quarta-feira, 13 de maio de 2009

Uma reflexão sobre o Encontro do Conselho de Coordenação Geral – Abril de 2009

Como Conselho de Coordenação Geral neo-eleito, nós nos reunimos em Roma na semana de Páscoa. Foi um momento de expectativas em diversas direções neste novo inicio, uma vida nova na ressurreição de Cristo; quase como uma flor de primavera, as árvores em flor que anunciam o fim do inverno e a promessa da beleza do verão. O novo Conselho deseja de fato levar um “vento” de vida nova para toda a UAC através dos encontros e reflexões sobre os vários temas apresentados pelos membros de todo o mundo.

Foram realizadas as eleições previstas. Pe. Derry Murphy foi eleito o nosso novo Presidente e o Senhor Corrado Montaldo o Vice Presidente. Os nossos mais sinceros agradecimentos ao Bispo D. Séamus Freeman per todos os anos de dedicação, atenção e perseverança que tornou possível este inicio frutuoso para a UAC. Parabenizamos Pe. Derry, Presidente e Corrado, Vice-Presidente pela nova missão e os acompanhamos com nossas orações. Deus preencha suas vidas com suas bênçãos e com os dons do Espírito Santo para que possam guiar a UAC firmemente no caminho que Deus traçou para nós.

Durante o encontro Pe. Frank Donio foi re-confirmado como Ecônomo Geral da UAC e foram realizados os primeiros passos para estabelecer uma Comissão Econômica. Irmã Bernadetta Turecka, SAC, da Congregação das Irmãs Palotinas Missionárias e membro do Secretariado Geral, assumirá a função de Secretaria Geral ‘pro tempore’.

Várias nações revisaram o seu Regulamento Nacional à luz do Estatuto Geral aprovado definitivamente. O Regulamento revisado pelo CdCN do Canadá foi aprovado; o Regulamento do novo CdCN da Colômbia foi também aprovado e foi apresentado o Regulamento da Comunidade ‘Reina de los Apostoles’ da Argentina. Outros CdCN estão empenhados na revisão dos seus Regulamentos que serão apresentados ao CdCG.

Os Colaboradores possuem uma missão importante na UAC. São pessoas com uma filiação espiritual forte na UAC - seguidamente participam das iniciativas concretas e, em alguns casos, não são católicos e nem cristãos. Mas eles são atraídos pela União e vivem segundo o seu espírito mas sem fazer o Ato de Empenho formal. E pelo fato de sentirem-se atraídos pelo carisma, desejam ser reconhecidos oficialmente de algum modo. Foi decidido estudar o modo pelo qual os colaboradores podem ser formalmente reconhecidos na União.

A União tem uma missão na Igreja e no mundo. Partilhar a nossa compreensão e consciência da Missão foi um outro aspecto central do encontro. Esta partilha teve lugar enquanto refletíamos sobre a missão de cada membro do CdCG e sobre a nossa contribuição para a União. Continuaremos a refletir sobre o tema no Congresso de 2010, cujo tema escolhido para este Congresso é “Da “visão” à missão em comunhão com Maria”.

A programação para o Congresso de 2010 nos conduziu a uma troca de idéias animada e foram dadas muitas sugestões à comissão organizativa. Os participantes chegarão ao Instituto de Nossa Senhora do Carmo em Sassone, perto de Roma, Quinta feira, dia 08 de Abril de 2010. O retorno está previsto para terça feira, dia 13 de Abril. Para todos os membros que já participaram do Congresso em Konstancin, Polônia, em 2005, este será um encontro com os membros da família UAC Internacional. Para aqueles que participarão pela primeira vez será certamente uma experiência maravilhosa e uma oportunidade para encontrar os membros de todo o mundo e para compreender as características internacionais da UAC, para aprofundar o nosso empenho com o carisma do Fundador, para rezar e celebrar como família da Igreja no Espírito de São Vicente Pallotti e para formar amizades.

