quinta-feira, 24 de julho de 2014

Apóstolos Hoje - Julho 2014


A Nova Evangelização e a Paróquia

Para a maioria de nós na família Palotina, começamos aprofundar nossa fé e a conhecer a pessoa de São Vicente Pallotti na comunidade paroquial. Foi na paróquia que fomos introduzidos pela primeira vez para a beleza e a maravilha dos sacramentos, sobretudo na celebração da Eucaristia. Quem de nós não tem boas lembranças de ter cantado na Igreja quando criança, ou, para aqueles que entraram na Igreja só como adultos, no ritual da missa em nossas paróquias de origem? É na paróquia que aprendemos de uma forma mais formal sobre a pessoa de Jesus e os princípios de nossa fé, seja participando de um programa de catequese, escola católica ou o R.C.C. É através da Paróquia que nos preparamos e celebramos os sacramentos. Tradicionalmente, ainda hoje é assim, em muitos lugares, a paróquia é também o lugar onde focamos não só a nossa vida espiritual, mas também a nossa vida social, além da missa dominical ou cotidiana. E para nós, na União, é provável que o nosso envolvimento iniciou na paróquia.
À medida que continuamos a aprofundar o que significa a Nova Evangelização para nós, como membros da comunidade Palotina devemos explorar o que significa ser Igreja e como todos os três estão interligados.

O Papa Francisco nos lembra que, “a paróquia não é uma estrutura ultrapassada; precisamente porque ela tem uma grande plasticidade, pode assumir formas muito diversas que exigem docilidade e criatividade missionária do pastor e da comunidade. Embora, certamente não seja a única instituição evangelizadora, se for capaz de adaptar-se e reformar-se constantemente, vai continuar a ser, a Igreja,  que vive no meio das casas dos seus filhos e filhas”. Isto supõe que realmente permaneça em contato com as famílias, com a vida das pessoas e não se torne uma estrutura prolixa separada das pessoas ou um grupo de eleitos que olham para si mesmos. A paróquia é presença eclesial no território, local da escuta da Palavra, do crescimento da vida cristã, do diálogo, do anúncio da caridade generosa, da adoração e da celebração. Através de todas as suas atividades, a paróquia encoraja e forma seus membros para que sejam agentes de evangelização. É uma comunidade de comunidades, um santuário onde os sedentos vão beber para continuar caminhando, e centro de constante envio de missionários. Porém devemos reconhecer que o apelo à revisão e renovação das paróquias ainda não deu frutos suficientes, para que estejam mais perto das pessoas, e sejam espaços de comunhão viva e de participação, e sejam orientadas inteiramente para a missão”( Evangelii Gaudium 28 ).

Muitas vezes, a paróquia é vista como antiquada, indigesta, e não um lugar de inovação e de alegria, mas de regras, “sempre foi assim”. É fácil para os paroquianos, muitas vezes sem perceber, criarem uma própria “elite”, com formas próprias e específicas de fazer as coisas e com seu próprio vocabulário, o que para o recém-chegado pode tornar-se um verdadeiro impedimento a participação. Por outro lado, no seu melhor, as paróquias são verdadeiramente na vida de seu povo - suas alegrias e celebrações, bem como suas dores e lutas. Estas paróquias são lugares onde se permite a criatividade de florescer; onde “porque sempre fizemos assim” não se aplica e onde os “estrangeiros” são recebidos com portas e corações abertos.
Estas paróquias vibrantes são lugares naturais de evangelização, mesmo sem esforço. Vivem a citação atribuída a São Francisco de Assis “Pregai o Evangelho, e se é realmente necessário utilizem as palavras” ou, como nos disse São Vicente Pallotti, “levar uma vida que seja o Evangelho na prática” (XIII OOCC, 455). Os membros destas paróquias são entusiasmados com sua fé e com sua comunidade e, claro, o entusiasmo é contagiante. Os visitantes querem saber por que os membros da paróquia são tão felizes por estarem ali - e como eles também podem fazer parte dela! Os paroquianos são gentis e amorosos com o recém-chegado, procurando maneiras de conectá-los na missão da Igreja, de acordo com os dons e habilidades de cada pessoa.
Por definição, uma paróquia é relacional. Assim como existem muitas partes do Corpo universal de Cristo, assim deste modo está se tornando, a nível paroquial local. Enquanto no passado, podia-se contar com a paróquia para encarnar a cultura do povo do bairro, trazendo com eles suas línguas e tradições, bem como suas condições sócio-econômicas semelhantes, agora encontramos paróquias trazendo culturas diferentes e às vezes até línguas num único lugar, seja no senso figurativo ou literalmente. Com isso, chegam diversas maneiras de viver a própria espiritualidade. A única semelhança é a fé. Isso por si só pode ser um desafio - ou uma oportunidade - de acordo com sua própria perspectiva.
São Vicente Pallotti nos lembra que “a tarefa mais difícil na vida comunitária é manter a caridade” (OOCC III, 236). Ao compartilhar um local de culto com um “estranho” pode ser desconfortável para alguns, somos chamados a permanecer no mandamento de Jesus de amar o nosso próximo (e há uma melhor definição do próximo que um colega paroquiano)? A nossa evangelização mais eficaz é o amor que dedicamos aos outros, especialmente quando o “outro” parece muito diferente do que estamos acostumados. Esta caridade nos força a sair da nossa zona de conforto, nos leva a conhecer o nosso próximo e realmente compartilhar sua vida. Mas, se não podemos fazer a nível paroquial, como é que vamos fazer no “mundo exteno”.

A nova evangelização nos chama, como povo de Deus, a encontrar novas maneiras de compartilhar a mesma mensagem evangélica que nos foi ensinada - o amor infinito de Deus. Alguns de nós pode lamentar-se sobre o fato de que a sociedade virou as costas para Deus, que não há um interesse em vir à Igreja. Mas pode ser que, quando as pessoas das quais nos preocupamos tanto vieram, mas, passamos longe, às vezes literalmente? Falta-nos misericórdia no julgamento dos outros quando não entendem como fazemos as coisas ou quando desaprovamos escolhas que fizeram em suas vidas? Estamos encontrando as pessoas onde estão agora, e convidando-as a entrar (novamente) para encontrar a pessoa de Cristo através de nós? Mais uma vez, São Vicente Pallotti nos aconselha: “Uma vez que os atos de cortesia e etiqueta, feitos com motivação cristã, podem ser considerados e são como atos de caridade, então podemos suportar todos os defeitos dos outros com paciência, seguindo as regras da etiqueta cristã” (OOCC III, 236).

Os “novos caminhos” da nova evangelização pode significar, mais uma vez, sair da nossa zona de conforto, mesmo no que diz respeito à tecnologia em nossas paróquias. A tecnologia não deve ser vista como um “extra”, ou, menos ainda, como uma distração. Através da tecnologia, as paróquias têm o poder de atrair as pessoas que, antes, talvez julgávamos terem sido perdidas, por meio de, mais uma vez, encontrá-las onde estão. Isto poderia significar que temos que aprender uma nova língua ou uma nova maneira de fazer as coisas, mas os benefícios desta forma de evangelizar é que todas as pessoas de fé podem fazê-lo; muitas vezes com as ferramentas que já temos em nossos bolsos!

O Papa Francisco continua a discussão sobre a Nova Evangelização e a paróquia identificando organizações, como a União: “As outras instituições eclesiais, comunidades de base e pequenas comunidades, movimentos e outras formas de associação, são uma riqueza da Igreja que o Espírito inspira para evangelizar todos os ambientes e setores. Muitas vezes, trazem um novo fervor evangelizador e uma capacidade de diálogo com o mundo que renova a Igreja. Mas é muito saudável que não percam o contato com esta realidade tão rica da paróquia local, e que se integram com prazer na pastoral orgânica da Igreja particular. Esta integração evitará que eles permaneçam apenas com uma parte do Evangelho e da Igreja, ou que se tornem nômades sem raízes” (EG 29). (Grifo do autor de reflexão.)
Como membros da União, estamos em uma posição única para viver o nosso chamado e do nosso Fundador e fazê-lo na vida da paróquia. São Vicente Pallotti nos lembra que a União “foi fundada e instituída na caridade, para promover em todos os fiéis ... o mais perfeito, e atuante exercício das obras de caridade” (OOCC II, 2-3). Quando fazemos isso no contexto paroquial, quando realmente praticamos o amor em todas as suas formas, estamos sendo fiéis ao que somos como pessoas de fé.

Questões para reflexão pessoal e/ou comunitária:
         Qual o papel que você desenvolve na sua paróquia local? Como pode compartilhar seus dons de forma mais eficaz na sua paróquia?
         Que papel você acha que São Vicente Pallotti daria a União em âmbito paroquial? Quanto é ativa a União local na própria vida paroquial? Como pode-se fazer uso da tecnologia para  evangelizar?
         Como o  carisma da União pode ser compartilhado com a paróquia? Como deveria a União promover este carisma em nossas paróquias?

Oração:
Deus de Amor Infinito, que nos preencheste de dons, em muitos modos, te pedimos que continues nos orientanado com teu Espírito para espalhar tua palavra e ser teus servos em nossas famílias, em nossas comunidades, em nossas paróquias e no mundo. Ajuda-nos a ser tua voz de amor e misericórdia, a ser acolhedor para com todos, especialmente para o estrangeiro entre nós, e nos ajude a levar a luz do teu Filho, Jesus Cristo, a todos os homens. Nós te pedimos por intercessão de teu servo São Vicente Pallotti. Amen.
                                                      Maureen e John Rohamel,
Milwaukee, USA

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Exumação do corpo de Pallotti


Relato sobre a abertura do túmulo e urna do venerável servo de Deus Vicente Pallotti- Roma, 2-12-1949. Pe. Walkenbach.

Durante a manhã foi preparado um lugar contíguo ao quarto e à sala de trabalho de Vicente Pallotti (cujas janelas dão para o Tibre, hoje habitação do Pe. Geral) para a colocação do féretro e para os devidos exames. No meio, uma mesa, de cujas bordas pendiam panos vermelhos, toda recoberta de branco. Na Igreja (San Salvatore in Onda), os bancos se alinhavam no sentido do túmulo. A primeira fila, toda revestida de vermelho. Diante do túmulo estendia-se um tapete. O muro que selava a pedra sepulcral fora já removido.
Após o meio dia a Igreja ficou repleta. Da Família Palotina viam-se presentes: o Generalado das Palotinas Romanas com Irmãs, noviças e postulantes, acompanhadas das órfãs de Santa Águeda; os alunos do nosso Colégio Romano; os sacerdotes, clérigos e irmãos das províncias italiana e irlandesa; do Generalado e do Colégio Internacional, do Latrão e das Casas de fora de Roma, Castel Gandolfo, Rocca Priora e Óstia. Entre os amigos e admiradores de Pallotti e de sua Obra, notavam-se, entre outros, o Exmo. Sr. Bispo, D. Gawlina, Mons. Wynen, o Geral e o Procurador Geral da Congregação do Preciosíssimo Sangue, bem como outras altas personalidades eclesiásticas e civis e os seminaristas do Seminário Romano.
Pouco depois das 16hs, chegaram os plenipotenciários da S.R.C. : Mons. Salvatore Natucci, Promotor Fidei (Promotor da fé, "Advogado do diabo"), seu suplente, Mons. Sílvio Romani, Mons. Horácio Cocchetti, Chanceler da S.R.C., e o médico da mesma, o prof. Lourenço Sympa.
O ingresso à Igreja fez-se festivamente. À testa do séquito vinha um grupo, formado de representantes de quase todas as Províncias e Regiões, revestidos todos de sobrepeliz. Seguia-os o Generalado. Fechavam o cortejo as autoridades eclesiásticas e o Postulador Geral do Processo de Beatificação, Pe. Ranocchini. Após curta oração diante do Santíssimo, teve início tão extraordinário ato.
Leu, primeiramente, o Chanceler da S.R.C. o decreto de abertura do túmulo. Iniciaram, então, os pedreiros o trabalho de remoção do monumento. Pedaço por pedaço iam desfazendo o monumento que velava o túmulo: o capitel, a tampa, as lousas frontais e laterais, até que surgiu nítida a urna do venerável.

Tinha ela a forma costumeira. Um simples caixão, recoberto de zinco, alargando-se um tanto na cabeceira. Era o mesmo ataúde, no qual, aproximadamente, há 100 anos atrás, fora colocado o corpo de Vicente Pallotti.
Em 1906 foram restaurados apenas o fundo e (a traseira) os pés. A urna achava-se aproximadamente 11 cm. acima do piso da Igreja, descansado sobre barras de mármore. O interior do túmulo mede - arredondando -180 cm. de comprimento, 70 cm. de largura, dos quais quase 30 cm. se embutiam na parede da Igreja, e 50 cm. de altura. Na parede vê-se ainda a pintura antiga da tumulação de 1906, ocultada pelo monumento.
Aproximam-se, então, os representantes da Congregação e examina a massa e os sinetes de chumbo da urna, confrontando-os com o relato da abertura de 1906, e confirmam que realmente é a urna com os restos mortais do venerável Vicente Pallotti, tais quais, há já 40 anos, foram reconhecidos e novamente tumulados.
Por ordem do Postulador Geral apenas aos clérigos (revestidos de sobrepeliz) foi permitido acompanhar a transladação da urna para a sala superior, preparada para as investigações prescritas. Todos os demais deviam aguardar, pacientemente, na Igreja, a abertura da urna.

Organiza-se o préstito. Encabeçam-no dois clérigos e dois irmãos. Vinham em seguida os sacerdotes de todas as Províncias, o Ad. Revmo. Geral Pe. Turowski, o Revmo. Pe. Vice-Geral, Pe. Hoffmann, os Revmos. ex Gerais Pe. Cardi e Pe. Resh, o Revmo. ex-postulador, Pe. Hettenkofer. Todos traziam na mão uma vela. Carregavam o féretro os Revmos. Consultores Gerais, Pe. Fechtig, Pe. Felici, Pe. Ryan, o Procurador Geral, Pe. Weber, o Secretário Geral, Pe. Michellotti, e, como representante das missões, o Pe. Hunoldo. Atrás do esquife vinham os monsenhores da S.R.C., o Postulador Geral, Pe. Ranocchini, e o Prof. Sympa. Fechando o cortejo, vinham os operários para a abertura da urna.
Chegados que foram à sala superior, o funileiro rompeu o zinco da urna. Procedeu-se, então, novamente o reconhecimento dos sigilos do ataúde de madeira. Isto feito, o carpinteiro removeu a tampa. O corpo do venerável estava todo recoberto de um pano de linho, em que fora envolvido após a última exumação. Descobriram o rosto e a cabeça. Oh! feliz e grata surpresa, para todos. Intacto e incorrupto conservou-se-nos o corpo de Pallotti.

Leu o Chanceler da S.R.C. o decreto de exumação, segundo o qual, todos os que retirassem alguma coisa do corpo do venerável ou acrescentassem algo ao mesmo, incorreriam em excomunhão especialíssimo modo reservada ao Santo Padre.
Após a leitura do decreto foi permitido aproximar-se do féretro. Desfilaram todos diante do mesmo, saudando a veneranda cabeça de nosso Pai e Fundador e rendendo a Deus graças pela sua próxima exaltação.
O desfile obedeceu a seguinte ordem: as irmãs, cuja família ele mesmo fundara, as órfãs, das quais se fizera o provedor material, seus filhos espirituais, que difundem sua obra, clérigos e leigos, dos quais ele se tornou, no apostolado, o Guia e o Vanguardeiro. Todos se moviam profundamente comovidos, silenciosos, recolhidos, reverentes, em cujo semblante se estampava um coração mergulhado em doce surpresa e inundado de vivo agradecimento.
Ecoou, então, o severo "exeant omnes". Todos, exceto o muito digno Generalado, retiraram-se. O corpo do Venerável foi, então, retirado da urna também interiormente revestida de zinco e colocado sobre um colchão. Do colchão foi pôsto sobre a mesa, anteriormente preparada. Retirou-se o pano que envolvia todo o corpo, deixando-o assim todo descoberto. Retiraram a estola e o crucifixo. Acompanhava eu o desenrolar do ato através da fresta da porta entreaberta, que fui alargando até me permitir introduzir a cabeça. Por força estranha e irresistível me achei enfim dentro. Preparei assim a venturosa oportunidade para ver de perto o corpo de Pallotti, estudando-o atentamente. O estado do corpo, quase 100 anos após sua morte, pode ser resumido ao seguinte:
A cabeça um tanto inclinada para a direita. Sua estrutura é dolicocéfala (alongada), com a parte posterior bem desenvolvida, não contudo excessivamente. A testa não apresenta salientes protuberâncias, mas larga e lisa, ergue-se abobadada. Apenas a parte anterior da cabeça é calva, tendo as faces parietais recobertas de cabelo de cor loira-clara esbatida. O rosto é estreito e de forma oval aguda. O queixo, afilado. Os ossos molares são notavelmente visíveis e as faces sumidas. A raiz do nariz não é encovada. A ponta, porém, apresenta-se achatada (desde 1906). O olho esquerdo acha-se um tanto encovado, enquanto que o direito apresenta-se normal. As meninas dos olhos são perceptíveis. A boca levemente aberta, os lábios algo ressecados, ocasionando assim a vistas dos dentes (incisivos). Toda a dentadura se conserva. Os dentes são alvos brilhantes. As orelhas de tamanho normal, delgadas e um tanto coladas a cabeça.

