sábado, 15 de novembro de 2014

Consagração Perpétua


"Seja destruída a minha vida e a vida de Jesus Cristo seja a minha". 
S. V. Pallotti.      
    
A família palotina estava em festa para celebrar a Consagração Perpétua do nosso seminarista Denis Alves Campos, na belíssima paróquia de Nossa Senhora dos Navegantes em Bonsucesso/Rio de Janeiro.

A Santa Missa foi celebrada pelo superior regional  Pe. José Rodriguez, e também estavam presentes padres da família palotina, irmãos beneditinos, seminaristas, noviços, membros da O.V.S. e da U.A.C. familiares do Denis e amigos.


Todos  reunidos para louvar a Deus pela sua vocação, entrega a Deus.

Que Nossa Senhora Mãe de Misericórdia o abençoe e que ele seja um religioso de acordo com a vontade de Deus. 

Mãe da Misericórdia


Nós, palotinos da Região Mãe da Misericórdia, iremos celebrar no dia 16 de novembro a nossa padroeira. Deste modo, apresentamos os motivos de honrarmos a Mãe de Deus com o Título de Mãe da Misericórdia.
 

Há uma íntima relação entre Maria Santíssima, a Mãe de Jesus, o mistério da misericórdia divina e a prática da misericórdia. Maria está desde a sua concepção envolta na misericórdia infinita do Pai, pelo Filho e no Espírito (preservada do pecado e do demônio), ao mesmo tempo em que o seu agir – antes e depois da sua Assunção – está assinalado pelo amor efetivo aos seres humanos (especialmente pelos pecadores e sofredores).
A invocação “Salve, Rainha Mãe de misericórdia” se encontra pela primeira vez com o Bispo Adhémar, de Le Puy (+ 1098); destaca a qualidade do olhar materno de Maria: “esses vossos olhos misericirdiosos a nós volvei”, e conclui com o sentido desta sua misericórdia: “ó clemente, ó piedosa, ó doce, Virgem Maria”. Já o título “Mãe de Misericórdia” Se crê que foi dado pela primeira vez a Maria por Santo Odão (+ 942), abade de Cluny. “Ego sum Mater misericordiae” (Eu sou a Mãe de Misericórdia), Maria lhe teria dito em sonho. Relação com a Mensagem da Divina Misericórdia.

Em Vilna, capital da Lituânia, se venera a imagem da Mãe da Misericórdia de Aušros Vartai (Portal da Aurora) desde 1522, localizada numa das entradas do antigo muro. Em 1773 o Papa Clemente XIV concedia indulgências a quem rezasse ali com devoção, e em 1927 o Papa Pio XI permitiu que a pintura fosse solenemente coroada com o título de Maria, Mãe da Misericórdia. Sua festa é celebrada a 16 de novembro.

Em nossos tempos, Santa Faustina Kowalska, mística polonesa, nos repropõe a centralidade da Divina Misericórdia para a fé e a vida da Igreja, recorrendo a Maria Santíssima como Mãe da Misericórdia. Por Providência divina, a primeira vez em que a imagem de Jesus Misericordioso foi publicamente venerada foi justamente em Vilna (cf. Diário, 417).

Em qual sentido podemos proclamar Maria como Mãe de Misericórdia? Sem cometer o grave equívoco de pensar que a misericórdia é reservada a Maria e a justiça a Jesus (como muitos medievais chegaram a pensar), o título “Mãe da Misericórdia” ou “Mãe de Misericórdia” assim se justifica:

Maria é a mulher que experimenta de modo único a misericórdia de Deus – que a envolveu de modo particular desde a sua Imaculada Conceição, passando pela Anunciação, como discípula fiel do seu Filho, até o grande momento da Sua Páscoa (paixão, morte, ressurreição, glorificação e Pentecostes). Ela é “cheia de graça”, ou seja, totalmente transformada pela benevolência divina (cf. Ef 1, 6).
Maria é a mãe que gerou a misericórdia divina encarnada – graça extraordinária que coloca a jovem Maria, a partir da Encarnação do Filho de Deus, numa relação inimaginável de intimidade com o próprio “Pai das misericórdias” (2Cor 1, 3). A partir do seu “eis-me aqui” e o seu “faça-se”, a misercórdia divina se faz carne e entra na história!
Maria é a intercessora incansável do povo de Deus – elevada aos Céus em corpo e alma, Maria não deixa de apresentar as necessidades dos fiéis ao seu Filho, a quem rogou pelos esposos de Caná, quando vivia na terra (cf. Jo 2, 1 ss). Ela “continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna”, ensina o Concílio Vaticano II (Lumem gentium, n. 62), praticando assim a misericórdia, sobretudo para com os que padecem dos males da alma (pecadores), mas também do corpo (todos que sofrem).
A Mãe de Jesus e nossa merece, portanto, ser honrada como Mãe da Misericórdia e Mãe de Misericórdia! Ó Maria, Mãe que experimentastes e gerastes a Misericórdia, Mãe que proclamais e exerceis a misericórdia, fazei de nós autênticos apóstolos deste mesmo mistério de amor em nossos tempos. Amém.
Pe. Akácio

