sábado, 4 de dezembro de 2010

O ARREPENDIMENTO QUE GERA A PAZ

Quando chegou o tempo determinado por Deus, a “plenitude dos tempos”, “o Verbo Divino se fez carne e habitou entre nós”. Porém, tal vinda do Senhor foi precedida pela oração, penitência e pregação de João Baptista. 
Sua vocação já vinha predita antes do seu nascimento. O próprio Jesus referindo-se a João citou o profeta Malaquias: “«Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Então que fostes ver? Um homem vestido de roupas luxuosas? Mas aqueles que usam roupas luxuosas encontram-se nos palácios dos reis. Que fostes, então, ver? Um profeta? Sim, Eu vo-lo digo, e mais que um profeta. É aquele de quem está escrito: Eis que envio o meu mensageiro diante de ti, para te preparar o caminho.” (Mt 11,7-10)
Tal vocação foi explicitada pela profecia de seu pai: “E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás à sua frente a preparar os seus caminhos, para dar a conhecer ao seu povo a salvação pela remissão dos seus pecados, graças ao coração misericordioso do nosso Deus, que das alturas nos visita como sol nascente, para iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz.» (Lucas 1,76-79)
O curso da história, é conhecida por Deus Nosso Senhor. Por isso, os grandes factos são devidamente preparados pela Divina Providência para a salvação dos homens que escutam a sua voz. Assim, antecedendo a primeira vinda de Cristo vimos o ministério de São João Baptista.
A nós, resta a missão de preparar não mais a primeira vinda do Senhor, mas a sua segunda vinda em glória.
No entanto, a Igreja sempre ensinou que o tempo da conversão é agora, pois a vinda de Cristo, para a maioria dos homens, coincidirá com o dia de sua morte. Todos os pecados, mesmo os mais graves, são perdoados em vida pelo arrependimento e o sacramento da Reconciliação. Porém, ensina o Catecismo da Igreja: «A morte põe fim à vida do homem como tempo aberto ao acolhimento ou ao refúgio da graça divina surgida em Cristo». (CIC 1021) Como diz São Paulo: “E, assim como está determinado que os homens morram uma só vez e depois tenha lugar o julgamento”…  (Heb 9,27) João Baptista não teve receio de colocar claramente diante dos olhos de seus contemporâneos esta opção decisiva: “Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo e no fogo. Tem na sua mão a pá de joeirar; limpará a sua eira e recolherá o trigo no celeiro, mas queimará a palha num fogo inextinguível.” (Mt 3,12) O céu existe e é eterno; inferno existe, e é eterno. Sobre isso dizia o Papa Bento XVI: “Só Deus pode criar justiça. E a fé dá-nos a certeza: Ele fá-lo. A imagem do Juízo final não é primariamente uma imagem aterradora, mas de esperança; a nosso ver, talvez mesmo a imagem decisiva da esperança. Mas não é porventura também uma imagem assustadora? Eu diria: é uma imagem que apela à responsabilidade.” (Spe Salvi 44)
Desse modo, o dom do arrependimento e da confissão dos pecados, longe de ser algo que oprime o ser humano, é algo que o liberta em todos os sentimos: Social, psicológica e espiritualmente. Sobre esta paz que a reconciliação com Deus e consequentemente com o próximo nos traz, fala a segunda leitura de hoje: “Por conseguinte, acolhei-vos uns aos outros, na medida em que também Cristo vos acolheu, para glória de Deus.” (Rm 15,7) Não seria uma imagem desta reconciliação a figura que Isaías nos trouxe na primeira leitura? “Então o lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo deitar-se-á ao lado do cabrito; o novilho e o leão comerão juntos, e um menino os conduzirá.” (Isaías 11,6) Tantos santos e santas que viveram com cônjuges que não eram “flor que se cheirasse”e que conseguiram-lhes a conversão, como Isabel de Portugal e Santa Rita de Cássia, não são exemplos claros desta Palavra? Comecemos por nós mesmos e deixemos que o convite de João Baptista encontre eco em nossas vidas: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.” (Mt 3,3)

Para as Células de Evangelização.

Teremos Confissões de Natal com os padres do Arciprestado no dia  16 de Dezembro em Febres. Sejamos também um “João Baptista” em nossa casa e vizinhança, convidando para esta preparação. Se alguém da sua Célula fez o COR, que partilhe como foi sua experiência.
Pe. Marcelo 

Nenhum comentário: