quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Presépio de são Vicente Pallotti na Praça de São Pedro

Na praça de São Pedro começou a construção do presépio. Trabalhadores do Governatorato da Cidade do Vaticano começaram a instalar a plataforma sobre a qual, como todos os anos, é construida uma gigante manjedoura de Belém.
O costume de fixar ao lado do obelisco o presépio com uma grande árvore de natal foi introduzido em 1982 com o desejo do Papa João Paulo II. Inicialmente esta iniciativa foi adotada com pouco entusiasmo, com o tempo ela se tornou uma grande atração para os moradores de Roma e turistas. As Imagens do presépio usadas  são as mesmas que foram feitas no século XIX. São Vicente Pallotti usava estas imagens para a celebração do Oitavário de Epifania. A árvore de natal, a cada ano, vem de um lugar do mundo. Primeiro, em 1982, veio das florestas perto de Roma, em 1997 da Polônia e ano passado da Bélgica.

Encontro de outubro de 2010 promovido pelo Instituto S. Vicente Pallotti

No dia 28 de outubro de 2010, na igreja SS. Salvatore in Onda, foi realizado o quarto encontro de estudo e de formação do Instituto S. Vicente Pallotti de Roma. O programa anual desses encontros tem como tema central "S. Vicente Pallotti, sacerdote e apóstolo". No contexto desse tema central, Ir. Carmela Coscia CSAC apresentou uma conferência sobre "A devoção mariana no Mês de Maio para os Eclesiásticos".
A conferencista organizou a sua apresentação em  três pontos: a presença mariana na vida de S. Vicente Pallotti, a devoção mariana no "Mês de Maio para os Eclesiásticos" e os programas palotinos da devoção mariana para os sacerdotes. A devoção mariana - destacou a conferencista - é o fio condutor da vida dos sacerdotes e, para Pallotti, o sinal luminoso que guia a sua caminhada para Deus, o Amor Infinito. O Mês de Maio, composto em três versões (para os religiosos, para os sacerdotes e para os fiéis leigos), era, para Pallotti, uma manifestação afetuosa de amor a Maria Santíssima, uma humilde homenagem à Imaculada, que se tinha dignado realizar o matrimônio espiritual com ele para cumulá-lo de dons e de graças.
O opúsculo "Mês de Maio para os Eclesiásticos" se distingue pela sua densidade de conteúdo. Os temas das meditações são tirados do Pontifical Romano. Pallotti convida os sacerdotes a percorrer, passo a passo, a própria preparação para a ordenação sacerdotal, a tomar consciência da dignidade sacerdotal e da exigência de uma vida santa para corresponder aos dons recebidos e a ser um instrumento eficaz de Deus. A devoção mariana é uma grande ajuda para o sacerdote; é um sustento eficaz no caminho de santificação; é um conforto constante nas provas, energia e força no apostolado. Há uma relação estreita entre Maria e o sacerdócio ministerial: Maria procurou penetrar com inteligência no coração do mistério de Deus e colaborou eficazmente com o seu desígnio salvífico até se tornar a Corredentora. Ela orienta os sacerdotes e os palotinos. O próprio Jesus, ao entregar seu discípulo amado à Maria, confiou a ela todos os apóstolos e os ministros do seu amor salvífico.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Rezar com S. Vicente Pallotti

Sou indigno de rezar a ti, Senhor.
Por mim nada posso, com Deus posso tudo.

D.: Deus meu, sou tão sem juízo! Tantas vezes eu disse: não vou pecar nunca mais. Depois, voltei a pecar. Farei esse ou aquele ato de virtude, esta ou aquela boa obra. E, depois, não fiz nada. Agora, porém, Deus meu, ponho-me em tuas mãos. Por mim, nada posso, contigo posso tudo. A ti infinita glória, honra, amor, reverência; a mim desprezo, desonra, sofrimentos.

T.: Faze-me tomar conhecimento, com toda clareza, de que eu, o mais miserável e o mais pecador de todas as outras criaturas, sou indigníssimo, ao máximo, de rezar a ti.

D.: Ah, meu Deus, imprime no meu espírito para sempre, um elevadíssimo conhecimento da minha miséria e impiedade, pelo qual possa reconhecer com sinceridade, como realmente sou indigníssimo de por meus olhos nas pessoas e de tratar com elas, de vez que, entre elas, haverá muitos grandes santos, inclusive desconhecidos e desprezíveis aos olhos dos seres humanos. Faze, ó Senhor, que tudo isso eu não o diga somente da boca para fora. Eu sou o homem do pecado (2Ts 2,3). Meu Deus, eu sei que eu sou o homem do pecado. Mas não me entendo, não me compreendo, não me confundo, não me arrependo e não me humilho. Não sei suplicar-te, não devo ser atendido; mereço todas as tuas infinitas e eternas maldições. De qualquer forma, não quero desesperar-me: aí está Jesus Cristo.

T.: Ah, meu Deus, lança em mim, agora e sempre, o olhar da tua misericórdia.

D.: Deus meu, destrói, para sempre, também o pecado venial e, na medida do possível, também a imperfeição mais leve, e promove em todas as criaturas a tua glória. E, com tal dor de Jesus, queremos chorar e detestar todos os nossos pecados e os de todos e fazer deles penitência.

T.: Queres-me uma conversão sempre mais perfeita e de tal modo te sentes feliz, quando eu chegue a converter-me de verdade. Eu sou indigno de ter o dom da perseverança. Vês, se eu faço uma promessa e, depois, faço tudo ao contrário, é porque sou o homem do pecado. E Tu mesmo, ó meu Deus, és a minha perseverança. Tu és o meu bem eterno. Tu, o meu tudo.

D.: Confio que, por maior que seja a minha miséria e ingratidão e maldade, tanto mais Tu triunfarás sobre mim, com o teu infinito poder, sabedoria, bondade, clemência, misericórdia e com todos os teus infinitos atributos, no tempo e na eternidade. E creio que Tu me tenhas escolhido como instrumento das obras da tua maior glória e da maior santificação. Segundo o teu beneplácito, porque Deus escolheu o que é loucura no mundo, para confundir os sábios; e o que o mundo julga fraco, Deus escolheu para confundir os fortes (1Cor 1,27-28).

T.: Sou infinitamente indigno, ó meu Jesus, de ter total participação em tua vida humilde, pobre. A vida de Cristo seja a minha vida, agora e para sempre. Por mim, não sou capaz nem de formar um desejo bom. Assim, até o mínimo bom pensamento é também dom teu (Rm 8,26). Assim, eu destruído, sê tudo Tu em mim.

D.: Contra ti, só contra ti pequei, fiz o que é mau aos teus olhos (Sl 50,6).

T.: Ah, Deus meu, destrói toda a minha vida passada, presente e futura. E dá-me a tua vida, a vida do teu Unigênito encarnado. Quão mais generosamente derramaste os teus dons sobre mim, tanto mais fui ingrato para contigo, tanto mais desconheci os dons que me deste e tanto mais desconheci os dons que me deste e tanto mais abusei deles! Oh, quantos vícios, hábitos pecaminosos e pecados veniais e mortais teriam sido destruídos ou impedidos! Ah, meu Deus, quem vai compreender os meus delitos?

D.: Creio que tu me ensinas o que devo fazer, consolas-me em minhas penas, advertes-me e repreendes-me das minhas faltas pela boca do meu padre espiritual, que encarregaste da minha conduta. Agradeço-te, ó meu Deus, pela bondade que tens tido em proporcionar-me um caminho tão útil, seguro e fácil para avançar nas virtudes. Peço-te as luzes necessárias, para conhecer a fundo o meu coração, como queres Tu, de acordo com a tua misericórdia. Esta, meu Deus, é a graça que te peço, juntamente com a de tirar proveito das diretivas que me serão dadas.