domingo, 9 de novembro de 2014

Apóstolos Hoje - Novembro de 2014


Preparação Espiritual para o Congresso Geral da União em julho de 2015

"Se alguma coisa deve santamente inquietar-nos e preocupar a nossa consciência é que muitos dos nossos irmãos vivem sem a força, a luz e consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolhe, sem um horizonte de significado e vida . Mais do que o medo do fracasso espero que nos mova o temor de fechar-nos nas estruturas que nos dão uma falsa segurança, nos padrões que se nos transformam em juízes implacáveis, nos hábitos em que nossentimos tranquilos,  enquanto lá fora há uma multidão faminta e Jesus nos repete incessantemente: "Dai-lhes vós mesmos de comer" (Marcos 6,37)" Evangelii Gaudium, 49.
Neste mês de novembro, enquanto continuamos o caminho de preparação espiritual para o Congresso Geral, iluminados com o tema "Jesus, uma alegria que se renova e se comunica", convido-vos a aceitar o desafio proposto anteriormente pelo Papa Francisco "Dai-lhes vós mesmos de comer". As pessoas estão famintas; estão à procura de "alimento" em muitos lugares, entre as pessoas que se conhecem ou não se conhecem, usando uma variedade de métodos e meios para encontrar-se. 
Procuram a razão de sua existência e, às vezes, estão conscientes de sua busca de Deus, mas não tiveram quem lhes falasse de Cristo.
O Papa Francisco encoraja a nós,o Povo de Deus, a Igreja, aencontrar precisamente essas pessoas e dar-lhes as razões para viver e crescer, objetivo último pelo qual trabalhamos. Como fazemos? Através da evangelização: "Ide, pois e fazei discípulos todas as nações ... ensinando-as a observar tudo o que avos tenho ordenado" (Mt 28,19a, 20a).
A Evangelização pode ser tão complexa como preparar discursos e retiros para enriquecer os outros ou tão simples como falar com alguém, revelando o amor de Deus para cada um e introduzir os conceitos básicos da fé e da Igreja. AIgreja tem necessidade (nós precisamos) estar abertos a todos aqueles que estão à procura, independentemente de suas escolhas passadas e de sua situação atual.
Temos um presente único e especial a compartilhar com o resto do mundo - a pessoa de Jesus Cristo. Ele é a mensagem a ser entregue a todos com quem entramos em contato, a mensagem que foi confiada à Igreja para ser espalhada até os confins da terra. Não é a nossa mensagem, mas a mensagem de Jesus.
Neste núcleo fundamental o que brilha é a beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado. (EG 36)
No passado, ir em missão poderia significar ir para terras distantes como missionários; hoje, não é necessário ir muito longe para encontrar os famintos e sedentos: basta olhar ao nosso redor, em nossas famílias, nossos vizinhos e talvez até mesmo em nossas paróquias para encontrar aqueles que não conhecem a Jesus, sua mensagem de amor, ou que O tornaram inútil em suas vidas.
E quem deve evangelizar? Nós. Como acreditava São Vincente e como disse o Papa: Todos somos chamados (EG 20) em virtude do Batismo. Nós somos aqueles que acolhem a missão de "seguir em frente", confiada aos Apóstolos e, por meio deles, a nós. Ao final de cada celebração Eucarística, somos convidados a dar testemunho de Cristo com a nossa vida. Embora esses compromissos podem nos distanciar de nossas conmodidades, há uma alegria que vem do saber de  plantado a semente do Evangelho. E tal alegria se renova na celebração da Eucaristia.
A Igreja evangeliza e é evangelizada com a beleza da Liturgia, que é também a celebração da ação evangelizadora e fonte de um renovado impulso a doar-se (EG 24). Além disso, Jesus nos diz: "Eis que eu estou convosco todos os dias, até o fim do mundo" (Mt 28,20b).
O Papa Francisco, embora deseja que focalizemos sobre a mensagem, ele também compreende que énecessária uma estrutura que permita que a mesma mensagem seja levada a outros. Tal como acontece para a UAC, os Centros de Coordenação Local são centros animadores de encontro, de oração, de formação e de colaboração para sustentar a espiritualidade comum e promover as diversas iniciativas apostólicas (Estatuto Geral 60), assim a paróquia, como parte específica da Igreja a qual pertencemos, é a Igreja encarnada em um determinado espaço, equipada com todos os meios de salvação dada por Cristo, mas com um rosto local (EG 30). A União como Associação éuma riqueza para a Igreja que o Espírito suscita para evangelizar todas as áreas e setores que foi pedido para não perder o contato com essa realidade tão rica da paróquia local,e integrar-se com prazer no plano pastoral da Igreja particular (EG 29). São Vicente Pallotti fundou a União para servir a Igreja ... Os membros da União, portanto, comprometem-se a permanecer em comunhão com o Papa e os Bispos (EstG 21).
Não nos é pedido que evangelizemos sozinhos ou sem preparação: é na paróquia que somos nutridos pela  mesa Eucarística, com o Corpo de Cristo através da Eucaristia, com a Palavra de Deus, através da oração e pregação, e da própria comunidade. Fomos abençoados para sermos membros da UAC: Podemos aprender mais sobre Jesus, o Apóstolo do Eterno Pai (formação), podemos compartilhar nossa caminhada de fé com os outros, podemos juntos orar e celebrar a Eucaristia, para sermos mais incentivados e apoiados em nosso compromisso com a evangelização.
E, embora as enormes e rápidas mudanças culturais exigem que prestemos constante atenção para tentar expressar sempre a verdade em uma linguagem que permite reconhecer a sua permanente novidade(EG 41), deve-se notar que todo ensinamento da doutrina deve situar-se na atitude evangelizadora que acorda a adesão do coração com a proximidade, amor e testemunho (EG 42). Quando nos comprometemos a imitar o amor de Cristo para o Pai e para todas as pessoas, e desejamos hoje realizar, no modo mais completo, o Seu estilo de vida e de apostolado (EstG 19), e nos entregamos ao serviço e cumprimento Sua vontade, revelada especialmente através da Sagrada Escritura, o ensinamento da Igreja e os Sinais dos tempos (EG 18), estamos vivendo a evangelização, à vista de todos.
No entanto, como precisamos de tempo para crescer em nossa fé e esperamos misericórdia e paciência por parte de Deus e do homem para as nossas dúvidas e nossas falhas, devemos também dar aos outros o tempo necessário que precisam para crescer. A todos deve chegar a consolação e encorajamento do amor salvífico de Deus, que trabalha misteriosamente em cada pessoa, além de seus defeitos e suas quedas (EG 44). Somos chamados a viver a reconciliação como um caminho de conversão permanente (EstG 23e).
Evangelização significa "sair", mas também para viajar juntos com nossas dificuldades e sofrimentos, nossos medos e as nossas alegrias. Ousamos um pouco mais para tomar iniciativas! Como consequência, a Igreja sabe  "envolver-nos" (EG 24).
Nossa recompensa é a alegria.  