Como de costume, os momentos de oração e as celebrações litúrgicas foram o centro do nosso encontro. O Bispo D. Freeman foi o celebrante principal na Santa Missa de abertura do dia 14. Quarta feira, dia 15 participamos da Missa da UAC, na Igreja de “San Salvatore in Onda” e rezamos por todos os membros da União. Quinta feira, dia 16 celebramos a Santa Missa no primeiro aniversário de morte do Pe. Giuseppe Leonardi, SAC, junto com os membros da Comunidade “Quinta Dimensão”. Sexta feira, dia 17, de manhã estivemos na Basílica São Pedro e Pe. Fritz Kretz, Assistente Eclesiástico foi o celebrante principal da Santa Missa celebrada na Capela Irlandesa dedicada a São Colombano.

O Estatuto Geral foi traduzido e impresso em italiano, inglês, português e polonês. As traduções em língua alemã, em francês e espanhol estão sendo realizadas. O Estatuto Geral é a nossa linha guia e o ponto de partida da qual operamos na Igreja. É muito importante que tomemos tempo para lê-lo e refletir sobre tudo o que ele contém de tal maneira que possa tornar-se parte viva da nossa vida como membros da UAC. O CdCG continuará a enviar os subsídios para aprofundar os diversos aspectos do Estatuto Geral.

Maria Domke em colaboração com o Secretariado Geral.

Curso de verão, no Cenáculo da Via Ferrari

Como a nascente se difere do rio, assim também deve-se distinguir a espiritualidade de Vicente Pallotti da espiritualidade palotina. A espiritualidade de Pallotti funda-se sobre sua experiência e visão pessoal, expressos de maneira fiel e completa em seus escritos. A experiência e a visão de Pallotti foram acolhidas, compreendidas e vividas de diversos modos pelos seus discípulos, que quiseram seguir o mesmo caminho. Eles fizeram alguns acréscimos, desenvolveram alguns aspectos, colocaram acentos próprios e, às vezes, omitiram alguns pontos ao longo de um século e meio.
Eis o que forma o grande rio da espiritualidade palotina: os desenvolvimentos, as tensões, os acréscimos e os influxos que fazem parte da vida e também dos grandes personagens. Em tudo isso Vicente Pallotti permanece como a fonte desse rio.
Durante os cursos de verão, no Cenáculo – Centro Internacional de Formação palotina em Roma, na Via Giuseppe Ferrari, procuraremos descobrir e conhecer melhor o “grande rio da espiritualidade palotina.”
Estes cursos fazem parte da formação e, segundo nosso santo fundador, é em si mesmo permanente. De fato, o projeto formativo de Pallotti exprime-se nos termos: “caminhar sempre”; “crescer sempre na espiritualidade evangélica para nunca voltar atrás, e viver sempre mais na perfeita imitação da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo”.
Encontros de verão de 2009.
1. Curso sobre a espiritualidade palotina
Do dia 01 a 10 de julho de 2009
2. ENCONTRO SOBRE OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO
Do dia 15 a 20 de julho de 2009
3. ENCONTROS DOS IRMÃOS PALOTINOS
Do dia 24 a 31 de julho de 2009
4. CURSO PARA OS ANIMADORES DA UAC
Do dia 26 de agosto a 02 de setembro de 2009
5. ENCONTRO DOS PÁROCOS PALOTINOS
Do dia 17 a 25 de setembro de 2009
Os cursos são organizados pelos três Secretariados: o Secretariado Geral para a Formação é responsável pelos cursos de espiritualidade e encontro dos irmãos; o Secretariado Geral para o Apostolado Católico organiza dois encontros: sobre os meios de comunicação e dos párocos; o Secretariado Geral da UAC é responsável pela organização do encontro dos animadores da UAC.
Vicente Pallotti escreve: “Amai o retiro e o silêncio e com frequencia buscai com fé o Cenáculo de Jerusalém, onde com os apóstolos esperamos a vinda do Espírito Santo, para motivar mais facilmente a receber a plenitude do Espírito Santo Santificador” (OOCC XIII, 194-195).
Pe. Stanislao Stawicki, SAC
Roma, Via G. Ferrari

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Festa do Santo padroeiro

Cada ano no fim de abril em Novo Airão começa a preparação para a festa do Santo padroeiro: Santo Ângelo. Neste ano nove dias antes do dia 5 de maio começou a novena preparatória para festa, durante a qual cada paroquiano poderia pedir a santo Ângelo, força para vencer todas as dificuldades da vida. No dia 30 de abril começou a festa popular, durante a qual com grande alegria todos poderiam participar de um show de música católica, torneio de dominó, bingo, leilão no qual um dos prêmios foi um boi vivo.
No domingo dia 3 de maio, de acordo com a tradição do lugar, na frente da igreja foram colocados dois altos mastros com frutas e legumes. Mas o dia mais importante foi dia 5 de maio, dia em que a Igreja celebra a memoria de Santo Ângelo. Á s 17:00 horas nas ruas da cidade saiu a procissão com a imagem do Santo. Na procissão do lado dos fiéis participaram frei Wilmar Santin das ordens dos carmelitas, junto com o sênior dos padres palotinos Pe. José Maslanka SAC e Pároco Pe. Artur Karbowy SAC.
Durante a Missa presidida por Frei Wilmar todos tiveram a oportunidade de conhecer mais sobre a vida do primeiro santo carmelita. Frei Wilmar destacou que a paróquia de Nova Airão é a única do Brasil que tem como padroeiro Santo Ângelo. Falando sobre a vida do santo, Frei Wilmar lembrou que os pais de Ângelo eram judeus e se chamavam Jessé e Maria.
O nascimento de Ângelo e de seu irmão João foi preanunciado pela Virgem Maria numa aparição aos seus pais. Após esta aparição os pais de Ângelo se converteram ao cristianismo. Ao se tornarem órfãos, os dois irmãos foram educados pelo patriarca Nicodemos até a idade de 18 anos; quando entraram no convento Santa Ana dos Carmelitas junto à Porta Áurea em Jerusalém, a pátria deles. Após um ano de prova, foram para o Monte Carmelo, aonde por 10 anos viveram em rigoroso ascetismo. Aos 28 anos, Ângelo, após ter estado em Jerusalém para receber a ordenação sacerdotal, se retirou no deserto da Quarentena, permaneceu ali por 5 anos em oração e penitência. Ao final deste período, numa aparição Cristo lhe ordenou ir para a Sicília com a finalidade de tentar a conversão de um pecador chamado Berengário, que há muito tempo convivia com a própria irmã e com a qual tinha tido 3 filhos. Viajando chegou para Roma. Durante a visita aos lugares santos, em São João do Latrão encontrou-se São Francisco e São Domingos. Na ocasião Ângelo predisse os estigmas a São Francisco. Ângelo recebeu de São Francisco o anúncio de que seria martirizado em breve.
Retornando à Sicília primeiro em segredo e depois publicamente tentou converter Berengário, que – desesperado por causa da conversão da irmã – no dia 5 de maio de 1220, enquanto Ângelo pregava para 5.000 pessoas junto à igreja dos santos Felipe e Tiago perto do mar, feriu o santo mortalmente com cinco golpes de espada. Antes de morrer, o santo recomendou para que não vingassem a sua morte. Oito dias depois de sua morte e de vários prodígios, Ângelo apareceu ao arcebispo de Palermo e lhe pediu sepultura.
Já venerado no século XIV, após a divulgação da vida atribuída a Enoque, o culto de Santo Ângelo teve grande difusão entre os carmelitas e o povo. O Capítulo Geral dos Carmelitas de 1498 prescreveu que em todos os conventos carmelitas se fizesse uma comemoração todos os dias. Em 1564 se estabeleceu a celebração da festa com oitava solene.

PARA QUE PRODUZAIS MUITO FRUTO

Existe uma árvore que não é muito conhecida em Portugal que tem o nome de jabuticabeira. Esta tem o nome pelo seu fruto que é a jabuticaba. Esta árvore geralmente produz muito fruto. Este é, exteriormente muito parecido com a uva, com a diferença que não cresce em cacho, mas colado ao tronco ou aos galhos desta árvore.
É tanta a sua produtividade que por vezes, mesmo na raiz, quando esta está descoberta, crescem nela os frutos. Por que estou a escrever isto? Porque os primeiros cristãos, de modo especial São Paulo, do qual estamos a viver o ano, eram como a jabuticabeira. Produziam frutos em toda a parte, “até na raiz”. Na primeira leitura de hoje, vemos São Paulo, recém-convertido, já pregando com ousadia em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. E não somente ele que foi chamado a ser Apóstolo, mas também os fiéis leigos. Basta ver Actos: “Entretanto, os que se tinham dispersado, devido à perseguição desencadeada por causa de Estêvão, adiantaram-se até à Fenícia, Chipre e Antioquia, mas não anunciavam a palavra senão aos judeus. 20Houve, porém, alguns deles, homens de Chipre e Cirene que, chegando a Antioquia, falaram também aos gregos, anunciando-lhes a Boa-Nova do Senhor Jesus.” (Act 11,19-20) Ou seja, os cristãos, obrigados a abandonar suas casas, seus bens e fugir para salvar suas vidas durante a perseguição, ao invés de murmurar contra Deus, começavam logo, para onde iam, a anunciar o Nome de Jesus Cristo. Eles eram como a jabuticabeira que davam frutos em toda a parte: perseguidos ou em paz; na riqueza ou na pobreza. Eles tinham amor a Cristo e um santo temor de Deus. Não queriam ser separados de Jesus. Na certa eles tinham ouvido e guardado no coração as palavras do Evangelho de hoje: “«Eu sou a videira verdadeira e o meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que não dá fruto em mim e poda o que dá fruto, para que dê mais fruto ainda.” (Jo 15,1-2) O que é o fruto? É aquilo que na planta não serve para ela mesma, mas sim para os outros. O fruto contém alimento e semente. Alimento para saciar a fome de outros e semente para reproduzir a planta. Trazendo para nós, o fruto é caridade e apostolado.

O cristão que está em Cristo (­­­­“Comungo, não mato, não roubo….”), mas que não dá fruto de caridade e de apostolado, é cortado da videira que é Jesus. E todo o que produz fruto é limpo, podado e santificado pelo Pai Celeste. Porém, se estivermos de facto unidos a Cristo, não há como não produzir frutos. Para nós padres dizia o Santo Padre o Papa Bento XVI: «A celebração eucarística é o acto de oração maior e mais alto e constitui o centro e a fonte da qual também as demais formas de oração recebem a "seiva": a liturgia das horas, a adoração eucarística, alectio divina, o santo Rosário, a meditação». «O sacerdote que reza muito e reza bem, vai ficando progressivamente despojado de si mesmo e fica cada vez mais unido a Jesus, Bom Pastor e Servo dos irmãos»

Quanto aos leigos, devem adaptar-se às condições próprias de sua vida. De uma macieira Deus Nosso Senhor espera maçãs e não figos. Assim cada um deve produzir frutos de caridade e de apostolado consoantes à sua realidade vital. Convivi há alguns anos atrás com um senhor que me parece ser um luminoso exemplo disso. Ele tinha, salvo erro, de escolaridade, apenas a quarta série primária. Porém era (penso que ainda será) um homem de uma profunda piedade. Acordava cedo, e como era ministro da Comunhão Eucarística e tinha as chaves da Igreja, ia para adorar o Santíssimo antes das cinco da manhã e permanecia até as sete. Mesmo tendo tão pouca escolaridade, sentava-se na mesma mesa junto com médicos de alto gabarito, como sócio conselheiro da instituição mantenedora do Hospital São José do Avaí, que ele, como vicentino, ajudou a fundar. Este hospital foi o primeiro no estado do Rio e Janeiro a fazer transplante de coração com equipa local; é também, actualmente, o segundo maior centro de cirurgia de aneurisma do mundo. Quem deu força a esse homem para produzir tanto fruto? Só podemos dizer o que diz o Salmo 118: “Isto foi obra do Senhor e é um prodígio aos nossos olhos.” (Sl 118,23) Estamos também no mês de Maio, mês de Nossa Senhora. O último dia deste mês, ou seja dia 31, é também dia de Pentecostes. Que este mês de Maio seja todo um grande cenáculo, ou melhor, uma grande “novena” (com mais de nove dias) de Pentecostes, na qual pedimos que o Espírito Santo reacenda em nós o ardor apostólico e caritativo. Vem Espírito Santo e renova a face da terra….

Para as células de Evangelização:
Comente a frase do Evangelho: “Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer.” (Jo 15,5) Como podemos, junto com Nossa Senhora, neste mês de Maio, nos preparar melhor para celebrar Pentecostes?

Pe. Marcelo

quinta-feira, 7 de maio de 2009

FESTA DE SANTO ÂNGELO EM NOVO AIRÃO

Fui convidado para pregar na festa de Santo Ângelo em Novo Airão, AM, pelo Pe. Artur Karbowy, SAC. Ele está na paróquia somente há 2 meses, mas como ele soube que Santo Ângelo é um mártir carmelita, resolveu convidar um carmelita para pregar na festa do padroeiro de sua paróquia. Assim recebi o convite para pregar em Novo Airão no dia 5 de maio, festa de Santo Ângelo. Pe. Artur logo foi me falando: eu e o povo não sabemos nada de Santo Ângelo a não ser que ele é carmelita e que morreu mártir.Como a devoção a Santo Ângelo chegou a Novo Airão? Não se sabe o ano nem como exatamente, mas com toda certeza a resposta está nas missões carmelitas no rio Negro no século XVIII. Os documentos relatam que os carmelitas tiveram uma missão em Airão e que o padroeiro era Santo Elias. Seu nome inicial foi Santo Elias do Jaú e está situada na margem direita do rio Negro a 44 léguas de sua foz. Anteriormente havia uma aldeia na margem esquerda e se chamava aldeia de Tarumá, que tinha sido fundada por um mercedário. Posteriormente a aldeia Santo Elias do Jaú recebeu o nome de Airão. A reformas pombalinas provocaram a ruína da maioria das missões. Com Airão não foi diferente. Houve época em que só tinha uma família morando ali. Provavelmente foi um missionário carmelita do Airão quem fundou uma missão ou construiu uma capela onde está o Novo Airão dedicada a Santo Ângelo. Havia outra aldeia dedicada a Santo Ângelo, que ficava em Cumaru (Poiares). Foi fundada antes de 1720 por Frei Braz de Santa Teresa. Estava situada na margem direita do rio Negro em Poiares a 17 léguas de Aracari (Carvoeiro) e 7 de Mariuá (Barcelos). Ainda não descobri se ainda existe algo desta missão.
Atualmente Novo Airão tem em torno de 15 mil habitantes, dos quais 10 mil moram na cidade. A paróquia é atendida pelos padres palotinos desde 1973, ou seja, desde que o Pe. José Maslanka chegou ali. Ele é polonês, está com 75 e em agosto completará 50 anos de ordenação sacerdotal. Quando ele chegou em Novo Airão, o lugarzinho só tinha 490 habitantes. Conta-se havia uma maldição de um padre no sentido de que o lugar nunca iria pra frente. O padre jogou a praga porque alguns homens o prenderam num galinheiro e o deixaram ali por toda uma noite. O Pe. José, quando chegou em 1973 e escutou a história, tratou logo de dar uma bênção para neutralizar a maldição. Parece que funcionou, visto que hoje a cidade tem 20 vezes mais habitantes em relação àquela época.
A sede do município foi transferida do Velho Airão, como é conhecido hoje, para Novo Airão. É ali que se encontram os famosos botos cor-de-rosa, tornados conhecidos por Jacques Custeau quando realizou pesquisas na Amazônia.
A Paróquia Santo Ângelo de Novo Airão é a maior paróquia em extensão territorial da Arquidiocese de Manaus (37.000 km2). A igreja é nova. A velha igreja de madeira foi demolida, porque estava em perigo de cair. Há 54 comunidades na paróquia, das quais 2 têm Santo Elias como padroeiro (uma é Velho Airão) e outra que tem Santo Alberto como padroeiro (a do Km 53). Pe. José fundou nas comunidades ao longo do rio Negro 22 escolinhas. Estas atualmente estão sob a responsabilidade da prefeitura.
Mesmo sem a presença de um carmelita por mais de 200 anos, a devoção a Santo Ângelo permanece até hoje. O que o povo sabia sobre o seu padroeiro era que ele era carmelita e mártir. Sem dúvidas o fato de se ter uma imagem grande contribuiu para a permanência a devoção. Segundo se conta a imagem tem mais de 300 anos. Pode até ser, porque em 1702 os carmelitas já estavam no Airão. Provavelmente a imagem foi trazida de Portugal. O Pe. José conta que, quando chegou em Novo Airão, havia alguns que queriam mudar de padroeiro. Queriam colocar Santo Elias. Isto porque tinham suas raízes no Airão Velho. Pe. José disse: “Deve-se respeitar o padroeiro, se aqui Santo Ângelo é o padroeiro, ele deve continuar como tal”. Por isso a paróquia ao ser criada foi dedicada a Santo Ângelo e tornou-se a primeira e única Paróquia Santo Ângelo no Brasil.
Na festa deste ano houve procissão pela cidade, que durou quase uma hora. Depois a missa solene presidida por mim e concelebrada pelos padres Artur e José. Evidentemente que falei sobre Santo Ângelo. Dei alguns dados biográficos e frisei aspectos de suas virtudes como homem de oração, penitência e sobretudo como pregador e cumpridor das missões que recebeu. Ao terminar a missa o povo prestou sua homenagem, beijando a imagem ou as fitas que estavam ligadas à imagem. Há um hino de Santo Ângelo. Neste, na 4ª estrofe, cantam como se Santo Ângelo passou pela Amazônia: “De amansar tribos bravias, – Vencestes vossa missão, – Pregando o Evangelho – No meio da multidão”. Outra coisa que me chamou a atenção foi ver 2 mastros em frente da igreja com frutas e no alto uma bandeira com Santo Ângelo.
Foi uma boa experiência e quero voltar lá mais vezes.
Frei Wilmar Santin, O.Carm.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Uma carta, um escrito daqui de dentro, num dia especial