D.: Leitura bíblica (Fl 3,8-16). Deus nos faz sentir a miséria da nossa humanidade, para nos enriquecer mais abundantemente com suas misericórdias infinitas. Comentar o texto bíblico e os escritos de Pallotti.

domingo, 7 de novembro de 2010

Testemunho e Agradecimento da Ir. Cleusa

Queridos(as) amigos(as)
“As obras do Senhor são esplendor e beleza” (Salmo 111)
O Senhor se lembra sempre da aliança.
Eu agradeço a Deus, de todo o coração, junto com todos os seus justos reunidos! Que grandiosa são as obras do Senhor, elas merecem todo o amor e admiração!
Suas obras são verdade e são justiça, seus preceitos, todos eles, são estáveis, confirmados para sempre e pelos séculos, realizados na verdade e retidão.
Enviou libertação para o seu povo, confirmou para sempre e pelos séculos, realizados na verdade e retidão.
Enviou libertação para o seu povo, confirmou sua aliança para sempre. Seu nome é santo e é digno de respeito. Permaneça eternamente o seu louvor.
Com este salmo, elevo a Deus meu coração agradecido por mais esta chance de continuar vivendo. Também agradeço muito as orações que fizeram por mim. Foi uma experiência maravilhosa sentir interiormente a força desta corrente de oração. Mais adiante, quando estiver mais forte escreverei sobre isso.
O médico disse várias vezes que minha recuperação foi um milagre, e eu sei que foi, pois não consegue explicar de eu ter um AVC do porte que foi e não ter tido nenhum aneurisma.
Eu fiquei maravilhada e falei várias vezes ao médico e para as pessoas aqui, que eu não sabia que minha família espiritual fosse tão grande. De todo lado vinha “estão rezando por sua saúde”.  E eu agradeço muito!
Agora já estou em minha comunidade. Só preciso de muito repouso. Tenho que fazer tudo devagar. Canso facilmente. Não posso ter movimentos bruscos, pois fico tonta. Mas posso fazer o que é leve e por pouco tempo. Depois descanso e aí posso continuar. Mas, graças a Deus não tive mais dor de cabeça, apesar de senti-la um tanto pesada. O corpo está pesado. Mas me sinto melhor a cada dia e agora, também posso rezar por vocês todos.
Um grande abraço e minhas preces.
Ir. Cleusa