O corpo é de estatura pequena, franzina, porém, nobre (esbelta). O peito e o ventre, devido o ressecamento, estão recolhidos. Os ombros, por causa da posição na urna, acham-se um tanto encolhidos. O braço esquerdo descansa sobre o corpo, ao passo que o direito se estende ao longo do corpo (desde 1906 enfaixado, quebrado (?). As mãos são pequenas, tenras e delicadas. O pé esquerdo um tanto torcido para dentro. Apresenta estragos nos dedos (desde 1906). Também se acha quebrada a falangeta da mão direita (Talvez desde 1906). Todo o corpo está ressecado, apresentando um aspecto mumiforme. A pele conserva-se toda, em parte flexível. A cor vai do pardo escuro ao preto.

domingo, 13 de julho de 2014

Rezar com São Vicente Pallotti


Sou indigno de rezar a ti, Senhor.

Por mim nada posso, com Deus posso tudo.

D.: Deus meu, sou tão sem juízo! Tantas vezes eu disse: não vou pecar nunca mais. Depois, voltei a pecar. Farei esse ou aquele ato de virtude, esta ou aquela boa obra. E, depois, não fiz nada. Agora, porém, Deus meu, ponho-me em tuas mãos. Por mim, nada posso, contigo posso tudo. A ti infinita glória, honra, amor, reverência; a mim desprezo, desonra, sofrimentos.
T.: Faze-me tomar conhecimento, com toda clareza, de que eu, o mais miserável e o mais pecador de todas as outras criaturas, sou indigníssimo, ao máximo, de rezar a ti.

D.: Ah, meu Deus, imprime no meu espírito para sempre, um elevadíssimo conhecimento da minha miséria e impiedade, pelo qual possa reconhecer com sinceridade, como realmente sou indigníssimo de por meus olhos nas pessoas e de tratar com elas, de vez que, entre elas, haverá muitos grandes santos, inclusive desconhecidos e desprezíveis aos olhos dos seres humanos. Faze, ó Senhor, que tudo isso eu não o diga somente da boca para fora. Eu sou o homem do pecado (2Ts 2,3). Meu Deus, eu sei que eu sou o homem do pecado. Mas não me entendo, não me compreendo, não me confundo, não me arrependo e não me humilho. Não sei suplicar-te, não devo ser atendido; mereço todas as tuas infinitas e eternas maldições. De qualquer forma, não quero desesperar-me: aí está Jesus Cristo.

T.: Ah, meu Deus, lança em mim, agora e sempre, o olhar da tua misericórdia.

D.: Deus meu, destrói, para sempre, também o pecado venial e, na medida do possível, também a imperfeição mais leve, e promove em todas as criaturas a tua glória. E, com tal dor de Jesus, queremos chorar e detestar todos os nossos pecados e os de todos e fazer deles penitência.

T.: Queres-me uma conversão sempre mais perfeita e de tal modo te sentes feliz, quando eu chegue a converter-me de verdade. Eu sou indigno de ter o dom da perseverança. Vês, se eu faço uma promessa e, depois, faço tudo ao contrário, é porque sou o homem do pecado. E Tu mesmo, ó meu Deus, és a minha perseverança. Tu és o meu bem eterno. Tu, o meu tudo.