O Senhor Jesus disse que um escriba sábio, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é aquele que consegue “tirar coisas novas e antigas de dentro de seu baú.” (Mt 13, 52) Interessante descobrir esta dinâmica em nossa vida.

A busca do novo nos faz bem, nos faz sentir atualizados, nos faz... até mesmo desconhecer-se a nós mesmos: o novo pode nos fazer sair de nós e, quando voltamos, não nos reconhecemos.

Ao mesmo tempo, o antigo tem sua necessidade... e seu perigo! Permanecer no meu “ser como sempre fui” é importante para preservar minha identidade, minha história; porém, não permite que cresça.

Daí, nesta tensão entre o antigo e o novo, um que me puxa para dentro e outro que me leva para fora, um que me promove a segurança e outro que me leva a ariscar, sim, nesta dinâmica (e quem sabe crise?!), vem o Senhor Jesus e nos proclama a sua Boa Nova: “tirar coisas novas e antigas de dentro do baú”!

A sabedoria nasce não de uma opção que me permite somente preservar ou que me faz somente atualizar-me. A sabedoria nasce da tensão em ser novo e antigo ao mesmo tempo. Nasce da fecundidade de um “solo que é molhado na medida certa”, ou seja, de uma história (o elemento antigo) fecundada pela experiência, pelo estudo, pelo contato com o diferente (o elemento novo).

Hoje descubro a força da palavra do Senhor que me coloca sempre em movimento e que me preserva! Hoje descubro, mais uma vez, aquele versículo que escolhi como lema sacerdotal, há cinco anos atrás: “Permanecer no Amor”: ao mesmo tempo em que me preserva em sua segurança, faz mover-me, deslocar-me, desinstalar-me. É a experiência do antigo e do novo.

Na minha Eucaristia celebrada na Eucaristia do Senhor Jesus, agradeço por cada um de vocês e por suas orações.

Pe. Daniel Luz Rocchetti SAC
1 de Maio de 2005: 5 aniversário de ordenação presbiteral

Jornada de Evangelização

Nos dias 11 a 14 de junho de 2009, a Paróquia de São Benedito – Itaperuna-RJ, estará recebendo jovens de todo o território nacional para uma grande Jornada de Evangelização.A Região Mãe da Misericórdia estará recebendo, pela primeira vez, um evento Nacional, isso torna o trabalho mais especial do que nunca. Por isso, convido todos os jovens palotinos para estar conosco neste dia de evangelização.

Venham conhecer o carisma palotino! Somos jovens apostólicos missionários, unidos pelo carisma de São Vicente Pallotti, a serviço de Deus.

Cristiano Nino