sábado, 6 de novembro de 2010

UMA ESPERANÇA QUE RELATIVIZA

Nesta vida temos muitos dons dados por Deus, pelos quais devemos louvá-lo continuamente: a vida, a família, os amigos, a natureza, os bens que trabalhando com os dons de Deus conseguimos adquirir… Tudo são coisas boas. A Palavra de Deus de hoje nos adverte, porém, que tudo isso é relativo e não absoluto. Tudo serve ao homem na medida em que o ajuda a atingir o seu fim último, que é a glória de Deus e a salvação da própria alma e a dos outros.
Por isso mesmo afirmava Santo Inácio no seu princípio e fundamento: “O homem foi criado para louvar, adorar e servir Deus nosso Senhor e salvar assim a própria alma; e as outras coisas sobre a face da terra foram criadas para o homem a fim que o ajudem no conseguimento do fim pelo qual foi criado. Disto vem que o homem deve servir-se destas coisas enquanto o ajudam para o seu fim, e ao mesmo tempo, deve se afastar destas se são impedimentos ao mesmo fim. Por essa razão é necessário tornar-se indiferente em relação a todas as coisas criadas em tudo aquilo que é consentido pela liberdade do nosso livre arbítrio e não lhe é proibido, de modo a não desejar da nossa parte mais a saúde do que a doença, mais a riqueza do que a pobreza, mais a honra do que a desonra, mais a longa vida do que uma breve, e assim por diante, desejando e escolhendo somente aquilo que leva ao fim para o qual fomos criados.”
A vida é um dom de Deus; aliais o mais precioso de todos os dons. No entanto, não vale mais do que o absoluto de Deus. Foi o que mostraram os sete irmãos mártires do livro dos Macabeus. Postos entre a hipótese de renegar a sua fé e morrer, preferiram a morte física, pois: «Do Céu recebi estes membros, mas agora menosprezo-os por amor das leis de Deus, mas espero recebê-los dele, de novo, um dia.» (2 Mac 7,11)
No Evangelho aparecem mais sete irmãos. Os saduceus, que não acreditavam na ressurreição colocaram a Jesus a questão do matrimónio. Se os sete irmãos pela lei do levirato – lei que recomenda que um irmão case-se com a viúva de um irmão que não deixou filhos, para suscitar-lhe descendência –  poderiam tê-la por esposa, de quem ela será  mulher na ressurreição?  Jesus resolve a questão afirmando que embora o casamento seja um dom de Deus e uma vocação preciosa, “… aqueles que forem julgados dignos da vida futura e da ressurreição dos mortos não se casam, sejam homens ou mulheres, porque já não podem morrer: são semelhantes aos anjos e, sendo filhos da ressurreição, são filhos de Deus.” (Lc 20,35)
Alguns são chamados desde agora a testemunhar este absoluto da Esperança, e ajudar seus irmãos a fazê-lo. É a vocação consagrada celibatária; coisa que o mundo não entende nem o pode entender, pois o próprio Jesus disse certa vez: “… há aqueles que se fizeram eunucos a si mesmos, por amor do Reino do Céu. Quem puder compreender, compreenda.» (Mt 19,12) Outros são chamados mesmo ao matrimónio, para construir neste mundo a matéria da ressurreição futura que somos todos nós.  Devemos discernir, à luz do Espírito a quê Deus nos chama. Não se trata aqui de escolher o mais fácil, mas aquilo a que Deus chama. Muitos, como o Abade Dom Roberto do Mosteiro do Rio de Janeiro, e alguns coirmãos palotinos, mesmo já tendo a vida alinhavada em um noivado, uma carreira humana promissora (no caso dele carreira de diplomacia), em meio a um momento de oração, discerniram que não era este o seu caminho. Outros como Márcio Mendes da Canção Nova, o contrário;  depois de iniciar como seminarista, discerniu na oração e na direcção espiritual que seu caminho era o matrimónio.
Seja qual for o caminho que tomamos, uma coisa é certa: temos uma vocação comum. É aquela da qual diz São Paulo na Carta aos Tessalonicenses: “Esta é, na verdade, a vontade de Deus: a vossa santificação; que vos afasteis da devassidão,…” (1 Tess 4,3) Muitos têm dificuldade de discernir o seu caminho de vida. Talvez se investíssemos mais nesta vocação comum à santidade, também a nossa vocação particular resultaria mais clara diante dos nossos olhos. Estamos, em sintonia com o arciprestado, a fazer vigílias em nossas comunidades, pedindo este dom das vocações. Neste Sábado dia 6/11, temos, na Praia de Mira.
Neste mês de Novembro, a Igreja que é mãe, vem socorrer com a Divina Misericórdia da qual é dispensadora, as almas dos fiéis defuntos, que não conseguiram, embora tendo morrido em graça, realizar plenamente a sua vocação e agora encontram-se no purgatório. Como filhos de Deus e da Igreja, somos também chamados, de modo especial neste mês, à “misericórdia espiritual”.
Para as células de Evangelização:
O que é absoluto e o que é relativo hoje nas nossas vidas?
Pe. Marcelo 

Senhora Eliyamma Mathew Nambudakam

No dia 3 de novembro, com 98 anos de idade, faleceu a Senhora Eliyamma Mathew Nambudakam, Mãe do Pe. Jacob Nampudakam, Reitor Geral da Sociedade do Apostolado Católico.
A Causa da morte foi parada cárdica. A Senhora Eli teve grande devoção a Nossa Senhora. Cada dia rezava o terço confiando a Mãe de Jesus a vocação do seu filho. O velório da Senhora Eliyamma Mathew Nambudakam aconteceu dia 5 de novembro em Little Flower Church, Ayyampara na Índia. Neste momento de dor estamos unidos em oração com o Pe. Jacob, pedindo a felicidade eterna para a Senhora Eli na Casa do Pai. Que Deus que é Senhor da vida e da morte seja fonte de toda consolação.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Apóstolos Hoje. Reflexão e oração - Novembro de 2010