D.: Confio que, por maior que seja a minha miséria e ingratidão e maldade, tanto mais Tu triunfarás sobre mim, com o teu infinito poder, sabedoria, bondade, clemência, misericórdia e com todos os teus infinitos atributos, no tempo e na eternidade. E creio que Tu me tenhas escolhido como instrumento das obras da tua maior glória e da maior santificação. Segundo o teu beneplácito, porque Deus escolheu o que é loucura no mundo, para confundir os sábios; e o que o mundo julga fraco, Deus escolheu para confundir os fortes (1Cor 1,27-28).

T.: Sou infinitamente indigno, ó meu Jesus, de ter total participação em tua vida humilde, pobre. A vida de Cristo seja a minha vida, agora e para sempre. Por mim, não sou capaz nem de formar um desejo bom. Assim, até o mínimo bom pensamento é também dom teu (Rm 8,26). Assim, eu destruído, sê tudo Tu em mim.

D.: Contra ti, só contra ti pequei, fiz o que é mau aos teus olhos (Sl 50,6).

T.: Ah, Deus meu, destrói toda a minha vida passada, presente e futura. E dá-me a tua vida, a vida do teu Unigênito encarnado. Quão mais generosamente derramaste os teus dons sobre mim, tanto mais fui ingrato para contigo, tanto mais desconheci os dons que me deste e tanto mais desconheci os dons que me deste e tanto mais abusei deles! Oh, quantos vícios, hábitos pecaminosos e pecados veniais e mortais teriam sido destruídos ou impedidos! Ah, meu Deus, quem vai compreender os meus delitos?
D.: Creio que tu me ensinas o que devo fazer, consolas-me em minhas penas, advertes-me e repreendes-me das minhas faltas pela boca do meu padre espiritual, que encarregaste da minha conduta. Agradeço-te, ó meu Deus, pela bondade que tens tido em proporcionar-me um caminho tão útil, seguro e fácil para avançar nas virtudes. Peço-te as luzes necessárias, para conhecer a fundo o meu coração, como queres Tu, de acordo com a tua misericórdia. Esta, meu Deus, é a graça que te peço, juntamente com a de tirar proveito das diretivas que me serão dadas.

D.: Leitura bíblica (Fl 3,8-16). Deus nos faz sentir a miséria da nossa humanidade, para nos enriquecer mais abundantemente com suas misericórdias infinitas. Comentar o texto bíblico e os escritos de Pallotti.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Ir. Jan Zglobica SAC



Oremos por nosso coirmão falecido: Faleceu o Ir. Jan Zglobica SAC.
Durante sua longa vida na Sociedade do Apostolado Católico, estava trabalhando para Reino de Deus. Entre os seus trabalhos fez também experiência missionária no Brasil. Entre os anos de 1976 – 1979 estava presente em nossa Região Mãe da Misericórdia no Rio de Janeiro. Oremos a Jesus Misericordioso pedindo-O para dar o Céu ao Ir. Jan.

sábado, 5 de julho de 2014

Festa de Santa Isabel


Procissão e Missa solene em honra de Santa Isabel Rainha de Portugal em Bento Ribeiro















sexta-feira, 4 de julho de 2014

O massacre de San Patricio. Religiosos palotinos são trucidados


4 de julho é dia do martírio dos 5 Palotinos em Buenos Aires: 3 Irlandeses e 2 Argentinos. Apresentamos a entrevista com Pe. Mariano Pinasco sobre esse acontecimento
 
