sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

MENSAGEM FINAL DA Vª ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DO UNIÃO DO APOSTOLADO CATÓLICO

Casa de Exercícios Espirituais dos Passionistas, Roma, Itália
24 a 27 de Janeiro de 2018

Comunhão e corresponsabilidade – celebrando e difundindo a alegria da comunhão e da corresponsabilidade

           
O encontro da Vª Assembleia Geral Ordinária da União do Apostolado Católico foi realizado de 23 a 27 de janeiro de 2018 na Casa de Exercícios Espirituais dos Padres Passionistas em Roma. O total de participantes foi de 39: os membros do CdCG, os Presidentes ou Vice Presidentes dos Conselhos de Coordenação Nacional, dois representantes dos Presidentes de CdCN, o Secretário Geral e o assistente de secretaria, o Ecônomo Geral, os 03 membros convidados, os moderadores, os tradutores e os secretários.
            A primeira concelebração eucarística, presidida pelo Pe. Jacó Nampudakam, Reitor Geral da SAC e Assistente Eclesiástico da União, girou em torno do tema geral desta Assembleia. De fato, em sua homilia, Pe. Jacó destacou quatro aspectos que favorecem e reforçam entre nós a comunhão e a corresponsabilidade:
- Deus, fonte de comunhão e de colaboração;
- o desejo de compreender e respeitar a diversidade dos dons e das vocações;
- o conhecimento e a experiência do itinerário espiritual e místico de nosso santo fundador;
- a União, enquanto associação pública de fiéis à serviço das missões na Igreja. De fato, continuou afirmando o Pe. Jacó em sua colocação: “A União não deve se transformar num clube esportivo de alguns poucos que a imaginam todos de um mesmo modo, mas como algo aberto para todos, estando ou não em desacordo com ela”.
            A partir das colocações feitas pela Presidente, pelas duas Madres Gerais, pelo Secretário Geral, pelo Ecônomo Geral, pelos Presidentes dos Conselhos de Coordenação Nacionais e pelos três membros convidados, ficamos contentes em perceber e comprovar como o carisma de Pallotti está se difundindo no mundo inteiro, como força unificante entre leigos, religiosas, irmãos e sacerdotes. No entanto, é importante não esquecer – destacou a Presidente da União, a Srta. Donatella Acerbi, - que “o carisma é tão somente de Deus e a ele pertence; ele não é nosso e nem de Pallotti. Tanto ele como nós somos seus portadores”. Deus pede, porém, a nossa colaboração para viver, custodiar, aprofundar e desenvolver constantemente este carisma em sintonia com o corpo de Cristo em perene crescimento.
            O Pe. David Glenday, MCCJ, Reitor Geral Emérito dos Missionários Combonianos e Secretário Geral da União dos Superiores Gerais (USG), foi convidado a contribuir com nossa condivisão, provocando o nosso diálogo recíproco com uma reflexão muito incisiva. Baseando-se no capítulo dez do evangelho segundo Lucas, ele comparou o trabalho de nossa Assembleia com o diálogo entre Jesus e os setenta e dois discípulos, que retornavam logo após terem vivido com alegria a missão a eles confiada por Jesus. Pe. David nos convidou a viver com intensa alegria a nossa realidade de vida como União. O seu discurso girou em torno dos cinco verbos que orientaram os caminhos de nossa Assembleia: recordar – o nosso próprio caminho como discípulos; discernir – aquilo que nos impele; desejar – o bem que está nascendo em nós; servir – como servir a alegria do Povo de Deus saindo para fora, tal como Jesus nos pediu; e consolar – os outros em nossa missão apostólica. São cinco verbos, cinco pedras sobre as quais caminhamos e que podemos continuar caminhando com confiança.
            Examinamos bem de perto algumas realidades da União, escolhidas pelo CdCG, assim definidas: a formação, a economia e a evangelização. Tudo isso foi tratado de modo sincero e aberto, buscando trabalhar em prol de uma harmonia maior na vida da União. Esperamos que isto nos conduza a uma ação ainda mais incisiva por parte do novo Conselho de Coordenação Geral e dos Conselhos de Coordenação Nacionais, uma vez que (como nos lembrou Pe. David), “o primeiro passo para a corresponsabilidade consiste em busca-la com coragem e humildade”.
            No terceiro dia os trabalhos da Assembleia prosseguiram com a eleição dos dez membros (dentre os quais três substitutos) que, junto com os três Superiores Gerais das comunidades fundadas por Pallotti, formam o novo CdCG. A missão deles é a de vigiar e levar em frente a vida da União durante o próximo triênio.
            Conforme o nosso costume, reunidos em oração em torno do altar de nosso santo fundador, na Igreja do Santíssimo Salvador em Roma, celebramos a missa de encerramento, que foi presidida pelo Secretário Geral, Pe. Rory Hanly.
            Queremos agradecer a todos aqueles que nos acompanharam durante todos estes dias através da oração, do sacrifício e do encorajamento. Obrigado por todo o bem realizado e pelo testemunho de serviço generoso prestado a toda carismática família palotina.
            Queremos concluir com as palavras do Papa Francisco, que ecoaram fortemente durante a Assembleia: “Procurem agir pessoalmente em vez de se limitarem a observar e criticar sentados o trabalho realizado pelos outros” (Discurso feito em Cesena, em 01 de outubro de 2017). É com este espírito que devemos caminhar. Queremos caminhar juntos como discípulos e missionários, protagonistas da missão de Jesus, seguindo os passos de São Vicente Pallotti que, por sua vez, seguiu de perto os passos do próprio Jesus Cristo.