Questões a considerar
         Quem eu encontrei no mês passado, que estava precisando de meu testemunho no que diz respeito ao amor de Deus?
         Como estou nutrindo os famintos?

Ação concreta:
Não temos todas as respostas para as necessidades e exigências daqueles que procuram a nossa ajuda. Esperamos encontrar tempo neste mês para identificar centros em nossa diocese, setores que possam nos ajudar e para que possamos oferecer ajuda.
Maria Domke
Promotor da Educação Nacional
Edmonton, Alberta, Canadá

sábado, 25 de outubro de 2014

Pe. Leslaw Gwarek SAC


No dia 23 de outubro em Odivelas faleceu Pe. Leslaw Gwarek SAC, por muitos anos foi o provincial dos padres palotinos. Era  especialista da Sagrada Escritura e havia viajado para Odivelas / Portugal para pregar sobre Missões.
Alguns dias antes havia enviado para Pe. Jan Sopicki SAC  (eles foram da mesma turma no seminário, e se ordenaram juntos) para que este traduzisse para o português, a homilia que ele iria fazer no domingo 26 de outubro. Mas não deu tempo. O Pai das Misericórdias o chamou de volta. Agora esta homilia será lida aqui por Pe. Jan Sopicki, no todas as Santas Missas em Santuário da Divina Misericórdia no Rio de Janeiro. Cabe a nós,  agradecermos a Deus ter-nos emprestado pe. Leslaw e por seus 38 anos de vida sacerdotal. Muitos o conheceram quando enriqueceu o I Congresso Arquidiocesano da Divina Misericórdia em 2012 no Santuário da Divina Misericórdia no Rio de Janeiro  com a palestra “Misericórdia na Missão da Igreja-João Paulo II”.

Que pelas mãos de Nossa Senhora Mãe de Misericórdia, ele encontre a Jesus Misericordioso! 

HOMILIA PARA DOMINGO DAS MISSÕES
Cada ano, em outubro, celebramos o Dia Mundial das Missões. Neste ano o Papa Francisco assim escreveu em sua mensagem: 
“O Dia Mundial das Missões é um momento privilegiado para os fiéis dos vários Continentes se empenharem, com a oração e gestos concretos de solidariedade, no apoio às Igrejas jovens dos territórios de missão. Trata-se de uma ocorrência permeada de graça e alegria: de graça, porque o Espírito Santo, enviado pelo Pai, dá sabedoria e fortaleza a quantos são dóceis à sua ação; de alegria, porque Jesus Cristo, Filho do Pai, enviado a evangelizar o mundo, sustenta e acompanha a nossa obra missionária.” 
Alegramo-nos e somos gratos a Deus, porque a Sociedade do Apostolado, a província polonesa da Anunciação do Senhor e os Padres Palotinos são participantes da atividade missionária da Igreja. Os nossos coirmãos anunciam Cristo para aqueles que ainda não O conhecem ou ajudam as Igrejas novas na sua missão. Os nossos missionários trabalham na Coréia do Sul, Papua, Nova Guiné – de um lado do mundo e no Brasil e México, do outro lado. Dizemos, brincando, que o sol sempre brilha sobre a nossa Província. Trabalhamos também numa Igreja renascente na Bielorrússia. 
Gostaria de partilhar com Vocês a minha experiência com os nossos missionários em Papua, Nova Guiné.
Quando visitei os nossos coirmãos, na qualidade de superior, não queria só ouvir o que eles contavam sobre o seu trabalho. Passei alguns dias junto a cada um deles, experimentando o que quer dizer estar presente e trabalhar em diversas missões.
Lembro-me de um domingo com o Pe. Cristóvão, que trabalhava no rio Sepik. Este rio é grande, com quase mil e duzentos quilômetros km de comprimento, que nesta altura, tem quase quatrocentos metros de largura e oitenta metros de profundidade. Podem entrar nele os navios marítimos até oitocentos quilômetros km do mar. 
Papua, Nova Guiné é a segunda maior ilha do mundo localizada perto do equador. Isso significa que tem o clima tropical, o sol nasce às 6h e se põe às 18h. Pe. Cristóvão visitou várias comunidades ribeirinhas.
Naquele dia levantamo-nos às 5h, preparamos o nosso café da manhã e  tudo o necessário para a viagem. Foi preciso levar tudo para a celebração das Missas, além combustível para o barco, água potável, etc. Saindo da casa do Pe. Cristóvão eu levei tudo isso e ele carregou o motor do barco. Por prudência o guardamos em casa para não ser roubado. Já na porta de casa estavam esperando por nós os mosquitos que não nos deixaram em paz até o momento da partida. O bote era pequeno, de três metros de cumprimento, com  motor de quinze cavalos. Embarcamos com tudo isso e partimos. No rio tivemos que ter muito cuidado por causa de troncos de árvores flutuando nas águas como também do capim flutuante. Em nosso barquinho nem dava para se movimentar. Quando queria mudar a posição tinha que avisar ao Pe. Cristóvão para segurar o leme como mais força. Depois de duas horas de viagem, chegamos para à aldeia. Todas as casas foram construídas sobre palafitas, porque a diferença de nível de água entre o tempo de seca e das enchentes é de oito metros.
Pe. Cristóvão primeiro atendeu as confissões e eu visitei a aldeia. A maior alegria era das crianças que me acompanhavam e matavam os mosquitos que me atacavam. A capela também foi construída sobre palafitas. Como chão serviram os galhos, algo parecido com a cerca em volta e o telhado de folhas de palmeiras. Debaixo da capela ardiam alguns troncos de madeira e a fumaça enchia a capela. A fumaça devia espantar os mosquitos, mas eles não levaram isso em conta. Durante a Missa no altar havia algumas pencas de galhos que serviam para o celebrante matar os mosquitos durante a celebração. Depois da Missa houve uma reunião com a liderança a respeito da formação de atividades pastorais para as  próximas semanas, porque o Pe. Cristóvão poderia voltar aí uma vez por mês. Retornamos para o nosso barquinho e nos dirigimos para a próxima aldeia.
A situação se repete. Depois da segunda Missa sentimos fome. Ninguém nos ofereceu nada para comer. Pe. Cristóvão levou consigo um pouco de arroz. Pedimos a um dos líderes que nos cozinhasse este arroz. Fomos para a sua casa nos palafitas, como as  outras casas da aldeia. Fiquei surpreendido porque a casa não tinha paredes, camas ou outros móveis. A única coisa que existia era uma grande bacia onde havia fogo aceso. Eles dormem no chão de galhos, não tem móveis, por causa do clima tropical e por não precisarem de muita roupa para se vestir. As roupas que possuem penduram nos ganchos de madeira debaixo da cobertura.
Quando o arroz estava pronto, sentamo-nos no chão e recebemos dois pratos de plástico. Em volta estava sentada a família olhando para o nosso arroz. Deste jeito logo perdemos a vontade de continuar comendo. Passei o prato com arroz para o dono da casa e o Pe. Cristóvão para o outro homem. Quando eles comiam todos olhavam para eles como se pedissem: deixem algo para nós. Os pratos com arroz passavam para os mais novos. Tivemos que ir embora. De novo, viajamos de barco durante três horas, até chegarmos à nossa missão. O calor continuava. O sol refletia na água, mas pelo menos, não havia mosquitos durante a viagem. Voltamos antes do pôr do sol. Tivemos que carregar tudo de novo para a nossa casa acompanhados, de novo, pelos mosquitos. Entramos em casa perguntando: e agora? Vamos tomar banho, preparamos alguma coisa para comer ou vamos dormir? 
Recentemente, Pe. Cristóvão voltou à Polônia depois de vinte anos nas missões. Freqüentemente tem ataques de malária e a sua saúde ficou comprometida.
Um dos nossos missionários, que atualmente trabalha na Papua, Nova Guiné, viaja de barco entre as ilhas oceânicas, no litoral oriental da ilha, atendendo a oito ilhas. Para a mais distante ele precisa fazer quase duzentos e cinqüenta quilômetros. Quando sai, no início de dezembro, só retorna no final de janeiro. Brincamos com ele dizendo que, aonde ele chegava, para os moradores era o dia de Natal. 
Peço a vocês que rezem pelos nossos coirmãos missionários, porque eles precisam muito de orações. Todos eles já pegaram a malária. Se for possível, peço a vocês uma ajuda material e ajuda para as nossas missões. Desde já, agradeço a todos pela ajuda e pelas orações. 
O Papa Francisco assim escreveu na sua mensagem: “Deus ama quem dá com alegria” (2 Cor 9,7). O Dia Mundial das Missões é também um momento propício para reavivar o desejo e o dever moral de participar jubilosamente na missão ad gentes. A contribuição monetária pessoal é sinal de uma oblação de si mesmo, primeiramente ao Senhor e depois aos irmãos, para que a própria oferta material se torne instrumento de evangelização de uma humanidade edificada no amor.
Agradeço ao Prior, Senhor Padre João Francisco, pelo convite para visitar vocês e a possibilidade de dizer algo sobre as nossas missões.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Assembleia Local da UAC/Itaipu



No dia 22/10 , ocorreu a Assembleia local da UAC Itaipu, com objetivo d: eleger o novo CLC, decidir a ida ao Congresso Internacional  e prestar de contas do triênio. Todos os membros foram convocados com um mês de antecedência para a participação nas decisões a serem tomadas para o próximos anos.
A Eucaristia de abertura aconteceu na Matriz de São Sebastião, presidida pelo Pe. Jorge, pároco.
 Em seguida fomos para o salão paroquial onde se deu início aos trabalhos, com a presença de vinte e seis membros. Foram eleitos nove membros.
Como representante da Juventude Palotina foi eleita Fernanda Cortez,  pela SAC pe. Francisco, pároco de Itaipuaçu; para tesoureiros  foram eleitos Isabel e Adilson; para a Comunicação,  Janot; para formação Diácono Marcos; na secretaria,Francisca;  como Coordenadora Vera e vice Teresa.
Logo após a eleição, foi servido um delicioso lanche onde todos tiveram a oportunidade de confraternizar e viver essa experiência de união, como família Palotina.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Apóstolos Hoje - Outubro 2014