“Qualquer palavra que se dissesse contra os métodos utilizados pela cruel ditadura era praticamente uma condenação de morte”, afirma o padre palotino Mariano Pinasco
Por: Bruna Quadros
“Melhor que, diante do que estamos fazendo, fiquem quietos, calem.” Eram frases deste teor que ditadores argentinos lançavam sobre membros da comunidade palotina de San Patricio, no período de repressão que assolou o país, diante de crimes que vão desde tortura até a morte. Um dos motivos para esta perseguição talvez estivesse no comprometimento claro e profético dos palotinos, diante do momento que a Argentina vivia, conforme aponta o Prof. Dr. Pe. Mariano Pinasco, religioso palotino, em entrevista concedida por e-mail à revista IHU On-Line.
Em 4 de julho de 1976, cinco dos religiosos que integravam a congregação foram brutalmente assassinados. Para Pinasco, os assassinos do Massacre de San Patricio, na Argentina, queriam uma Igreja que ficasse quieta, que não denunciasse a tragédia que a sociedade estava vivendo. A memória destes grandes mártires do século XX continua viva, nos dias de hoje. “O sangue derramado por essa comunidade poderá ser o alicerce para a construção de uma nova sociedade com um jeito também diferente de ser igreja. Uma igreja que volte às suas origens, comprometida até a morte com o ser humano.”
Mariano Pinasco estudou Filosofia e Teologia no Colégio Máximo Palotino de Santa Maria (RS). Em 1990, foi ordenado sacerdote da comunidade palotina. É doutor em História Eclesiástica, pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Atualmente, é professor da cátedra de Historia no curso de Teologia na Faculdade Palotina de em Santa Maria (RS) e presidente da Comissão Histórica dos Palotinos, sediada em Roma, Itália. No dia 5 de setembro, ele estará na Unisinos para participar do evento Medellín a Aparecida: marcos, trajetórias e perspectivas da Igreja Latino-Americana, promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Durante a atividade, será exibido o documentário 4 de julho, dirigido por Juan Pablo Young e Pablo Zubizarreta, no Auditório Central da Unisinos.
IHU On-Line - Por que os palotinos foram assassinados no Massacre de San Patricio?
Mariano Pinasco - Existem várias teorias ou especulações sobre o crime cometido contra a comunidade palotina de San Patricio. Uma delas seria o fato de dar um golpe contra a Igreja Católica em geral, quer dizer, uma mensagem para a Igreja no começo da cruel ditadura militar sofrida na Argentina: “Melhor que, diante do que estamos fazendo, fiquem quietos, calem”. Outra linha de pesquisa nos pode conduzir ao próprio testemunho que a comunidade dos cinco religiosos dava nas tarefas evangelizadoras por eles realizadas, especialmente por alguns dos seus membros, mas certamente não foi um fato isolado dentro do contexto de morte e destruição que a sociedade Argentina vivia a partir da violência sistemática gerada desde um Estado repressor.
IHU On-Line - Que posturas políticas eles tinham para serem perseguidos pela ditadura Argentina?
Mariano Pinasco – Certamente, alguns dos membros dessa comunidade tinham um compromisso claro e profético diante da situação de regime militar que estava se vivendo na Argentina. Qualquer palavra que se dissesse contra os métodos utilizados pela cruel ditadura era praticamente uma condenação de morte. Desde o púlpito da paróquia de San Patricio, se denunciavam os fatos terríveis que estavam acontecendo na Argentina e isso foi feito na frente de uma congregação composta por fiéis que, em muitos dos casos, ocupavam lugares de privilégio na sociedade, num dos bairros mais ricos da cidade de Buenos Aires. Essas denúncias certamente originaram mais de um comentário nos círculos fechados que apoiavam a ditadura militar e isso ajudou para que a comunidade fosse “marcada” para morrer.
IHU On-Line - Quais eram suas atividades na Argentina?
Mariano Pinasco - A comunidade era composta de três sacerdotes que se ocupavam do trabalho pastoral tipicamente paroquial urbano e, além disso, o Pe. Alfredo Kelly, pároco de San Patricio, era o diretor de uma importante escola de catequistas em Buenos Aires. A comunidade palotina de San Patricio estava também composta pela comunidade de formação, ou seja, os seminaristas da congregação, que eram seis – dois deles assassinados. A paróquia era muito ativa, e os jovens ocupavam um lugar de destaque nas atividades paroquiais. Uma das legendas que os assassinos picharam nas paredes da casa paroquial na noite do crime, como um motivo justificativo do horrível fato, referia-se justamente a eles: “por perverter as mentes virgens de nossos jovens”. Isso também indicaria um dos motivos do crime.