Os membros da Vª Assembleia Geral Ordinária da UAC 2018

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

JESUS E AS NOSSAS DOENÇAS

Há três domingos que as leituras do Evangelho vem sendo uma sequência de versículos de Marcos capítulo 1.  No Domingo passado vemos Jesus desmascarando e expulsando aquele que é a origem do mal no mundo, aquele que é perverso e perversor: o demônio.
Assim como uma dona de casa, quando vai fazer uma boa faxina, não tira somente as aranhas, mas também as teias que essas aranhas fizeram, Jesus é Aquele que vem reparar a glória de Seu Pai, ultrajada pelo pecado de Adão e, para isso, expulsa o demónio, mas também tira as teias do pecado e suas consequências.
São Beda, comentando essa passagem da cura da sogra de Pedro diz: “Primeiro deveria o Senhor tapar a boca da serpente, para que não espalhasse mais veneno. Depois curou a mulher que foi seduzida antes da concupiscência carnal. Por isso disse: “Jesus saiu da sinagoga e logo foi à casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama com febre, e logo contaram a Jesus”.  O Santos Padres viam na febre da sogra de Pedro, um símbolo da concupiscência carnal que ficou no ser humano, fruto do pecado original. Jesus, tocando a sogra de Pedro, de novo a equilibra interiormente e a capacita para o serviço no amor.
O pecado original teve como uma de suas consequências, os males físicos. De dois modos Jesus trata esses males: O primeiro é curando-os na Sua Infinita Misericórdia; o segundo é fazendo com que o sofrimento dos seus fiéis contribua para o bem espiritual deles ou de outros, como diz São Paulo quando afirma que tudo concorre para o bem dos que amam a Deus. (Cf. Rom 8,28)
A Igreja sempre percebeu isso, e viu, no cuidado com os enfermos, uma de suas mais importantes obrigações, aliviando-os de modo natural pelos cuidados, ou sobrenatural, pelos sacramentos e preces. Assim, vemos toda a tradição de médicos que se santificaram no exercício de sua profissão como São Lucas Evangelista, São Cosme e São Damião, Santa Giana Bereta Molla entre muitos outros; fundadores de ordens dedicadas ao cuidado dos doentes como São João de Deus, que fundou hospitais psiquiátricos, São Camilo de Lélis, fundador dos padres e irmãos Camilianos e, atualmente, muitos fundadores de casas para a recuperação de viciados em drogas.  Tal era, em São Camilo, a consciência de que o Cristo estava no doente e que deveria assisti-lo aí, que chegou a dizer que se chegasse, porventura, o dia em que não tivermos mais nenhum doente para nele servirmos o Cristo, teríamos de ir ao cemitério e ressuscitar algum dos mortos para isso.
 Verdadeiramente, como vemos no Evangelho de hoje, a enfermidade pode ser um momento muito privilegiado para o encontro com Cristo que quer nos curar no corpo e na alma, sarando em nós, o pecado e suas consequências.
O salmo de hoje é claro: “O Senhor Deus é o amparo dos humildes, mas dobra até o chão os que são ímpios” (Salmo 146). Ora, em que momento nos tornamos mais conscientes de nossa pequenez do que na enfermidade?  Por isso a Igreja sempre esteve presente nos hospitais, asilos para idosos, tantas casas de recuperação de drogados, e mesmo, fundando muitos deles com pessoas vocacionadas para isso. É uma grande obrigação dos sacerdotes, a visita e a ministração dos sacramentos aos doentes. Para isso existem, também os ministros extraordinários da comunhão Eucarística, a pastoral da saúde...
Tendo em vista tudo isso, vemos como a Igreja sempre teve apresso pela profissão médica, vendo nela um dos cumprimentos do mandato do Salvador: “Estive doente e fostes me visitar”.
Não obstante isso, não podemos deixar, com muito pesar, de nos referir também, aqui, a certos abusos no exercício da medicina que vemos nos dias de hoje. A enfermidade , que colabora para o crescimento da humildade do ser humanos e a reaproximação de Deus, pode, infelizmente, contribuir também para o endurecimento do coração e a revolta contra o Criador e os seus desígnios. Como?  
Quando a medicina é usada não para preservar e restaurar a saúde, mas para manipular a vida. Lembramos as eutanásias, lembramos o congelamento de embriões humanos e o descarte dos mesmos nas fecundações em vitro; lembramos os métodos anticoncepcionais artificiais que geram abortos; lembramos as esterilizações em massa que se praticam nos dias de hoje. Estas últimas levam muitas pessoas, não a equilibrar as suas paixões e a canalizá-las ao reto uso da sexualidade, mas para tornar o uso do sexo algo “barato”, que acaba por levar à desordem moral, e, consequente, ao enfraquecimento das instituição familiar.
Estamos perto do carnaval. Quantas pessoas, nesses dias, por causa do avanço da medicina, vão tratar os seus corpos com depravação, achando que não pegarão nenhuma doença, ou que não engravidarão. Mesmo que isso não aconteça, o que de fato acontece, pois esses métodos são falhos, como ficarão as suas almas? Certamente mais entregues àquele antigo inimigo do qual Jesus veio nos libertar: o demônio.
Que Nosso Senhor nos conceda santos médicos, santos sacerdotes, santos agentes de pastoral da saúde, bons vizinhos dos enfermos, para que estes recuperem a saúde não só do corpo, que um dia perecerá, mas também da alma, pela qual Jesus se ofereceu na Cruz.
Dentro de instantes, o mesmo Jesus que curou os doentes estará conosco na Eucaristia, para tocar também misericordiosamente o nosso corpo, pois também ele está destinado à felicidade eterna juntamente com a nossa alma. Que Nosso Senhor aumente a nossa fé e que possamos receber a Eucaristia sempre com maior fruto.

Para partilhar: O que posso fazer a mais por Jesus presente em cada enfermo?

Pe. Marcelo

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Festa de São Vicente Pallotti

São Vicente Pallotti foi celebrado na comunidade palotina de Odivelas com a presença da UAC - Odivelas e da Juventude Palotina - Odivelas além dos demais leigos paroquianos e congregações religiosas femininas presentes na Assembleia!





As intenções foram pela: - Comunidade geral palotina; - Comunidade de Portugal (in Lisboa e Febres); - as intenções pelos padres palotinos falecidos ( Pe. Luis Homa e Pe. João Janik) e aos demais falecidos da Região: Mariano Skorczynski, Eugenio Feldo; José Maslanka, Joao Antônio Baraniecki, e as demais intenções.



« ...A espiritualidade do dia levou nós a meditar o modo de servir a Deus conforme os dons de cada um na comunidade e assim foi exemplificado através do modo de expressar o carisma palotino na vida de cada batizado! »

domingo, 28 de janeiro de 2018

A PALAVRA QUE CONSOLA E ILUMINA AS TREVAS

Tanto a segunda leitura, como o Evangelho deste domingo são sequenciados com relação ao domingo passado; este, do Evangelho de São Marcos e aquela, da primeira Carta aos Coríntios. Assim, vale a pena recordar a última frase do Apóstolo Paulo da segunda leitura do domingo passado. São Paulo dizia: “A figura deste mundo passa.”
Esta mesma ideia perpassa a leitura deste dia. Quem quiser ter a clareza do que está no coração de Deus sobre o chamado a constituir uma família ou ser um celibatário por amor ao Senhor e ao seu Reino, deve ler e meditar o capítulo sete da Primeira Carta aos Coríntios.
Seja o matrimônio, seja a vida consagrada celibatária, para São Paulo, derivam de um mesmo chamado: a vocação celeste. Quem abraça o matrimônio deveria fazê-lo não porque lhe é mais cômodo, mas em vista de um carisma. São Paulo vai dizer claramente que preferiria que todos fossem como ele(celibatário), mas que cada um tem o seu “dom” ou “carisma” (Cf. 1 Cor 7, 7).
Quem quer, porém, ouvir a voz de Deus em sua vocação??? Moisés, na primeira leitura, diz claramente que o povo não queria ouvir a voz do Senhor a lhe falar diretamente, de forma que Deus promete um Profeta que falará de forma humana ao povo. Este profeta é o próprio Cristo.
O Cristo é a própria Palavra de Deus que, ouvida em Cafarnaum, que significa “local do consolo”, expulsa o espírito maligno.
Esse espírito maligno estava em um lugar meio estranho... num lugar onde não era de se esperar que ele estivesse: a sinagoga. Deveria ser um local de tranquilidade, de escuta da Palavra e da vontade de Deus. No entanto, baseado em outros textos, podemos dizer que um espírito mundano pairava no senso religioso do povo de Israel e até mesmo nos próprios Apóstolos antes de Pentecostes. Quando Jesus multiplicou os pães, o povo o queria fazer rei. Quando começou a falar do Pão Novo que dava a vida eterna, Nosso Senhor perdeu discípulos.
Mesmo depois que Nosso Senhor Morreu na Cruz e ressuscitou, os próprios Apóstolos perguntaram ao Senhor: “É agora que ides restaurar o Reino de Israel?”  Pão material, reino humano...
Não é o que constatamos hoje, infelizmente, em muitos cristãos? Buscam a bênção de Deus e não o Deus da bênção... Paga-se o dízimo porque deseja-se uma retribuição material imediata.  Faz-se novena para conseguir um namorado. Conseguido o namorado, não tenho mais tempo para o Senhor e para a Eucaristia. Faz-se novena para passar na faculdade. Entrando na faculdade, em vez de inflamar com o fogo da fé e do amor de Deus o ambiente universitário, se deixa a fé. Faz-se um ECC (Encontro de casais com Cristo) para restaurar a harmonia conjugal abalada. Conseguido isso, não se vai à Santa Missa nem se faz apostolado...
Uma religião intramundana e utilitarista...
Não é essa que São Paulo nos propõe. O Cristo, no “local da consolação” que é o que significa o nome “Cafarnaum”, quer ter um encontro pessoal conosco, pois foi também lá, que ele fez o seu discurso do Pão da vida. Foi lá, na cidade de Pedro, na mesma sinagoga em que ele expulsou esse demônio, que ele disse: “Eu sou o Pão vivo descido do Céu, quem comer deste pão viverá eternamente”. Que o Pão Vivo que é Cristo, que receberemos em instantes, nos leve  a não ter medo de escutar a voz de Deus a nosso respeito, como o Povo de Israel, e seja qual for o serviço ou o local em que a Divina Providência nos colocar, estejamos lá para buscar o “único necessário”: o Reino que não é daqui, mas que, a partir do coração reconciliado e inabitado pela Trindade, já começa aqui na prática do amor ao próximo.
Para partilhar: Nós buscamos a “bênção” de Deus ou o Deus da bênção. Qual a diferença?
Pe. Marcelo

sábado, 20 de janeiro de 2018

Dia de São Vicente Pallotti

22 de janeiro, no dia que comemoramos nosso Santo fundador, rezemos como ele fez, pedindo a Deus para que sejamos cada vez mais solícitos a vontade Dele, e sejamos fiéis a Ele.

Meu Jesus, pela perfeição de vossa vida santíssima:
Destruí toda a maldade de minha vida e a vossa vida santíssima seja a minha.
Destrua-se toda a minha vida.
A vida de Jesus Cristo seja a minha.
A Vida de Jesus Cristo seja a minha meditação,
seja minha alegria e, em mim, seja testemunho da Igreja.
A oração de Jesus Cristo seja a minha oração.
O amor de Cristo para com Maria,
seja o meu amor para com ela. Amém.


São Vicente Pallotti, Rogai por nós!

domingo, 14 de janeiro de 2018

Encerramento do Oitavário da Epifania e Inicio da Novena de São Sebastião

No dia 11 de Janeiro teve início a novena de São Sebastião em Itaipu. A cada dia da Novena, os fiéis se reúnem para fazer as orações e rezar o terço diante da imagem de São Sebastião que fica na praça próximo a praia de Itaipu, e seguem em procissão para a Igreja para iniciar a santa missa.



Cada dia um padre convidado preside a missa, e faz uma benção especial. Também todos se reúnem ao final da missa para uma confraternização com lanche.



Neste mesmo clima de festa no último dia 13 de Janeiro, terceiro dia da novena, aconteceu o encerramento do Oitavário da Epifania. E teve como presidente da celebração o novo bispo auxiliar da arquidiocese de Niterói, Dom Luiz Antônio Lopes Ricci. Ao final da celebração, teve uma benção para as famílias, e todos fizeram a fila para beijar o Menino Jesus, como fazia no tempo de São Vicente Pallotti.



Janeiro é um mês festivo para nossa comunidade de São Sebastião em Itaipu, e ainda iremos continuar com a novena, e convidamos todos os leitores que estão em Niterói, para participarem da festa de São Sebastião no próximo Sábado dia 20, tendo início as 06:30 com a alvorada festiva. 



Seguindo o dia, pela primeira vez acontecerá a 1º Corrida e Caminhada de São Sebastião, seguido da santa missa para os doentes. A tarde haverá o terço da misericórdia com adoração ao Santíssimo Sacramento, e a noite a santa missa solene.

São Vicente Pallotti – Rogai Por nós
São Sebastião – Rogai por nós – Amém.


Camille Santos

sábado, 13 de janeiro de 2018

Ser de Deus pelo santo Batismo

Na última segunda-feira, celebramos, com alegria, a Festa do Baptismo do Senhor. No ano do laicato que estamos vivendo, quão importante é renovarmos  a graça deste Sacramento. Quando foi batizado, Nosso Senhor consagrou as águas para que possam servir ao Baptismo de todos os fiéis. Por causa desta graça, São Paulo nos diz na segunda leitura: “Não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, porque o recebestes de Deus, e que vós já não vos pertenceis?” (1 Cor 6,19) Nós pertencemos a Jesus pelo Baptismo. Como diz São Paulo: “Fostes comprados por um alto preço! Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo.” (1Cor 6,20)
Nós não somos só animais. Nem mesmo, apenas, animais racionais. Fomos elevados por Cristo. Poderíamos fazer uma escadinha dos seres existentes em dignidade: O mais baixo seriam os demônios, depois dos réprobos, que ofendem a Deus sempre... depois os minerais, os vegetais, os animais irracionais, os seres humanos não batizados, os seres humanos batizados, as almas do purgatório, os santos no Céu, os anjos bons, por fim, como o ser mais elevado e excelso, abaixo Santíssima Trindade , a  Santíssima Virgem Maria.  São Paulo, na segunda leitura, exorta os Coríntios, que já tinham subido elevados por Cristo no Santo Batismo, a viverem não como os pagãos não batizados, mas de acordo com a dignidade de filhos de Deus. Ele chama de fornicação, à união de dois batizados sem o sacramento do Matrimônio.
 Para alguns, esta distinção não parece tão clara. Nesses dias, depois de fazer, cinco santificações matrimoniais de casais que viviam juntos, no dia seguinte fui batizar uma menina de uns dois anos de idade. Que dificuldade! A Jarra com a água benta parecia que aterrorizava aquela menina que gritava e se contorcia para todos os lados.. Depois do Batismo, que anjinho!!! Super tranquila...
 Muitos casais parece que padecem de algo semelhante . Parece que a aliança conjugal é um terror e preferem ficar amigados. Ainda não perceberam que a família é, antes de tudo, um vínculo espiritual, e só depois um vínculo carnal.  É um vínculo espiritual, não só pela presença da Graça do Espírito Santo, mas também pela virtude que se conquista pelo dom sincero de si mesmo aos outros. Não sei se já fostes em algum funeral onde há uma pessoa desesperada que grita: “E agora, o que será de mim sem você... “ Dá vontade de rir para não chorar. Aquela pessoa não está minimamente preocupada com a alma da pessoa que acabou de partir, se ela está no purgatório, se precisa de oração, ... pensa só em si e no que aquela pessoa poderia fazer por ela...  Não deu o passo do dom sincero de si mesmo que é necessário em toda vocação. Não cresceu no dom de si. Permaneceu egoísta.
Como superar este impasse e esta indecisão diante da própria vocação? A solução e´ assumi-la como ela é de verdade: um chamado de Deus. Se a vocação matrimonial é um chamado a “morar junto”, daí a palavra “casamento”, na mesma casa, também a vocação consagrada é um chamado a morar, já agora, com o Senhor. Foi assim com Samuel, na primeira leitura, foi assim com Pedro e André no Evangelho: “Mestre, onde moras? Vinde e vede”.
Se todos as nossas vocações começassem na oração, seria muito mais fácil a decisão. Me lembro o testemunho de minha mãe que, embora respeitando e estimando a vocação consagrada, sentia que não era a dela. Assim, rezava sempre três vezes a Ave-Maria, antes de dormir, pedindo duas graças por intercessão de Nossa Senhora: a que fossem afastado dela os rapazes que só queriam se aproveitar, e que o Senhor reservasse uma pessoa boa para que ela se casasse. Aconteceu que meu pai ficou amigo de um de meus tios, pois estudava contabilidade com ele e calhou de o convidar para passar as férias no Espírito Santo. Minha mãe, que também trabalhava no Rio, naquela época, também tirou férias no mesmo mês. Assim, ela achou o marido dela na casa de sua mãe... Não precisou ir a “forró” nenhum para isso...
Já que aquela união foi santificada por um sacramento, o quarto de um casal unido em Matrimônio passa a ser um “santuário da Vida” como se expressou o Papa João Paulo II referindo-se à sacralidade da Família.
Foi, curiosamente, também no leito conjugal de meus pais (pois, na época, era o único cômodo fora o banheiro que tinha porta lá em casa)   que também o Senhor quis comunicar-me, de forma mais clara,  o meu chamado vocacional. Recordo-me da circunstância: Estava na época cursando a escola secundária da Aeronáutica ( EPCAR), e já me tinha questionado algumas vezes sobre a vocação sacerdotal, mesmo já tendo namorado. Certo dia, quando no quarto de meus pais, procurava um local mais tranquilo e isolado para orar com a porta fechada, escutei no meu interior claramente a seguinte passagem da Bíblia: Isaias 54. Quando abri a Bíblia, até pelo local onde estava, a cama de casal de meus pais, o convite não poderia ser mais claro e sedutor. Trazendo  para o masculino seria: “os filhos do não casado serão mais numerosos do que a do casado”. (Cf Is 54,1) Ou seja, na cama de casal de meus pais o Senhor me fazia um convite para uma fecundidade maior: a fecundidade de gerar, com a Sua Graça e a ordenação sacerdotal, filhos para o Céu, para a vida eterna, que deveriam ser mais numerosos que os filhos da carne. Meus pais não ficaram sem netos. Tiveram netos físicos pelos meus irmãos, mas tiveram, e se Deus quiser ainda terão muitíssimos, netos espirituais pelo meu ministério. Tenho a certeza que meu pai que o Senhor chamou a si há seis anos atrás, se alegra muito, no Céu, com o meu chamado ao sacerdócio; ou pelo menos tem misericórdia de mim e me ajuda com sua intercessão.
Seja qual for o nosso chamado: à vida matrimonial, celibatária, consagrada ou não, ao Sacerdócio, o que importa, mesmo, é ser do Senhor; é viver a vocação como um chamado ao Amor.  O importante, seja qual for a nossa vocação é ser de Deus, radicalmente de Deus.
 Cada um, especialmente os jovens, devem, buscando a sua vocação, dizer como no Salmo de hoje: “Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade” (Salmo 39)
 Para São Vicente Pallotti, a graça da vocação de cada um era algo importantíssimo e deveria ser valorizado e cultivado. Como Maria Santíssima foi a pessoa humana que melhor correspondeu ao chamado do Senhor, São Vicente Pallotti escreveu em nome de Nossa Senhora no seu livro para o Mês de Maio: “Tendes duvida da vossa vocação…? Não vos perturbeis, ó meus filhos! Chegou o momento em que não tereis mais coragem de resistir à voz de Deus, Pai das misericórdias. Dai-me o coração rebelde, desprendei-o de todo o laço terreno que vos levou até o presente, a resistir à graça e vos impediu de vos entregardes totalmente a Deus… Oferecei ao Eterno Pai o Sangue Divino do Seu Filho… Recorrei a mim e eu, como Mãe de Misericórdia, tratarei da vossa causa e sereis consolados.” (OO CC XIII, 467-468)

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Em que ocasião da vida experimentaste de forma mais forte o que o Apóstolo Paulo escreveu: “Não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, porque o recebestes de Deus, e que vós já não vos pertenceis?”  Algum movimento da Igreja ajudou-o nesta descoberta?

Pe. Marcelo Nespoli SAC