São Vicente Pallotti  - “Deus Amor Infinito”
XIV MEDITAÇÃO
 “Da obrigação que temos de aperfeiçoar-nos meritoriamente, nós mesmos, como vivas imagens de Deus potência infinito.”
Oh Espírito Santo, doador do dom da sabedoria, iluminai-me.
Oh Espírito Santo, doador do dom da inteligência, instrui-me
Oh Espírito Santo, doador do dom do conselho, guiai-me.
Oh Espírito Santo, doador do dom da fortaleza, fortificai-me.
Oh Espírito Santo, doador do dom do conhecimento, dai-me o dom da perseverança.
Oh Espírito Santo, doador do dom do temor de Deus, libertai-me de todo pecado.
Oh Espírito Santo, doador do dom da paz, dai-me a paz.
Reflexão
Potência de Deus na obra da criação
Nesta breve reflexão, nosso Santo Fundador explica de maneira sintética o objetivo e o centro de nossa chamada à vida de fé.  O caminho de santidade no qual entramos no momento do batismo é um caminho cuja fonte e o fim último é Deus, o Onipotente Senhor e Criador. Sobre a onipotência de Deus, a Sagrada Escritura afirma: “nada é impossível a Deus” (Lc 1, 37) e no livro da Sabedoria  a potência de Deus é comparada à Sua bondade: “Senhor, de vossa força julgais com bondade e nos governais com grande indulgência, porque sempre vos é possível empregar vosso poder, quando quiserdes” (Sab 12,18). E, a vontade de Deus, que flui do Seu infinito amor, foi instrumento que concretizou a obra da nossa criação. Fomos chamados à existência porque ELE QUIS. Somos fruto do amor que Deus quer partilhar com as criaturas e é por isso que o nosso chamado à santidade passa através da via da perfeição e do seguimento a Cristo. O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que “O homem é, por natureza e por vocação, um ser religioso. Porque provém de Deus e para Ele caminha, o homem só vive uma vida plenamente humana se viver livremente sua relação com Deus. O homem é feito para viver em comunhão com Deus, no qual encontra sua felicidade…” (Cat. 44,45). São Vicente é convicto desta verdade quando nos recorda a necessidade de empenhar-nos para poder alcançar esta comunhão, empregando o dom do livre arbítrio e quando ele explica o objetivo de: glorificar a Deus, santificar a própria alma e aquela dos outros e vencer as tentações do corpo (AIDG, ASA, ADP): "... afim de que fortalecido e feito potente em Deus possa fazer todas as obras para o maior santificação de minha alma e do próximo e viva sempre longe de fazer, dizer ou pensar em tudo aquilo que se opõe à lei santa de Deus e da Igreja ... e não venha jamais a  enfraquecer-me de modo a ceder às tentações do demônio, às seduções do mundo enganador e a atração das paixões brutais ... "
“Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes” (Lc 1, 52)
A história da salvação nos apresenta muitos exemplos onde Deus manifesta a Sua Potência. Desde o momento da Criação do mundo, do nada, através do zelo para com o povo eleito, através dos Patriarcas e dos Profetas e enfim do próprio Filho Jesus Cristo (com os seus milagres, o seu ensinamento, a sua paixão, morte e ressurreição), Deus incessantemente mostra a grandeza de Sua infinita potência. Não é porém a atitude de um déspota que, aproveitando do seu poder oprime os seus súditos. O Senhor Deus é bom e paciente e a Sua potência se exprime na sua misericórdia como nos confirma numerosas vezes a Sagrada Escritura. O único desejo do Seu Coração é aquele pelo qual as criaturas que, por amor as chamou à vida, possam responder também com amor. O quanto esta tarefa, na vida prática, seja difícil, sabemos muito bem. Sempre que o nosso orgulho “vence” sobre a humildade, experimentamos um retrocesso em nossa fidelidade e ao Seu seguimento. Quando, ao invés, com humildade, procuramos olhar o mundo com olhos puros e simples, então começamos a ver as coisas assim como são realmente e aceitamos a nossa pequenez diante do Senhor. O verdadeiro sentido da humildade é, todavia, admitir os próprios limites e aceitá-los com serena confiança, abandonados nos braços potentes de Deus Pai. Este confiante abandono, é portanto, a mais eloqüente demonstração da Potência do Senhor que age em nós através de nós. Convictos desta verdade poderemos então exclamar com São Paulo: “Quando sou fraco, então é que sou forte” (2Cor 12,10).