Reflexão Introdutória - Preparação Espiritual para o Congresso Geral da União em julho de 2015

"Convido cada cristão, em qualquer lugar e situação em que se encontra, a renovar hoje, seu encontro pessoal com Jesus Cristo, ou pelo menos tomar a decisão de deixar-se encontrar por Ele, de procura-lo todos os dias sem descanso" - Evangelii Gaudium, 3.
Papa Francisco nos oferece um convite simples, mas profundo a reavivar sempre a fé, em nossa vida. Através do nosso encontro contínuo com Jesus, somos renovados e os nossos corações cheios da alegria do Evangelho (cf. EG 1). Essa alegria que provem do nosso encontro com o amor de Deus nos impele para fora, fora de nós mesmos, das atenções para nós mesmos, das nossas preocupações, das nossas necessidades. "Ora, se alguém acolheu esse amor que lhe restaura o sentido da vida, como pode conter o desejo de comunicá-lo aos outros"? (EG 8). O amor que recebemos suscita alegria dentro de nós que nos move em direção ao mundo em missão de evangelizadores que não fazemos proselitismo, mas que atraem graças ao testemunho (cf. EG 14). Mediante esta maneira de atrair, nós, membros da União, por meio do reavivar a fé e reacender a caridade, ajuda outros a experimentar "Jesus Cristo, uma alegria que se renova e se comunica" (cf. EG 2, título da seção).
Para o Congresso Geral da União do Apostolado Católico no Brasil em julho de 2015, tomamos como tema: "Jesus Cristo, uma alegria que se renova e se comunica". Em preparação para este evento para toda a União, as reflexões em Apóstolos Hoje, até aquela data serão baseadas na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium. Esta obra inspiradora e desafiadora do Papa Francisco chama todos os batizados a um maior envolvimento na vida de fé, em particular através do cuidado dos pobres e aqueles nas "periferias". O convite para o compromisso é também um convite para evangelizar. "Quando a Igreja chama para o compromisso da evangelização, não faz mais do que indicar aos cristãos o verdadeiro dinamismo de realização pessoal" (EG 10). Este "dinamismo" é Jesus Cristo.
Como membros da União, promovemos a "corresponsabilidade de todos os batizados para reavivar a fé, reacender a caridade na Igreja e no mundo, e levar todos a unidade em Cristo" (Estatuto Geral, 1). "De acordo com o carisma de São Vicente Pallotti," somos chamados a atrair todas as pessoas para um encontro com "o verdadeiro dinamismo de realização pessoal", Jesus Cristo. Hoje, o local de maior necessidade deste encontro que se verifica é dentro da "Igreja doméstica", a família. Papa Francisco resume a situação contemporânea da família.
A família passa por uma crise cultural profunda, como todas as comunidades e os laços sociais. No caso da família, a fragilidade dos laços é particularmente grave porque é a célula fundamental da sociedade, o lugar onde aprendemos a viver com a diferença e pertencer a outros, e onde os pais transmitem a fé aos seus filhos (EG 66).
Enquanto o Sínodo Extraordinário dos Bispos sobre o tema "Os desafios pastorais sobre a família no contexto da Evangelização" que acontece neste mês, nós, como membros da União, já reconhecemos a necessidade de ajudar a família a buscar seu encontro com Jesus, que trará a verdadeira alegria e realização. O Conselho de Coordenação Geral da União em 2013 ofereceu um projeto comum à União que incidiu sobre a segunda obra de misericórdia espiritual, "para formar aqueles que têm menos conhecimento". O projeto foi chamado de "Conhecer a Deus e fazê-lo conhecido". É importante continuar o esforço que se iniciou neste projeto à luz do Sínodo dos Bispos, centrado na família, neste e no próximo ano, e em nossa preparação para o Congresso Geral da União. A carta anunciando o projeto tem proporcionado um processo valioso que leva ao encontro com o amor de Jesus Cristo, que nos dará alegria que deve ser partilhada.
O projeto, "Conhecer a Deus e fazê-lo conhecido" é:
- Um projeto espiritual – ‘conhecer a Deus’ – comprometer-nos mais plenamente para vir a conhecer Deus mais profundamente, porque aqueles que querem evangelizar devem em primeiro lugar e permanentemente tentar evangelizar a si mesmos;
- Um projeto apostólico - "fazer conhecer Deus" - instruir aqueles cujo conhecimento de Deus ainda não atingiu as profundezas de seu ser. Trata-se de participar na obra da evangelização, transmitindo aos outros a nossa experiência vivida do conhecimento de Deus, seja aos membros da própria família, seja aos nossos amigos, nossos vizinhos ou nossos colegas de trabalho.
Usando o método do projeto também pode trazer uma renovação mais profunda a nossa família da União e maior unidade entre nós e com Jesus Cristo. Tudo deve ser feito em espírito de amor que nos transforma e nos empurra a uma partilha alegre do Evangelho. Como nos ensina São Vicente, "Se estamos realmente animados pelo espírito de caridade, tratamos sempre a todos com caridade: olharemos a todos com caridade, pensamos em todos com a caridade e falamos de todos com caridade" (OOCC III, 338). Nós, membros da União somos chamados a viver um amor que traz um testemunho alegre do amor de Cristo. Papa Francesco põe em causa qualquer hesitação de nossa parte de viver a alegria nascida da experiência do amor de Deus em nossas vidas.
A tentação aparece frequentemente na forma de desculpas e recriminações, como se houvesse necessidade de inúmeras condições para ser possível a alegria. Isso acontece porque a "sociedade tecnológica conseguiu multiplicar as oportunidades de prazer, mas tem grande dificuldade em gerar alegria". Posso dizer que as mais bonitas e espontâneas alegrias que já vi na minha vida são as de pessoas muito pobres que têm pouco para se agarrar. Lembro também a genuína alegria de quem, mesmo no meio de grandes compromissos profissionais, têm conseguido manter um coração crente, generoso e simples. De várias maneiras, estas alegrias atingem a fonte do amor sempre maior de Deus que se manifesta em Jesus Cristo. Não me cansarei de repetir as palavras de Bento XVI que nos conduzem ao coração do Evangelho: "No início do ser cristão não existe uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo" (EG 7).
A renovação a que nos chama o Papa Francisco não é algo que pode ser feito sozinho ou em um curto espaço de tempo. Tal renovação de si mesmo, dos outros, da Igreja e do mundo é feito de forma mais eficaz em conjunto com o outro e com o Espírito Santo. P. Jacob Nampudakam SAC, Assistente Eclesiástico da União e Reitor Geral da Sociedade, em uma carta para a Família Palotina na Índia em junho passado, proporciona iluminação adicional e nos convida à oração com as palavras do Papa Francisco:
A renovação espiritual é uma obra do Espírito Santo e não só fruto de nossos esforços humanos.  Por isso, queremos rezar com o Papa Francisco: "Virgem da escuta e da contemplação, Mãe do amor... Estrela da Nova Evangelização ajuda-nos a brilhar no testemunho de comunhão, do serviço, da fé ardente e generosa, da justiça e do amor para com os pobres, para que a alegria do evangelho chegue aos confins da terra e nenhuma periferia seja desprovida de sua luz. Mãe do Evangelho vivo, fonte de alegria para os pequenos, rogai por nós. Amém. Aleluia "(EG 288).

Questões para reflexão
Ø  Quais são as maneiras pelas quais normalmente, encontro Jesus Cristo, aprofundo minha relação com Ele e partilho a alegria do evangelho?
Ø  Posso pensar em uma pessoa ou mais, com quem posso partilhar um pouco mais do meu "conhecimento" de Deus, da minha relação com Ele?
Ø  Que iniciativas apostólicas podemos nós como CNC, CLC, grupos, membros e colaboradores da União organizar para evangelizar efetivamente as famílias, ajudá-las a uma experiência e conhecimento mais profundo do amor de Cristo e escolher viver um testemunho cristão mais profundo e autêntico?
Ø  Como podemos apoiar as famílias na União de forma permanente em sua jornada para crescer e serem transformadas mais profundamente no amor de Cristo na vida cotidiana?
 Pe. Frank Donio SAC, 
Washington, D.C., USA