IHU On-Line - Como, quando e por que vieram para esse país?
Mariano Pinasco - Os palotinos chegaram à América do Sul em 1885, seguindo as pegadas da imigração italiana da Quarta Colônia, no Rio Grande do Sul, e se estabeleceram no Uruguai, quando foram convidados a assistir, religiosamente, aos imigrantes irlandeses que se encontravam nas pampas argentinas, assumindo trabalhos paroquiais e na área da educação através da fundação de diversas escolas. Pouco a pouco, foram assumindo trabalhos, não só com os imigrantes irlandeses, mas começaram a se comprometer nas atividades com toda a sociedade Argentina.
IHU On-Line - Quais foram as circunstâncias em que ocorreu o Massacre de San Patricio?
Mariano Pinasco - O massacre de San Patricio se origina num contexto que não escapa do contexto que a América Latina viveu na década dos anos 1970. A partir de março de 1976, foi derrubado o governo democrático na Argentina - na época, o país era presidido por Isabel Perón  e passou a ser comandado por Jorge Rafael Videla  - e começou uma sangrenta ditadura encabeçada pelos militares. A partir daí, começa a execução de um plano sistemático de repressão e de extermínio de tudo aquilo que era participação popular na vida política, no mundo do trabalho e na ação de social. Instaurou-se o terrorismo de Estado que reprimiu, desapareceu e assassinou um bom numero de cidadãos, como parte de um plano muito bem pensado. Foi certamente um regime de terror que silenciou e edificou uma sociedade cheia de medos. Anos de terror se instalaram numa sociedade que durante quase oito anos viveu perseguida, silenciada e paralisada pelo medo.
IHU On-Line - Como a igreja argentina trabalha a memória do Massacre de San Patricio?
Mariano Pinasco - Na verdade, uma das teorias que indicam que o crime cometido contra a comunidade palotina foi um sinal de advertência para toda a igreja argentina parecia estar muito acertada, pois obteve muito efeito. Um mês depois do massacre da comunidade palotina, no dia 6 de agosto de 1976, foi assassinado o bispo Angelelli  de La Rioja, no norte argentino, e leigos, catequistas, irmãs e padres de diferentes regiões também foram desaparecidos ou mortos ao longo do regime. Isto fez com que também o medo se apoderasse de muitos dos referentes da igreja Argentina, paralisando-os, fazendo justamente aquilo que buscavam os assassinos, isto é, uma igreja que fique quieta, que não denuncie a tragédia vivida pela sociedade. Outro capítulo amargo desta história certamente foram os que desde o ministério pastoral apoiaram abertamente a metodologia e a ideologia do sistema ditatorial vigente. Neste sentido, ainda como comunidade católica estamos em dívida na Argentina, pois nunca se assumiu o fato de que muitos dos membros, da hierarquia e não só, foram cúmplices do regime terrorista através do silêncio e até houve alguns que apoiaram o regime ilegal publicamente. No caso particular da comunidade palotina assassinada, começou-se, há quatro anos, com o processo canônico para o reconhecimento martirial oficial por parte da Igreja, um processo que levará tempo mais que certamente será uma oportunidade para resgatar a memória, não só dos cinco membros da comunidade palotina, mas também de tantos eclesiásticos e leigos que derramaram o seu sangue com a esperança da construção de uma sociedade mais justa, mas solidária e mais fraterna. Esperamos que a memória de todos eles seja resgatada e colocada no lugar que merecem, pois, como dizem por aí, “um povo que esquece sua memória é um povo sem futuro”.
IHU On-Line - Qual é o principal legado humanitário e político desses religiosos mortos pela ditadura argentina?
Mariano Pinasco – O legado que nos deixaram os cinco religiosos de San Patricio foi o seu testemunho de vida diante de uma sociedade cheia de sinais de morte ao seu redor. O testemunho deles certamente será semente de vida, o seu sangue será o adubo para muitos que seguindo esse testemunho não se calarão diante das injustiças. O sangue derramado por essa comunidade poderá ser o alicerce para a construção de uma nova sociedade com um jeito também diferente de ser igreja. Uma igreja que volte às suas origens, comprometida até a morte com o ser humano. Muito interessante foi a experiência de ouvir os testemunhos das pessoas que tiveram a oportunidade de assistir ao documentário 4 de julho, principalmente daqueles que se consideram ateus, muitos deles diziam: “Nunca imaginamos uma Igreja assim”. Tenho certeza de que o sangue derramado por estes mártires do século XX brotará por algum lugar na nossa sociedade, gerando uma espécie de experiência de ressurreição, de experiência pascal.



Fonte: http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2105&secao=271