“Conhecer vosso poder é a raiz da imortalidade” (Sab 15, 3)
O homem de hoje compreende o significado de potência de uma forma muito diferente do que sugere o autor inspirado da Sagrada Escritura. No mundo de hoje, tão secularizado, as palavras: potência, força, energia, poder se apresentam à mente, de fato como imagens que destacam o domínio sobre os outros, em todas as áreas: psicofísica, intelectual, militar ou material. Deus, ao invés, através das palavras de São Vicente Pallotti, encoraja-nos a seguir um outro tipo de poder. Criados à imagem e semelhança de Deus, somos chamados a seguí-Lo na Sua potência e no seu agir através do perdão. Podemos percorrer este caminho, se continuarmos na graça santificante e se dela nos servirmos para vencer o pecado. E mesmo que caiamos em pecado, um sincero arrependimento e o perdão recebido mediante o Sacramento da Reconciliação nos dará a força para sermos novamente instrumentos da Sua misericórdia; e a mesma disposição de querer voltar para o Pai é já uma manifestação da Potência de Deus agindo em nós. Sozinhos, de fato, isto é, sem a Sua potente graça, não seremos capazes de nos levantar e de retomar o caminho.
O Beato Padre Michał Sopocko, padre espiritual de S. Irmã Faustina Kowalska, assim escreve sobre aquele extraordinário sinal da Potência de Deus: "A misericórdia de Deus...precede a justificação e dispõe o pecador à conversão. Ela acompanha o pecador em todos os seus atos e sustenta suas fracas forças, perdoando as culpas ... e derramando as suas graças. Ela dá força ao penitente na batalha contra as tentações e guia seus atos de penitência para que ele conquiste as virtudes necessárias. Ela, enfim  derrama sobre o penitente os dons do Espírito Santo para levá-lo a participar da vida Divina. Tendo o poder para destruir os pecadores, ou pelo menos puni-los severamente, ao contrário, Deus os sustenta, como se os levasse nos braços, os alimenta, os plenifica de alegria, pois permite que o sol os aqueça e a chuva caia sobre eles, “para perdoá-los no tempo oportuno”, derramar nas suas almas o Seu amor e colocá-los na mesma dignidade dos justos. Este é de fato o sinal da Sua sublime Potência.” Todos éramos pecadores e temos experimentado a Sua infinita Potência no perdão: de pecadores que éramos, nós nos tornamos santos, de malfeitores, em operadores do bem, de filhos rebeldes, a filhos adotivos de Deus e herdeiros do Seu Reino. Portanto, nós somos testemunhas das grandes obras do Senhor! Trazemos ao mundo a verdadeira imagem de Deus Potência infinita, na qual Ele nos criou e amou, perdoando-nos e predestinando-nos para a vida eterna com Ele.

Testos para reflexão e partilha:
Gn. 1,27;    Salmo 8;    Salmo 18(17),1-4,30.33-36;    Salmo27(26)  
Sab 12,18;   Lc 1,30-33,35.37;   Rm 1,16;   2 Cor 6, 2b-10
Oração final
Meu Deus, misericórdia minha, eu sou infinitamente indigno do Paraíso, mas a vossa misericórdia, pelos merecimentos infinitos de Jesus, pelos merecimentos e intercessão de Maria Santíssima, de todos os Anjos e Santos me asseguram o Paraíso, e, agora e sempre, em união com todas as criaturas passadas, presentes e futuras entendo de oferecer o Sangue preciosíssimo de Jesus Cristo em agradecimento como se já a mim e a todos tivésseis dado o Paraíso sem passar pelo Purgatório…
Meu Deus, operais em mim a modo vosso. Dai-me a graça de agir como quereis Vós. Meu Deus, tudo agora e sempre, infinitas vezes no supremo sofrimento, no infinito amor, na vossa graça sem usufruí-la, gozando somente que Vós sois infinitamente glorificado e eu infinitamente desprezado – este seja o meu Paraíso. Amém (OOCC X, 188-190).