Deus e, com frequência, operando  mediante outros irmãos e irmãs da comunidade e, às vezes, nas mais improváveis e inesperadas maneiras.  Para sermos autenticamente cristãos, tal serviço não pode ser entendido e nem realizado de maneira individualista, autosuficiente, ou de maneira paternalística, mas come se proviesse de um membro de uma família de iguais, cada um com sua dignidade, chamado  com dons especiais  e provindos  de Deus. Cada um leva dentro de si  um chamado implícito para aprender a colaborar como iguais, desde o início com  outros,  em cada estado de vida,  na Igreja e também fora da mesma para edificar o Reino de Deus -  reino de amor, de paz e de justiça em nosso mundo.
Sim, este é um chamado a uma missão particular na família de Deus, um chamado à liderança cristã, um chamado a exercitar um modo particular da autoridade de Cristo, mas uma maneira que seja sempre a serviço do bem dos outros, com a finalidade de ajudá-los a descobrir  e exercer  a plenitude da sua dignidade, liberdade e autoridade como filhos de Deus  que partilham a vida mesma da SS. Trindade no mesmo sacerdócio de Cristo mediante o Batismo, como pessoas criadas à imagem e semelhança do amor, da sabedoria e da verdade infinitas.  E,  finalmente, é um chamado a permanecer em relação, colaborando com outros na construção de uma comunidade de amor e de verdade, de alegria e de paz, de compreensão e de justiça, de respeito recíproco e de encorajamento, de igualdade na diversidade, modelada  sobre esta comunidade eterna de amor que é Deus mesmo.
Um meu amigo, sacerdote dos “Fatebenefratelli” que trabalha entre pessoas com dificuldades especiais, escreveu uma tese sobre a liderança cristã. Concluiu que ele mesmo se tornaria  um líder como Cristo somente se tivesse aprendido a servir as necessidades mais profundas de uma  pessoa particular com  a qual tinha trabalhado e que carregava graves dificuldades de aprendizagem e com nenhuma comunicação verbal. Peçamos ao Deus de toda  consolação que nos  conceda o dom daquele tipo de liderança cristã nas nossas comunidades para que cada  um de nós possa exercer  esta autoridade de maneira tal que sirva  para guiar outros à plena vida que  Cristo deseja para nós como indivíduos e como membros da Igreja e da família humana.

Algumas perguntas para a reflexão à luz do nosso caminho quaresmal:
Qual é a minha experiência de liderança na comunidade cristã, na UAC?
Segundo seu modo de ver, em que consiste uma verdadeira liderança cristã? Existem pessoas que você conhece e que encarnaram  essa liderança?
Como exercito a liderança/autoridade na minha própria vida? No trabalho?  Na  família?
Em que área de minha pessoa  percebo que tenho ainda necessidade de crescer  no serviço humilde e generoso e na colaboração com os outros?